Promotores emitem nota contra pedido de prisão de Lula


Da Redação

Promotores e procuradores do Ministério Público (MP), do Ministério Público Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) emitiram uma nota criticando o pedido de prisão preventiva doex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto foi divulgado pelo globo.com no final da tarde desta sexta-feira (11).
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(Foto: Divulgação/EBC)
Eles acreditam que a atitude do promotor de São Paulo, Cássio Conserino, que pediu a prisão, deve ser debatida para que “o país não retroceda depois de anos de ditadura, com perseguições políticas, sequestros, desaparecimentos e mortes”.
“Mostra-se fundamental que as instituições que compõem o sistema de justiça não compactuem com práticas abusivas travestidas de legalidade, próprias de regimes autoritários, especialmente em um momento em que a institucionalidade democrática parece ter suas bases abaladas por uma polarização política agressiva”, diz trecho da nota.

Lula é estrela em delação de Delcídio, mas vídeo de depoimento complicará Dilma e Cardozo

Lula e Dilma: radiante, abatida/abatido, radiante
Todos na delação
Quem teve acesso à delação de Delcídio do Amaral diz que o ex-presidente Lula é a grande estrela dos depoimentos.
Ou, em outras palavras: Lula é a pessoa contra quem existe o maior número de elementos para um processo criminal.
Devido aos detalhes fornecidos por Delcídio sobre a operação para abafar a delação de Nestor Cerveró, envolvendo o filho de José Carlos Bumlai, a aposta é de que Lula terá que aumentar, e muito, sua banca de advogados para tentar sobreviver ao duro processo que enfrentará.
Além disso, a delação de Delcídio traz indícios da participação de Dilma Rousseff e de José Eduardo Cardozo no suposto esquema formado para derrubar a Lava-jato no STJ através da nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.
A avaliação é de que, do ponto de vista criminal, ainda é preciso avançar nas investigações para a formação de um juízo condenatório.
O problema mais imediato, no entanto, será a repercussão política da delação.
E, nesse caso, uma imagem valerá mais do que mil palavras.
Isso porque, se as revelações de Delcídio no papel já são chocantes, o vídeo em que ele narra as peripécias do governo para derrubar a operação será devastador.
Falando com firmeza e riqueza de detalhes, Delcídio não deixa dúvidas de que sabe exatamente o que foi feito contra a Lava-jato e passa uma enorme credibilidade a quem o assiste.
Quem conhece o material acredita que será muito difícil para Dilma e Cardozo manterem seus capitais políticos após a exibição do vídeo dos depoimentos.

Organizadores esperam que 100 mil pessoas saiam às ruas para pedir o impeachment de Dilma em Curitiba


Por Felipe Ribeiro e Daniela Sevieri
Foto: Divulgação PM
Foto: Divulgação PMPR

Com a expectativa de fazer o maior protesto da história de Curitiba, organizadores do movimento pró-impeachment de Dilma esperam que 100 mil pessoas tomem as ruas do Centro da capital paranaense neste domingo (12). De acordo com Éder Borges, do Movimento Brasil Livre, a condução coercitiva do ex-presidente Lula, na 24ª fase da Operação Lava Jato, é uma prova de que a pressão popular dá resultado, o que deve levar um grande número de pessoas ao protesto.
“Nossa expectativa é a melhor possível. Acreditamos sim que os números vão superar o 15 de março do ano passado, que foi a maior manifestação da história do Brasil”, disse.
Sobre a possibilidade de confrontos com grupos pró-Dilma, Borges disse acreditar que tudo não passa de um blefe. “Esse pessoal petista, esse pessoal de vermelho, sempre ameaça fazer isso. É um blefe para tentar diminuir o número de pessoas, já que nunca aconteceu nada em nossas manifestações e nunca apareceu ninguém querendo tumultuar”, concluiu.
Em Curitiba, o protesto vai acontecer na Rua XV de Novembro. O evento é convocado principalmente pelo Movimento Brasil Livre e pelo Vem pra Rua. Os protestos irão ocorrer em todo o país e pedem principalmente o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os grupos ainda declaram apoio às investigações da Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro.
No Paraná, protestos simultâneos ainda irão ocorrer em Apucarana, Arapongas, Campo Mourão, Cascavel, Castro, Cornélio Procópio, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Irati, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

