Em depoimento ao MPF, Mantega atribui a Arno “operacionalização” das pedaladas fiscais


Ex-ministro da Fazenda e ex-secretário do Tesouro negam maquiagem de contas públicas para melhorar resultados do governo

THIAGO BRONZATTO
11/01/2016 - 19h31 - Atualizado 11/01/2016 22h34
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-secretário do Tesouro Arno Augustin (Foto: ABr)
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atribuiu ao então secretário do Tesouro, Arno Augustin, a “operacionalização” das chamadas pedaladas fiscais, a prática de adiar o repasse de dinheiro do Tesouro para bancos públicos e privados com o objetivo de melhorar as contas públicas do governo. A manobra, adotada durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, fundamenta o pedido de impeachment da presidente. Em depoimento prestado em São Paulo ao Ministério Público Federal, em dezembro, Mantega afirmou: “A operacionalização desses pagamentos era toda feita pela secretaria do Tesouro Nacional, a quem incumbia a negociação com os ministérios”, disse o ex-ministro, segundo o depoimento obtido por ÉPOCA. Mantega admitiu apenas que o atraso de transferência de recursos para o BNDES ocorreu devido a uma "dificuldade operacional de identificar o valor dos subsídios" do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que tinham “taxas e prazos de carência diferentes". "Que essa decisão pelo prazo de 24 meses foi tomada exclusivamente pelo Ministério da Fazenda, conforme autorização legal. Que a primeira Portaria foi assinada pelo declarante e as posteriores por seus substitutos, nos períodos de vacância do cargo.” O ex-ministro, porém, negou qualquer dolo nos atrasos. “Se houve atraso nesses pagamentos, decorreram das dificuldades econômicas. Que eventual atraso, de qualquer forma, não se confunde com operação de crédito. Que não houve intenção de 'maquiar as contas’ nem qualquer intuito eleitoreiro".
Depoimento de Guido Mantega (Foto: Revista ÉPOCA/Reprodução)
Já Arno Augustin, que prestou esclarecimento ao MPF em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, defendeu-se dizendo que era “obrigação do governo honrar outros compromissos (saúde, educação, etc) e não deixar maiores valores positivos nas referidas contas de suprimento". O ex-secretário do Tesouro ainda afirmou que geralmente se esquece que o governo antecipa pagamentos na previdência até hoje, o que gera um impacto negativo bilionário em suas contas, maior até que a própria pedalada fiscal. “A previdência passou a ser paga metade antes do final do mês e outra metade no início do outro mês, diferente da sistemática anterior de pagamento de até o dia 10 do mês posterior. Que essa metade paga anteriormente ao afinal do mês antecipa o valor negativo (de despesa), impactando negativamente o resultado primário. Que esse impacto negativo, da ordem de bilhões, é superior a qualquer resultado negativo resultante das alegadas operações de crédito apresentadas pelo TCU. Que, dessa forma, se fosse a intenção modificar o resultado primário, bastaria voltar à sistemática anterior do pagamento da previdência”, disse.
Depoimento de Arno Augustin (Foto: Revista ÉPOCA/Reprodução)


Tanto Mantega como Arno são investigados no inquérito civil 1.16.000.000992/2015-44. O caso é tocado pelo procurador Ivan Cláudio Marx, procurador da República no Distrito Federal. Além dos dois ex-integrantes da equipe econômica do governo, o subscretário de Política Fiscal do Tesouro Nacional, Marcus Pereira Aucélio, também prestou depoimento ao MPF no ano passado. Ao todo, 17 autoridades e ex-autoridades são suspeitas de terem participado do esquema de antecipação de pagamentos -- que, segundo o TCU, configuram operações de crédito, o que infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O inquérito criminal foi desmembrado em 2015 e enviado à Procuradoria Geral da República (PGR), pois alguns dos envolvidos, como o atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, têm foro privilegiado. “Ainda pretendo ouvir os ex-presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além do Banco Central. Ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto. Quero entender se dentro dos princípios da administração pública, houve uma atuação legítima dos envolvidos nas supostas pedaladas e se há indícios de prática de improbidade administrativa. O desfecho no TCU será importante para a investigação”, diz Cláudio Marx.
No TCU, o julgamento final deverá ocorrer até março deste ano, quando será delimitada a participação de cada envolvido no episódio das pedaladas – e as condenações de cada réu. As punições vão desde multas até a inabilitação para cargo público. No fim do ano passado, o Ministério da Fazenda informou que os pagamentos  pedaladas fiscais somaram R$ 72,4 bilhões em 2015.
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  • Marcio Martins
    HÁ 2 HORAS
    que economista irresponsável esse guido manteiga. se não estava de acordo com tamanho crime .porque não deixou o governo corrupto, participou ativamente ,da barbeiragem !

