Favores a Lula na mira dos investigadores


Bancado por três envolvidos no petrolão, o sítio Santa Bárbara abre definitivamente o portão da Lava Jato para o ex-presidente

FILIPE COUTINHO E DANIEL HAIDAR
04/02/2016 - 21h51 - Atualizado 04/02/2016 21h51
Entrada do sítio Santa Barbara  (Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo)
No final de seu governo, no segundo semestre de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia a amigos que queria levar uma vida tranquila após deixar o Palácio do Planalto. Confidenciava aos mais próximos, alguns deles ouvidos por ÉPOCA, que sentia falta das tardes de futebol e churrasco no Los Fubangos, sítio modesto que curtia com os companheiros antes de chegar ao poder. Um dos amigos a ouvir os desejos de Lula foi José Carlos Bumlai, empresário e lobista que viria a ser preso naOperação Lava Jato, acusado de embolsar propina do petrolão. Ainda não se sabe de quem partiu a ordem para providenciar um novo refúgio ao então presidente, nem sequer se houve uma ordem verbal e explícita, mas, dali a poucos meses, Bumlai tomou para si a tarefa – e se jactou dela entre os familiares de Lula e dirigentes do PT. Nascia o Santa Bárbara, um sítio na área rural de Atibaia, a cerca de 60 quilômetros de São Paulo, generosamente reformado para combinar com as preferências de lazer de Lula. Seis anos depois, as negativas do ex-presidente sobre a propriedade do sítio e a revelação dos nomes dos responsáveis pela reforma do imóvel transformaram o bucólicoSanta Bárbara na maior encrenca já enfrentada pelo petista.
No papel, o sítio Santa Bárbara pertence aos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, parceiros comerciais de Fábio Luís da Silva, filho de Lula que no primeiro mandato do pai se tornou um empreendedor de sucesso na área de tecnologia, graças à compra de sua empresa pelo grupo da empreiteira Andrade Gutierrez, também envolvida na Lava Jato. Desde que passou a ser questionado sobre o Santa Bárbara, Lula admitiu apenas, e mesmo assim somente por meio de sua assessoria, “frequentar” o local, que seria de propriedade de “amigos” dele, “em dias de descanso”. Em nota, a assessoria de Lula afirmou: “Embora pertença à esfera pessoal e privada, esse é um fato tornado público pela imprensa já há bastante tempo. A tentativa de associá-lo a supostos atos ilícitos tem o objetivo mal disfarçado de macular a imagem do ex-presidente”.  Os assessores de Lulatentavam demonstrar que se tratava de uma falsa questão.
Não é, conforme apontam as evidências publicadas pela imprensa e investigadas pela Força-Tarefa da Lava Jato e  por promotores paulistas. Na segunda-feira, dia 1º, a reportagem publicada por ÉPOCA revelou a fragilidade da versão de Lula. A partir de dados públicos dos gastos e dos deslocamentos dos seguranças de Lula, ÉPOCA descobriu que, desde 2012, o ex-presidente e sua família foram 111 vezes a Atibaia. Como todo ex-presidente da República, Lula tem direito a uma equipe de seguranças e assessores pelo resto da vida. Os salários e os custos do trabalho deles são pagos com dinheiro público, como manda a lei. As informações fornecidas pela Presidência da Repúblicamostram que sete seguranças dedicados a Lula passaram, no total, 283 dias na cidade. Em média, a cada cinco dias um segurança de Lula foi deslocado a Atibaia, em datas que incluem fins de semana, períodos de férias escolares, feriados e até o Réveillon. Quem visita amigos tantas vezes? Isso é frequência de dias de descanso na propriedade de amigos ou é uma casa de veraneio?
Até surgir o escândalo do petrolão, Lula e seus aliados referiam-se cotidianamente ao “sítio em Atibaia” como um local de descanso do ex-presidente. Testemunhas e notas fiscais comprovam que o Santa Bárbara foi projetado, reformado direta e indiretamente com dinheiro das empreiteiras Odebrecht OAS e da Usina São Fernando, que pertence a Bumlai. Três dos principais beneficiários do petrolão, portanto, financiaram o sítio. Nenhuma das três partes desse consórcio deu qualquer explicação sobre os gastos. E por que Odebrecht, OAS e Bumlai empenhariam tamanha generosidade à dupla Jonas Suassuna e Fernando Bittar? Até agora, Suassuna e Bittar permanecem em silêncio – como todos os que devem explicações nesse caso. 
