Presidente do Instituto Lula tem renda extra em empresa ligada ao Banco do Brasil


Paulo Okamotto é conselheiro fiscal da Brasilprev por indicação do ex-presidente e fatura R$ 6,4 mil

MURILO RAMOS
26/02/2016 - 20h44 - Atualizado 26/02/2016 23h18
Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. (Foto: Marcia Minillo / Editora Globo.)
Além dos pitacos na vida do ex-presidente, Paulo Okamotto, que preside o Instituto Lula, também emite suas opiniões no conselho fiscal da Brasilprev. Recebe um jeton de R$ 6,4 mil por mês. Adivinha quem conseguiu a vaga para ele? 

Petistas que foram a SP para ato em defesa de Lula usaram cota parlamentar


Vinte deputados se encontraram com ex-presidente para desagravo; parte da bancada usou verba de gabinete

THIAGO BRONZATTO E RICARDO DELLA COLETTA
28/02/2016 - 16h04 - Atualizado 28/02/2016 16h04
Lula participa do terceiro Congresso Nacional da Juventude do PT (Foto: Antonio Cruz/ABR)O ex-presidente Lula (Foto: Antonio Cruz/ABR)
Vinte deputados petistas viajaram há duas semanas para fazer um ato de desagravo ao ex-presidente Lula em São Paulo. Boa parte deles viajou com dinheiro proveniente da cota parlamentar a que têm direito. Traduzindo: usaram recursos públicos para fazer bonito com o prócer petista. Ninguém quis dizer quanto as passagens custaram. Eles dizem que o uso da cota é regular, pois foi um ato político.

MPF reforça pedido de condenação contra Vaccari e Duque pela Lava Jato


Alegações finais são referentes a uma ação penal da 10ª fase da operação.
Procuradores do MPF pedem a devolução de R$ 4,8 mi para a Petrobras.

Adriana Justi e Aline PavaneliDo G1 PR e da RPC
Vaccari e Duque (Foto: Rede Globo; Marcelo Camargo/Agência Brasi)MPF reforçou o pedido de condeção contra Vaccari e Duque em ação penal da 10ª fase da Lava Jato (Foto: Rede Globo; Marcelo Camargo/Agência Brasi)
O Ministério Público Federal (MPF) reforçou o pedido da condenação do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque por 24 atos de lavagem de dinheiro envolvendo pagamentos de propina ao Partido dos Trabalhadores (PT) através de contratos falsos firmados com a Editora Gráfica Atitude. Os dois investigados estão presos no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e já foram condenados em outros processos.
As alegações finais foram protocoladas na ação penal originada na 10ª fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de desvio de dinheiro na Petrobras, na quarta-feira (24). As alegações finais são a última etapa na tramitação dos processos, antes da sentença do juiz.
"As provas constantes dos autos apontam que, em sua atuação no âmbito da empresa e da agremiação política que representavam, notadamente, Petrobras e Partido dos Trabalhadores, os denunciados se utilizaram do crime de lavagem de dinheiro de maneira sistemática e não-acidental", afirmam os procuradores.
De acordo com a denúncia aceita pelo juiz Sérgio Moro, parte da propina do esquema criminoso foi dirigida, a pedido de Renato Duque, a João Vaccari Neto, e ainda parcela deste montante, a pedido de João Vaccari Neto para a Editora Gráfica Atitude.
Segundo os procuradores, a Gráfica Atitude tem por sócios sindicatos vinculados ao PT. Para dar aparência legal à fraude, as empresas de Augusto Mendonça firmaram dois contratos fictícios com a gráfica, sediada em São Paulo. Mas os procuradores sustentam que os serviços nunca foram prestados.
Nas alegações, o MPF solicitou ainda a suspensão do processo em relação ao acusado Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ex-executivo da Toyo Setal e delator da Lava Jato, por conta do acordo firmado de delação premiada.
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No documento, o MPF também pediu a devolução, para a Petrobras, de recursos avaliados em R$ 4,8 milhões que teriam sido desviados no esquema de corrupção. O valor corresponde ao dobro do valor inicialmente bloqueado pelas autoridades, incluindo contas bancárias e valores em espécie, que somavam R$ 2,4 milhões.
Por fim, os procuradores também pediram para que seja determinada a perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática de crime de lavagem de dinheiro.
O que dizem as defesas
A defesa de João Vaccari, representada pelo advogado Luiz Flávio D'Urso, negou as acusações e disse que não há provas contra o seu cliente. "Especificamente com relação à gráfica, não há absolutamente nada contra ele. o que existe é uma acusação de que ele teria pedido para o Augusto Mendonça fazer depósitos na gráfica como ajuda para o PT. Isso não é verdadeiro. A única coisa que tem efetivamente é delação do Augusto Mendonça e delação não é prova", argumentou.
G1 tenta contato com os advogados de Renato Duque e Augusto Mendonça.