STF pede parecer do Instituto do Câncer sobre substância produzida pela USP


Do STF


O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ao Instituto Nacional de Câncer (Inca) a elaboração de um parecer, no prazo de 15 dias, a respeito da substância fosfoetanolamina, fornecida pela Universidade de São Paulo (USP) por força de decisões judiciais. Segundo a decisão do ministro, proferida na Ação Cautelar (AC) 4081, as informações serão necessárias à análise do pedido, uma vez que faltam dados sobre a segurança da substância para a saúde dos pacientes.
Na AC 4081, a USP pede a suspensão de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que trata do fornecimento da fosfoetanolamina. A universidade alega que se trata de substância sem registro no Brasil ou em outros países, que não foi alvo de testes observando a legislação local, sendo possível que seu uso traga lesão à saúde do paciente interessado, ante a ausência de estudos sobre sua toxidade. A USP também alega lesão à ordem pública e administrativa, uma vez que não teria estrutura física ou sanitária para a produção da substância conforme exigido.
O ministro Ricardo Lewandowski entende que o caso se diferencia do analisado no Recurso Extraordinário (RE) 657718, com repercussão geral reconhecida e aguardando pronunciamento do STF. No RE, avalia-se a possibilidade de fornecimento de medicamento sem registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas submetido a testes em outros países para verificar sua nocividade ao ser humano. No caso em questão, além de não ter registro na Anvisa, a substância fornecida pela USP sequer foi submetida a estudos que avaliem seu risco para a saúde humana.
Assim, o ministro determinou que, antes de decidir o pedido de liminar, deve ser feita oitiva do Inca, órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação de ações integradas para a prevenção e controle do câncer, “a fim de preservar a própria integridade física dos pacientes que buscam o fornecimento dessa substância”.

