Petrobras: precisa-se de R$ 160 bilhões


Esse é o valor que a empresa, cujas ações bateram recorde negativo na semana passada, terá de pagar a credores nos próximos três anos. Ninguém sabe como conseguir tanto dinheiro

SAMANTHA LIMA COM ANA CLARA COSTA, DE DAVOS
25/01/2016 - 08h04 - Atualizado 25/01/2016 08h04
Imagine ser sócio de uma empresa competitiva, dona de um mercado imenso – uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. Mas imagine também que o governo obrigue sua empresa a vender produtos com prejuízo e queimar um terço de seu caixa. Imagine ainda que seus funcionários mais graduados tenham se unido a fornecedores para roubar a companhia durante anos. As compras desnecessárias e superfaturadas levaram sua empresa a se endividar muito, e em dólar – em um período em que o valor da moeda americana disparou. Restou uma dívida cinco vezes maior do que a empresa tem em caixa. Agora, só de juros, você e seus sócios têm de gastar quase um terço dessa reserva por ano. E ainda paira sobre sua cabeça uma ação na Justiça americana, que pode lhe custar mais alguns bilhões em multas. O.k., a empresa tem patrimônio. Pode vender algo, fazer algum dinheiro e recuperar a confiança dos credores... mas quem tem pressa para vender, ainda mais numa crise, vende mal. Agora, pare de imaginar. O pesadelo é de verdade.
Unidade da Petrobras em  Cubatão (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
O empresário é você, dono da Petrobras, como todo brasileiro. Nos próximos três anos, para quitar as dívidas de curto prazo da companhia, você terá de ajudar a levantar inacreditáveis R$ 160 bilhões. Só assim a estatal conseguirá voltar a funcionar normalmente. No mundo ideal, três quartos desse valor, ou R$ 120 bilhões, deveriam ser ressarcidos pelo governo. Por três anos, de 2011 a 2014, a empresa foi obrigada pelo acionista majoritário – a União – a vender gasolina e diesel a preço abaixo do que pagava para importar petróleo e derivados. Na prática, a chance de o governo federal repor o dinheiro é nula. Resta à Petrobras se virar para acalmar os credores. E rápido. Na semana passada, asações da empresa chegaram a valer R$ 4,26, menor valor da história. A estatal descobriu que o poço de sua crise não tem fundo.
A empresa já vinha se mexendo para tentar estabilizar a situação e começar a se recuperar. O problema é que o cenário, para as petroleiras em geral e para a Petrobras em particular, vem piorando mais rapidamente do que a companhia consegue colocar as ideias em prática. O plano da empresa para tentar se recuperar inclui redução de investimentosvenda de ativos ecorte de custos. Lançado em julho, foi revisado em outubro e, novamente, há duas semanas. Com o novo ajuste, prevê cobrir os R$ 120 bilhões que a União lhe deve.
Pelos planos de ajuste, a empresa economizará R$ 30 bilhões com corte de investimentos, inflados nos anos da bonança por projetos ruins e superfaturados. Mais R$ 30 bilhões viriam, em um cenário ideal, de cortes de custos (em parte facilitada pela queda no preço do petróleo a importar). Outros R$ 60 bilhõesseriam obtidos com a venda de ativos não ligados ao negócio principal da empresa, também filhos dos tempos de euforia. “Se tudo der certo, a empresa se tornará mais focada e menos endividada”, diz Pedro Medeiros, analista do setor de petróleo no Citibank. No atual cenário, há chances de tudo dar certo?
No próximo mês, Aldemir Bendine completará um ano de empresa. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, teve como primeira missão apresentar um balanço crível de 2014, então em atraso. Apresentou, então, baixas no patrimônio de R$ 6 bilhõescausadas por pagamento de propina, mais R$ 44 bilhõesdecorrentes de projetos malfeitos. Sua segunda missão é adequar a empresa aos novos tempos. A terceira, torcer para que a Petrobras não seja condenada pela Justiça dos Estados Unidos, onde é investigada por violar a legislação de combate à corrupção, a temida Foreign Corruption Practice Act (FCPA).  Bendine ainda é visto, por muitos funcionários da empresa, como um estranho ao negócio. Entre especialistas fora da Petrobras, porém, prevalece a opinião de que ele tem o perfil correto e um plano de reestruturação aceitável para o momento – até por falta de ideias melhores. Isso não basta para que esses especialistas se tornem otimistas quanto ao futuro da empresa.
