O Brasil não é um país sério


Gleisi Hoffmann
Acreditem. Gleisi Hoffmann, senadora do PT, investigada pela Lava Jato, assumirá amanhã a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, no lugar do senador Delcídio Amaral, que esteve preso e agora anda de tornozeleira enquanto recolhe provas para fornir a sua delação premiada. O Brasil não é um país sério. E logo agora que foi homologada a delação premiada de Alexandre Romano, o Chambinho, ex-vereador do PT que pagava as contas de Gleisi Hoffmann e e Paulo Bernardo, segundo a revista Época.

Defesa de Odebrecht reclama de "condições precárias" na PF

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba, nesta terça-feira (01)
O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato(Vagner Rosário/VEJA.com)
A defesa de Marcelo Odebrecht reforçou hoje o pedido ao juiz Sergio Moro para que o empreiteiro seja transferido da superintendência da Polícia Federal em Curitiba ao Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense. Os advogados Nabor Bulhões e Eduardo Sanz anexaram ao pedido um atestado médico segundo o qual Odebrecht precisa de uma dieta especial e autorização a tomar banho de sol diariamente. A defesa do empreiteiro já havia feito um pedido de transferência no final de fevereiro, negado por Moro, e outro na quinta-feira passada, ainda não apreciado pelo juiz federal.
Segundo a petição apresentada hoje, o herdeiro do Grupo Odebrecht é hipoglicêmico e "encontra-se em condições clínicas precárias, apresentando significativa perda de massa magra desde a sua transferência (2,3 kg em 10 dias) e quadro anêmico". A médica Mayanse Mitri Boulos receitou ao empresário uma dieta baseada em biscoitos integrais, torradas sem glúten, frutas secas desidratadas, queijo processado light, entre outros.
Além da "situação precária em que se encontra atualmente, com afetação de sua saúde", os advogados ressaltaram que não faz sentido que o empreiteiro continue preso na carceragem da PF, onde ele fica 23 horas por dia na cela, uma vez que a delegada federal Renata Rodrigues não pretende ouvi-lo agora sobre a Operação Acarajé, a 23ª fase da Lava Jato, e o empreiteiro só vai se manifestar sobre a nova investigação no seu julgamento.
No pedido negado pela Polícia Federal e por Moro no fim do mês passado, a defesa do empreiteiro argumentava que a superintendência da PF não possui estrutura para que Marcelo Odebrecht e seus advogados pudessem preparar a defesa do empresário na fase de alegações finais da ação penal em que é réu. O magistrado decidiu que Odebrecht não tem "direito de escolher em que estabelecimento prisional prefere ficar preso".

Mulher de Eduardo Cunha quer ficar longe de Sergio Moro

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a mulher Claudia Cruz, recebem a visita do príncipe japonês Akishino, filho mais novo do imperador do Japão, e a e princesa Kiko, nesta quinta-feira (5), em Brasília (DF)
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a mulher Claudia Cruz(Pedro Ladeira/Folhapress)
A defesa da jornalista Claudia Cruz, mulher do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que a corte não fatie o processo em que ela, Cunha e a filha dele, Danielle Cunha, são acusados de usar contas secretas na Suíça para camuflar dinheiro de propina paga no escândalo do petrolão. O objetivo de Claudia Cruz é claro: se o processo for desmembrado, o caso dela cai nas mãos do juiz Sergio Moro, considerado implacável nos processos da Lava Jato e mais ágil na definição do destino dos investigados. Na última sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nova denúncia contra Eduardo Cunha, que já é réu no petrolão. Desta vez pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade com a utilização de dinheiro de propina escondido no exterior para pagar mordomias para a família. Janot pediu que o STF determine a remessa dos casos de Claudia Cruz e Danielle para a primeira instância, mas a defesa da jornalista alega que o processo contra os três deve tramitar em conjunto por estarem relacionados. A acusação imputa a Claudia a abertura da conta Kopek, sem declarar ao Banco Central, e o uso dela para acobertar dinheiro sujo de Eduardo Cunha. (Laryssa Borges, de Brasília)

