Eduardo Cunha é intimado pelo Banco Central


Presidente da Câmara dos Deputados precisa explicar valores não declarados de contas ligadas a seu nome na Suíça

REDAÇÃO ÉPOCA
04/02/2016 - 10h08 - Atualizado 04/02/2016 10h08
Eduardo Cunha é intimado pelo Banco Central (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom)
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tem até o final de fevereiro para prestar esclarecimentos sobre contas no exterior ligados a seu nome, como mostra o G1. O Banco Central intimou Cunha já que os valores não foram declarados. O final do processo pode gerar multas ao presidente da Câmara.
A investigação leva em conta apenas as contas da Suíça que foram atribuídas a Cunha pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Cunha nega ser proprietário, acionista ou cotista de empresas no exterior ou ter contas em seu nome. Mas admite ser “usufrutário” de ativos mantidos na Suíça, que não foram declarados. Seus advogados disseram que já foram notificados e que irão apresentar a defesa do presidente da Câmara em breve.

Vida de PM no Rio: desprezados, doentes e com medo


Malvistos pela população e caçados pelos criminosos, os policiais militares do Rio de Janeiro estão abalados como soldados em guerras e mais suscetíveis a cometer erros fatais

HUDSON CORREA E RAPHAEL GOMIDE
04/02/2016 - 08h05 - Atualizado 04/02/2016 08h51
 A capitão Bianca no complexo do Alemão.O marido,também PM,morreu em tiroteio com traficantes. (Foto: Agencia Sincro)
Todos os dias, na hora de sair de casa para o trabalho, Bianca Silva ouve o apelo da filha, de 9 anos. “Mamãe, você vai morrer?”, diz Maria, que, invariavelmente, chora e abraça forte a mãe. “Por que você não escolhe outra profissão?” Bianca é capitã da Polícia Militar do Rio de Janeiro e, desde setembro de 2014, é toda a família que Maria tem. O pai, o capitão da PM Uanderson Silva, foi morto aos 34 anos durante um confronto comtraficantes no Complexo do Alemão. Comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Nova Brasília, a mais violenta entre as favelas incluídas no programa, Uanderson foi morto pela bala de um de seus soldados ao ficar no meio do fogo cruzado. Bianca passeava em um shopping quando recebeu a notícia de que o marido havia sido baleado. Antes de ir ao hospital, passou no batalhão para trocar o vestido pela farda, temendo que o ciumento Uanderson reprovasse o traje de passeio. Uanderson morreu antes que ela pudesse vê-lo. “Os danos psicológicos são inevitáveis”, diz Bianca. “O tempo inteiro nós convivemos com o medo de morrer.” Bianca não cogita desistir da profissão, apesar da tristeza da filha, que toma tranquilizantes e é acompanhada por psiquiatras da Polícia Militar.
Bianca e Uanderson se conheceram na academia de formação de oficiais da PM do Rio de Janeiro e trabalhavam na mesma região. Só no primeiro semestre do ano passado, policiais das UPPs do Complexo do Alemão e da Penha estiveram envolvidos em 260 tiroteios, mais de um por dia. Na favela Nova Brasília, o clima entre policiais e moradores é de animosidade. A polícia é tratada como mais um inimigo, não um aliado. Para amainar a situação, no passado Bianca considerou criar um programa de distribuição de presentes no Dia das Crianças. Mas o projeto minguou, segundo ela, pela resistência da população local. “Sentia o medo das crianças em falar comigo”, diz. “Elas crescem com a visão de que o policial é violento.” 
É comum entre os PMs a percepção de que a população sentemedo, repulsa e até certo desprezo por eles, como mostra a pesquisa UPPs: o que pensam os policiais, feita recentemente peloCentro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. Para a maioria dos policiais entrevistados, os sentimentos dos moradores em relação a eles são de ódio, raiva, aversão, desconfiança, resistência e medo. O cabo Rodrigo Cunha sentiu isso nas vielas do Morro São Carlos, onde uma UPP foi instalada em 2011. “Existem lugares em que o Estado está lá de intruso”, diz. “Você dá bom-dia à criança e a mãe vem correndo levá-la embora. ‘Não fala com polícia.’ Acham que seria melhor se nós não estivéssemos lá.” Comerciantes se recusavam a vender garrafas de água a Rodrigo e moradores cuspiam no chão quando ele e os colegas passavam.
Barbaridades cometidas por alguns PMs ao longo dos anos, como tortura, agressões, execuções de inocentes e fraudes para camuflar assassinatos a sangue-frio, criaram essa rejeição em parte da população. Para ficar em um exemplo rumoroso, desde julho de 2013 não se sabe o que aconteceu ao pedreiro Amarildo, que desapareceu depois de ser levado para a sede da UPP da Rocinha. Vinte e cinco policiais da unidade são acusados de participar da tortura, morte e do sumiço do corpo. Nesta semana,oito PMs foram condenados. Chagas como essa não apenas não cicatrizam, como contaminam a rotina dos policiais que trabalham direito. ÉPOCA entrevistou militares, levantou estatísticas e teve acesso a pesquisas inéditas sobre a situação-limite em que vivem os policiais do Rio de Janeiro, como mostram os quadros desta reportagem. Os policiais têm índices piores que a média da população de doenças causadas por sedentarismo, sentem-se desanimados, com medo, e usam álcool, remédios e drogas. Os policiais sabem que são malvistos, sentem-se ameaçados e têm muito, muito medo de morrer – justamente por serem policiais. 
Os policiais têm saúde ruim (Foto: Editoria de Arte)
curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro ensina os aspirantes a policial a agir, em todos os sentidos. Há algum tempo, entre as orientações eles aprendem a ocultar a profissão e sobreviver em uma cidade violenta, refratária a eles. Os policiais ouvem que devem usar o carro, em vez do ônibus, para ir trabalhar. Mais: devem esconder a farda no porta-malas ou no banco traseiro, sempre pelo avesso e dentro de um saco escuro. Todos os dias, o soldado Antônio Matsumoto, de 34 anos, passa cerca de três horas no trânsito para chegar ao quartel na Tijuca, na Zona Norte da cidade. Chegaria mais rápido se fosse de trem ou metrô, mas tem medo de assaltos: a farda na mochila pode ser uma sentença de morte, como foi em outubro para o sargento Fernando Monteiro, assassinado a tiros de fuzil quando assaltantes encontraram seu uniforme. Parceiro de Matsumoto no patrulhamento diário, Fábio Terto, de 33 anos, é obrigado a ir de trem para o trabalho. Depois de fardada e armada, a dupla vai de ônibus para o patrulhamento, uma novidade para aproximar os agentes da população. Matsumoto fica de pé na porta perto da catraca, com a mão na pistola, enquanto Terto se posta na porta traseira. A aflição é total. Ninguém olha para ninguém. Como eles, 81% dos policiais acham que vivem “em risco constante”.