Entre outubro de 2010 e janeiro de 2011, a propriedade de 173.000 metros quadrados, com lago e uma casa antiga, ganhou uma segunda casa com quatro suítes e um espaço para churrasqueira. O jornal Folha de S.Paulo mostrou, a partir de entrevistas com fornecedores, que pelo menos R$ 500 mil foram gastos em materiais para a obra, tocada pelo engenheiro Frederico Barbosa, da Odebrecht. Além do engenheiro, a empreiteira comprou o material no comércio local. À OAS coube, entre outros consertos, reformar e instalar equipamentos na cozinha. Amigo de Lula desde 2002, o empresário José Carlos Bumlai forneceu o arquiteto Ingenes Irigaray Neto, que vive em DouradosMato Grosso do Sul, a mesma cidade de Bumlai, e já trabalhou para a Usina São Fernando.
Em qualquer circunstância seria desconfortável para um homem público como Lula admitir que empreiteiras com negócios bilionários com o governo, e um amigo beneficiado por empréstimos do BNDES, pagaram a reforma do sítio. Mas a Lava Jato deixa tudo muito, muito pior. O presidente da Odebrecht,Marcelo Odebrecht, está preso em São José dos Pinhais há quase oito meses. Contra sua empresa pesam acusações – apoiadas em fortes evidências – de participar de um cartel que pagava propina a diretores, políticos e lobistas em troca de obras. Além de bancar a reforma, a Odebrecht figura entre as maiores contribuintes do Instituto Lula e uma das principais clientes da LILS, a empresa aberta por Lula para agenciar suas palestras no exterior. A Odebrecht foi a principal contratante das 47 palestras que Lula fez no exterior entre 2011 e junho do ano passado. Logo após o término das reformas, Lula deixou de ser cliente para ser prestador de serviços para a Odebrecht, ao fazer duas palestras, uma na Bahia e outra no Panamá.
Assim como Marcelo Odebrecht, José Carlos Bumlai está preso emCuritiba. Ele é suspeito de ter conseguido um contrato para a construtora Schahin com a Petrobras, em troca de um empréstimo para o PT. Bumlai prosperou no governo Lula, a ponto de montar uma usina de álcool, bancada em parte com recursos do BNDES. Era conhecido como um caminho mais curto para quem queria chegar a Lula. Em seu acordo de delação premiada, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, disse que foi por essa trilha: pagou R$ 2 milhões de propina a Bumlai para tentar emplacar um negócio entre a OSX, do empresário Eike Batista, e a Sete Brasil, o filhote que forneceria sondas para a Petrobras explorar o pré-sal. Segundo Baiano, no começo de 2011, quando o concreto da reforma do sítio ainda estava fresco, Bumlai levou o presidente da Sete, João Carlos Ferraz, para uma conversa com Lula em seu instituto, com o intuito de facilitar as coisas entre Sete Brasil e OSX. Na ocasião, o Instituto Lula disse que o ex-presidente “não se envolveu como intermediário de empresas e não autorizou José Carlos Bumlai a usar o nome dele para qualquer tipo de lobby”.
O terceiro contribuinte do sítio foi a construtora OAS, cujo presidente, Leo Pinheiro, passou uma temporada em Curitiba, foi condenado a 16 anos de prisão e recorre em liberdade. A empresa de Pinheiro é caso de dupla parceria com Lula na área de imóveis. Além do sítio, bancou a reforma no tríplex reservado para a família do ex-presidente no Condomínio Solaris, em Guarujá. De acordo com documentos publicados pelo site O Antagonista e pelo jornal O Estado de S. Paulo, a OAS fez a reforma e comprou móveis e equipamentos para as cozinhas do sítio e do apartamento. Testemunhas viram Pinheiro em pessoa visitar o tríplex com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Não foi a única deferência da OAS com os Lulas da Silva. Na semana passada, ex-cooperados da Bancoop, a cooperativa de bancários que começou a construção do Solaris, quebrou e repassou à OAS, reclamaram da diferença de tratamento. Enquanto a maioria foi pressionada pela OAS a decidir em pouco tempo se colocaria mais dinheiro para terminar a obra micada, Lula teve cinco anos para isso. AOAS ainda bancou uma reforma de cerca de R$ 770 mil no imóvel. Com a Lava Jato na rua, em 2015, Lula desistiu do apartamento.
A Força-Tarefa em Curitiba e o Ministério Público do Estado de São Paulo investigam se Lula ocultou patrimônio. O sítio em Atibaia e o apartamento em Guarujá, que deveriam ser refúgios para o ex-presidente, não darão descanso a Lula. Abriram os portões da Lava Jato para o petista.
As mil e uma noite do descanso de Lula  (Foto: Época )