Mutirão de combate ao Aedes aegypti mobiliza comunidade da CIC


Da SMCS

Um mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti mobilizou na manhã deste sábado (9) equipes de saúde, agentes comunitários e fiscais da Vigilância Sanitária das 16 unidades de saúde (US) da regional CIC para vistoriar propriedades e conscientizar e orientar a população da área sobre os cuidados que devem ser tomados para eliminar focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A ação ocorreu no entorno das unidades de saúde e nos territórios em que foram encontrados mais focos em 2015, como no da US Caiuá. Todo dia 9 é considerado Dia D de Combate à Dengue.
dengue
(Foto: Cesar Brustolin/SMCS)
Durante a manhã deste sábado, cerca de 300 agentes de saúde visitaram residências e outros espaços em busca de focos do mosquito. Em 2015, foram encontrados 56 focos de proliferação do Aedes aegypti na regional CIC, sendo 38 desses na área da US Caiuá.
De acordo com a diretora do Distrito Sanitário CIC, Cynthia Calixto Fraiz, o mutirão esteve mais voltado para a qualidade do que para a quantidade. “Fizemos varreduras completas em residências e comércios da região. Não entregamos apenas panfletos. Em todos os casos em que houve necessidade, nos oferecemos para entrar nas residências para fazer um check list à procura de possíveis focos e alertamos para os potenciais perigos que existem caso haja o descuido”, afirma.
“O objetivo desta ação não é tão somente o combate aos focos do mosquito, mas também levar informação de qualidade à população, para que os moradores passem a ser multiplicadores das orientações de prevenção”, diz a chefe da Vigilância Sanitária do CIC, Lucia Nogas Milani.
Segundo ela, o trabalho das equipes de saúde é importante, mas é preciso que haja o engajamento das comunidades no combate à doença.
“É fundamental que as pessoas colaborem e dediquem pelo menos 10 minutos por semana na limpeza de seus terrenos e na eliminação de focos de água parada”, recomenda.
A passagem da equipe de agentes de saúde pelo Caiuá chamou a atenção dos moradores, que aprovaram a medida.
O operador de máquinas Josemar Diogo foi um dos que teve sua casa visitada. O local apresentou um grande volume de entulhos e focos de água parada. Ele foi orientado a fazer a limpeza do terreno.
“Acho muito importante esta operação da Saúde. Recebi várias informações sobre a dengue que ainda não sabia. Vou procurar seguir as orientações daqui para frente”, declarou.
Outro morador do bairro, Adilson Borges, também aprovou a medida da Prefeitura. “Gostei da visita dos agentes. Acho que todos têm que se conscientizar do problema e fazer a sua parte”, disse.
Mobilização
Além do mutirão, as autoridades sanitárias do distrito CIC têm mobilizado lideranças da região para multiplicar alertas e cuidados. Na última quarta-feira (6), líderes religiosos foram convidados para um encontro para falar sobre o controle do Aedes aegypti. Para Maria Luiza, líder da Igreja Batista da região, a força de mobilização que os líderes de comunidade podem exercer é de extrema importância. “Estivemos reunidos com outros líderes religiosos para discutir o que podemos fazer para incentivar e maximizar os esforços para combater o mosquito, o trabalho é longo e necessário”, diz Cynthia.

Caminhão carregado de milho tomba e interdita BR-376 por quase duas horas


Redação


(Bruno Esposel/PRF)

Uma carreta bitrem tombou na manhã desta segunda-feira  no quilômetro 667 da BR 376, em Guaratuba (PR), na pista sentido Santa Catarina. Não há informações sobre o que teria ocasionado o acidente. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que não chovia no momento do acidente e a pista estava seca. Duas pessoas tiveram ferimentos – um casal. Um helicóptero foi usado no resgate das vítimas.
O acidente aconteceu por volta das 10 horas, na pista sentido Santa Catarina, e até a retirada do caminhão foram registrados cerca de 15 quilômetro de fila. A carga de milho se espalhou pela rodovia, que só foi liberada às 11h55. O caminhoneiro, de 65 anos teve lesões moderadas; já a passageira, também 65, foi socorrida com lesões graves. O tombamento ocorreu por volta de dez horas da manhã. O motorista alegou problema mecânico.

Pressionado pela dengue, prefeito decide adiar o Carnaval de Paranaguá


Da Redação


O prefeito de Paranaguá, Edison Kersten, decidiu adiar o Carnaval 2016 na tarde desta segunda-feira (11).  O grande número de casos de dengue na cidade, com a morte de uma estudante de 25 anos pela doença confirmada e outra, de um taxista de 71 anos, em fase de investigação, a pressão é grande para o cancelamento da festa.
Ainda não há informações sobre a data para a realização do evento.  A decisão foi tomada em reunião com a participação do presidente da Câmara Municipal, vereador Jozias de Oliveira Ramos e do vice-presidente da Casa Legislativa, vereador Arnaldo Maranhão.
Mutirão Contra a Dengue em ParanaguáCuritiba,30/11/2015.
(Foto: Divulgação)
“A comoção de toda a sociedade de Paranaguá, bem como o sofrimento dos cidadãos que contraíram a dengue e de seus familiares, fez com que a nossa administração queira discutir junto às agremiações, Fumtur e Aesp, um possível adiamento ou cancelamento do Carnaval”, explicou o prefeito Edison Kersten, antes da reunião.
“Não temos nenhum problema um rever um posicionamento quando passamos por um problema como esse de epidemia da dengue. Sou flexível e acho importante escutar o clamor popular, mas essa será uma decisão conjunta”, declarou o prefeito Edison.
Vítima
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Karinna morreu aos 25 anos (Foto: Reprodução Facebook)
A universitária Karinna Patrezzi, de 25 anos, que cursava Letras em Paranaguá, não resistiu após quase uma semana internada com dengue. As mensagens de luto de amigos se espalharam pelas redes sociais na semana passada. Ainda, é investigada a morte do taxista Celso de Oliveira, de 71 anos, que estava internado em um hospital particular de Paranaguá.
Até o momento, cinco cidades já estão em situação de epidemia de dengue no Estado: Munhoz de Mello, Santa Isabel do Ivaí, Itambaracá, Guaraci e Paranaguá. Esta é primeira vez que um município do litoral paranaense é considerado epidêmico para a doença. Ao todo, a cidade portuária de Paranaguá registra 491 casos da doença, desde agosto de 2015.