PMDB proíbe filiados de assumir novos cargos no governo federal



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Os principais integrantes da cúpula do PMDB já tinham deixado a convenção nacional da sigla neste sábado (12) quando, sob forte pressão da militância, o partido aprovou uma moção que proíbe os peemedebistas de assumirem novos cargos no governo até que a sigla decida definitivamente sobre o rompimento ou a manutenção da aliança com a presidente Dilma Rousseff.
A medida tem como alvo principal as negociações em torno da nomeação de Mário Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria de Aviação Civil. O cargo, com status de ministro, foi acertado com o governo para ajudar a eleição de Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à liderança da sigla na Câmara. Picciani íntegra a ala que apóia a presidente Dilma.
A decisão foi tomada em meio à e gritaria da militância, que cobrava o desembarque imediato do governo e só se acalmou quando o ex-ministro Eliseu Padilha, aliado do vice-presidente Michel Temer, topou colocar em votação a moção que veta a nomeação de peemedebistas.
O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, justificou a aprovação da moção como uma medida de "precaução". Ele também endossou a defesa pela unidade interna do partido.
"Essas moções apresentadas serão analisadas e votadas pelo diretório nacional, que está sendo escolhido hoje. Enquanto corre o prazo nesse período, por precaução, a convenção aprovou outra moção de que nenhum companheiro pode assumir cargo no governo até diretório nacional de tomar posição no governo", afirmou.
Segundo o peemedebista, se o partido de fato desembarcar da administração petista, a decisão terá que ser cumprida por todos os integrantes da sigla com cargos no Executivo sob pena de serem expulsos. Hoje, o PMDB ocupa seis ministérios.
O líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE) afirmou, após ter participado da convenção, que o PMDB, diante das dificuldades do país resolveu adotar uma postura de não parecer "golpista" e nem "oportunista". Para o parlamentar, a sigla precisa ter "um pouco mais de paciência".
Houve um acordo na cúpula do partido para adiar a decisão sobre o desembarque do governo em até 30 dias. As novas nomeações, portanto, estão travadas até que o partido feche essa questão.
Temer fez um discurso em nome da unidade. Ele e os demais integrantes da cúpula do partido deixaram a convenção logo após a fala, quando a militância, inflamada, pedia a saída imediata do governo. O presidente do Senado, Renan Calheiros, chegou a demonstrar irritação quando os discursos pela ruptura chegaram ao microfone. Em seguida, ele deixou o local.
O vice-presidente Michel Temer apresentou sua recondução ao comando nacional do PMDB neste sábado (12) como um símbolo de que o partido optou pela convergência numa "ocasião em que é preciso cuidar do país".
Em discurso, o vice chegou a dizer que a sigla está pronta para "resgatar os valores da República e reencontrar a via do crescimento econômico e social".
Ao final da convenção, Temer foi reeleito com 96% dos votos de 390 participantes do evento.
O vice chegou ao local do evento, em Brasília, acompanhado dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, além de José Sarney, escolhido presidente de honra do PMDB. A presença de Cunha e Sarney eclipsou os aplausos na entrada do vice.
Da plateia vieram gritos isolados de "Fora Cunha" e, antes de falar, Sarney ouviu um princípio de vaia. A fala de Temer, no entanto, foi aclamada pelos ouvintes.
Ele chegou ao microfone aos gritos de "Brasil para frente, Temer presidente". Durante todo o ato, a militância entoou coro de "Fora Dilma", numa referência à presidente Dilma Rousseff, e "Fora PT". Houve até convocação para as manifestações deste domingo (13).
Temer fez questão de passar uma mensagem diferente da que vem sendo reverberada pela cúpula do PT, que chegou a convocar protestos em prol da sigla para o mesmo dia e local dos que estão programados em defesa do impeachment. "Não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar ânimos, A hora é de construir pontes", disse.

