Delegado da PF submeteu Lula a um interrogatório de investigado clássico


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Josias de Souza
Oficialmente, o delagado Josélio Azevedo de Sousa, da Polícia Federal, ouviu Lula como testemunha. Na prática, submeteu-o a um interrogatório de investigado clássico. Intimado, Lula compareceu perante a autoridade policial na última quarta-feira (16). Deu-se na sede da PF, em Brasília. O depoimento foi divulgado nesta sexta-feira. Ocupa nove páginas. O conteúdo revela um personagem em apuros. Crivado de interrogações sobre o escândalo da Petrobras, Lula manteve a fábula do “eu não sabia”. Mas suas contradições denunciam a dificuldade de manter o velho enredo.
No pedido que enviou ao STF para interrogar Lula, o delegado Josélio anotara que, “na condição de mandatário máximo do país” na época do assalto à Petrobras, Lula “pode ter sido beneficiado pelo esquema, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal.” Por isso queria ouvi-lo. E caprichou nas perguntas.
O doutor quis saber de que matéria-prima é feita a coligação partidária que dá suporte aos governos do PT. Lula tentou distrair o delegado com um conto da carochinha. Disse que o apoio que sua gestão recebeu foi “baseado na afinidade dos partidos com o programa de governo elaborado nas duas campanhas” presidenciais que venceu.
Antes que a inquirição virasse comédia, o delegado puxou Lula de volta para o drama que o assedia. E o interrogado foi ajustando o lero-lero à realidade. Lula afirmou que, “numa política de coalizões, presume-se que haja a distribuição de ministérios e cargos importantes do governo para os partidos políticos que compõem a base de apoio.”
O delegado injetou na conversa o nome de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, preso no Paraná sob acusação recolher propinas na estatal em nome do PT. Lula não se deu por achado. Disse não ter nada a ver com a nomeação de Duque. E acomodou a encrenca no colo do grão-petista José Dirceu, também preso por ordem do juiz paranaense Sérgio Moro.
Segundo Lula, o nome de Duque foi submetido ao crivo da Casa Civil da Presidência, então chefiada por Dirceu. Nessa época, Lula chamava Dirceu de “capitão do time” de ministros. “Cabia à Casa Civil receber as indicações partidárias e escolher a pessoa que seria nomeada”, disse o morubixaba do PT ao delegado.
O doutor Josélio perguntou se Duque era o homem do PT na diretoria da Petrobras. Lula disse não saber “se foi o PT ou outro partido” que o indicou. Realçou que não conhecia Duque. E quanto a Nestor Cerveró, outro ex-diretor da Petrobras preso? No caso de Cerveró a memória de Lula fez questão de prestar-lhe socorro: “Foi uma indicação política do PMDB.”
Lula repetiu que não participou do processo de escolha dos diretores da Petrobras. Espremido, afirmou que a escolha dos nomes passava pela costura de acordos políticos. Acrescentou que os acordos “eram feitos normalmente pelo ministro da área, pelo coordenador político do governo e pelo partido interessado na nomeação.”
A Petrobras pende do organograma do Ministério de Minas e energia. A ministra “da área” era Dilma Rousseff. Mas Lula se absteve de mencionar-lhe o nome. O delegado perguntou quem era o coordenador político do governo. Lula respondeu que teve vários coordenadores ao longo dos seus dois mandatos. Empilhou quatro nomes: Tarso Genro, Jaques Wagner, Alexandre Padiha e Aldo Rebelo. Alegou não se lembrar qual deles tratou das nomeações de Renato Duque e de Nestor Cerveró.
De tanto o delegado escarafunchar, Lula acabou caindo em algo muito parecido com uma contradição. Reconheceu que a palavra final sobre as nomeações era dele. Depois de ter jogado a responsabilidade sobre os ombros de Dirceu, o interrogado explicou que os partidos negociavam suas nomeações com diversos atores —os ministros da área, o coordenador político…— “nao somente com o ministro-chefe da Casa Civil.”
Foi nesse ponto do depoimento que Lula acabou premiando a insistência do delegado com o reconhecimento de que, “ao final do processo”, o fisiologismo desaguava no gabinete presidencial. Ouvido, Lula “concordava ou não com o nome apresentado”. Para não ficar mal no inquérito, Lula apressou-se em dizer que baseou suas escolhas em “critérios técnicos que credenciavam o indicado”. Deu no petrolão.
Vários delatores da Lava Jato disseram que Lula negociou diretamente com José Janene, então líder do PP na Câmara, a permanência do corrupto confesso Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras. Mas Lula disse ao delegado Josélio que “nunca tratou com qualquer liderança de qualquer partido sobre a indicação de algum nome para cargo na administração pública.” Hã, hã.