Polícia procura mulher que deu cobertura para ladrão que atirou contra PM em assalto; foto


Por Luiz Henrique de Oliveira e Djalma Malaquias

A Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba (DFR) procura por uma jovem mulher loira, que aparenta ter 25 anos. Ela é apontada como a responsável por prestar socorro a um suspeito que foi baleado em uma troca de tiros que também feriu o policial militar Lara, do Bope, na semana passada, no bairro Fazendinha, em Curitiba.
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Suspeita é procurada pela polícia (Foto: Reprodução)
O suspeito em questão, baleado no braço, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), de onde a DFR conseguiu a imagem da suspeita. Ele foi preso dentro da unidade, mas a jovem conseguiu fugir.
“Essa mulher também participou da ação e foi quem socorreu o suspeito. Temos a prisão de um, mandados de prisão para outros três e o que nos falta agora é a qualificação dessa mulher, que ainda não sabemos quem é”, disse à Banda B o delegado Rafael Vianna, da DFR.
Com relação ao policial Lara, o delegado afirmou que ele evoluiu bem após cinco dias internado. “O policial militar está melhorando e logo será ouvido”, descreveu.
Quem tiver informações sobre a suspeita pode ligar à DFR no telefone: 3218-6100.
O caso
O policial militar do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi baleado ao tentar impedir um assalto a um comércio no bairro Fazendinha, em Curitiba. Lisandro Lara de Moraes Júnior foi atingido por dois disparos de arma de fogo no peito e encaminhado em estado grave ao Hospital do Trabalhador. Um cliente foi ferido durante a troca de tiros e um dos bandidos também. Os suspeitos conseguiram fugir em um veículo.
Testemunhas afirmaram que, tão logo o policial caiu, gritou que estava ferido e pediu ajuda. Um policial civil, que passava pelo local, viu o militar caído, sacou a arma e atirou contra os bandidos, que fugiram em direção a um veículo branco que estava na esquina. Um dos suspeitos foi ferido no braço e pediu ajuda na Unidade de Pronto-Atendimento da CIC. Ele foi detido assim que deu entrada no local.

Da lanchonete ao Prêmio Puskás: dez momentos da vida de Wendell Lira


Atacante goiano que desbancou Messi e teve o gol mais bonito do mundo tem trajetória de superação e chegou a trabalhar fazendo sanduíches após sofrer lesões

Por Goiânia


Wendell Lira surpreendeu o mundo. O brasileiro desconhecido que nasceu em Goiânia superou o argentino Messi e o italiano Florenzi e faturou nesta segunda-feira o Prêmio Puskás de 2015, que elege o gol mais bonito da temporada. Até ser indicado e entrar na eleição, ele só imaginava ver ídolos como Cristiano Ronaldo no videogame. A obra de arte do atacante de 27 anos foi feita no dia 11 de março do ano passado pelo Goianésia contra o Atlético-GO no Campeonato Goiano. Mas até protagonizar o lance que mudou sua vida, Wendell teve de superar muitas dificuldades.(veja vídeo)
INÍCIO PROMISSOR
O início da carreira foi promissor. Lançado aos profissionais pelo técnico Geninho quando tinha apenas 16 anos em 2006, ele era a grande aposta das categorias de base do Goiás. Enquanto o time principal disputava a Libertadores, Wendell já mostrava talento em equipe alternativa montada para disputar o estadual. Tudo caminhava bem. Gradativamente o atacante recebia espaço na equipe e chamava atenção também fora do Goiás. Chegou a ser convocado para a seleção brasileira sub-20, onde conheceu, entre outros jogadores, Alexandre Pato. 
Wendell Lira, ex-atacante do Goiás (Foto: Cristiano Borges/O Popular)Wendell Lira era promessa da base do Goiás (Foto: Cristiano Borges/O Popular)
Em 2007, fez sete gols em oito jogos e foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro sub-20. Mas, na temporada seguinte, o drama de Wendell começou. Ele teve a primeira de duas sérias lesões no joelho e ficou 10 meses fora dos gramados. O retorno foi muito difícil. Wendell Lira não conseguiu pegar ritmo de jogo porque sofreu com lesões musculares. Em 2010, foi emprestado ao Fortaleza pouco antes de sofrer novo baque. Rompeu novamente os ligamentos do joelho e perdeu praticamente a temporada inteira.