A dupla Matsumoto e Terto em patrulha.Para eles transporte coletivo,só com farda e arma na cintura (Foto: Agencia Sincro)
Além de alertar para a farda, os instrutores do curso de formação preparam os alunos para o pior em termos de autoestima. “Ninguém gosta de você, só seu cachorro!”, diz o instrutor, aos gritos. “A cidade vai odiar você: o porteiro te dá café, a moradora oferece um lanche à tarde, mas todo mundo te odeia, só dá porque você está de farda.” Em vez de aprender o convívio com a sociedade, o policial sai preparado para o confronto. “A PM não é feita para matar, não deve matar, a não ser em absoluta defesa pessoal ou de terceiros”, diz o coronel Robson Rodrigues, até dezembro chefe do Estado-Maior da corporação. “Mas morremos muito e matamos muito.” O Brasil é um dos países com o maior número de policiais mortos em confronto. Em 2014, último ano disponível na estatística, 352 policiais foram mortos no país – só para comparar, foram 96 nos Estados Unidos e apenas oito no Reino Unido. Segundo um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro  é o Estado com o maior número de policiais assassinados em confrontos, com 93 em 2013 e 95 em 2014 – um deles, sabe-se, foi o capitão Uanderson, pai de Maria, marido de Bianca.
De acordo com o coronel Robson Rodrigues, o nervosismo dos PMs “aumenta o risco de produzir ações desastrosas”, como a que ocorreu em outubro na Pavuna, bairro da Zona Norte. Um sargento matou a tiros Jorge Lucas Paes e Thiago Guimarães ao confundir o macaco hidráulico que eles carregavam numa moto com um fuzil. Em fevereiro de 2014, dois mototaxistas foram mortos da mesma maneira. Esses casos aconteceram nas áreas dos dois batalhões onde recentemente ocorreram mais confrontos com traficantes, o 41º (Irajá) e o 9o (Rocha Miranda).
O neurocientista mexicano Roberto Mercadillo, da Universidade Autônoma Metropolitana, aponta que o medo, a falta de sono e o enfrentamento constante causam perda de atenção e de memória, tornando as decisões mais lentas e o policial mais hostil e agressivo. “O PM convive com a criminalidade e tem uma arma na cintura. Se está em desequilíbrio emocional, não tem plenas condições de avaliar a situação. No caso dele, é letal”, afirma a psicóloga Patrícia Constantino, da Fiocruz, que conduziu uma pesquisa sobre hábitos e saúde dos policiais. Os estudos mostram, portanto, que um policial nessas condições é capaz de atirar em dois rapazes que carregam uma ferramenta por achar que eles são bandidos armados até os dentes. Infelizmente, há policiais assim nas ruas do Rio de Janeiro atualmente, como mostram as estatísticas expostas nestas páginas.
Arrimo da política de segurança pública do Estado, o projeto das UPPs parecia demarcar territórios onde a harmonia imperaria. Não mais. No decorrer do ano passado, traficantes de áreas em tese pacificadas mataram 12 policiais. Em setembro, bandidos balearam o soldado Bruno Pereira nas costas e arrastaram o corpo preso a um cavalo em Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, uma área sem UPPs. No mês seguinte, Neandro Oliveira, há dois anos na PM, foi baleado e queimado vivo noMorro do Chapadão, na Zona Norte. Casos assim, obviamente, instauram o medo entre policiais. “Nas guerras no Afeganistão e no Iraque, o soldado fica lá um ano e volta para casa”, afirma o comandante do Comando de Operações Especiais, coronel René Alonso. “Aqui são anos sem mecanismo de descompressão ou alívio.” Uma pesquisa da própria Polícia Militar revela que os agentes que atuam nas zonas “vermelhas” das UPPs estão em alto grau de sofrimento mental, medido a partir de um teste daOrganização Mundial de Saúde no qual se pergunta ao paciente, entre outras questões, se ele dorme mal, sente-se nervoso e assusta-se com facilidade.
Em setembro de 2014, diante do agravamento da violência, o comando das UPPs criou uma comissão com a incumbência de avisar as famílias de PMs mortos em serviço ou de folga. Foram chamados seis jovens soldados (três mulheres e três homens), com formação em psicologia e assistência social. Eles orientam os parentes das vítimas nas providências mais urgentes, como o velório e o enterro. Nas semanas seguintes, voltam a procurar a família para tomar nota do que ela precisa. “Queremos mostrar que o policial não é só um número em nossa estatística de vítimas”, diz a tenente Silvia Souza. Também faz parte da tarefa acompanhar a recuperação de feridos.
Recentemente, os integrantes da comissão estiveram com o soldado Alexsandro Fávaro, de 35 anos. “Coloque-se no meu lugar e imagine ver a pessoa que você mais ama tendo de trocar sua fralda”, diz ele a ÉPOCA, referindo-se à mulher, Lígia, sua companheira há 17 anos. Na cadeira de rodas, Fávaro se lembra de seu início na UPP. “Moradores nos aplaudiam e gritavam palavras de apoio”, recorda. Mas ele logo percebeu que os aplausos eram só uma forma de alertar os traficantes sobre a patrulha. Fávaro usava estratégias inusitadas. Banhou em ouro o anel de prata com a imagem de São Jorge, pois exibir joias reluzentes é uma característica dos policiais corruptos, os “arregados”, que recebem propina de traficantes. Fazendo-se passar por um deles, Fávaro conseguia se aproximar de criminosos e prendê-los. Em uma investigação, descobriu uma passagem secreta dos traficantes, ao lado de um bar numa das principais ruas do Morro do Fogueteiro. Num sábado, Fávaro e sete policiais montaram uma operação para prender os bandidos, mas foram surpreendidos por 15 homens armados com fuzis, em um beco estreito, sem ter para onde correr. Ele havia passado o fuzil para um colega e tinha nas mãos apenas uma escopeta com balas de borracha. Sacou a pistola, mas, já ferido, caiu no chão. “Quem chegaria primeiro aonde eu estava caído: minha equipe ou os bandidos?” Os policiais o alcançaram antes, mas um dos tiros atingira sua garganta e saíra pelo pescoço, rompendo-lhe as vértebras.
O soldado Alexsandro Fávaro,tetraplégico após um tiroteio,com a mulher e colegas."Coloque-se ni meu lugar e imagine a pessoa que vc ama tendo de trocar sua fralda',diz (Foto: Agencia Sincro)