SAÍDA JÁ
Apesar do acordo fechado pela cúpula do partido de adiar qualquer decisão sobre o rompimento com o governo, a liberação dos discursos contra a aliança entre o PMDB e o PT acabou marcando a convenção.
Cotado para assumir a Secretaria Especial de Aviação Civil, o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) foi hostilizado nos microfones. Colegas de parlamento chamaram a negociação da vaga de "vexame" e cobrou, em diversos momentos, que o PMDB deliberasse imediatamente sobre a ruptura com o governo.
"Vocês são jovens e ainda vão entender que decisão de maioria a gente respeita", disse o ex-ministro Eliseu Padilha, aliado de Temer, ao tentar conter os gritos de "entrega os cargos" entoados pela militância ao final do ato.
Integrantes das alas que ainda defendem a aliança com Dilma, não subiram no palanque para defender o governo. O líder do PMDB da Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que indicou ao menos quatro ministros da petista, justificou a discrição com o discurso de que, se tentasse discutir, acabaria expondo uma divisão na sigla.
Com isso, os defensores do desembarque do PMDB foram unânimes nos microfones. Ex-petista, a senadora Marta Suplicy, que será candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, chegou a dizer que a sigla precisa se desvincular de um governo que considera "corrupto" e "incompetente".
Os oposicionistas também cobraram que a cúpula partidária vete a entrada de qualquer peemedebista em cargos no governo federal pelos próximos 30 dias.
A convenção vem sendo classificada como "um aviso prévio" do PMDB à petista. A expectativa é de que, após a repercussão das manifestações contra o governo e o fim do julgamento sobre o rito do impeachment, a sigla finalmente deixe o governo Dilma.

"FORA DILMA"
A convenção nacional do PMDB começou na manhã deste sábado (12) embalada pelos gritos da militância de "Fora Dilma" e "Fora PT". As manifestações contra o governo também marcaram a abertura dos discursos de dirigentes estaduais e setoriais da sigla.
O ato teve início por volta das 9h. A ala oposicionista do partido preparou uma carta única, assinada por deputados estaduais, federais, que prega o "afastamento imediato dessa desastrosa condução do país". "Temos que desembarcar do governo que não nos respeita nem considera", pede os oposicionistas do partido na carta.
Não houve, até o momento, um discurso de defesa do governo. O vice-presidente Michel Temer ainda não chegou ao local.
O PMDB decidiu deixar os microfones abertos para as críticas ao governo mas fez um acordo que prevê que os pedidos de rompimento serão decididos pela direção nacional do partido depois, em até 30 dias.
O ato do partido, no entanto, foi tomado por críticas à presidente Dilma Rousseff e convocações para as manifestações deste domingo (13).
"O que dizem as ruas neste momento?", questionou o ex-ministro Geddel Vieira Lima. "Elas ecoam as vozes dessa sala."
LÍDER
Em diversos discursos, Temer foi descrito como "o grande líder" da legenda. Geddel chegou a dizer que "o mesmo entendimento que gerou unidade" dentro do partido em torno da reeleição do vice ao comando nacional do PMDB, "é capaz de se organizar para dar um alternativa" ao país.
Outros dirigentes locais do PMDB pregaram que o partido tenha "coragem de deixar esse governo".
ROMPIMENTO
A convenção vem sendo classificada nos bastidores como "um aviso prévio" do PMDB à petista. Líderes da sigla afirmam que, agora, é o momento "de falar para dentro" do partido e pregar a união em torno de Temer, que será reeleito presidente da sigla.
Ex integrante do PT por mais de três décadas, a senadora Marta Suplicy (SP) afirmou neste sábado (12) que o impeachment da presidente Dilma Rousseff "vem tarde" e chamou o governo da petista de "corrupto".
Filiada ao PMDB desde setembro do ano passado, a parlamentar cobrou, em um breve discurso na convenção nacional do partido, o desembarque imediato da legenda do governo petista.
"Agora, o PMDB leva o Brasil a dizer não a um governo corrupto. Dilma é uma presidente isolada, que não consegue governar o país. [...] O impeachment da presidente vem tarde. O Brasil precisa do PMDB, que é o partido que tem o DNA da democracia", disse a um auditório lotado.
Enquanto a senadora discursava, os participantes gritavam "Fora Dilma" e "Temer Presidente", em referência ao vice-presidente Michel Temer, que, neste sábado, será reconduzido à presidência nacional do partido.
Marta disse que entende a decisão da cúpula partidária de não deliberar imediatamente sobre a ruptura com o governo mas cobrou que a medida seja tomada em até 30 dias.
A convenção vem sendo classificada nos bastidores como "um aviso prévio" do PMDB à petista. Líderes da sigla afirmam que, agora, é o momento "de falar para dentro" do partido e pregar a união em torno de Temer, que será reeleito presidente da sigla.
A cúpula peemedebista fez um acordo que prevê adiar qualquer decisão sobre o rompimento formal da sigla com o governo Dilma Rousseff em até 30 dias.
A convenção teve início por volta das 9h. A ala oposicionista do partido preparou uma carta única, assinada por deputados estaduais, federais, que prega o "afastamento imediato dessa desastrosa condução do país". "Temos que desembarcar do governo que não nos respeita nem considera", pede os oposicionistas do partido na carta.
A cúpula peemedebista fez um acordo que prevê adiar qualquer decisão sobre o rompimento formal da sigla com o governo Dilma Rousseff em até 30 dias. 