Mulher Melancia relata acidente de carro: 'Acabei de capotar, que fase'


Andressa Soares falou sobre o acidente no Rio em seu perfil no snapchat na noite deste domingo, 28.

Aline Pollilo e Lucas PasinDo EGO, no Rio
 Andressa Soares, a Mulher Melancia, sofreu um acidente de carro na noite deste domingo, 28, no Rio de Janeiro. Sem dar muitos detalhes do que havia acontecido, a funkeira gravou um vídeo em seu Snapchat mostrando as marcas em seu carro. "Acabei de capotar o meu carro. Olha como ficou o trânsito. Que fase!", disse ela, mostrando nervosismo. Ela estava com a mãe, Carmen Soares, que foi levada para o hospital imobilizada.
EGO NAS REDES SOCIAIS


"Capotei no mergulhão da Ayrton Senna . estava a caminho do show de Jorge e Mateus. Tinha muita água no asfalto e o carro derrapou. Mas graças a Deus está tudo bem e o socorro chegou bem rápido", disse Mulher Melancia por meio de sua assessoria de imprensa. Ainda de acordo com a assessoria da funkeira, ela e a mãe estão bem e Melancia só tevem um 'galo' na cabeça.
Mais cedo, ainda neste domingo, Melancia registrou momentos de lazer de sua tarde e exibiu fotos de biquíni, aproveitando o calorão de mais de 40 graus no Rio.
Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)
Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)
Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)
Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)Carro da Mulher Melancia (Foto: Reprodução/Snapchat)
Carmem Soares, mãe da Mulher Melancia (Foto: arquivo pessoal)Carmem Soares, mãe da Mulher Melancia (Foto: arquivo pessoal)
Carro Mulher Melancia (Foto: arquivo pessoal)Carro Mulher Melancia (Foto: arquivo pessoal)

Confusão generalizada fecha lojas e assusta frequentadores de shopping em Curitiba


Por Felipe Ribeiro

Uma confusão generalizada fechou lojas e assustou frequentadores do Shopping Estação, em Curitiba, no fim da tarde deste domingo (28). De acordo com as primeiras informações, dois grupos teriam iniciado uma briga dentro do estabelecimento comercial, provocando uma correria por vários corredores.
Momento em que a PM entrou no shopping (Foto: Reprodução WhatsApp)
Momento em que a PM entrou no shopping (Foto: Reprodução WhatsApp)
Segundo testemunhas, era grande o número de adolescentes envolvidos na situação. Parte dos clientes chegou a ser orientado a seguir para os elevadores durante a confusão.
O Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar e a Guarda Municipal foram até o local e grande parte dos envolvidos fugiu.
Algumas pessoas chegaram a relatar que uma torcida organizada da capital estava envolvida na confusão, o que até o momento não foi confirmado pela PM.
Em nota, a assessoria do Shopping Estação informou que o desentendimento ocorreu em frente ao shopping, o que fez alguns clientes correrem para dentro do estabelecimento. “A Polícia Militar foi acionada e a situação foi solucionada em cerca de 20 minutos”, diz nota enviada à imprensa.
Segunda vez
Em janeiro, uma situação semelhante ocorreu dentro do Shopping Palladium. Na ocasião, a briga foi contida por seguranças e pela Polícia Militar. Após a ocorrência, o estabelecimento conseguiu liminar que impede a entrada de adolescentes desacompanhados no local.