A PM tem 95 psicólogos que atendem policiais em 26 dos 45 batalhões fluminenses. Em 2014 foram 25 mil consultas, e a corporação pretende contratar mais profissionais em 2016 para atender seus 47 mil policiais. Os médicos e psicólogos trabalham de branco e pedem aos PMs que “troquem a ‘fantasia’ de Super-Homem pela de Clark Kent”, como explica a major médica Rosana Cardoso. Coletes à prova de balas, armas e até a gandola (a camisa da farda) ficam na antessala do consultório dos psicólogos e, em casos mais graves, dos psiquiatras. Mas nem todos conseguem: um cabo do 41o Batalhão sob atendimento psicológico disse a ÉPOCA que não consegue acesso ao psiquiatra – carência admitida pela corporação. “Quase morri em tiroteio e o comandante nem me agradeceu”, diz. “Estou pedindo de joelhos para sair da rua.” Atualmente, 6% dos PMs estão afastados das ruas por problemas de saúde física ou mental. “Policiais não são máquinas de produzir segurança. Sua jornada é exercida em condições adversas e extenuantes. A impossibilidade de expressar e ver acolhido seu sofrimento se transforma em adoecimentos, disfunções cardíacas, insônia, irritação, depressão e outros agravos físicos e mentais”, afirma, em artigo, a pesquisadora Cecília Minayo, da Fiocruz. Obviamente, pessoas nesse estado não estão em condições de cumprir a contento a missão de proteger milhões de cidadãos.