Base aliada e oposição trocam acusações no plenário do Senado


Renato Costa/Folhapress
Lindbergh Farias (PT-RJ) durante discurso na tribuna do plenário do Senado nesta segunda (7)
Lindbergh Farias (PT-RJ) durante discurso na tribuna do plenário do Senado nesta segunda (7)
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Tradicionalmente esvaziada e dedicada a discursos voltados às bases eleitorais, a sessão do plenário do Senado nesta segunda-feira (7) foi palco para discussões inflamadas entre senadores da oposição e da base aliada do governo. O debate girou em torno da operação Lava Jato e a última ação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (4).
Ao criticar as investigações contra Lula, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acabou batendo boca com senadores do PSDB. Ao afirmar que "tucano nunca gostou de investigação no Brasil", o petista foi interpelado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
"Infâmia", bradou o tucano. O senador petista continuou seu discurso afirmando que, na época do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o país tinha um "engavetador-geral" e a Polícia Federal realizou apenas 48 operações. Aloysio Nunes rebateu. "Não havia uma organização criminosa comandando o Brasil, senador."
O petista então citou esquemas de corrupção envolvendo o PSDB, como os casos do "tremsalão" e do "merendão" em São Paulo. Lindbergh acusou o partido de não fazer investigações desses casos e foi novamente interpelado por Aloysio, que o chamou de "fanático caluniador" e o acusou de fazer um "discurso estercorário". "Está sujando a tribuna do Senado", completou.
Em um segundo bate-boca, Lindbergh dizia que o PT tem dado instruções para se evitar confrontos entre os defensores e contrários ao governo quando disse que há grupos fascistas que estão se aliando ao PSDB. "É só as pessoas entrarem nas redes sociais para ver. Há grupelhos fascistas que estão juntos fazendo alianças com setores do PSDB", disse.
Ele ainda acusou os tucanos de fazerem aliança com o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), defensor da ditadura militar e conhecido por posturas truculentas em relação ao governo.
O senador Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB na Casa, retrucou: "E Vossa Excelência é colado com Collor [senador Fernando Collor, PTB-AL]. O PSDB não tem compromisso com Bolsonaro nem tem nenhum movimento fascista". Lindbergh respondeu. "Vossa Excelência está mentindo", disse.
O tucano se irritou mais. "Respeite quem lutou pela democracia. Fascista? Fascista é a puta que pariu", disse já fora do microfone. Após a briga, os senadores concordaram em tirar o termo das notas taquigráficas, que fazem o registro oficial da sessão.
LAVA JATO
Ao longo da sessão, Lindbergh e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusaram a operação Lava Jato de ter o objetivo de desmoralizar o governo da presidente Dilma Rousseff ao ter "uma conduta partidarizada e seletiva". "É uma investigação engajada que tem o objetivo de desmoralizar o governo, e mais que isso: mudar o governo", disse Gleisi.
"Eu continuo mantendo o que eu disse. Essa força tarefa da Lava Jato está tendo uma conduta partidarizada", afirmou Lindbergh. O senador acusou os órgãos de investigação de protegerem o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, que, segundo ele, foi citado três vezes em delações premiadas no escopo das apurações da Lava Jato.
"O senador Aécio Neves eu cito porque esse é um dos pontos que mais nos incomodam, a seletividade. O que aconteceu com o senador Aécio? Primeiro o Alberto Youssef falou que tinha propina em Furnas. Não abriram investigação. Segundo, teve um cidadão chamado Ceará, que disse que o Aécio era o mais chato para cobrar propina. O que é que fizeram? Quando é com petistas sabe o que é que eles fazem? Abrem uma investigação, vai para os jornais. O que houve com o Aécio? A gente só soube quando arquivaram. Não houve vazamento do Aécio", completou.
Os dois petistas condenaram as ações tomadas contra Lula na última sexta (4), quando ele foi levado a depor na Polícia Federal por força de um mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a depor). Lindbergh chegou a dizer que Lula foi "sequestrado".
"O caldeirão está fervendo. Mexer com o maior líder popular que este país já teve, querer que ele simbolize o processo histórico de corrupção promovido pelas elites nos 500 anos que governaram o Brasil, não será aceito passivamente. A situação, se não tomar o caminho da legalidade, só tende a piorar. E eu pergunto: quem vai se responsabilizar por ela?", indagou Gleisi.
Para Cássio Cunha Lima, a condução de Lula não desqualifica a Operação Lava Jato. "Opiniões se houve ou não abusos, vão ter. O fato é que essas investigações têm que ter curso, têm que ter sequência e que elas sirvam para revelar a verdade, que é isso o que a população brasileira deseja nesse instante", disse.
Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, que coordena a Lava Jato, Lula foi "um dos principais beneficiários" de crimes cometidos no esquema da Petrobras.
O tucano ressaltou que as instituições do país estão agindo dentro da legalidade e das regras democráticas, o que afastaria, segundo ele, qualquer possibilidade de seletividade das apurações em andamento.
Ele também reclamou de ataques feitos por Lindbergh ao seu partido. "É natural que Vossa Excelência suba à tribuna para defender o presidente Lula, o que é absolutamente compreensível, dada a sua filiação ao PT, às suas relações pessoais com o presidente Lula. Ocorre que toda vez, a pretexto de defender o presidente Lula, sempre tenta atacar membros do PSDB como, mais uma vez, fez nessa tribuna", disse. 