Zika e microcefalia: Como gestantes e mães lidam com a epidemia que assusta o mundo


Médicos, cientistas e governos não sabem o que dizer às famílias cheias de dúvidas sobre o vírus e a doença

ALINE RIBEIRO E FLÁVIA TAVARES, COM MARCELA BUSCATO E SÉRGIO GARCIA
04/02/2016 - 21h03 - Atualizado 05/02/2016 12h35
Aos 26 anos e grávida pela terceira vez, a carioca Pollyana Rabello já conhecia o trajeto a percorrer na madrugada de 28 de dezembro. As contrações fortes e frequentes não a deixaram dormir. Exausta após 48 horas de dor persistente, Pollyana foi encaminhada ao centro cirúrgico de um hospital em Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. A anestesia da cesariana tirou sua sensibilidade da cintura para baixo, mas Pollyana continuou desperta. Rodeada por médicos e enfermeiros, acompanhou cada movimento que precedeu a chegada de Luiz Phillipe: o corte na barriga, a mão alcançando o bebê, o cordão umbilical sendo cortado. Ouviu o choro do filho e sentiu o êxtase da maternidade. O torpor raro foi interrompido pela notícia que mudaria sua vida: “Mãezinha, seu filho nasceu com microcefalia”, disse o médico, sem rodeio.
Revista ÉPOCA - capa da edição 921 - Pollyana: "Ele me ensinou outra forma de amar"  (Foto: André Arruda/ÉPOCA)