A certa altura, o delegado voltou a um tema que abordara no início da inquirição. Afinal, quais diretores da Petrobras foram indicados pelo PT? E Lula escorregou. Depois de dizer que não sabia que partido havia pendurado Renato Duque na diretoria da estatal petroleira, Lula afirmou que o personagem “talvez tenha sido uma indicação do PT.”
Lula responsabilizou-se pessoalmente, de resto, pela nomeação de dois personagens que passaram pela presidência da Petrobras: os petistas José Sérgio Gabrielli e José Eduardo Dutra. O segundo já morreu. Mas Gabrielli continua na alça de mira da força-tarefa da Lava Jato.
O delegado inquiriu Lula também sobre João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT preso no Paraná e já condenado em sentença de Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato. Lula disse que sua relação com Vaccari no partido “foi pequena, já que, em 1996, deixou a presidência do PT.” Quando virou presidente da Repúlica, aí mesmo é que “passou a ter menos contato”. Lorota.
Em 2003, no alvorecer do primeiro reinado de Lula, Vaccari presidia o Sindicato dos Bancários de São Paulo e exercia a atribuição de secretário de Finanças da CUT, o braço sindical do PT. Na fase de composição do governo, o petismo quis fazer de Vaccari presidente da Caixa Econômica Federal. Dois obstáculos barraram as pretensões de Vaccari: o nariz torcido de Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, e a falta de diploma universitário. Os estatutos da Caixa exigem que o presidente tenha passagem pelos bancos de uma universidade. E Vaccari não preenchia esse quesito.
Para não deixar o companheiro ao relento, Lula abrigou-o no Conselho de Administração de Itaipu Binacional. Então ministra de Minas e Energia, de cujo organograma pende a estatal, Dilma não opôs resistência. E Vaccari foi alçado a uma das sinecuras mais cobiçadas da República. A posição de conselheiro de Itaipu lhe exigia pouco trabalho (uma reunião a cada dois meses) e rendia remuneração mensal na casa dos R$ 20 mil. Vaccari só deixou o posto depois que a Lava Jato o pendurou de ponta-cabeça nas manchetes.
Numa fase em que amigos podem se converter em delatores, Lula cuidou de afagar Vaccari no depoimento ao delegado Josélio. Lembrou que “ele assumiu a tesouraria do partido em 2010”. E disse que “soube pela direção do partido que ele fez um excelente trabalho à frente da Tesouraria do PT.” Mais: “Todos os membros da direção do partido, inclusive seu presidente, Rui Falcão, declararam a qualidade do trabalho desempenhado por Vaccari no comando da tesouraria do PT.” A Lava Jato demonstra que, sob Vaccari, a tesouraria do PT, tão elogiada por Lula, contém o anabolizante das propinas extraídas da Petrobras.
O delegado perguntou a Lula a que atribui a condenação de Vaccari na Lava Jato. O interrogado atribuiu o infortúnio às delações premiadas. E disse confiar numa reversão da sentença em instâncias superiores do Judiciário. Lula disse não acreditar que Vaccari tenha obtido “vantagens indevidas a partir de contratos celebrados pela Petrobras”. Por quê? “Ele é conhecedor da legislação.” Então tá!
Incômodo como maquininha de dentista, o delegado conduziu o interrogatório para José Carlos Bumlai, o pecuarista que tinha passe livre no Planalto e terminou na cadeia. Lula disse que o conheceu na campanha presidencial de 2002. Reconheceu que mantém com o suspeito uma “relação de amizade”. Chegou mesmo a hospedá-lo “algumas vezes” na Granja do Torto, em Brasília —com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Mas disse jamais ter tratado com Bumlai de assuntos relacionados com “dinheiro ou valores.”
Bumlai é acusado de corrupção. Pegou empréstimo de R$ 12 milhões no Banco Schahin. Em depoimento, disse ter repassado a verba ao PT. O financiamento jamais foi pago. Em troca do perdão da dívida, Bumlai intermediou um contrato do Grupo Schahin com a Petrobras. Coisa de R$ 1,6 bilhão. Lula, naturalmente, não sabia.
A alturas tantas, o delegado perguntou a Lula por que pessoas que integraram o seu governo são alvejadas por inquéritos que tramitam no STF. Lula atribuiu o fenômeno a três fatores: “o processo de transparência e aprimoramento dos órgãos de fiscalização e controle, […] ocorrido ao longo dos últimos doze anos; b) à imprensa livre; e c) a um processo de criminalização do PT. Hummm…
Lula não disse, mas a criminalização do PT é obra do próprio PT. Revolucionário, o partido descobriu uma fórmula inédita de combate à corrupção. O PT escancara os roubos cometendo-os. Por sorte, algo de diferente sucede no Brasil: ex-presidente da República interrogado assim, como uma testemunha suspeita, é coisa nunca antes vista na história desse país.