A realidade não tem colaborado. A intenção de vender um quarto da BR Distribuidora, primeiro por meio de ações, depois com a procura de um sócio, falhou. O plano de conseguir pelo menos R$ 6 bilhões com a venda de uma fatia da empresa voltou ao estágio zero. Até agora, a estatal só conseguiu se livrar de um ativo relevante, a participação de 49% na Gaspetro, por R$ 2 bilhões. O próximo passo é oferecer ao mercado seus 36% na Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht – um dos investigados naOperação Lava Jato –, e a Transpetro, dona de terminais, navios e dutos, ainda sem valores estipulados. A cúpula da empresa avalia que conseguirá concluir algumas vendas ainda no primeiro trimestre de 2016, mas poucos especialistas de mercado partilham essa esperança. “Os interessados vão exigir um preço menor, e os negócios são complicados, porque dependem de contratos com a Petrobras e de mudanças na regulação”, diz o pesquisador Edmar de Almeida, do grupo de estudos de economia em energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Por ser uma importadora, a Petrobras se beneficia, em parte, da violenta queda global no preço do petróleo. Ao contrário do que aconteceu até 2014, os preços oferecidos ao consumidor brasileiro agora estão 39% superiores à cotação externa no caso da gasolina80% no caso do diesel. Essa margem de lucro contribui para recolocar o caixa da empresa num patamar confortável, de R$ 60 bilhões para R$ 100 bilhões. Mas esse fator não joga só a favor da empresa. Ele dificulta ainda mais o feirão que a Petrobras gostaria de fazer. Assim como a estatal, outras petroleiras mundo afora estão vendendo seus ativos, aumentando a oferta desse tipo de negócio. Com o barateamento do petróleo, todas fogem de entrar em novos projetos. Sobram, assim, menos atores interessados na Petrobras. Entre esses poucos bravos, há ainda ceticismo sobre a conveniência de fazer negócio com uma empresa afundada pela corrupção. Para completar, há o risco adicional de emperramento na burocracia da Petrobras, que cresceu em resposta à Lava Jato. “Os processos estão mais demorados, e os técnicos muito cautelosos, pois ninguém quer ser questionado depois”, diz Paulo Furquim, coordenador do Centro de Pesquisa e Estratégia do Insper.
Suponhamos que a Petrobras conseguisse contornar essas dificuldades e fazer boas vendas de ativos. Restariam outros obstáculos, tremendos, no caminho da recuperação. O cenário traz incerteza sobre a estratégia decidida pela Petrobras – o foco total no desenvolvimento do pré-sal. Ali, as reservas são maiores e os poços em atividade produzem até quatro vezes mais que  os localizados em águas mais rasas. Seu custo operacional, porém, é bem mais alto. Há seis meses, cada barril dali extraído precisaria ser vendido a US$ 40 para se pagar. Mas a cotação atual do barril está abaixo dos US$ 30. Conforme aprimora seu trabalho no pré-sal, a Petrobras consegue extrair óleo dessa região ultraprofunda com custo menor. Trata-se de uma corrida – a empresa só vence se conseguir baratear seus processos mais rapidamente do que despenca o preço do petróleo. “O corpo técnico da empresa tem conseguido baixar os custos dessas áreas rapidamente”, diz Pedro Medeiros, do Citi. Mas o corte de custos enfrentará resistência. Os trabalhadores, agrupados em sindicatos poderosos, resistem em perder benefícios.
Nos últimos dias, ressurgiu a expectativa de o governo autorizar uma operação para levantar dinheiro com a emissão de novas ações. A hipótese ajudou a derrubar as cotações. “Seria necessário muito dinheiro para fazer diferença. E, com o valor baixíssimo das ações hoje, teria de ser oferecida uma quantidade de papéis monumental, que não encontraria compradores”, diz o analista Flavio Conde, da consultoria Whatscall. Em relatório, o Citi afirma que a operação seria arriscada para o governo, pois o Tesouro teria de comprar parte das novas ações para não perder participação na empresa, num momento de tentativa de ajuste das contas públicas. Bendine apresentou ao governo uma proposta desse tipo em 2015. Ela foi rechaçada pela equipe do então ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Nos últimos dias, ÉPOCA ouviu três profissionais ligados à alta administração da empresa, que negaram haver qualquer discussão desse tipo atualmente.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a Petrobras foi tema de conversas entre o ministro da fazenda, Nelson Barbosa, e investidores e empresários. Questionado por ÉPOCA se o governo poderia intervir, ele disse que isso poderá ocorrer caso a situação da empresa se torne crítica. Não quis detalhar que tipo de intervenção seria essa. No início da semana passada, ele havia negado que o governo tivesse a intenção de injetar dinheiro na Petrobras. Em 15 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff preferiu deixar essa possibilidade em aberto. “Não descartamos que será necessário fazer uma avaliação, se esse processo (a queda global do petróleo) continuar”, disse. Dilma afirmou ainda que a companhia “não para” com o barril a US$ 30.
A Petrobras afirma que a redução da dívida e a melhoria do retorno para os acionistas são “objetivos fundamentais”. Para isso, a empresa busca vender ativos, reduzir custos e melhorar o desempenho. A companhia informa que a crise global no setor também leva os fornecedores a reduzir valores cobrados nos equipamentos e serviços. De acordo com a Petrobras, a produção nos poços do pré-sal vem mostrando melhor relação entre custo e benefício do que se esperava inicialmente, o que permite cortar investimentos sem comprometer tanto a produção. A dimensão dos desafios mostra que, mesmo se todas as apostas derem certo, a Petrobras continuará em recuperação por muito tempo. Isso exigirá uma prolongada vigilância contra a corrupção, a ineficiência e as tentações de uso populista da companhia.