"Você teria que pedir perdão é para o seu público", diz Rick sobre Renner


Do UOL, em São Paulo
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  • Reprodução/TV Record
    Rick responde ao pedido de perdão feito por Renner
    Rick responde ao pedido de perdão feito por Renner
Após um pedido de perdão feito pelo cantor Renner, o sertanejo Rick afirmou neste domingo (28) que o ex-parceiro deveria pedir perdão primeiro para o seu público e para os seus fãs. Os dois não se falam desde o fim da parceria de 30 anos, ocorrida em janeiro do ano passado.
Em entrevista concedida ao "Domingo Show", da TV Record, Rick demonstrou irritação em relação à mensagem deixada por Renner. "[Na mensagem] Você diz 'eu te perdoo'. Eu coloco um ponto de interrogação aí. Eu queria saber onde que você me perdoa. Deve ter alguma coisa que eu não me lembro para você ter que me perdoar", ironizou ele.
"Da minha parte, você pode esquecer, não tem mágoa, não tem raiva. Agora, eu acho que, se você tem que pedir perdão para alguém, teria que ser para o seu público, para quem te ama, para quem é fã, para quem viu a dupla Rick e Renner nascer e morrer", avaliou.
Renner se envolveu em seu primeiro acidente de trânsito no dia 20 de agosto de 2001, no quilômetro 144 da Rodovia Luiz de Queiroz, em Santa Bárbara (SP), no qual resultou na morte do engenheiro químico Luís Antônio Nunes Aceto e de Eveline Soares Rossi. O casal trafegava em uma motocicleta no sentido Piracicaba-Campinas quando foram atingidos pela BMW do cantor.
A rodovia possui pista dupla, mas, ainda assim, o carro do sertanejo ficou desgovernado, atravessou a pista e atingiu o casal, que morreu na hora. Segundo a acusação, ele trafegava em alta velocidade, próximo de 160 quilômetros por hora.
Renner foi condenado a pagar 2 mil salários mínimos (valor que hoje corrigido já estaria perto de R$ 3 milhões).
Em agosto de 2014, familiares das vítimas conseguiram na Justiça bloquear bens do cantor Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner. A medida também foi estendida a empresas ligadas ao sertanejo para evitar que ele deixe de pagar a indenização imposta pela Justiça, segundo a Agência Estado.
Renner está com dificuldades financeiras
Com dificuldades financeiras, o sertanejo Renner, ex-companheiro de Rick, disse que está com dois meses de atraso no aluguel do apartamento onde mora, em um condomínio de luxo, em Barueri, cidade localizada na Grande São Paulo, e admitiu o desejo de se mudar em breve.
O valor do aluguel era de R$ 3,5 mil, mas o proprietário do apartamento baixou para R$ 1,5 mil. Mesmo assim, o músico tem contado com a ajuda de amigos para quitar as dívidas.
Atualmente, o sertanejo sobrevive dando palestras para falar sobre a "transformação de vida", o que lhe garante uma renda entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês, quantia insuficiente para cobrir as despesas. Além disso, o cantor ressaltou que está sem carro e indo a pé até o supermercado.
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Cantor Renner é detido por dirigir embriagado e se envolver em acidente12 fotos

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26.dez.2014 - O cantor Renner da dupla sertaneja Rick & Renner foi detido na manhã desta sexta-feira (26), após bater em um carro na Zona Sul de São Paulo. Não houve feridos. De acordo com um dos policiais da 27° DP, no Campo Belo em São Paulo, o músico continua na delegacia e deve pagar R$ 10 mil de fiança para ser liberado. Em 2001, no quilômetro 144 da Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304), em Santa Bárbara, Renner foi responsável pela morte do engenheiro químico Luís Antônio Nunes Aceto e de Eveline Soares Rossi. O casal trafegava em uma motocicleta no sentido Piracicaba-Campinas quando foram atingidos pela BMW do cantor. Ele dirigia em alta velocidade, próximo de 160 quilômetros por hora. Leia mais Marco Ambrosio/AGNews

