‘O doutor da Lava Jato errou’: Ciro Gomes critica Moro em Curitiba


Foto: Reprodução/Facebook
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O ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional, Ciro Gomes, esteve em Curitiba neste sábado (13) para o evento Circo da Democracia. Após sua participação, Ciro fez críticas ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância.
Questionado pelos jornalistas, Ciro Gomes classificou a Operação Lava Jato como algo importante para o país. “A vida inteira lutei contra a ideia de que a corrupção desenfreada no Brasil tem como consequência a impunidade. E que cadeia, no Brasil, é só para ladrão de galinha. Portanto, ainda considero a Lava Jato uma coisa potencialmente importante para o país”, disse.
No entanto, o ex-ministro, que atualmente integra o PDT e tem o nome cotado para ser candidato à presidência, criticou o andamento das investigações. As críticas se referem, principalmente, ao juiz Sérgio Moro.
Condução coercitiva e divulgação de grampos
Ciro Gomes questionou a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 24ª fase da Operação Lava Jato, a Aletheia. “O doutor da Lava Jato errou, para falar uma palavra menor, quando, sendo um juiz federal muito bem preparado, fez a condução coercitiva de um cidadão, que é o Luiz Inácio Lula da Silva, sem que ele houvesse se negado a comparecer espontaneamente em nenhuma das circunstâncias. Isso é ilegal”, disse.
Na ocasião da condução coercitiva, a Polícia Federal (PF) investigava pagamentos e doações feitos por cinco empreiteiras envolvidas na Lava Jato – Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão – às empresas de Lula: o Instituto Lula e a LILS Palestras. As investigações também apontaram que o ex-presidente recebeu benefícios através da OAS, da Odebrecht e do pecuarista José Carlos Bumlai para custear reformas e a compra de móveis para o sítio frequentado pelo ex-presidente em Atibaia, em São Paulo, e o triplex em Guarujá, no mesmo estado.
Ciro também lembrou a divulgação dos grampos telefônicos realizados durante as investigações que envolviam Lula e que acabaram registrando, também, conversas com a presidente afastada Dilma Rousseff. Os grampos foram tornados públicos por Moro e divulgados pela imprensa no dia 16 de março, mesmo dia em que Lula foi anunciado como novo ministro-chefe da Casa Civil. Lula chegou a tomar posse, mas não permaneceu no cargo. Nas conversas, Lula falava da condução coercitiva, da operação e chegou a dizer que estava “assustado com a República de Curitiba”.
Foto: CBN Curitiba
Foto: CBN Curitiba
“Ele [Sérgio Moro] cometeu um crime quando ele pilha a presidente da República em gravações e, ao invés de destruir essas gravações, por impertinentes, e lacrá-las, eventualmente, para mandá-las à autoridade competente, ele faz o oposto. Escolhe o juízo e a oportunidade política de vazar conversas da presidente da República, isso é crime”, finalizou.
A assessoria de imprensa do juiz Sérgio Moro afirmou que ele não vai comentar as declarações do ex-ministro Ciro Gomes.
Ciro Gomes
Ciro Gomes foi ministro da Fazenda do ex-presidente Itamar Franco e ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também já foi duas vezes candidato a presidente, em 1998 e 2002.
Dilma
A presidente afastada Dilma Rousseff, que também participou do Circo da Democracia, afirmou, durante sua fala na noite de segunda-feira (8), que a repressão das manifestações contra o presidente interino Michel Temer (PMDB) durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro faz parte da estratégia dos articuladores de seu impeachment para dar “sustentação ao golpe”.
“A característica inicial do golpe é se tentar impedir que se diga que é um golpe, como na ditadura não podíamos dizer que vivemos na ditadura. Esse golpe tem essa característica, tentar impedir que as pessoas, em público, o identifiquem. Nós podemos falar aqui, mas é proibido falar em certos lugares, como no Maracanã. É proibido porque, sempre que se tenta processos ilegais que rasguem a constituição, a providência é impedir que se identifique o que está acontecendo. Não surpreende que nos últimos dias estão prendendo pessoas que dizem ‘fora Temer’”, afirmou.
Circo da Democracia
O Circo da Democracia é organizado por diversos grupos sociais e teve início nesta semana. Já passaram pelo evento a presidente afastada Dilma Roussef, o senador Roberto Requião e a senadora Vanessa Grazziotin. Todos os dias são realizadas aulas públicas, oficinas, debates e apresentações culturais no local.
O evento, inspirado no Circo da Constituinte, quando lonas foram instaladas em várias cidades para debater a nova constituição do país em 1987, termina nesta segunda-feira (15). A entrada é gratuita.
(Com informações da CBN Curitiba)