'Ainda não sei por que a matei', diz aluno que assassinou a ex na UnB


Estudante de biologia de 20 anos foi morta no laboratório da universidade.
Ele disse que era apaixonado pela garota, com quem namorou por 9 meses.

Alexandre Bastos*Do G1 DF
O estudante de biologia da Universidade de Brasília (UnB) Vinicius Neres, preso pela morte da também estudante Louise Ribeiro, disse não saber explicar por que cometeu o crime. “Eu ainda não sei por que a matei”, afirmou. “Definitivamente, não foi pelo motivo de amor.”assista ao vídeo
saiba mais

O corpo de Louise Ribeiro, de 20 anos, foi encontrado em uma área de cerrado no Setor de Clubes Norte. O local foi indicado pelo estudante, depois de confessar o crime à polícia.

Ele disse que a menina foi dopada com clorofórmio no laboratório do Instituto de Biologia da UnB. Depois de desmaiada, ele abriu a boca da estudante e a fez engolir o produto químico, que causa morte. 
Neres conversou com jornalistas na sede da Polícia Civil. Algemado, ele deu detalhes do crime sem aparentar nervosismo. Ao ser perguntado se achava que tinha algum problema mental, ele disse que já havia pensado na hipótese. “Eu quis fazer um tratamento contra depressão, principalmente, mas nunca cheguei a fazê-lo. Então precisaria de uma avaliação.”
Definitivamente, não foi pelo motivo de amor"
Vinícius Neres, suspeito de matar ex-namorada
Segundo a Polícia Civil, Vinicius Neres marcou um encontro com Louise no laboratório do Instituto de Biologia às 18h30 da quinta-feira (10). Durante a conversa, o estudante falou para ela que iria se matar. “Eu mostrei o produto que ia utilizar e falei que ia me suicidar. Ela tentou me impedir, gritou para outras pessoas chegarem ao laboratório.”
O delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Sequestros (DRS), Leandro Ritt, afirmou que o rapaz alegou ter tido um "ataque de fúria" no momento em que a vítima foi abraçá-lo. Neres imobilizou a garota pelo pescoço com a mão direita e dopou Louise com um pano embebido em clorofórmio, com a mão esquerda.
A estudante de biologia da UnB Louise Ribeiro, que foi morta nesta quinta-feira (10) por um aluno do curso em um laboratório da universidade (Foto: Facebook/Reprodução)A estudante de biologia da UnB Louise Ribeiro, que foi morta nesta quinta-feira (10) por um aluno do curso em um laboratório da universidade (Foto: Facebook/Reprodução)

O rapaz afirmou ter colocado a vítima sentada com as mãos amarradas. Segundo a polícia, Neres pressionou o pescoço da vítima para que pudesse abrir a garganta e ingerir o líquido.