Jovem desaparece após briga familiar no Distrito Federal; polícia investiga


Milena Godinho, de 17 anos, está desaparecida desde a última quinta-feira. Foto: Reprodução/Facebook
Pedro Willmersdorf
Tamanho do texto A A A
Uma jovem de 17 anos, moradora de Vila Planalto, no Distrito Federal, está desaparecida desde a última quinta-feira. Segundo depoimento de familiares em redes sociais, a estudante Milena Godinho fugiu de casa sem deixar vestígios, aproveitando que os pais estavam em uma reunião religiosa fora de casa, para reunir seus pertences e desaparecer.
Ao EXTRA, o pai de Milena, Denei Godinho Marques, relata que dois dias antes do desaparecimento havia ocorrido um desentendimento entre eles.
— Tirei o celular dela e a coloquei de castigo. Agora, se ela estivesse com o aparelho, talvez conseguisse encontrá-la — pontua Denei, que já acionou todos os contatos da agenda do celular da filha, além do namorado de Milena, sem obter sucesso.
Pai relata desentendimento com Milena dois dias antes do desaparecimento.
Pai relata desentendimento com Milena dois dias antes do desaparecimento. Foto: Reprodução/Facebook
Segundo o pai da jovem, Milena nunca havia fugido de casa, tendo em seu histórico apenas atritos familiares como qualquer outra adolescente.
— Já tentamos encontrá-la na casa dos amigos mais próximos, fomos aos lugares que ela costuma frequentar e até agora nada. Estou muito angustiado. A gente sempre vê jovens que desaparecem e são encontrados sem vida. Só espero que não tenha acontecido nada de ruim — desabafa Denei.
O caso está sendo investigado pela 5ª Delegacia de Polícia Civil (Asa Norte).
Caso está sendo investigado pela 5ª DP do Distrito Federal (Asa Norte).