'Não tomava anabolizantes', diz pai de fisiculturista que morreu após treino


Alicia Bibianni Costa morreu neste domingo, após mal súbito em academia.
Ainda não se sabe o que causou duas paradas cardíacas na atleta.

Anna Paula AndradeDo G1 RN
Fisiculturista sentiu dores abdominais durante treino e foi socorrida (Foto: Arquivo pessoal)Fisiculturista sentiu dores abdominais durante
treino e foi socorrida (Foto: Arquivo pessoal)
O pai da fisiculturista que morreu durante um treino neste domingo (6) em Nataldescarta a possibilidade de ela ter sido vítima do uso de anabolizantes. O tenente-coronel da PM Ricardo Albuquerque disse que a filha, por ser dentista, tinha conhecimento dos riscos do uso desse tipo de substância. Ainda não se sabe o que provocou as duas paradas cardíacas que vitimaram Alicia Bibianni Costa, de 29 anos. Ela deixou dois filhos.
"Ela não usava anabolizantes. Era amante do próprio corpo. Como dentista, tinha conhecimento do mal que os produtos químicos podem causar", afirmou Ricardo Albuquerque, que é presidente da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf).
Ele disse que a filha teve uma infância com sobrepeso e que havia passado por uma cirurgia de redução de estômago após ter o segundo filho e antes de ser tornar atleta.
"Por causa disso fez cirurgia bariátrica há alguns anos, depois que chegou a pesar 112 quilos. Isso foi após a gravidez do segundo filho dela, 5 anos atrás. Ultimamente, tinha uma vida saudável", afirmou o pai de Alicia.
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Velório
O corpo de Alicia Bibianni será velado durante toda a tarde desta segunda-feira. O enterro está marcado para as 18h, no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, na Grande Natal.
Alicia estava treinando e sentiu dores abdominais. Ela foi socorrida, mas sofreu duas paradas cardíacas no hospital. Segundo a Polícia Militar, Alicia foi levada ao Pronto-socorro Clóvis Sarinho e, em seguida, para o Natal Hospital Center.
Além de fisiculturista, Alicia era dentista (Foto: Arquivo pessoal)Além de fisiculturista, Alicia era dentista (Foto: Arquivo pessoal)

Justiça Federal manda prender Luiz Estevão


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Em São Paulo

  • Sergio Lima/Folhapress
    Senador cassado Luiz Estevão
    Senador cassado Luiz Estevão
A Justiça Federal em São Paulo decretou a imediata prisão do ex-senador Luiz Estevão. A ordem é do juiz Alessandro Diaferia, da 1.ª Vara Criminal Federal.
Estevão foi condenado a 31 anos de cadeia por desvio de verbas das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, mas pelo caminho dos recursos processuais. A condenação foi imposta em 2006 pelo TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3.ª Região). Na mesma ação foi condenado o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, que presidiu o TRT2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região). Ainda nesta segunda, a Justiça do Distrito Federal havia concedido perdão da pena ao ex-senador
Nesses dez anos que se seguiram à condenação, Estevão apresentou 34 recursos aos tribunais superiores. Na mesma decisão, o juiz Alessandro Diaferia mandou prender o empresário Fabio Monteiro de Barros Filho, também condenado pelo desvio de recursos do Fórum.
Segundo a Procuradoria da República, em valores atualizados, o rombo seria de R$ 1 bilhão.
Em janeiro, o Ministério Público Federal requereu ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), o início da execução da pena de prisão imposta pelo TRF3.
A petição foi assinada pelo subprocurador-geral da República Edson Oliveira de Almeida, que fez o pedido a Fachin com base na recente decisão do Supremo que determinou o início do cumprimento da pena de condenados já em segunda instância, antes de se esgotar todos os recursos judiciais.
Em 2000, Luiz Estevão teve o mandato cassado em função de sua participação no desvio de verbas públicas destinadas à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Os crimes, cometidos durante o período de 1992 a 1998, deram origem a sete processos criminais e duas ações civis públicas movidas pelo Ministério Público Federal entre 1998 e 2001.
Somente em um deles ocorreu, às vésperas da prescrição, o trânsito em julgado da decisão condenando Luiz Estevão, pela prática do crime de uso de documento falso. Atualmente o ex-senador cumpre pena de três anos e seis meses em regime aberto.
Várias das condenações impostas aos réus do caso TRT-SP já prescreveram, outras correm risco de prescrição. Em valores atualizados, a cifra desviada pelo esquema criminoso ultrapassa a quantia de R$ 3 bilhões, cobrada pelo Ministério Público Federal em uma das ações cíveis.