Naqueles dias em que Pollyana se preparava para o parto, outra gestante varava noites à caça de orientação. Ao longo de dois meses, a terapeuta capilar Mariana Mendonça, de 33 anos, comparecera dia sim, dia não a um laboratório no bairro deBangu, no Rio de Janeiro, para exames de controle de ovulação. Apontado o período fértil, o médico recomendava: “Você precisa namorar amanhã”. Mariana cansou de namorar mecanicamente. Interrompeu o acompanhamento médico – e aí, sim, engravidou. Soube logo com um mês de gestação e a paz durou poucas semanas. Aos dois meses de gravidez, seu corpo foi tomado por manchas vermelhas, dores fortes e febre moderada. Seu obstetra pensou ser dengue. Mas, duas semanas depois, Mariana soube pela televisão da existência de um novo vírus que circulava pelo país. “Eu pirei”, afirma. O zika começava a aterrorizar e ninguém sabia explicar nada.
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Em dezembro, Mariana apenas começava a enfrentar a torrente de dúvidas que já se abatera, por meses, sobre Gisele de Lima. Ela chegou sem respostas ao Hospital Universitário de Jundiaí, no interior de São Paulo, às 10 horas de 17 de dezembro. Por quase seis horas, trabalhou o parto de sua menina. A cada contração, vinham a dor, normal, e a angústia, que não deveria ser. Com quatro meses de gestação, Gisele fora diagnosticada com o zika. A posição de sua caçula no ventre impedira uma ultrassonografia conclusiva sobre o tamanho do cérebro da pequena. Às 15h40, a menina veio à luz. A médica a observou, tomou um pequeno susto – e Gisele, que passara os últimos cinco meses de gestação no escuro a respeito da saúde da filha, perdeu o ar. “Calma, mãe. Foi só o cordão umbilical que rompeu”, disse a médica. “Ela está bem. É saudável.” Gisele não ousou perguntar mais nada, de medo da resposta. Chorou, enquanto a filha era posta em seu peito, e fitou a cabeça da menina. Parecia normal. O desafogo da mãe foi intenso, mas incompleto. A menina teve anemia e ficou sete dias na semi-UTI. Ninguém sabe dizer se foi por causa do zika. Ninguém sabe dizer muito. O quarto de Gisele ficou cheio de médicos atrás de informações. Ela, cheia de dúvidas, era entrevistada em vez de orientada. Por pelo menos um ano, mãe e filha serão monitoradas. “Falaram que o cérebro da Geovannaainda pode não se desenvolver. Não sabem se pode ter sequela, porque é um vírus novo”, diz.
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As mães Gisele e Pollyana e a gestante Mariana se batem comincertezas que atormentarão famílias brasileiras por anos. Quando se tornaram públicos, em novembro, os casos dos 140 bebês que nasceram com a cabeça menor que o normal em Pernambuco, o fenômeno ainda parecia um mistério isolado. Na semana passada, 3.670 casos em investigação depois, viraramemergência global. A médica chinesa Margareth Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou que a recente explosão de casos de microcefalia merece um esforço internacional. É preciso acelerar o entendimento científico de como age o principal suspeito, o vírus zika. E é preciso combater a proliferação de seu principal transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Legisladores e juízes também terão de enfrentar, com a urgência que uma crise demanda, temas difíceis como o aborto. Os discursos, os números assustadores e o empenho de cientistas, porém, fazem pouco ou nada, neste momento, pelas famílias que precisam tomar decisões e fazer preparativos já.

Bilionário faz piada após ser 'fardado' como policial civil em outdoor em MS


Elon Musk comenta no Twitter foto dele com uniforme da Polícia Civil.
Sinpol-MS desconhecia uso; agência diz que tomou providências.

Do G1 MS
Bilionário Elon Musk faz 'piada' após ser fardado como policial civil em outdoor em MS (Foto: Reprodução/Twitter)Post de Elon Musk após foto dele com uniforme da Polícia Civil (Foto: Reprodução/Twitter)
O bilionário Elon Musk fez uma postagem no Twitter, nesta sexta-feira (5), brincando com o fato de ter tido sua imagem utilizada em um outdoor do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS). Na campanha publicitária '#valorizepolicialcivil', veiculada em Campo Grande, ele aparece vestido de policial civil.
No Twitter, Musk postou: “My job moonlighting as a police officer in Brazil is no longer secret.” (Meu trabalho clandestino como policial no Brasil não é mais segredo).
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Em nota, o Sinpol-MS informou que, “recentemente, contratou a Agência Oceano para produzir as campanhas publicitárias” e que “a possível utilização indevida da imagem do Elon Musk é de inteira responsabilidade da empresa contratada”. A entidade disse ainda que desconhecia e que não aprova o uso de imagem não autorizada.
A diretora de contas da agência Oceano Comunicação & Novos Negócios, Aretusa Nogueira, afirmou ao G1 que todas as medidas cabíveis e legais foram tomadas com relação ao Sinpol-MS e ao bilionário. Os três outdoors com a campanha foram retirados e a agência enviou uma carta relatando o ocorrido e pedindo desculpas a Musk.
Sobre a postagem bem-humorada do bilionário no Twitter, Aretusa comemorou a repercussão. “Fico feliz porque vai auxiliar o cliente. De certa forma, alguns veículos de comunicação procuraram o Sinpol-MS”, relatou, completando que isso pode ajudar no objetivo da campanha, que é valorizar o policial civil.
Musk é presidente do PayPal, da montadora Tesla Motors e criou a empresa privada de exploração espacial SpaceX.
Bilionário Elon Musk faz piada após ser fardado como policial civil em outdoor em MS (Foto: Reprodução/Twitter)Carta de agência para Elon Musk foi postada no Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)