Depois do crime, o estudante colocou o corpo de Louise no chão e saiu para dar uma volta no carro dela pelas proximidades do instituto. O delegado disse que o passeio durou 12 minutos. O suspeito disse que chegou a tirar a calcinha da vítima e um absorvente interno, mas que não chegou a violentá-la.
Eu quis fazer um tratamento contra depressão, principalmente, mas nunca cheguei a fazê-lo. Então precisaria de uma avaliação"
Vinícius Neres, suspeito de matar ex-namorada
O corpo da estudante foi levado com as mãos atadas por uma presilha e os pés por um arame. o corpo foi enrolado em um colchão inflável dentro de um carrinho do laboratório.

Neres levou o corpo da vítima até o carro dela e o deixou, de bruços, em um terreno de cerrado da L4 Norte. O suspeito chegou a atear fogo nas costas da garota. O veículo foi abandonado no estacionamento do Instituto de Biologia. O agressor disse que voltou para casa de ônibus.

O jovem foi autuado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, uso de substância química e por não dar chance de defesa à vítima) e ocultação de cadáver. Se condenado, ele pode pegar de 12 a 30 anos de prisão pelo homicídio e de 1 a 3 pela ocultação do cadáver. O suspeito deveria ser encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda ainda nesta sexta.
*(Colaboraram Jéssica Nascimento, Jamile Racanicci, Bárbara Nascimento e Mateus Rodrigues)

A fase decisiva da Lava Jato


Os procuradores são acusados de cometer abusos de poder nas investigações, preparam-se para contra-atacar com ainda mais provas – e avançam nas delações que devem desmontar o topo da corrupção no Brasil