Lobo mau


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Mary Zaidan
Quando cumpria seu primeiro mandato na Assembleia de Alagoas, o jovem Renan Calheiros surrava sem compaixão o prefeito de Maceió, Fernando Collor de Mello, a quem se referia como “príncipe herdeiro da corrupção”. Poucos anos depois, já deputado federal, lideraria a campanha do “caçador de marajás” à Presidência da República e, mais tarde, o processo de impeachment do ex-amigo. De lá para cá, o todo poderoso presidente do Senado aperfeiçoou-se na prática de sugar o outro ao máximo e descartá-lo seco e sem sumo quando não tem mais serventia. Nada indica que com a presidente Dilma Rousseff será diferente.
Desde o início do segundo mandato de Dilma, Renan tem oscilado entre o apoio e puxões de tapete. Longe de qualquer inspiração republicana, o humor varia de acordo com o que ele pode obter do governo. Um padrão que repete desde sempre.
Igualmente hábil no cultivo de amigos e de inimigos por conveniência, é afável e ferino em proporções quase idênticas. Aprontou com José Sarney, que virou seu amigo e mentor, e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem foi ministro da Justiça. Ajudou Collor a destruir o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, aliou-se a Lula para acabar com Collor e juntou os dois – Lula e Collor – quando vislumbrou frutos para si na união.
Quanto a Dilma, nunca a levou a sério. Entre quatro paredes, fala horrores dela.
Mas, sob pressão de meia dúzia de processos no âmbito da Lava-Jato, não perderia jamais a oportunidade de ofertar o ombro a uma presidente sem crédito e desamparada.
Especialmente depois de Renan ter o seu sigilo bancário e fiscal quebrado, informação que só se tornou pública neste fim semana, em reportagem da revista Época. Ocorrida há mais de uma semana, a autorização do STF para vasculhar suas contas podem explicar o ímpeto governista que se apossou de sua alma nos últimos dias.
Presidente do Senado que já renunciou ao cargo uma vez para manter o mandato, Renan sabe que, caso tenha de repetir a dose, não basta verbo para convencer seus pares. É mais experiente, safo. Tem olhos para ver o que ocorre na Casa ao lado, onde o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conta cada vez com menos aliados.
Curiosamente, Cunha – que há muito deveria estar fora do posto e do Parlamento – passou a ter a torcida do Planalto e até alguma ajuda, em surdina, para permanecer no cargo. Tê-lo lá permite ao governo manter a estratégia de acusá-lo de ter aberto o processo de impeachment por simples vingança.
Na outra ponta, a fidelidade de última hora de Renan começou a ser construída como arrimo para uma eventual catástrofe. Seu primeiro foco foi o PMDB, seara na qual tinha perdido terreno para o vice-presidente Michel Temer. Para tentar abatê-lo, pediu que o TCU auditasse decretos assinados pelo vice da mesma natureza dos que constam na solicitação de impedimento de Dilma.
Renan fez isso de forma calculada, antes de ser aquinhoado pelo Supremo com o poder absoluto de decidir sobre o impeachment e, portanto, de escravizar Dilma.
Aprisionada e sem saída, a presidente fará o que Renan mandar até a última gota de tinta de sua caneta. E, assim como fez com outros, Renan só vai suportá-la enquanto auferir vantagens.
Ao contrário do que diz a fábula, Renan não se esconde em pele de cordeiro. É lobo e se mostra como tal.
E estão alimentando a fera.

Pai de Sophia ficou 'agressivo e autodestrutivo', diz mãe da menina


Ricardo Najjar é acusado de agir de forma cruel para matar filha de 4 anos.
Polícia fez reconstituição do crime em computador e com impressora 3D.