O PT contra os pobres


No discurso, o partido se diz o "legítimo" representante dos trabalhadores. Na prática, o que se constata é que a população de menor renda é a mais prejudicada pelo desastre econômico promovido pelos governos petistas

JOSÉ FUCS, COM VINICIUS GORCZESKI
04/02/2016 - 08h07 - Atualizado 04/02/2016 08h51
Dinheiro (Foto: Arte/Época)
No folclore político nacional, atribui-se ao mineiro Gustavo Capanema (1900-1985), ministro da Educação de Getúlio Vargas no Estado Novo e depois deputado federal pelo antigo PSD e pela Arena, a autoria de uma frase sábia. “Em política, o que vale é a versão e não o fato”, pontificou Capanema, ao pedir que o jornalista Carlos Castello Branco (morto em 1993) desse novas tintas a uma história que publicara, para não deixar o governo tão mal. Embora tenha sido cunhada há décadas, a frase de Capanema serve como uma luva incômoda para os tempos atuais. Hoje, talvez mais que em qualquer outro momento da história recente do país, a ideia de que é possível construir uma narrativa – para usar o termo da hora – sem base na realidade virou uma panaceia, para o governo tentar se livrar de todo e qualquer problema que apareça pela frente.
Na semana passada, em Brasília, a presidente Dilma Rousseffemitiu novos sinais de que as manobras diversionistas se transformaram praticamente em política de Estado. Dilma aproveitou uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – um órgão consultivo formado por 90 representantes da sociedade civil – para anunciar um pacote de ampliação de crédito. O remédio, que inclui R$ 83 bilhões em novas linhas de crédito, deverá ser inócuo. Primeiro, porque, diante das incertezas sobre o nível de atividade econômica nos próximos meses, não há demanda por mais crédito, de acordo com o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, um dos integrantes do Conselhão e “padrinho” do ex-ministro Joaquim Levy na Fazenda. Depois, porque será preciso mais que quimeras para recuperar a confiança perdida pelo governo nos últimos anos e despertar o “espírito animal” dos empresários, considerado essencial para alavancar os investimentos. “A confiança só vai voltar quando o governo fizer a parte dele no ajuste e equacionar o rombo nas contas públicas. Do jeito que está, com um deficit anual na faixa de 10% do PIB (o Produto Interno Bruto), todo mundo fica intranquilo”, diz o economista e consultor Luís Paulo Rosenberg, da Rosenberg Part¬ners, ex-assessor especial da Presidência da República no governo Sarney.