Em Colombo suposta vítima de assalto, homem é socorrido de helicóptero após ser baleado


Por Felipe Ribeiro e Daniela Sevieri

Suposta vítima de assalto, um homem de 31 anos precisou do socorro aéreo após ser baleado no final da tarde desta sexta-feira (5) no bairro Monte Castelo, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com a polícia, ele relatou que um bandido o abordou e realizou os disparos.
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Foto: Colaboração Geziel Silva
Segundo o socorrista Geziel Silva, a vítima estava com dois graves ferimentos, mas estava consciente. “Devido a situação, achamos melhor acionar o helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o socorro, uma vez que os ferimentos são graves”, disse.
Até o fim da tarde, nenhuma testemunha havia confirmado a versão da vítima.
A Delegacia de Colombo agora investiga o caso.

Curitiba confirma primeiro caso de zika importado em 2016; casos de dengue chegam a 106


Da Redação com SMCS

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba confirmou nesta sexta-feira (5) o primeiro caso importado de zika vírus neste ano. Trata-se de uma mulher, residente na região central de Curitiba, e que esteve há poucos dias no Rio de Janeiro. Em 2015, Curitiba registrou dois casos de zika vírus, ambos também importados, registrados em pacientes homens.
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Prefeitura vai instalar, a partir da próxima semana, uma sala de comando central contra o Aedes. Anuncio foi feito pelo prefeito Gustavo Fruet (Foto: SMCS)
De acordo com o secretário municipal da Saúde, César Titton, felizmente o caso desta vez não se trata de paciente gestante, o que não traz desdobramentos. “Ela já foi tratada adequadamente e todas as ações de bloqueio no entorno da residência já foram realizadas. Mas isso nos faz um alerta, pois outros pacientes doentes irão chegar à cidade e por isso precisamos manter Curitiba livre do Aedes”, disse.
O número de casos confirmados de dengue esta semana quase dobrou, em comparação com o boletim anterior, do dia 29 de janeiro. Agora já são 106 casos, todos eles importados. Quase metade dos pacientes infectados passou por Paranaguá (51 casos). Ao longo de todo o ano passado, foram 242 casos – três deles autóctones. Este ano, até agora, não foi registrado nenhum caso autóctone – em que a contaminação ocorreu na própria cidade.
Com relação à febre chikungunya, este ano Curitiba não registrou nenhum caso. No ano passado foram dois.
O secretário explicou que, apesar de todos os casos de dengue e zika registrados até agora serem importados, é preciso intensificar ainda mais as medidas preventivas. “Temos que combater o mosquito para evitar que ele encontre as pessoas infectadas, e assim impedir que transmita a doença para outras pessoas”, explicou.
De acordo com Titton, toda vez que um caso é confirmado, as equipes de saúde realizam bloqueios no entorno da residência da pessoa infectada, verificando a existência de possíveis focos em todos os domicílios e estabelecimentos comerciais. A cada foco encontrado, o raio do bloqueio é ampliado.
“Como o prefeito pediu durante a reunião, vamos manter a transparência na divulgação do número de casos da doença, pois este é um importante alerta à população”, afirmou.