Nesta semana, o Ministério Público de São Paulo denunciou Ricardo Najjar, de 23 anos, pelo assassinato da própria filha, a menina Sophia, de apenas quatro anos. O crime aconteceu dia 2 de dezembro. O Fantástico mostra detalhes da investigação policial, como a simulação virtual da agressão à criança e mais trechos da ligação que Ricardo fez ao serviço de emergência.(veja vídeo)

Janot acusa Cunha de receber R$ 1,9 mi para beneficiar empreiteiras na Olimpíada



  • Ueslei Marcelino/Reuters
Rio de Janeiro - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de ter negociado a inclusão de projetos de interesse de empreiteiras que fazem obras para os Jogos Olímpicos do Rio, durante a apreciação no Congresso de medida provisória (MP) enviada pelo governo. A MP 584, de 2012, concede incentivos tributários para a Olimpíada de 2016. Segundo Janot, Cunha acertou com José Aldemário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro, executivo da empresa OAS, que faz obras para os Jogos, o pagamento de R$ 1,9 milhão para beneficiar empreiteiras.
Na medida cautelar em que pede ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki o afastamento de Cunha do cargo de deputado federal, Janot informa que, poucos dias depois de trocar mensagens sobre a MP 584 com Léo Pinheiro, "Cunha cobrou o pagamento de valores, que, pelo teor das conversas anteriores, era em duas partes: R$ 1,5 milhão e R$ 400 mil".
No documento enviado ao Supremo, Janot sustenta que Eduardo Cunha tratou da apresentação de emendas à MP 584 com o então senador Francisco Dornelles (PP-RJ), hoje vice-governador do Estado do Rio de Janeiro.
"Francisco Dornelles apresentou nada menos que 15 emendas à referida MP", diz o procurador na medida cautelar. Janot destaca a emenda 52, em que Dornelles propõe medidas de incentivo fiscal para investimentos em infraestrutura de transporte que facilitassem a mobilidade urbana no Rio, sede dos Jogos.
A emenda foi inclusa no texto final da MP. Na medida cautelar, o procurador identifica incorretamente Dornelles como deputado, e não senador.
O procurador informa que, em troca de mensagens por celular com Léo Pinheiro, Cunha perguntou ao executivo da OAS se havia "emenda de vocês" à MP 584. Em seguida, disse que falaria com Dornelles. Janot destaca que Dornelles é "conhecido de longa data de Eduardo Cunha". O procurador disse ainda que, um mês depois das primeiras mensagens sobre a MP 584, Cunha disse a Léo Pinheiro que o texto da MP "ficou muito bom" e "alcança todas as obras no Rio".
Investigado pela Operação Lava Jato, que apura esquema de pagamento de propinas na Petrobras e em outras estatais, Léo Pinheiro foi condenado em agosto deste ano pelo juiz federal Sergio Moro a 16 anos e 4 meses de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e atividade em organização criminosa. O executivo, que sempre negou qualquer envolvimento no esquema de corrupção e recorreu da condenação, aguarda em liberdade a manifestação da segunda instância do Judiciário.
No documento encaminhado a Teori Zavascki, o procurador cita outras medidas provisórias discutidas em mensagens por Cunha e Pinheiro. Janot diz que a "relação espúria se verifica, ainda, nas centenas de mensagens trocadas entre Léo Pinheiro e Eduardo Cunha" por celular.
"A partir de tais mensagens, é possível verificar nitidamente o modus operandi do grupo criminoso. Projetos de lei de interesse das empreiteiras eram redigidos pelas próprias empreiteiras, que os elabora, por óbvio, em atenção aos seus interesses espúrios, muitas vezes após a 'consultoria' de Eduardo Cunha", afirma Janot.
De acordo com o procurador, projetos e emendas de interesse das empreiteiras eram apresentados, muitas vezes, "por meio de algum deputado ligado a Eduardo Cunha, para não vinculá-lo diretamente".
A obra mais importante da OAS para a Olimpíada é a revitalização da zona portuária carioca, um investimento de R$ 8 bilhões em Parceria Público-Privada (PPP) com a Prefeitura do Rio. A empreiteira faz parte da Concessionária Porto Novo, com 37,5% das ações, em sociedade com as empreiteiras Odebrecht (37,5%) e a Carioca Engenharia (25%).
As obras incluem um novo sistema viário na região, com construção de avenidas e vias expressas. Para os Jogos Olímpicos, a OAS também participa da construção do Parque de Deodoro - sede de esportes olímpicos na zona oeste -, de reservatórios contra enchentes e da limpeza das lagoas da Barra da Tijuca (zona oeste), que são muito poluídas.
A OAS foi procurada por e-mail ontem, mas não respondeu. O vice-governador Francisco Dornelles não retornou as ligações. Cunha não respondeu mensagem enviada ao seu telefone celular.
Em reportagem publicada ontem pelo `Estado', o presidente da Câmara disse que a medida cautelar de Rodrigo Janot "beira o teatro acusatório e chega quase ao ridículo" e afirmou que não comentaria trechos específicos do documento.