Dias antes da reunião do Conselhão, durante a cúpula de países latino-americanos realizada em Quito, no Equador, Dilma afirmou: “O Brasil não parou, nem vai parar”. Como se a retração da economia, estimada em 3,8% em 2015 e em 3% neste ano, fosse mera fantasia do Pessimildo – o personagem ranzinza que previa desastres econômicos, criado por seus marqueteiros na campanha eleitoral. Entre todas as manobras do governo para inflar sua atuação, uma se destaca: insistir na fábula segundo a qual a política econômica praticada desde o segundo mandato de Lula e aprofundada na gestão de Dilma é favorável aos mais pobres. Mesmo diante do drama de milhões de brasileiros, afetados pelacrise, com efeitos perversos nas faixas de menor renda, o governo continua a sustentar, com a contribuição entusiasmada de Lula, do PT e de seus parceiros, o discurso de que é o grande defensor dos fracos e oprimidos. “Essa coisa de política para favorecer pobre virou coisa de piadista”, afirma o economista e consultor Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores, autor do livro O mito do governo grátis (Ed. Edições de Janeiro).
Por uma ironia cruel, depois de 13 anos no governo, o PT e seus aliados, que se consideram como legítimos representantes dos trabalhadores, não levaram a classe operária e os descamisados ao paraíso
Os sinais de que os menos favorecidos estão pagando a conta mais salgada pelos erros da política econômica no primeiro mandato de Dilma pipocam por todos os lados (confira os gráficos ao final desta reportagem): 
• A inflação nas faixas de baixa renda, medida pelo INPC, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegou a 11,3%, enquanto o IPCA, que reflete a inflação oficial, foi de 10,7%. Segundo cálculos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), a alta média de preços para as classes D e E foi ainda maior, de 13,5%;
• O desemprego atingiu índices alarmantes. Em 2015, até outubro, de acordo com o IBGE, 2,6 milhões de trabalhadores perderam o emprego e 9 milhões estão desempregados. Só na construção civil, foram quase 500 mil postos a menos no ano passado, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo. Até março, pelas projeções dos analistas, o número de desempregados chegará a 10 milhões de pessoas. No mercado formal de trabalho, ocorreu o fechamento de 1,54 milhão de vagas em 2015, pior resultado desde 1992, quando esse indicador foi criado;
• Em 2015, pela primeira vez em dez anos, a renda da população caiu. O ganho médio real (descontada a inflação) teve uma queda de 3,7% nas principais regiões metropolitanas do país, conforme o IBGE, passando de R$ 2.353 para R$ 2.265. Estimativas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getulio Vargas, apontam que, em 2020, a renda per capita será a mesma de 2010;
• Um estudo do Bradesco, com base em dados do IBGE, revela que, em 2015, até novembro, quase 4 milhões de pessoas da classe C voltaram às classes D e E. Outra pesquisa, realizada pela Fecomercio, estima que 10 milhões de pessoas deverão deixar a classe C até 2017, engrossando a base da pirâmide.
Até na educação se pode constatar o impacto da crise entre os mais pobres. Em 2015, os novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), dirigido à baixa renda, ficaram em 311 mil, embora a demanda tenha sido quase o dobro, pouco mais da metade de 2014. Neste ano, as projeções são que o número de novos contratos deverá ficar próximo ao de 2015. O encolhimento da renda já levou as faixas de menor poder aquisitivo a mudar também as compras no supermercado, segundo uma pesquisa da Kantar Worldpanel, que acompanha os hábitos dos consumidores. Os produtos mais afetados foram leite pasteurizado e fermentado, refrigerantes e sucos, além de salgadinhos e sobremesas. Não é de estranhar que o índice de satisfação dos brasileiros com a vida tenha atingido o mínimo histórico no final de 2015, como revela uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em especial nas faixas de renda de 0 a 2 salários mínimos por mês. “Quando há um desequilíbrio macroeconômico, os custos em termos de renda e emprego são drásticos e sempre sobra mais para os mais pobres”, diz o economista Bernard Appy, ex-secretário de Política Econômica no governo Lula. “A culpa dessa situação, que prejudica o país e, principalmente, os mais pobres, é 100% do governo”, afirma o economista Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre.
Apesar de os dados oficiais ainda não terem captado um aumento da desigualdade, exceto na Região Sudeste, algumas pesquisas acadêmicas já detectaram o efeito da crise também neste campo. Um levantamento feito pelo professor Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao governo federal, mostrou que a desigualdade aumentou perto de 2% no primeiro semestre de 2015. Para o IBGE, o diferencial entre os salários dos trabalhadores mais e menos qualificados cresceu 5,3% no segundo trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2014. Como a crise se aprofundou depois disso e deverá prosseguir em 2016, o aumento da desigualdade deverá aparecer de forma bem mais evidente nas estatísticas, mais cedo ou mais tarde.
Por uma ironia cruel, depois de 13 anos no governo, o PT e seus aliados, que se consideram como legítimos representantes dos trabalhadores, não levaram a classe operária e os descamisados ao paraíso. Ao contrário. Apesar de o PT e outros partidos da base aliada do governo no Congresso Nacional atribuírem a crise às medidas de austeridades adotadas pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, o estrago antecedeu sua passagem por Brasília em pelo menos dois anos. Ainda que os danos só se tenham revelado plenamente ao longo da gestão de Levy, quando não dava mais para maquiar o rombo bilionário nas contas públicas, os primeiros sinais da debacle já podiam ser captados desde o final do governo Lula, em 2010. O estouro foi retardado pelos anabolizantes injetados em doses cavalares na economia pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega. Suas ações foram estimuladas por Dilma, na época ministra da Casa Civil e já candidata à Presidência, e pelo próprio Lula, que surfava no boom das commodities, cuja popularidade estava nas nuvens. Levy, portanto, pode até ser acusado de não ter ministrado o remédio correto para tirar o Brasil do atoleiro, mas não de ser o responsável por ele.