"NÃO" AO MILAN
Em 2006, a vida de Wendell quase mudou completamente: o Milan teria feito uma proposta de R$ 6 milhões pelo atleta ao Goiás, que acabou recusando. O "não" goiano teria sido o incentivo do Milan para ir atrás de Alexandre Pato no ano seguinte. Wendell garante não ter qualquer mágoa da direta esmeraldina pela recusa da oferta do gigante italiano.
- Na ocasião, eu entendi a decisão do Goiás. Acharam que poderiam me vender mais caro depois. Além disso, eu tinha acabado de subir ao profissional e estava louco para jogar de qualquer jeito. Foi meu primeiro contrato. Então, acabei não ficando tão frustrado ou pelo menos tentei entender a atitude deles - contou.
TRABALHO EM LANCHONETE
O contrato com o Goiás se encerrou em 2012, e Wendell chegou a cogitar encerrar a carreira. Para ajudar a família, ele trabalhou em uma lanchonete com a mãe, Maria Edileuza. O apoio da família foi o alicerce que manteve o atacante no futebol. Desligado do Goiás, Wendell Lira começou a rodar no mundo do futebol. Atuou no interior de São Paulo e depois jogou em diversos clubes goianos, como Trindade, Anapolina e Goianésia. 
Wendell Lira trabalhando com a mãe (Foto: Jefferson Rodrigues)Atacante trabalhou com a mãe em restaurante (Foto: Jefferson Rodrigues)
As lesões perseguiam o jogador até mesmo em lances corriqueiros. Em 2013, durante a semifinal do Campeonato Goiano, já pelo Goianésia, Wendell fraturou o ombro após dividida com o goleiro Harlei, do Goiás. O nascimento da filha Marcela, atualmente com dois anos, também deu forças para que ele não desistisse da carreira. Embora tenha ficado novamente no departamento médico depois da lesão no ombro, Wendell já não sofria com graves problemas no joelho e nem musculares como no início da carreira.
GOIANÉSIA
No início do ano passado, após boas partidas no Campeonato Goiano pelo Goianésia, o atacante recebeu proposta de seu atual clube, o Vila Nova. Como o time colorado estava na segunda divisão estadual e a proposta financeira não era vantajosa, Wendell preferiu seguir em Goianésia. A decisão mudou o rumo de sua carreira. O jogador era o motor de uma equipe que contava com jogadores experientes e mais badalados, como o meia Romerito e o atacante Nonato.
O GOLAÇO
Nonato, aliás, é peça importante no lance consagrado nesta segunda-feira pela Fifa. No dia 11 de março, em partida do Campeonato Goiano, o atacante iniciou o lance do gol vencedor do Prêmio Puskás. Ele evitou saída de bola e passou para Da Matta. O meia ajeitou com categoria e, sem deixar a bola cair, lançou Wendell Lira por cima da defesa do Atlético-GO. Como estava à frente da linha da bola antes de finalizar, o atacante girou bonito e estufou as redes do Serra Dourada. Ele admitiu no dia seguinte que não conseguiu ver a finalização na hora do lance (veja o vídeo abaixo).