Roubo leva polícia até cassino ‘camuflado’ de sede dos Alcoólicos Anônimos no Mercês


Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros
Foto: Reprodução Polícia Civil
Foto: Reprodução Polícia Civil

Um roubo de aproximadamente R$ 30 mil levou a Polícia Civil a descobrir um cassino clandestino na tarde desta sexta-feira (5) no bairro Mercês, em Curitiba. De acordo com a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), o estabelecimento ilegal ficava localizado em um prédio sede dos Alcoólicos Anônimos, mas no térreo funcionavam todos os jogos de azar.
Sede contava com grande esquema de segurança (Reprodução Polícia Civil)
Sede contava com grande esquema de segurança (Reprodução Polícia Civil)
Segundo o delegado Rafael Vianna, um trabalhador teria ficado encarregado de depositar os R$ 30 mil, mas acabou assaltado no estacionamento ao lado deste prédio. “Viemos procurar câmeras e estranhamos o esquema de segurança deste local onde funcionaria uma sede de reabilitação de alcoólatras. Lá, no térreo, encontramos este grande número de máquinas de jogos”, disse.
O roubo que teria motivado a procura foi praticado por dois motociclistas e a polícia já investiga imagens dos suspeitos. Em uma das salas realmente ocorriam reuniões do AA, até mesmo com a intenção de não despertar suspeitas.
Todo o maquinário do cassino foi apreendido e os responsáveis encaminhados à DFR. Eles agora irão responder por exploração jogo de azar e associação criminosa.

Executivos da Andrade Gutierrez deixam a cadeia com tornozeleiras


Elton Negrão e Otávio de Azevedo vão cumprir prisão domiciliar.
G1 apurou que dois executivos foram soltos por causa de delação.

Fernando Castro e Thais KaniakDo G1 PR
Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)Otávio Marques de Azevedo, presidente afastado
da Andrade Gutierrez, foi solto nesta sexta (Foto:
Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Os executivos da Andrade Gutierrez Elton Negrão de Azevedo e Otávio Marques de Azevedo, réus em processo da Operação Lava Jato, foram soltos pouco antes das 19h desta sexta-feira (5). O G1 apurou que eles assinaram acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral do República (PGR), mas os termos ainda não foram homologados pela Justiça.
Eles estavam presos no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. De lá, seguiram para a Justiça Federal, onde colocaram a tornozeleira eletrônica e foram liberados no início da noite. A PGR e o Supremo Tribunal Federal (STF) não confirmam a assinatura do acordo.
Os dois são acusados dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e haviam sido presos na 14ª fase da Lava Jato. Eles estavam presos no Paraná desde junho de 2015 e passam, agora, do regime de prisão preventiva para prisão domiciliar.
Mais cedo, o juiz Sérgio Moro suspendeu o prazo das alegações finais no processo que envolve a Andrade Gutierrez. A justificativa do juiz é a existência de um "fato relevante superveniente", ou seja, um fato que surgiu depois do processo em andamento. Moro não explicou qual seria este novo episódio.
No despacho, Moro pede para que o MPF, defesas e assistente de acusação sejam intimados. Ele ainda diz que, depois, decidirá sobre a melhor forma para retomar o processo.
A apresentação das alegações finais é o último trâmite da ação penal antes da sentença do juiz. No fim de janeiro, o MPF apresentou as alegações pedindo a condenação de 11 pessoas, dentre elas executivos da empreiteira, e a absolvição de duas pessoas que haviam sido denunciadas.
Acordo de leniência
Em novembro do ano passado, Andrade Gutierrez fechou um acordo de leniência com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A empreiteira terá que pagar uma multa civil de R$ 1 billhão para ressarcir o prejuízo da Petrobras.
Outra suspensão
Nesta mesma semana, na terça (2), o juiz determinou a suspensão do prazo para as alegações finais da defesa na ação penal que envolve a empreiteira Odebrecht, que também foi investigada na 14ª fase da Lava Jato.
No caso da Odebrecht, a decisão foi tomada porque, conforme Moro, a Justiça da Suíça considerou irregular o procedimento de envio ao Brasil de informações sobre contas da empresa que teriam sido usadas para pagamento de propina a diretores da Petrobras.