“O governo fez uma série de escolhas que acabaram resultando na grave crise que o país vive hoje. Em vez de tratar o câncer, ele deu morfina para o doente. Agora, o dilema é pagar a conta hoje ou deixá-la para depois, quando ela estará bem mais alta”, diz o economista Marcos Lisboa
No primeiro mandato de Lula, a coisa até que andou relativamente bem, para surpresa dos mais céticos. O trem começou a descarrilhar mesmo após a crise global de 2008. Depois do sucesso obtido para amenizar o impacto da crise no país, o governo manteve as medidas de estímulo à economia que havia adotado, ignorando todos os alertas de que isso iria gerar um forte desequilíbrio mais à frente. Lula pisou fundo no acelerador, ampliando o uso de recursos públicos para alavancar a economia. Deu reajustes generosos ao funcionalismo e aumentos reais para o salário mínimo, que indexa os benefícios de menor valor dos aposentados. O resultado imediato foi espetacular, com crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. A renda cresceu, puxada pela alta das commodities lá fora e pelo crescimento da China – havia lastro para aumentar os benefícios sociais. Uma nova classe média emergiu, alimentando a esperança de que o Brasil poderia, enfim, unir-se ao clube dos países desenvolvidos. Isso iludiu muita gente bem-intencionada. “No governo Lula, isso tinha sustentação, porque o Brasil vivia um período de vacas gordas. Como deu certo com o Lula, eles acharam que a política econômica ‘da direita’ não valia nada e a deixaram de lado”, diz Rosenberg. “Eles veem o resultado que alcançaram como uma obra do PT, mas foi uma obra da China. Se a gente olhar o que aconteceu em outros países, como Peru, Bolívia e México, que são exportadores de commodities, como o Brasil, vai ver que aconteceu algo muito parecido lá durante a alta das commodities. Só que eles se prepararam bem melhor do que nós para enfrentar o revertério”, afirma Paulo Rabello de Castro.
Inebriado com o sucesso e acreditando ter descoberto o que acreditava ser uma alternativa petista para a política econômica liberal, Lula decidiu manter a fórmula. Quase no fim de seu governo, interveio no setor de petróleo, dificultando os investimentos estrangeiros e tomando medidas protecionistas para os investimentos na Petrobras. Depois, no primeiro mandato de Dilma, o governo ampliou a concessão de benefícios a alguns setores, oferecendo subsídios sem transparência no Orçamento e desonerações sem muito critério, para tentar manter a bicicleta rodando. Ao mesmo tempo, para evitar o aumento da inflação, Dilma segurou os preços da gasolina e da energia elétrica e deu um corte profundo nos juros, sem nenhuma razão aparente para fazê-lo. Naquela altura, a inflação já mostrava suas garras, alimentada pelo aquecimento do mercado de trabalho e do consumo. E, com a queda nos preços das commodities, a arrecadação do governo, já afetada pelo corte tributário seletivo promovido em anos anteriores, mergulhou profundo. Mesmo assim, numa atitude meio camicase, Dilma continuou com o pé na tábua. Apostava que o nível de atividade voltaria a crescer rapidamente. Mas, ao contrário do que o governo pretendia, isso acabou não ocorrendo, abrindo um buraco enorme nas finanças públicas. “O caminho do inferno está cheio de boas intenções. Você vê o bom efeito, mas não o que pode dar errado”, afirma Roberto Macedo, ex-secretário de Política Econômica na gestão de Fernando Collor. “É impossível fazer essas bobagens sem que os pobres paguem o preço”, diz Samuel Pessôa.
Para não emitir um sinal aos analistas de que havia perdido o controle de suas contas, o governo realizou diversas operações de contabilidade criativa, que se tornaram conhecidas como pedaladas, falseando o verdadeiro resultado do Orçamento. Isso agravou a crise de credibilidade do governo, que já havia deslanchado desde o corte forçado dos juros, em 2011 e 2012, e seus efeitos se estendem até hoje. A crise de confiança paralisou os investimentos privados, principais geradores de emprego, e exauriu o caixa do Tesouro para a realização de investimentos públicos. “Todas as medidas que o governo tomou tinham a premissa de aliviar o impacto no curto prazo a um custo do agravamento da crise no médio e no longo prazo”, diz o economista Marcos Lisboa presidente do Insper, escola de negócios de São Paulo, e ex-secretário de Política Econômica no primeiro mandato de Lula. “O governo fez uma série de escolhas que acabaram resultando na grave crise que o país vive hoje. Em vez de tratar o câncer, ele deu morfina para o doente. Agora, o dilema é pagar a conta hoje ou deixá-la para depois, quando ela estará bem mais alta.”
Num quadro econômico tão preocupante, recorrer, em qualquer circunstância, à máxima de Gustavo Capanema certamente não ajuda o governo nem contribui para o aumento da confiança. É só ver a baixa popularidade de Dilma nas pesquisas, nas quais ela aparece com apenas 10% de aprovação. Ao tentar criar versões mais adocicadas da realidade, Dilma, Lula, o PT e seus aliados acabam dificultando ainda mais a retomada do desenvolvimento, em vez de contribuir para melhorar o baixo-astral generalizado.“Enquanto houver desconfiança em relação ao Brasil, o pobre vai sofrer porque o empresário não investe, não gera emprego e a atividade econômica vai minguando, ampliando o desemprego”, afirma Rosenberg. “Se a gente tiver mais um ano de recessão tão dura quanto a de 2015, com inflação alta, o PT não só vai acabar de implodir seu legado de bem-estar social, mas também o legado anterior, da estabilidade econômica”, diz Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto de Economia Internacional, em Washington. Talvez, se Dilma reconhecesse com humildade seus erros e limitações, o país tivesse mais chance de sair do buraco ainda em seu governo. Caso ela fique na Presidência até o fim do mandato. Na reunião do Conselhão na semana passada, no entanto, todos os sinais foram em outra direção: de que a política econômica que prejudica principalmente os mais pobres será mantida.                                                                                                                    
infográfico desemprego 1 (Foto: Arte/Época)