DIEGO ESCOSTEGUY
11/03/2016 - 23h08 - Atualizado 11/03/2016 23h08
Trecho da reportagem de capa da edição 926 de ÉPOCA.
Capa 926 - home  (Foto: Época )
Eles sabiam o furor que causariam naquela sexta-feira. Nem por um instante subestimaram o que um avanço sobre um dos líderes políticos mais importantes da América Latina provocaria na opinião pública, no meio jurídico e no mundo político. Os integrantes da Lava Jato – delegados da Polícia Federal, procuradores da República da força-tarefa e o juiz Sergio Moro – chegavam ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, naquele 5 de março, quase dois anos exatos após o início da operação, com cautela e preparo. “Tínhamos de cruzar esse rubicão”, diz um dos líderes de Curitiba. “É onde as provas do caso nos conduziram.”  Naquela manhã, a Lava Jato pôs na rua a 24a fase da operação, cruzando o rubicão enquanto parava o país. Começava ali a fase mais difícil dos dois anos de investigação. A depender da consistência dos pedidos de busca e apreensão e de condução coercitiva do ex-presidente, a força-tarefa poderia angariar definitivamente o apoio da opinião pública em torno das investigações. Ou transformar Lula em mártir. A sobriedade e a segurança técnica eram essenciais para reafirmar o trabalho realizado desde 2014.
Com isso no horizonte, embora, para alguns, houvesse elementos que justificassem um pedido de prisão temporária do ex-presidente, os procuradores optaram por pedir a condução coercitiva, medida menos gravosa, mais proporcional e já usada 116 vezes ao longo da operação. Moro acatou. O rebuliço foi imediato e alimentado pelo discurso furioso de Lula ainda naquela tarde – reação que já era esperada pelos investigadores. O fim de semana foi de extrema tensão em Curitiba.
Depois de a presidente Dilma Rousseff se dizer inconformada com a “desnecessária” condução coercitiva de Lula, ela viajou, no sábado, ao encontro do mentor. Moro soltou uma nota justificando sua decisão. Os procuradores também. Pela primeira vez desde o começo da Lava Jato, a presidente da República imiscuiu-se sem pudores num assunto de outro Poder. Tentou transformar um caso criminal num assunto político, corroborando, em palavras e gestos, o discurso de vitimização articulado por Lula e pelo PT. 
Aquilo que os integrantes da Lava Jato mais temiam – o questionamento sobre sua lisura jurídica e a acusação de que abusam da autoridade que lhes cabe – parecia inevitável. Ainda assim, com o forte conjunto de indícios contra o ex-presidente, Moro e os procuradores acreditavam que a discussão jurídica prevaleceria e a operação seguiria seu curso inabalável. Vieram, então, os três promotores do Ministério Público de São Paulo, com um desarrazoado pedido de prisão de Lula, na quinta-feira. O desastre desse erro de cálculo foi imediatamente sentido em Curitiba. Fez superar, em muito, a tensão da semana anterior. “A juíza do caso deve negar, mas até lá o estrago estará feito”, disse um dos principais membros da Lava Jato. Tudo o que eles tentaram prevenir – o fluxo de combustível para a retórica de Lula de que ele é perseguido politicamente e a dúvida sobre a legitimidade da operação – foi posto em risco. E a Lava Jato chega a seus dois anos com o desafio de impedir que o discurso de que há abuso de poder ganhe força junto à opinião pública.
Eles sabem que será preciso, como nunca, reiterar a natureza apartidária da investigação e o objetivo estratégico de começar a desmontar, precisamente pela Petrobras, que era a maior empresa do país, o modo como a grande corrupção funciona no Brasil. Eles querem pegar o sistema, não derrubar políticos – muito menos governos. “A Lava Jato é muito maior que Lula”, dizem dois investigadores veteranos. Trata-se de atacar, tecnicamente, com provas e o bom uso das leis, a promiscuidade criminosa entre aqueles que corrompem (os empresários) e aqueles que são corrompidos (os políticos). Trata-se, também, de mudar, por meio de iniciativas como  os projetos de lei das dez medidas contra a corrupção, as regras que permitem o jogo usual em Brasília – mas não só em Brasília. Trata-se, por fim, de estimular que investigações semelhantes se multipliquem pelo país. Há muito a avançar, sem dúvida, mas a cultura política, jurídica e econômica do país está mudando, ainda que lentamente. Basta perguntar aos políticos de Brasília. “O jogo mudou de vez”, diz um dos  principais líderes do Congresso, que conhece o jogo como poucos. O jogo, no caso, é a corrupção que costumava governar as decisões políticas de Brasília.
O avançar da Lava Jato e o reforço de sua credibilidade estão fortemente depositados nas novas delações premiadas que vêm sendo negociadas (leia ao lado). A grande maioria delas tem o potencial de confirmar as vertentes essenciais da investigação e de promover um desfecho para as apurações do petrolão. O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, é um dos que trabalham em um acordo para falar e, assim, diminuir a própria e iminente punição. O casal de publicitários do PT, João Santana e Mônica Moura, está tentado. Os executivos do topo das empreiteiras já compreenderam que há poucas saídas que não a colaboração. Os da Andrade Gutierrez começaram a entregar, na semana passada, documentos que, de acordo com as propostas de delação, podem comprometer gravemente a campanha de reeleição de Dilma – e uma pessoa próxima a ela.
José Carlos Bumlai  (Foto: Época )
Jorge Luz (Foto: Época )
Delcídio do Amaral  (Foto: Época )
Pedro Corrêa  (Foto: Época )
José Antunes Sobrinho  (Foto: Época )
Otávio Azevedo  (Foto: Época )
Marcelo Odebrecht  (Foto: Época)
Zwi Skornicki  (Foto: Época )
João Santana e Mônica  (Foto: Época )
Infográfico sobre os resultados da Lava Jato  (Foto: Época )