Na terça-feira, 26, Fruet enfrentará novo protesto contra aumento da tarifa de ônibus



Na sexta-feira, 22, foram a UPE, Upes, UJS – entidades ligadas ao PCdoB, PT e PMDB – que protestaram contra o aumento do ônibus e levaram 500 pessoas às ruas centrais de Curitiba. Amanhã (terça-feira, 26) será a Frente de Luta Contra o Transporte que vai protestar contra o aumento pretendido pelo prefeito Gustavo Fruet (PDT). “Nem R$ 3,60, nem R$ 3,80, nem R$ 4,00. Queremos passe livre já”, dizem os organizadores da manifestação no Facebook.

Paraná é o único Estado a investir em obras em 2016, destaca ‘O Globo’


richa - obras
O Globo desta segunda-feira, 25, destaca que o Paraná é o único estado da federação a projetar investimentos em obras em 2016 ao contrário dos demais estados, que preveem corte de R$ 8,5 bilhões nos investimentos. “Na contramão dos demais estados, o Paraná projeta para 2016 um aumento de 21,73% na verba para novos projetos. A lei orçamentária mostra que a quantia destinada aos investimentos passou de R$ 2,86 bilhões para R$ 3,48 bilhões”, diz o jornal.
Para permitir a retomada dos investimentos, o estado elevou impostos. O secretário da Fazenda do Paraná, Mauro Ricardo Costa, afirma que o estado praticava “subtributação”, com alíquotas de ICMS de 12% e de IPVA de 2,5%, que foram revisadas para 18% e 3,5%, respectivamente. A verba permitirá a duplicação de estradas e a remodelação de avenidas.
A Bahia também projeta investimentos maiores, mas a alta é de apenas 2,13% (inferior à inflação). A verba para os novos projetos, que era de R$ 4,22 bilhões, passou para R$ 4,31 bilhões.
Segundo maior orçamento do país, Minas estima encolher a verba para novos projetos de R$ 4,34 bilhões para R$ 3,85 bilhões. O estado não comentou a queda.
Em crise financeira, o Rio Grande do Sul prevê uma redução de 30,32% nos investimentos este ano, de R$ 2,26 bilhões para R$ 1,58 bilhões. No ano passado, os gastos já haviam sido baixos. O estado só conseguiu investir R$ 658 milhões (dado preliminar), menos de um terço do previsto. O governo também não comentou os números.
Santa Catarina é outro estado que prevê uma diminuição expressiva dos investimentos: 22,18%. A verba para novas obras passou de R$ 4,26 bilhões para R$ 3,32 bilhões. A Secretaria da Fazenda passou informações sobre a execução orçamentária de 2015, mas não respondeu à pergunta sobre os motivos para a redução dos investimentos. O Ceará não comentou a queda de 2,42% na verba para novas obras em 2016. E a secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, não foi localizada pelo GLOBO para explicar a previsão de redução de investimento de 3,64% em 2016.

Richa encontra Alckmin


richa e alckmin
O governador do Paraná, Beto Richa, se encontra nesta quarta-feira, 27, com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na capital paulista. Alckmin convidou ainda os governadores Pedro Taques (Mato Grosso) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul) para o ato que marcará a retomada da navegação na Hidrovia Tietê-Paraná, interrompida há 18 meses pela estiagem. No sábado, 30, Alckmin aproveita ida ao Vale do Ribeira para, simbolicamente, atravessar a fronteira para “tomar um café” no Paraná. Com informações de Vera Magalhães na Veja.