Dilma tem sete dias para apresentar defesa ao TSE

alizado em 
A presidente Dilma Rousseff na cerimônia de sanção do marco legal da ciência, tecnologia e inovação e lançamento da chamada universal, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)
Dilma Rousseff (PT)(Adriano Machado/Reuters)
A presidente Dilma Rousseff foi notificada na tarde desta quinta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apresentar sua defesa na ação proposta pelo PSDB pedindo a cassação da chapa presidencial que venceu as eleições de 2014. Na terça-feira, o vice-presidente Michel Temer já havia sido notificado. A presidente e seu vice terão sete dias para apresentar defesa ao tribunal.

A notificação foi entregue à Assessoria Jurídica do Planalto, que a levou para a presidente Dilma assinar o recebimento. O advogado da campanha, Flávio Caetano, será o responsável pela preparação da defesa da presidente.
Dilma e Temer são alvo de três ações no TSE: uma prestação de contas, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral e uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo. Nesta quinta, a notificação foi apenas do pedido de impugnação de mandato eletivo. A ministra Maria Thereza Moura, do TSE, é a relatora do processo.
(Com Estadão Conteúdo)

Moro autoriza transferência de Bumlai e Corrêa para presídio

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai é escoltado por policiais federais enquanto deixa o Instituto de Ciência Forense em Curitiba (PR) - 24/11/2015
José Carlos Bumlai e Pedro Corrêa serão transferidos a presídio em Curitiba(Rodolfo Buhrer/Reuters)
Atendendo a um pedido do delegado federal Igor Romário de Paula, o juiz Sergio Moro autorizou a transferência do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-deputado federal Pedro Corrêa da carceragem da Polícia Federal em Curitiba ao Complexo Médico Penal da capital paranaense.
O delegado havia justificado o pedido alegando que "a carceragem da Polícia Federal em Curitiba se destina tão somente a presos provisórios ou custodiados em eventual risco, bem como a limitação de espaço que dificulta a movimentação dos presos em flagrante e de eventuais operações policiais". O delegado da PF também citou possíveis novas operações policiais como motivo para que Bumlai e Correa fossem transferidos ao presídio.
Moro concordou com Romário de Paula, e permitiu a transferência afirmando que "a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos". Segundo Moro, o Complexo Médico Penal "vem atendendo satisfatoriamente as condições de custódia" dos presos que lá estão por prisões provisórias.
Publicidade

Bumlai foi preso na 21ª fase da Lava Jato, em novembro, e virou réu em dezembro pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e gestão fraudulenta. Segundo os investigadores, o empresário e amigo do ex-presidente Lula integrou um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10000 e a concessão de um empréstimo fictício para lavar propina que seria encaminhada ao PT.
Já Pedro Corrêa foi condenado por Moro a vinte anos, sete meses e dez dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do petrolão.
Segundo a acusação, o ex-deputado do PP pernambucano embolsou 11,7 milhões de reais em propina. Em apenas uma das 72 práticas de corrupção penalizadas pela Justiça, o ex-parlamentar recebeu 2,03 milhões de reais. "O mais perturbador em relação a Pedro Corrêa consiste no fato de que recebeu propina inclusive enquanto estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 [julgamento do mensalão], havendo registro de recebimentos até outubro de 2012", disse Moro na sentença que condenou Corrêa.
Na mesma decisão em que autorizou a transferência de Bumlai e Corrêa, Sergio Moro atendeu a um pedido da Controladoria-Geral da União (CGU), feito em 26 de janeiro, para interrogar o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada. A CGU quer ouvir Zelada, condenado por Moro na segunda-feira a 12 anos e dois meses de prisão, a respeito de irregularidades na contratação da Odebrecht para prestar serviços de saúde, meio ambiente e segurança à petrolífera no Brasil e no exterior.
O depoimento do ex-diretor da Petrobras está marcado para o dia 8 de abril na sede da CGU em Curitiba.

Defesa de Recalcatti acusa Gaeco de ‘revanchismo’ e diz que irá entrar com ações contra promotores


Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

Após a prisão do delegado Rubens Recalcatti e dos outros seis investigadores da equipe dele ser revogada, a defesa fez duras críticas no final da tarde desta quinta-feira (4) a atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR). De acordo com o advogado Cláudio Dalledone, o Gaeco está estabelecendo um ‘revanchismo’ contra os policiais, o que fará com que a defesa entre com representação no Conselho Nacional do Ministério Público.
recalcatticoletiva
Foto: Flávia Barros – Banda B
“Eles estão estabelecendo um precedente perigoso, porque infelizmente estão abrindo um revanchismo contra a Polícia Judiciária e contra a Polícia Militar. Isso beira o absurdo. Eles tratam algo sério em infantil e tem desencorajado os policiais. Estamos vivendo um ataque do crime organizado e bandido não tem mais medo. Questionamos se é isso que o Gaeco quer”, disse Dalledone.
Recalcatti foi solto poucas horas após a Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC) cumprir alguns mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça de Rio Branco do Sul, na região metropolitana de Curitiba. O delegado se apresentou no Centro de Operações Especiais (Cope), mas logo foi liberado. Ele e equipe são acusados de participação no homicídio qualificado de um homem que teria envolvimento na morte de João da Brascal, ex-prefeito de Rio Branco do Sul e primo do delegado em abril de 2015.
Em entrevista coletiva, ele afirmou que não cometeu nenhuma fraude processual e que estava cumprindo mandados de crimes contra o patrimônio, divisão que ele comandava. “Quando a promotora expediu a prisão, ela cometeu um grave erro, porque os mandados que estávamos cumprindo estava no mesmo fórum. Infelizmente quem estava envolvido em vários crimes morreu em confronto e ocasionou tudo isso”, garantiu.
O caso
Nove pessoas foram denunciadas pelo MP-PR pela morte de Ricardo Geffer, ocorrida em abril de 2015. De acordo com a denúncia, Geffer foi morto após ser preso pela equipe de Recalcatti.  O delegado havia sido preso pelo Gaeco em outubro, na Operação Aquiles, quando comandava a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP).
A denúncia do Gaeco é baseada em um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) que aponta que Ricardo Geffer, suspeito de matar Brascal, foi morto por oito tiros, sendo que um deles na parte superior do crânio, de cima para baixo, fazendo com que a bala saísse por uma das têmporas.
Solto, Recalcatti segue afastado da Polícia Civil até o término das investigações. A morte de Brascal aconteceu no dia 12 de abril de 2015, já a do suspeito no dia 28 do mesmo mês.