PF investiga até o pavimento do sítio de Atibaia



Entrou no radar da Lava Jato o fornecimento dos bloquetes de cimento usados na pavimentação de 10 mil m2 do sítio de Atibaia. Segundo os investigadores, a fornecedora dos blocos pertence ao empresário José Carlos de Jesus e seu filho José Carlos de Jesus Júnior.
A empresa está na lista de credores da recuperação judicial da OAS.

Fonte: O Antagonista

Não prenderam o advogado do Feira?



Já noticiamos que João Santana e Mônica Veloso desembarcaram no Brasil, sem os celulares. Mas vale dar uma espiada no relato do agente Wiligton Gabriel Pereira ao delegado Igor Romário de Paula.
Ele diz que questionou Feira e Dona Xepa sobre seus celulares e computadores. E o marqueteiro respondeu que teria deixado "todos eles lá", em provável referência à República Dominicana, onde estavam. Ao questionar o advogado, foi-lhe dito, no entanto, que os equipamentos estavam em seu poder.
O agente chamou, então, o delegado, que pediu ao advogado que lhe entregasse os celulares, "recebendo como resposta que não poderia entregá-los pois os pertences de João Santana e Mônica 'estariam misturados com os dele', afastando-se em direção ao ônibus de transportes de passageiros da área remota do aeroporto".
O Antagonista pergunta ao delegado: por que ele não deteve o advogado fujão e ocultador de provas?
Fonte: O Antagonista

Avião cargueiro faz pouso de emergência no aeroporto do DF


Piloto comunicou problemas técnicos antes de aterrissagem, diz FAB.
Voo partiu de Caracas com destino a Brasília; ninguém ficou ferido.

Gabriel LuizDo G1 DF
Avião vindo de Caracas, na Venezuela, instantes antes de fazer pouso de emergência no Aeroporto JK, em Brasília (Foto: Reprodução)Avião vindo de Caracas, na Venezuela, instantes antes de fazer pouso de emergência no Aeroporto JK, em Brasília (Foto: Reprodução)
Um avião cargueiro da companhia aérea venezuelana Solar teve de fazer um pouso de emergência no Aeroporto de Brasília na manhã desta segunda-feira (7). De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), o piloto comunicou à torre de controle "problemas técnicos" e pediu autorização para pousar, por volta das 11h45. A FAB não informou que tipo de problema afetou o avião.assista aos vídeos
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Uma imagem obtida pelo G1 mostra que os flaps (equipamento na asa que serve para aumentar o atrito com o ar, causando a desaceleração do avião) não estavam abertos pouco antes do pouso. Inicialmente, o órgão havia informado que havia sete tripulantes a bordo, mas depois disse que o número não estava confirmado. Ninguém ficou ferido.
O voo vinha de Caracas, capital da Venezuela, e tinha como destino final Brasília. Após o pouso, a aeronave teve de ficar parada na pista para passar por avaliação.
De acordo com a Inframerica, consórcio que administra o aeroporto, os bombeiros do terminal ficaram de prontidão no momento da aterrisagem. Não houve atrasos em pousos e decolagens por conta do incidente. Procurada, a companhia Solar não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Fim de decolagens simultâneas
Na última quarta-feira (2), a FAB suspendeu decolagens simultâneas no Aeroporto JK. Áudio da conversa entre um piloto da Gol e a torre de comando aponta que um erro de digitação quase provocou a colisão entre dois aviões naquele dia. Foi a segunda vez em nove dias que, por interferência do controlador de voo, um acidente do tipo foi evitado.
O áudio foi obtido pelo repórter da TV Globo Fabiano Andrade. A Gol informou que preza pelos mais altos padrões de segurança e que está em contato com as autoridades aeronáuticas para esclarecer o que aconteceu.