Organização Mundial da Saúde afirma que zika se espalhará pelas Américas


o globo- GP
O Globo
A Organização Mundial de Saúde (OMS), em comunicado emitido nesta segunda-feira, alertou que o vírus zika vai se espalhar por todo o continente americano. Segundo a organização, Canadá e Chile são as únicas duas exceções. De maio até agora, 21 países do continente haviam registrado ocorrências do vírus.
A OMS considera que a falta de imunidade natural no continente seria um dos fatores para que o vírus se espalhe tão rapidamente. “O vírus zika continuará a avançar e provavelmente alcançará todos os países e territórios na região onde mosquitos Aedes são encontrados”, afirma a Organização.
O braço da OMS nas Américas (a Organização Pan-Americana de Saúde, a OPAs) confirmou ainda que o vírus zika foi encontrado em amostras de sêmen. A organização estuda um possível caso de transmissão sexual da doença.
Durante reunião do comitê executivo da entidade, em Genebra, a diretora Margaret Chan afirmou que o possível vínculo entre a infecção de grávidas e o nascimento de bebês com microcefalia “é motivo de preocupação”, apesar de ainda não comprovado.

Zé Dirceu decide falar na Lava Jato


índice
Preso há 175 dias por suspeitas de embolsar milhões de reais em propina no esquema do petrolão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu decidiu falar. Segundo o criminalista Odel Antun, defensor de Dirceu, o petista vai apresentar ao juiz Sergio Moro na sexta-feira sua versão sobre as acusações de que recebeu dinheiro sujo de empreiteiros da Lava Jato e de que lavou os recursos em viagens de jatinho, imóveis e consultorias fictícias. Entre os pontos que o próprio Dirceu deve mencionar em seu depoimento estão a tese de que o lobista Milton Pascowitch teria utilizado indevidamente seu nome para comprar um jatinho do também lobista Julio Camargo e a argumentação de que a escolha do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque não passou por suas mãos. “O Zé está pronto para responder tudo”, disse Antun. As informações são de Laryssa Borges na Veja.
Segundo o Ministério Público, as suspeitas são de que Dirceu, réu pelos crimes de corrupção, crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, atuava em um dos núcleos do esquema de corrupção na Petrobras para arrecadar propina de empreiteiras por meio de contratos simulados de consultoria com a empresa dele, a JD Consultoria e Assessoria. Os indícios nas investigações apontam que o petista recebeu 11,8 milhões de reais em dinheiro sujo, tendo lavado parte dos recursos não só em serviços fictícios de consultoria, mas também na compra e reforma de imóveis para familiares e na simulação de aluguéis de jatinhos.
De acordo com as investigações, o esquema do ex-chefe da Casa Civil na Lava Jato movimentou cerca de 60 milhões de reais em corrupção e 64 milhões de reais em lavagem de dinheiro. Ao todo, o MP calcula que houve 129 atos de corrupção ativa e 31 atos de corrupção passiva entre 2004 e 2011, além de 684 atos de lavagem de dinheiro entre 2005 e 2014.
O nome de José Dirceu foi frequentemente citado por delatores da Lava Jato como o destinatário de propina do esquema criminoso. O lobista Julio Camargo, delator da Operação Lava Jato, voltou a afirmar na sexta-feira que repassou 4 milhões de reais em propina ao ex-ministro da Casa Civil. O dinheiro sujo foi recolhido, segundo Camargo, a mando do ex-gerente de Serviços da Petrobras Renato Duque e pago de forma parcelada: foram 2 milhões de reais entre abril de 2008 e abril de 2009, 1 milhão de reais entre julho e agosto de 2010 e o restante foi pago a partir de uma conta de afretamento de jatinhos que o petista utilizava.
A avaliação dos procuradores que atuam na Operação Lava Jato é a de que Dirceu é um criminoso reincidente, porque praticou crimes depois de o processo do mensalão já ter sido concluído. É possível que a Justiça imponha ao petista também o agravante de maus antecedentes, já que, segundo o procurador da República Roberson Pozzobon, ele praticou crimes de corrupção e lavagem de dinheiro pelo menos desde 2006, quando passou a receber dinheiro sujo de empreiteiras. A reincidência e os maus antecedentes são fatores considerados pela Justiça para aumentar a pena do suspeito em caso de condenação.