No Facebook, familiares lamentam brutalidade em caso de mulher morta por enteado


Da Redação

Inconformados, familiares lamentaram a crueldade envolvida na morte de Kamila Cordeiro Lisboa, de 26 anos, que era funcionária do Bradesco Seguros. Segundo investigações da polícia, ela foi assassinada pelo enteado de 15 anos com um tiro na cabeça na noite desta quarta-feira (3). O caso aconteceu no bairro Boa Vista, em Curitiba.
kamila-lisboa
Kamila foi morta em casa na noite desta quarta-feira. (Foto: Reprodução/Facebook)
“Não consigo acreditar, você se foi com tanta brutalidade. Que o Senhor te receba de braço aberto como você recebia cada um em seu coração. Linda, maravilhosa”, publicou uma prima da vítima no Facebook.
A irmã de Kamila também falou sobre a morte da jovem na rede social pouco tempo depois do crime. “Não gostaria de estar aqui dando esta notícia, mas é verdade, assassinaram minha irmã Kamila. No momento não estou em condições de nada. Assim que eu tiver mais informações divulgo neste post. Peço a todos que orem e rezem por nós. Nesta hora só Deus. Obrigada pela força”, escreveu.
O caso
Segundo a Polícia Civil, o adolescente de 15 anos, enteado da vítima, confessou o crime, que teria sido motivado por brigas constantes e mágoas da madrasta. O garoto usou a pistola do pai para atirar contra Kamila.
O delegado desconfiou do garoto quando as equipes chegaram no local e perceberam a reação fria dele. Além disso, ele estava com parte da perna queimada, o que chamou a atenção dos policiais – já que o carro de Kamila havia sido encontrado incendiado a poucas quadras da casa dela, onde aconteceu o homicídio. De acordo com a polícia, o menor tentou simular um latrocínio (roubo seguido de morte) depois do assassinato.
O adolescente foi autuado em flagrante por homicídio e encaminhado a Delegacia do Adolescente (DA). Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (DA), ele será avaliado psicologicamente de seis em seis meses e o período de internação de até três anos, pode ser prorrogado a cada avaliação.

Jovem suspeito de atirar contra coronel da PM em tentativa de assalto é preso


Da Redação
Foto: Divulgação AEN
Foto: Divulgação AEN

Um jovem de 22 anos foi preso na noite desta quarta-feira (3) suspeito de atirar contra o coronel aposentado Sérgio Filardo, da Polícia Militar, em uma tentativa de assalto no bairro Cajuru, em Curitiba. De acordo com o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil, Luiz Henrique Braz foi detido após dar entrada no entrada em um hospital da capital. Apesar dos ferimentos, o coronel já está em casa e passa bem.
Segundo informações da PM, o coronel lavava o carro em frente de casa quando foi abordado por dois homens e reagiu. Ele pegou a arma que estava no porta-luvas do veículo.  Dois tiros atingiram o braço e o peito do policial. Braz fugiu com seu comparsa e uma terceira pessoa que estava com um veículo escuro. A Polícia Civil procura os outros envolvidos. “Ele efetivamente confessou o crime e disse que cometeram a situação ao verem ele lavando o carro, então já está detido e vamos procurar os outros suspeitos”, disse o delegado Rodrigo Brown.
Braz agora fica à disposição da Justiça (Foto: Flávia Barros - Banda B)
Braz agora fica à disposição da Justiça (Foto: Flávia Barros – Banda B)
Em menos de uma semana, no final de janeiro, quatro policiais militares morreram assassinados e um foi espancado na região de Curitiba. Os casos aconteceram nos bairros Fazendinha, Sítio Cercado, Fanny – na capital – e em Colombo, na região metropolitana. De acordo com as investigações, as mortes não têm relação entre si.
O caso
O coronel Filardo foi baleado em uma suposta tentativa de assalto na manhã desta quarta-feira (3), no bairro Cajuru, em Curitiba. Ele levou dois tiros de raspão no peito e no braço. Segundo a PM, o coronel teria reagido a uma tentativa de assalto no momento em que lavava o carro, em frente à casa dele.
De acordo com informações apuradas pela Banda B no local, o coronel Filardo estava lavando o seu carro, um Jeep, por volta das 10h30, em frente de casa, quando dois homens teriam se aproximado a pé. “Não sabemos se os dois suspeitos deram voz de assalto ou não, mas o coronel reagiu e houve uma troca de tiros. Os dois suspeitos fugiram e o coronel foi socorrido”, afirmou a tenente Jessica.
De acordo com a PM, os suspeitos fugiram em um Honda Civic preto, estacionado a alguns metros da casa. Foram feitas buscas pelos suspeitos, mas nenhum deles foi encontrado.