Família de formando que teve morte súbita recebe homenagens no RS


Familiares de Leonardo Mazzochi pediam que canudo fosse entregue.
Jovem de 26 anos morreu pouco antes de se formar em medicina.

Aline CornelyDo G1 RS
Familiares do aluno morto Leonardo Mazzocchi recebem homenagem em sua formatura (Foto: Divulgação / Difoccus Produções)Familiares do aluno morto Leonardo recebem abraço da mesa (Foto: Divulgação/Difoccus Produções)
A família do estudante de medicina Leonardo Mazzocchi, que teve morte súbida em outubro, aos 26 anos, foi surpreendida durante a cerimônia na qual o jovem colaria grau, em Porto Alegre. Na noite de sexta-feira (18), o diretor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Jefferson Braga Silva, chamou os familiares de Leonardo para receberem um abraço dos componentes da mesa de honra da formatura (veja vídeo).
Desde o início de novembro, a família de Léo, como era conhecido entre os colegas, vinha solicitando à universidade a entrega simbólica de seu canudo. Irmã do estudante, Aline Mazzocchi conta que a universidade apresentou uma série de empecilhos burocráticos para a realização da entrega. Diante da negativa, ela lançou uma campanha nas redes sociais para tentar reverter a situação e buscar apoio à causa.
Em vez de entregar o canudo, como foi solicitado pela família, a universidade optou por chamar os familiares de Leonardo para receberem um abraço. A mãe do jovem, Lindonira, sua irmã, Aline, e seus irmãos gêmeos, Mateus e Murilo, de cinco anos, subiram ao palco ao som da música "Bohemian Rhapsody", da banda Queen, que havia sido escolhida pelo estudante para receber o diploma.
"Foi uma pequena conquista diante de uma grande perda. Ficamos chocados e felizes ao mesmo tempo. Mas se soubéssemos antes que nos chamariam ao palco, teria sido melhor. Inclusive, meu pai teria ido à solenidade. Ainda assim, lutamos até o final, não desistimos e entregamos tudo o que o Léo merecia", afirma Aline.
Turma de Medicina da PUCRS homenageia colega morto Leonardo Mazzocchi em sua formatura (Foto: Divulgação / Difoccus Produções)Turma de medicina se emociona em homenagem
ao colega (Foto: Divulgação/Difoccus Produções)
Homenagens e reconhecimentos
Além de receber o carinho da universidade, duas amigas recém-formadas de Leonardo, Luísa Backes e Tatzie Boeck, entregaram seus canudos em homenagem ao colega. "A elas, desejamos que sigam iluminadas", agradeceu Aline. A família também recebeu uma placa de reconhecimento da União Desportiva Eduardo Paglioli (Udep) e do Diretório Acadêmico Garcia do Prado (DAGP), do qual Leonardo foi presidente.
Cerca de 30 familiares e amigos de Leonardo foram à cerimônia vestidos de branco com uma camiseta personalizada em sua homenagem. Durante a solenidade, a turma levantou para o alto os canudos, para simbolizar a conquista de Leonardo, que teria sido o orador da turma.
"Nunca vou conseguir expressar com palavras a minha gratidão pelo apoio que nos foi dado por tanta gente. Nós pedimos um canudo e em troca ganhamos o carinho de todos eles. Em nome de toda a minha família, digo muito obrigada", agradeceu Aline nas redes sociais.

Cinco da mesma família morrem em acidente na BR-020, em Posse, em GO


Carro estava em uma reta quando bateu de frente com caminhão, diz PRF.
Segundo polícia, um bebê de menos de um ano de idade está entre vítimas.