Francischini promete tolerância zero para Curitiba


índice
O deputado federal Fernando Francischini (SD) iniciou a segunda semana da série de sabatinas com pré-candidatos a prefeitos de Curitiba, nesta segunda-feira (25), com um discurso ligado, principalmente, a sua área de atuação histórica: segurança pública. Agora em 2016, oficialmente em campanha como pré-candidato a prefeito, o parlamentar prometeu implantar uma política de tolerância zero, aos moldes do programa implantado em Nova York entre 1994 e 2002 pelo então prefeito republicano Rudolph Giuliani. A política de Giuliani conseguiu derrubar as taxas de criminalidade pela metade. As informações são de Diego Ribeiro e Rogério Galindo na Gazeta do Povo.
“Sou fã dele. Vai ser o plano mais ousado que vou ter [o tolerância zero]. Queremos implantar a mesma política aqui”, disse o deputado. A proposta do parlamentar, entre outros temas, pretende fortalecer a guarda municipal da cidade.
Durante a entrevista, além da proposta de tolerância zero, há outros dois pilares no que pretende implantar, caso seja eleito prefeito: a saúde e o transporte. Uma das primeiras providências que tomaria seria acabar com o Programa Mais Médicos, do governo federal, em Curitiba. Segundo ele, o dinheiro usado para pagar esses médicos deveria ser investido para treinar mais profissionais na filtragem para encaminhamento as especialidades.
“Sabe como é o chamado o médico cubano pelo pessoal da saúde? É o ‘ao, ao’. É o médico ‘ao, ao’. Estou com dor no peito, ao cardiologista. Estou com dor no pé, ao ortopedista”, comentou. De acordo com ele, essa transferência de atendimento acaba lotando a agenda de consultas das unidades que atendem com médicos especialistas.
No transporte, Francischini prometeu reintegrar o transporte público de Curitiba ao da região metropolitana em uma negociação aberta com o governo estadual. “A desintegração foi o pior erro político e histórico de Fruet [Gustavo Fruet, prefeito de Curitiba]”, criticou. Além disso, garantiu que espera conversar, de forma “firme”, com os empresários do transporte.

'Experiência horrível', diz presidente da OAB-DF sobre pouso forçado no MS


Bimotor em que estava com membros da OAB não abriu trem de pouso.
Avião foi recoberto com espuma na pista do aeroporto; ninguém se feriu.

Alexandre BastosDo G1 DF
Avião pousou de barriga após problema no trem de pouso (Foto: Divulgação/ OAB-DF)Avião pousou de barriga após problema no trem de pouso (Foto: Divulgação/ OAB-DF)
O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Juliano Costa Couto, disse ter vivido um momento de “tensão tremenda” durante o pouso de emergência do avião em que viajava com outros membros da entidade nesta segunda-feira (25), em Mato Grosso do Sul. O avião aterrisou de barriga depois de uma falha no trem de pouso.
saiba mais