BJ, o elo da Odebrecht com os políticos

Benedicto Barbosa da Silva Junior
O empresário Benedicto Barbosa da Silva Junior, presidente da Construtora Odebrecht (Holanda Cavalcanti / Mário Grisolli/Divulgação)
Benedicto Barbosa da Silva Junior, de 55 anos, passou trinta deles na Odebrecht. Entrou como trainee, recém-saído da Escola de Engenharia Civil de Lins, no interior de São Paulo, e tornou-se presidente da Construtora Norberto Odebrecht (CNO) - terceiro nome na hierarquia do grupo, considerado o patrimônio da divisão que comanda. Nesse período, construiu não apenas uma carreira de sucesso, mas também uma relação de proximidade com o herdeiro da gigante, Marcelo Odebrecht. Alvo da Acarajé, 23ª fase da Operação Lava Jato, Barbosa juntou-se ao chefe novamente nesta semana, ao ser preso pela Polícia Federal. Ele foi solto na tarde desta sexta-feira após expirar o prazo de cinco dias da prisão temporária.
Foi justamente a proximidade com Odebrecht que contribuiu para levar BJ, como o executivo é mais conhecido, para trás das grades. Segundo os investigadores, há indícios de que Barbosa era quem fazia a ponte entre a empresa e os políticos, o homem a ser "acionado" quando houvesse necessidade de intermediação de autoridades públicas. "É possível verificar que Benedicto é pessoa acionada por Marcelo para tratar de assuntos referentes ao meio político, inclusive a obtenção de apoio financeiro", diz inquérito da PF assinado pelo delegado Filipe Hille Pace.
Segundo o advogado Nélio Machado, em depoimento na quarta-feira, BJ explicou à PF como a Odebrecht repassou recursos - segundo ele, legais - aos políticos. "Ele explicou como é que se faz. Durante décadas as empresas fizeram doações eleitorais, é um critério plural", disse o defensor. Em decisão desta sexta, o juiz federal Sergio Moro decidiu liberá-lo, com a ressalva de que ele não pode sair do país nem mudar de endereço. "Apesar apesar de seu posto executivo elevado no Grupo Odebrecht, consta que, aparentemente, os principais executivos da empresa envolvidos com as operações financeiras secretas já se encontram presos cautelarmente", escreveu Moro.
O principal fundamento do pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público Federal é o de que, assim como Marcelo, BJ teria pleno conhecimento do esquema criminoso instaurado na Petrobras. "No curso das investigações relacionadas ao Grupo Odebrecht, foi possível identificar outros executivos que se encontravam proximamente vinculados ao presidente Marcelo Bahia Odebrecht, e sob os quais pairam indícios de que tenham ativamente participado da organização criminosa formada no âmbito daquele conglomerado empresarial para a prática de ilícitos penais. Um deles é Benedicto Barbosa da Silva Junior", diz o texto.
BJ teve uma carreira meteórica na Odebrecht. Em apenas quatro anos, foi de trainee a gerente de contrato. Especializou-se em obras de alta complexidade, como hidrelétricas e metrô - chamavam-no quando era preciso resolver questões "irresolvíveis". Era conhecido pelos outros funcionários como alguém de "linha de frente", que preferia visitar os canteiros de obras a ficar trancado no escritório no Rio de Janeiro. No seu vasto portfólio, destacam-se a construção do metrô de Copacabana, no Rio, e a Usina de Três Gargantas, na China, uma das maiores do mundo.
Além disso, foi diretor superintendente da empresa no Sudeste Asiático, trabalhando de Kuala Lumpur, capital da Malásia. Em 2008, tornou-se presidente da CNO, ficando encarregado das - controversas - obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Torcedor fanático do Corinthians, cuidou pessoalmente da construção da arena do seu time de coração, em São Paulo. Junto com um consórcio formado com a Andrade Gutierrez, também foi responsável pela reforma do Maracanã.
Em um texto publicado pela agência Odebrecht, Júnior é apresentado como mais um do "bando de loucos" - referência a um canto da torcida organizada do Corinthians. Ele, inclusive, aparece em fotos com o ex-presidente do clube Andres Sanchez e o ex-presidente Lula, também corintiano, na época de fechamento do contrato entre a empresa e o clube. Outra matéria conta que o seu escritório é decorado com uma camisa do time preto e branco e miniaturas de trator. Em outro texto, intitulado "Relatos Inspiradores", ele chega a falar sobre a sua relação com o herdeiro da companhia. "Agora tenho contato com o Marcelo Odebrecht, que complementa minha visão empresarial com seu arrojo", diz na publicação.
Pelos diálogos interceptados pela PF, o contato de BJ com Marcelo parece ir além de uma mera relação empresarial. Apesar de separados por cerca de 400 quilômetros - Marcelo ficava em São Paulo, e ele, no Rio -, os dois parecem manter um contato constante, principalmente sobre assuntos políticos. Trocam entre si elogios e "xingamentos", repassam vídeos humorísticos do Youtube, comentam "erros" da presidente Dilma Rousseff no debate eleitoral, falam de parlamentares e até especulam sobre os rumos da Lava Jato - obviamente, antes de Marcelo ser preso na Erga Omnes. "Vi agora. Pela hora que você chegou às 10h30 podia ter subido! Não atrapalha nunca, pelo contrário facilita e ajuda!", diz uma mensagem de Marcelo a BJ após ele, aparentemente, ter esperado para ser recebido pelo então presidente da holding.