A vida de Wendell Lira não mudou da noite para o dia após marcar o golaço. Ele seguiu trabalhando firme e ajudou o Goianésia a ser semifinalista do estadual. Após o fim do Campeonato Goiano, transferiu-se para o Tombense, onde teve poucas oportunidades e foi dispensado na Série C do Brasileirão. No dia 6 de novembro, dia em que assinaria contrato com o Vila Nova, o telefone começou a tocar e não parou mais. Amigos e familiares deram a notícia de que ele estava entre os 10 finalistas do Prêmio Puskás ao lado de nomes como os argentinos Messi e Tevez.
VILA NOVA
A partir daí o humilde atacante goiano passou a ser conhecido no Brasil e também fora. Após refletir sobre seu futuro, Wendell Lira decidiu aceitar proposta do Vila Nova. Um dos motivos, além de o time ter conquistado o acesso para a Série B nacional, foi um fato que pode ser simples para a maioria dos atletas: Wendell teria um contrato até o fim do ano, algo incomum em sua carreira desde de que ele saiu do Goiás. Fã de videogames, ele passou a sonhar com o dia em que poderia conhecer ídolos como Neymar, Messi e, principalmente, Cristiano Ronaldo. 
ESPOSA E O AVIÃO
Outra preocupação foi correr para providenciar o passaporte da esposa Ludymila Miranda, que o acompanhou na cerimônia da Fifa em Zurique. Ludymila nunca havia andado de avião até o último sábado, quando o casal embarcou para a Suíça. Wendell Lira sequer tinha terno e ganhou um de presente de uma loja de Goiânia para poder viajar. Mesmo com os compromissos e com a agenda cheia após a indicação para o Prêmio Puskás, ele continuou trabalhando para iniciar bem a temporada.
A BOA NOTÍCIA
No dia 30 de novembro, após sair de fisioterapia em um clube localizado na região central de Goiânia, Wendell Lira se assustou com um torcedor que o fechou no trânsito. Este foi o responsável por dar a notícia de que o atacante goiano estava na final com Messi e Florenzi. O atacante começou a acreditar que poderia vencer a disputa e passou a pedir votos por meio das redes sociais. Mesmo com o pensamento no Prêmio Puskás, Wendell Lira não se desligou dos treinamentos. Ele trabalhou com a equipe sub-20 do Vila Nova em dezembro e iniciou o ano em boas condições físicas. Se apresentou com o elenco profissional no dia 4 de janeiro e participou da primeira semana de treinamentos do Tigrão até embarcar no último sábado. 
Wendell Lira na seleção sub-20 (Foto: Arquivo pessoal)Wendell Lira chegou a defender a seleção brasileira sub-20 (Foto: Arquivo pessoal)



AUMENTO SALARIAL
Antes mesmo de vencer o Prêmio Puskas, a indicação para participar da festa da Fifa já havia melhorado um pouco a vida de Wendell. A chegada ao Vila Nova, impulsionada pelas manchetes sobre o golaço, renderam um aumento salarial ao atleta:
- Quando eu estava no Goianésia eu ganhava R$ 3 mil, R$ 4 mil por mês limpos... Hoje eu ganho um pouco acima, mas não é muito mais. Eu acho que dá para sobreviver e para dar uma vida melhor para a minha família.
FÃ DE CRISTIANO RONALDO

Na Festa de Gala da Fifa, Wendell realizou outro sonho. Além de bater Messi no Prêmio Puskas, o atacante conheceu seu ídolo Cristiano Ronaldo. Antes do evento, o brasileiro mostrava-se ansioso para encontrar o português e o lateral Marcelo, também do Real Madrid, em Zurique:
- Eu sou fã do Cristiano Ronaldo. Tem dois jogadores que eu gosto bastante: um é o Cristiano, que é o jogador mais completo do mundo; e o outro é Marcelo, lateral-esquerdo, que eu vou tentar tietar, porque ele é muito engraçado, nunca está triste, está sempre sorrindo e é um exemplo para mim.
Wendell Lira Premio Puskas (Foto: AFP)Wendell Lira chora ao receber o Prêmio Puskas na Festa de Gala da Fifa, em Zurique: sonho realizado (Foto: AFP)