O avião, um bimotor com capacidade para cinco pessoas, também levava o ex-presidente da entidade no DF Ibaneis Rocha e o o presidente da Caixa de Assistência dos Advogados, Ricardo Peres, além do piloto. Ninguém ficou ferido. O grupo foi para Mato Grosso do Sul acompanhar a posse da diretoria da OAB no estado.
"Não sei precisar quanto tempo durou o pouso de emergência, mas foi um momento de tensão tremenda. Foi uma experiência horrível", afirmou Couto. "Não tenho conhecimentos técnicos do que se passou, mas o importante é que não houve um acidente fatal e estamos alegres de poder tocar nossas agendas pessoais e profissionais", afirmou.
Não sei precisar quanto tempo durou o pouso de emergência, mas foi um momento de tensão tremenda. Foi uma experiencia horrível"
Juliano Costa Couto, presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal
De acordo com a Infraero, os bombeiros foram chamados para jogar espuma na pista e com isso reduzir o calor causado pelo atrito da aeronave com o asfalto. Ainda na pista do aeroporto, com o avião em meio à espuma usada pelos bombeiros para tentar evitar incêndio ou explosão, Couto gravou um vídeo, que postou na internet.
"Viemos num voo maravilhoso, de Brasília a Campo Grande, para a posse da [diretoria da] OAB. O avião teve um problema no pouso, perdemos o trem de voo (sic), descemos ali, derrapando. Muito susto, mas deu tudo certo. [Os bombeiros] jogaram a espuma. Graças a Deus está tudo certo", diz na gravação.
O presidente da Caixa dos Advogados, Ricardo Peres comenta no vídeo que o incidente não foi o primeiro que ele viveu. "Minha cota já deu, dois acidentes, chega, né?", afirmou, sem explicar como havia sido or primeiro acidente em que esteve. O G1 não conseguiu contato com Peres. O telefone dele estava desligado.
De acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave está registrada no nome de Ricardo Peres e tem registros de voo e inspeções em dia. O bimotor tem capacidade para cinco tripulantes e suporta carga de até 2.449 kg. O grupo deve retornar a Brasílianesta terça, em voo comercial.

Haddad e Alckmin são hostilizados ao deixarem missa por SP na Sé


Integrantes do MPL esperaram governantes saírem da Catedral da Sé.
Movimento protesta contra o aumento da tarifa do transporte público.

Do G1 São Paulo
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador, Geraldo Alckmin (PSDB), foram hostilizados após saírem de uma missa em comemoração ao aniversário da capital paulista na Catedral da Sé, no Centro.(assista ao vídeo acima)
Cerca de 20 integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) se concentraram ao lado da catedral para aguardar a saída dos governantes. Desde o anúncio do aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, o movimento organizou cinco grandes atos para pedir a revogação.
Haddad parou para falar com a imprensa, e os integrantes do movimento cantaram músicas contra ele. O prefeito foi atingido por uma garrafa pet quando dava entrevista para os jornalistas “Hoje é dia de celebração, o dia de comemorar São Paulo. Estamos tendo um feriado prolongado bastante bonito, muita cultura”, afirmou.
Ao perceber que foi atingido, afirmou. “Vamos deixar pra outra hora, que aqui está meio ruim”, disse.
Alckmin saiu por trás da Igreja e também chegou a ser cercado e hostilizado por manifestantes.
 