Bancoop: O drama de quem não é Lula

Sem carro, sem fgts, sem casa - Para comprar um apartamento da Bancoop, o vendedor Rogério Navarro e a mulher, a professora Silvana, rasparam o saldo do FGTS e venderam o carro. A ideia era parar de pagar aluguel e atender ao pedido da filha, que sempre quis um quarto só para ela. Só que a Bancoop quebrou, a OAS assumiu a obra e o prédio nunca saiu do chão. Hoje, Navarro e a família vivem de aluguel em um apartamento na Zona Leste. Ele diz não ter mais esperança de receber a casa. “Nunca mais tivemos notícias da OAS.”
Sem carro, sem fgts, sem casa - Para comprar um apartamento da Bancoop, o vendedor Rogério Navarro e a mulher, a professora Silvana, rasparam o saldo do FGTS e venderam o carro. A ideia era parar de pagar aluguel e atender ao pedido da filha, que sempre quis um quarto só para ela. Só que a Bancoop quebrou, a OAS assumiu a obra e o prédio nunca saiu do chão. Hoje, Navarro e a família vivem de aluguel em um apartamento na Zona Leste. Ele diz não ter mais esperança de receber a casa. “Nunca mais tivemos notícias da OAS.”(Paulo Vitale/VEJA)
Passados quase dez anos desde que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) quebrou, e seis desde que a OAS começou a assumir alguns de seus empreendimentos, compradores de 376 imóveis até hoje não ouviram o tilintar das chaves do apartamento. Quando a cooperativa quebrou, em 2006, deixou quinze obras inacabadas. Oito foram repassadas para a OAS. Outras duas foram transferidas para construtoras menores - a MSM e a Tarjab, que concluíram os empreendimentos no prazo. Já no lote da OAS, três empreendimentos nunca ficaram prontos. Localizados em diferentes bairros de São Paulo, eles hoje se encontram abandonados. No Residencial Casa Verde, na Zona Norte da capital, há apenas um grande bloco de concreto onde deveria estar a garagem, e mais nada. A vegetação tomou conta do lugar. Os únicos funcionários que aparecem de tempos em tempos são faxineiros encarregados de dar fim a tudo o que possa se transformar em foco de criação do Aedes aegypti. No Liberty, no centro de São Paulo, a obra avançou um pouco mais antes de também parar. O esqueleto da construção foi erguido, mas ainda não tem nem elevador. A situação não é melhor no Villas da Penha II, na Zona Leste: embora algumas poucas casas projetadas tenham saído do papel, continuam sem portas nem janelas.
A OAS, em recuperação judicial desde que foi tragada pelo escândalo de corrupção na Petrobras, simplesmente diz que não tem dinheiro para terminar o que começou. Ainda há um quarto prédio inacabado, porque quem não quer que a empresa siga com a obra são os próprios ex-cooperados da Bancoop. Eles brigam na Justiça para que a OAS perca o direito sobre o prédio, por discordarem das condições estabelecidas para a retomada da construção. Ao todo, chega perto de 500 o número de ex-cooperados da Bancoop que, nas mãos da OAS, nunca receberam seu apartamento ou brigam na Justiça para não perdê-lo. É uma situação bem diferente da do ex-presidente Lula e seu hoje famoso tríplex do Guarujá, caprichosamente reformado e mobiliado pela empreiteira investigada na Lava-Jato.
A Bancoop foi criada em 1996 com a promessa de oferecer a seus associados imóveis a um custo 40% menor que o do mercado. Em sua maior parte, os cooperados eram filiados ou parentes de filiados ao Sindicato dos Bancários, por sua vez, ligado ao PT. Em 2006, a Bancoop fechou, deixando um rastro de prédios inacabados e centenas de famílias na ruína. Em 2010, ao varrer os subterrâneos da entidade, o Ministério Público descobriu o que a levara a quebrar. As investigações da contabilidade da cooperativa revelaram práticas estarrecedoras. Extratos bancários indicavam volumes milionários de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop a si mesma ou ao seu banco. Outros cheques mostravam de forma mais clara os seus destinatários: dirigentes da cooperativa, os cofres do diretório nacional do PT e até um ex-segurança do então presidente Lula, Freud Godoy, já conhecido por seu envolvimento no "escândalo dos aloprados". A conclusão do MP à época foi que dirigentes da entidade, além de encher os próprios bolsos, haviam usado o dinheiro dos cooperados para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, repassando valores para empresas de fachada que faziam "doações oficiais" aos seus comitês eleitorais.
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Entre os diretores da Bancoop denunciados pelo MP à Justiça estava João Vaccari Neto. O ex-tesoureiro do PT, agora réu no processo do petrolão e preso desde abril, responde no caso da cooperativa por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Afirma o promotor José Carlos Blat, responsável pela investigação: "A Bancoop foi o embrião dos grandes esquemas criminosos que vieram em seguida, como o mensalão e o petrolão".
Agora, uma nova apuração do MP, também conduzida por Blat, verifica se houve ilegalidade no repasse das obras da Bancoop para a OAS e se isso acarretou prejuízo para os mutuários. Na semana passada, VEJA ouviu os relatos de cooperados que afirmam ter sido coagidos pela empreiteira a aceitar termos duríssimos em troca da manutenção de seus contratos. Alguns perderam com eles as economias de toda uma vida. Outros ainda lutam para um dia ao menos poder colocar os pés naquilo que foi um sonho. Nenhum deles relata ter sido convidado a vistoriar seu imóvel na companhia do presidente da OAS.