Como os parlamentares têm foro privilegiado, a PF precisou esconder com tarja preta os nomes dos parlamentares que surgem aos montes nas mensagens - eles foram ocultados em ao menos dez vezes. O único que aparece sem a rasura é a sigla SCF referente ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho, segundo a PF. "Vc acabou não falando depois. Está preocupado com SCF e outros no tema MF?", pergunta Marcelo, sobre o envolvimento de outro executivo afastado da companhia Márcio Faria com o ex-governador. Benedito, então, responde: "Ok. Preciso resolver 100 mil (nome de algum político com foro). Vou aproveitar este momento PT/PSDB". Marcelo diz: "Não entendi. Depois você me fala seguro". Com a última mensagem, a PF constatou que a dupla mantinha um canal de comunicação restrito para tratar de temas "escusos".
Na época das eleições presidenciais de 2014, Marcelo envia a BJ um vídeo do Youtube que satiriza a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves. "Muito divertido", comenta. Na sequência, a dupla cita a página Dilma Bolada seguida pela frase "DR pagou 1 mi", escrita por BJ. "Exato", responde o chefe. A PF levantou a suspeita de que os dois falam sobre o pagamento a "pseudohumoristas", conforme escreveu o delegado, "visando a promoção de ataques a outros candidatos". O juiz federal Sergio Moro também destacou, em despacho, que a PF identificou duas reuniões entre BJ e o ex-ministro José Dirceu em outubro de 2010 e abril de 2011.
Com uma carreira invejável, BJ ganhou, em janeiro de 2014, o prêmio "O Equilibrista" do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF). Segundo nota do instituto, a homenagem é uma espécie de "Oscar do setor". Nos registros da Câmara Municipal de Lins, também consta que Júnior ganhou o título de "Cidadão Benemérito" da cidade por seus "relevantes serviços prestados ao município".
A alcunha BJ também aparece com recorrência em uma planilha associada a valores, que foi apreendida em um e-mail secreto do ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio, preso na Suíça enquanto tentava retirar dinheiro de contas bancárias. Segundo as investigações, a tabela trata de repasse de dinheiro a partidos políticos, especialmente ao PT. A defesa de BJ disse que ele não "tem condições" de falar sobre a planilha, pois a desconhece totalmente.
"Marcelo Bahia Odebrecht é o verdadeiro gestor de tais 'créditos'. Benedicto Barbosa Júnior, por sua vez, desempenha posição igualmente relevante na administração da conta, basta lembrar que na planilha a sigla 'BJ' é a que apresenta as maiores cifras, sendo permitida a conclusão de que a maior parte de recursos espúrios eram originados da área dentro da Odebrecht controlada por Benedicto", diz o inquérito.
Esta não é a primeira vez que Benedicto Barbosa Júnior é citado na Operação Lava Jato. Em uma troca de mensagens entre o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS Leo Pinheiro, seu nome é mencionado pelo peemedebista como alguém capaz de ajudar a resolver problemas. "Tive com Júnior e pedi para ele doar por vc ao Henrique (Eduardo Alves). Ele, então, recebe um "OK" de Leo Pinheiro. "Tocando com Júnior aqui, na pressão. Ele vai resolver e se entende com vc", responde Cunha. BJ também está na lista de presenteados de Pinheiro. O executivo da OAS tinha o hábito de presentear parlamentares, ministros e empreiteiros em datas comemorativas. Para Júnior, ele deu uma biografia do jogador argentino Lionel Messi.
Em nota, a Odebrecht classificou a prisão de BJ como "medida extrema e injusta" e ressaltou que ele sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos à Lava Jato. No seu lugar, entrou em caráter interino o engenheiro Carlos Hermanny Filho.
Confira a nota da Odebrecht na íntegra:
A Construtora Norberto Odebrecht esclarece que Benedicto Barbosa da Silva Junior sempre esteve à disposição para colaborar com as investigações em curso, sendo sua detenção uma medida extrema e injusta. Em seu lugar, para desempenhar interinamente as funções de líder empresarial, foi designado o engenheiro Carlos Hermanny Filho. Ambos ingressaram na empresa ainda como estagiários, na década de 80, tendo participado de importantes obras no país e no exterior. A CNO dispõe de sólido sistema interno de compliance, alinhada com os mais rigorosos padrões internacionais. A empresa reafirma sua confiança na Justiça, com a firme disposição de atuar para o esclarecimento de qualquer fato ou dúvida.
(Com contribuição de João Pedroso)
Mensagens Marcelo Odebrecht e Benedicto Júnior
(Reprodução VEJA/VEJA)