Alckmin é hostilizado por manifestantes na Catedral da Sé (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)Alckmin é hostilizado por manifestantes na Catedral da Sé (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)
Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) hostilizam o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin, após missa em comemoração ao aniversário de São Paulo, realizada na Catedral da Sé, no centro da capital paulista, nesta segunda-feira (25) (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) hostilizam o governador Geraldo Alckmin, após missa em comemoração ao aniversário de São Paulo, realizada na Catedral da Sé, no Centro da capital paulista, nesta segunda-feira (25) (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)
Grupo tenta barrar saída do prefeito Fernando Haddad após missa de aniversário de São Paulo. Protesto foi contra o reajuste das passagens de ônibus e trens na capital paulista (Foto: Reprodução TV Globo)Grupo tenta barrar saída do prefeito Fernando Haddad após missa de aniversário de São Paulo. Protesto foi contra o reajuste das passagens de ônibus e trens na capital paulista (Foto: Reprodução TV Globo)
Na última quinta-feira (21), o prefeito disse que apenas um “mágico” seria capaz de resolver o problema da isenção da tarifa do transporte público para todo a população de São Paulo. Essa é a reivindicação dos manifestantes do Movimento Passe Livre (MPL) que vêm realizando protestos semanalmente na cidade.
“Agora quer passe livre para todo mundo. Então é melhor eleger um mágico em outubro, porque prefeito não vai dar conta disso”, afirmou Haddad durante uma visita ao bairro de Santo Amaro, na Zona Sul.
O prefeito também criticou o posicionamento da imprensa que o questiona sobre essa possibilidade. “’Você não vai dar passe livre pra todo mundo? (questiona a imprensa)’. Dá vontade de perguntar como você tem a coragem de me fazer uma pergunta dessa. Passe livre pra todo mundo custa todo o IPTU da cidade. Eu precisaria pegar todo o IPTU da cidade, tirar da Educação, tirar da saúde, tirar da cultura”, argumentou.
Haddad disse ainda que não irá gastar dinheiro público na veiculação de propagandas. “Vem me cobrar de comunicação. Não tem comunicação que dê conta disso, eu vou botar o que na televisão, vou gastar dinheiro público para falar o quê?”, questiona ele.
De acordo com o prefeito, a cidade já gasta R$ 2 bilhões por ano em subsídio ao transporte público, sendo que são R$ 700 milhões apenas com o passe livre para 530 mil estudantes que conseguiram gratuidade. “Eu não prometi passe livre na campanha, prometi Bilhete Único Mensal, faixa e corredor de ônibus. Fiz mais do que prometi, inclusive."

Sobre a divulgação do trajeto do protesto com antecedência, ele diz que é um pedido da Secretaria da Segurança Pública e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para organizar a cidade para ter o menor impacto possível no trânsito. “Para nós o direito de manifestação é sagrado desde que respeitado alguns protocolos importantes”, disse Haddad.
Manifestante protesta contra preço da tarifa de ônibus, metrô e trem em São Paulo após reajuste (Foto: Marcelo Brandt/G1)Manifestante protesta contra preço da tarifa de ônibus, metrô e trem em São Paulo após reajuste (Foto: Marcelo Brandt/G1)
'Disney grátis'
O prefeito ironizou o pedido do passe livre para todos. “Tem tanta coisa que podia vir na frente, podia ser almoço grátis, jantar grátis, ida pra Disney grátis. Começa a ficar uma conversa que você não sabe aonde vai dar”, disse.
Segundo Haddad, com os R$ 700 milhões do passe livre estudantil seria possível construir 20 CEUs e 4 hospitais gerais por ano.
Questionado sobre a possibilidade da suspensão do reajuste da tarifa de ônibus, Haddad disse que o único caminho de diálogo futuro é com a aprovação de uma PEC que municipaliza a CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico).

“Tem uma PEC no Congresso Nacional que propõe a municipalização dos tributos que incidem sobre a gasolina. E a proposta dos prefeitos do Brasil inteiro, não é proposta de São Paulo, que essa PEC seja aprovada, porque nós teríamos uma fonte de financiamento para a tarifa de transporte público”, afirmou.

A PEC foi instalada no dia 15 de dezembro do ano passado e tem comissão especial com presidente e relator nomeados. “É nossa recomendação para os movimentos que pleiteiam mais benefícios, hoje nós já estamos investindo R$ 2 bilhões em gratuidade para estudantes, idoso, desempregado e pessoas com deficiência. Se nós vamos ampliar as categorias, nós precisaríamos uma fonte de financiamento”, sugerindo que os manifestantes pressionem os congressistas para tornar o projeto viável.
Faixa do Movimento Passe Livre na escadaria do Theatro Municipal (Foto: Marcelo Brandt/G1)Faixa do Movimento Passe Livre na escadaria do Theatro Municipal (Foto: Marcelo Brandt/G1)