Murillo VelascoDo G1 GO
Acidente no km 210 da BR-020 mata 5 pessoas em Posse de Goiás (Foto: Divulgação/PRF)Acidente no km 210 da BR-020 mata 5 pessoas em Posse de Goiás (Foto: Divulgação/PRF)
Um acidente matou cinco pessoas da mesma família no km 201 da BR-020, no município dePosse, região nordeste de Goiás. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), três mulheres, de 30, 31 e 33 anos, uma criança de 11 anos e um bebê de colo morreram na colisão entre o carro em que estavam e um caminhão. 

De acordo com a PRF, o acidente aconteceu na noite de sábado (19) quando o veículo da família, um Chevrolet Corsa, bateu de frente com um caminhão Mercedes Benz, que vajava no sentido contrário, em direção a cidade de Posse. Segundo o agente da PRF, Ivan Alves, a polícia ainda não sabe dizer as causas do acidente, mas disse que no local da batida a ultrapassagem é proibida.
"O acidente aconteceu em uma reta, então pode ser que tenha sido durante uma ultrapassagem, ainda não sabemos dizer", afirmou o agente. Os corpos das vítimas foram levados para o Insitituto Médico Legal (IML) de Formosa, Entorno do Distrito Federal, para identificação.

Ministra do STF nega pedido de filho de Lula para ter acesso a investigação


Escritório de Luis Cláudio Lula da Silva é alvo da Operação Zelotes.
PF apura suposto pagamento de propina para aprovar medida provisória.

Do G1, em Brasília
Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente da República e assistente de preparação do Palmeiras, na festa de premiação dos melhores do Campeonato Paulista, no HSBC Brasil, em São Paulo, em maio de 2008 (Foto: João Sal/Folhapress)O empresário Luís Cláudio Lula da Silva em foto de 2008 (Foto: João Sal/Folhapress)
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia negou no sábado (19) pedido do empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para ter acesso à íntegra do inquérito no qual é investigado na Operação Zelotes. As investigações são mantidas sob sigilo.
Em outubro, um escritório onde funcionam empresas dele em São Paulo foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal, dentro de uma apuração sobre o suposto pagamento de propina para aprovar medida provisória em favor da indústria automotiva.
 
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Segundo as investigações da Zelotes, as empresas de marketing esportivo dele receberam R$ 2,5 milhões em pagamentos da Marcondes e Mautoni, banca de advogados especializada na representação de montadoras automotivas em entidades do setor, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Veículos (Sinfavea).

No pedido ao STF, apresentado em novembro, os advogados de Luís Cláudio argumentaram que o direito de defesa foi prejudicado porque eles não tiveram acesso a todo o material. “É inadmissível que o reclamante e seus defensores, em meio a uma operação desta magnitude, tenham acesso tão somente às informações previamente recortadas pela autoridade policial!”, dizia a peça.
A ministra Cármen Lúcia, porém, negou a concessão de liminar. O teor da decisão dela não foi divulgado.

Indícios
Relatório da Polícia Federal aponta indícios de que os relatórios entregues pela empresa de Luís Cláudio à empresa de Mauro Marcondes teriam sido feitos para justificar o repasse de valores.
Apesar de ter recebido R$ 2,5 milhões pelo serviço, a PF identificou que a consultoria de Luís Cláudio usou textos da Wikipedia e de outras fontes da internet, entre elas uma tese de doutorado apresentada na Universidade de Brasília, para elaborar o estudo contratado.
A defesa do empresário nega que tenha haviado irregularidades em serviços prestados pelo empresário e diz que a conclusão da PF de que ele reproduziu conteúdo da internet em consultoria  é "improcedente" e "descabida".

Zelotes
Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Zelotes inicialmente investigava fraudes em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda que julga recursos a cobrança tributárias. Segundo o Ministério Público, empresas teriam atuado junto a conselheiros do órgão para que multas aplicadas a elas fossem reduzidas ou anuladas.
Com o desenrolar das apurações, a Zelotes passou a apurar também negociações suspeitas envolvendo três medidas provisórias. Os investigadores descobriram, por exemplo, que uma das empresas que atuava no órgão recebeu R$ 57 milhões de uma montadora de veículos entre 2009 e 2015 para aprovar emenda à Medida Provisória 471 de 2009, que rendeu a essa montadora benefícios fiscais de R$ 879,5 milhões. Junto ao Carf, a montadora deixou de pagar R$ 266 milhões.