O piloto que fala na gravação estava no comando do voo comercial da Gol GLO 1402, para Palmas. O incidente foi por volta das 10h. A outra aeronave era da empresa Avianca, que fazia o voo ONE 6291, com destino a Goiânia.
Minutos após a decolagem, o piloto da Gol – que deveria seguir reto – fez uma curva à direita e invadiu a rota do voo da Avianca. No diálogo, a controladora de voo pergunta ao piloto da Gol o motivo da manobra.
Controladora: 1402, qual foi o motivo da curva à direita após a decolagem?
Piloto: Er... Vou dar uma conferida aqui, só um instantinho, para ver se está tendo alguma diferença entre a carta e o software.
Piloto: 1402. Foi um erro de digitação aqui. Queria desculpar.
A carta de saída padrão (documento que determina as instruções de rota) mostra que o avião da Gol deveria virar para a esquerda só quando chegasse ao ponto identificado como "kotvu", a 18,5 quilômetros de distância.
Após o incidente, a Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu suspender as decolagens simultâneas no Aeroporto Internacional JK por tempo indeterminado. Segundo a Aeronáutica, a suspensão não vai prejudicar a operação dos voos no terminal. A medida tem validade até que a FAB conclua as investigações. Brasília é o aeroporto com maior capacidade de pista do país, com até 60 voos por hora.
Outro caso
No dia 23 de fevereiro, duas aeronaves quase se chocaram durante a decolagem no Aeroporto de Brasília depois que uma delas desobedeceu às instruções do controlador de tráfego aéreo. Um deles estava deixando a cidade para buscar o marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato, em São Paulo.
Os aviões deixariam simultaneamente o terminal às 7h30, mas em direções diferentes: o da Polícia Federal, de matrícula PR-BSI, faria uma curva para a direita logo após deixar o solo, rumo a Guarulhos (São Paulo), mas acabou virando para a esquerda e invadiu a área do veículo da Força Aérea Brasileira. O controlador percebeu a falha e pediu ao piloto da FAB para interromper o procedimento e, em seguida, alterar a rota.
Os diálogos entre o controlador de tráfego aéreo e os pilotos mostram as manobras para evitar a colisão:
Controlador: Força Aérea 85.282, trace uma posição de uma hora. Curve imediatamente agora para o rumo norte, senhor, a fim de evitar que essa aeronave... Interrompa a subida agora.
Controlador: Força Aérea 2582 controle Brasília, interrompa a subida agora. Trace uma correção agora de uma hora, mesma altitude, senhor.
Piloto da FAB: Tô visual, mantendo separação aqui. A aeronave iniciou curva à direita, a saída nossa ficou conflitante com esse tráfego, ok? A saída era prevista, a decolagem da 11 esquerda com ligeiramente curva à direta. Não tem, não tem mais como fazer essa saída aqui com essa aeronave decolando.
Controlador: O senhor está correto, Força Aérea 2582. Bravo-Serra e Índia (PR-BSI), a sua decolagem deveria ter iniciado a curva à direita, 4,1 mil pés. Suba agora para o nível 270.
Piloto do PR-BSI: Subindo para o 270 pró-sul.
A Aeronáutica apura o caso. “Desde novembro de 2015, o Aeroporto de Brasília opera com decolagem simultânea, tendo em vista que as pistas são paralelas. No caso em questão, foram autorizadas duas decolagens simultâneas: aeronave de matrícula PR-BSI com destino a Guarulhos decolando da pista direita e a aeronave FAB 2582 decolando da pista esquerda", diz nota da FAB.
"A instrução do perfil de decolagem que foi confirmada pelo piloto da aeronave PR-BSI previa curva imediata à direita após a decolagem (conforme descrito na carta de decolagem). Entretanto, o perfil executado pelo piloto contrariou a instrução recebida e a aeronave teve um deslocamento à esquerda, interferindo na decolagem da aeronave FAB 2582, que cumpria corretamente o seu perfil de decolagem”, afirma o texto.
O órgão afirmou ainda que o controlador de tráfego aéreo “agiu prontamente para evitar maiores problemas”.