‘Reforma em sítio é a coisa mais natural do mundo’, diz Gilbertinho


gilberto carvalho
Ricardo Noblat
Por meio do seu ex-chefe de gabinete durante dois mandatos presidenciais, Lula piscou primeiro.
Ao jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira, Gilberto Carvalho, que costuma falar inspirado por seu ex-chefe, disse algo notável:
– É a coisa mais natural do mundo que você possa ter empresas contribuindo com essa ou com aquela pessoa.
Referia-se à notícia de que a Odebrecht e a OAS, construtoras envolvidas na roubalheira da Petrobras, reformaram o sítio de Atibaia do clã Lula.
O sítio está em nome de dois sócios de um dos filhos de Lula. Mas o Ministério Público de São Paulo suspeita de que seja do ex-presidente.
Quando deixou a presidência em janeiro de 2011, Lula despachou parte de sua mudança diretamente para o sítio.
De 2012 para cá, hospedou-se ali mais de 100 vezes. É onde descansa nos fins de semana e recebe amigos.
Atual presidente do Conselho Nacional do Sesi, e ex-ministro do governo Dilma, Gilberto Carvalho disse que o sítio não pertence formalmente a Lula.
E que não existe relação de causa e efeito entre a reforma e algum benefício público dado à Odebrecht ou OAS.
“O Lula estava fora já da Presidência. Fornecedores contribuíram com o Instituto Fernando Henrique, com o Instituto Lula”, disse Carvalho ao jornal. “Estando fora da Presidência, Lula pode receber [presente], qualquer pessoa pode dar um presente que quiser dar a ele.”
O Instituto Fernando Henrique e o Instituto Lula não podem ser comparados a um sítio particular, seja ele de quem for. Os institutos são entidades culturais. Quem doa para eles desconta parte do valor no Imposto de Renda.
Um sítio é um sítio. Aceitar que uma empreiteira, prestadora de serviços ao governo, reforme de graça um sítio que serve a um ex-presidente da República pode não configurar crime, mas é imoral, indecoroso, indecente e fere a ética comum.
Lula tanto sabe disso que continua negando que seja seu o sítio beneficiado pelas duas empreiteiras.
Por que tais construtoras investiriam tempo, dinheiro e empregados para reformar o sítio de Atibaia se ele não fosse regularmente frequentado por Lula e a família?
De resto, por que fariam tais agrados a ele? Para recompensá-lo por medidas que adotou no governo? Para remunerá-lo indiretamente por algum favor?