PGR pede novo inquérito contra Renan

Renan Calheiros chega ao Senado, em 17/12/2015
Renan Calheiros chega ao Senado, em 17/12/2015(VEJA.com/Reuters)
O procurador-geral da República Rodrigo Janot encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de mais um inquérito - o sétimo - contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por considerar que existem indícios de que o parlamentar pode ter recebido dinheiro de propina para travar os trabalhos de uma CPI que investigaria irregularidades na Petrobras. Cabe ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato na Corte, confirmar o pedido do MP. Com isso, Renan passaria a responder a mais um processo relacionado ao esquema do petrolão.
Os novos indícios contra Renan foram revelados pelo delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará e apontado pelo Ministério Público como responsável por distribuir propina a políticos envolvidos no petrolão. Segundo Ceará, ele ouviu do doleiro Alberto Youssef que Renan seria o destinatário de 2 milhões de reais para enterrar a CPI. Em um dos trechos da delação, Ceará disse que certa vez perguntou a Youssef para quem se destinava uma remessa de propina enviada a Maceió (AL) e ouviu do doleiro "em alto e bom som": "O dinheiro era para Renan Calheiros".
Romaria - Em depoimentos na colaboração premiada, Ceará já havia detalhado uma verdadeiraromaria de parlamentares ao escritório de Youssef, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e dito que todos os congressistas tinham plena consciência de que recebiam dinheiro de propina. A intenção de embolsar dinheiro sujo reforça a tese da acusação de que parlamentares praticaram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao receber valores conhecidamente criminosos e os camuflar em atos lícitos, como na declaração de doações de campanha. Além de ter citado Renan Calheiros, entre os destinatários frequentes de propina, Ceará elencou às autoridades o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte (PP-BA) como "o mais achacador" e o atual deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) como o responsável pela "mesada gorda" a ser repassada ao Partido Progressista (PP).
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"Os políticos que compareciam aos escritórios de Alberto Youssef iam lá pegar dinheiro. Ninguém ia ao escritório de Alberto Youssef para rezar", disse o delator em depoimentos de colaboração à Justiça.

O bilhete que liga o doleiro a Dilma


Em manuscrito de Alberto Youssef o nome da presidente Dilma aparece próximo a valores. Documento foi entregue pela contadora do doleiro à PF em abril de 2014, às vésperas da campanha eleitoral, e que estranhamente se mantinha incógnito até agora

Sérgio Pardellas
No dia 29 de abril de 2014, quando começou a atuar como informante da Polícia Federal, a contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, forneceu à Lava Jato uma série de documentos recolhidos por ela nos escritórios do doleiro. Um deles, se divulgado à época, poderia ter efeito devastador sobre a campanha à reeleição de Dilma Rousseff. Trata-se de um bilhete escrito de próprio punho pelo doleiro em que ele menciona a presidente. No alfarrábio, o nome de Dilma aparece próximo a valores.
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Guardado a sete chaves pela Lava Jato, o manuscrito de Alberto Youssef atravessou a campanha presidencial incógnito e assim permaneceu até agora. ISTOÉ teve acesso com exclusividade ao documento. Na atual circunstância política, – com a presidente cada vez mais isolada e impassível diante da crise e das denúncias envolvendo sua campanha, – a anotação do doleiro renova o seu potencial explosivo. O bilhete é a principal revelação do livro Assassinato de Reputações II – muito além da Lava Jato – de autoria do delegado Romeu Tuma Jr, previsto para ser lançado nesta semana.
 
É a primeira vez que surge uma prova ligando Dilma ao doleiro. No manuscrito, a referência à Dilma é o segundo item abaixo do registro “1.000.000 Bsb” (um milhão Brasília). Ao lado do nome da atual mandatária do País aparece o número 17, a palavra viagem e ao que tudo indica ser um horário “16:30”. No primeiro item, Youssef refere-se a um “novo embaixador”. Na sequência, ele sugere o desembolso de alguma quantia: “1.000 – Pagar 50”. Para a secretária do doleiro, profunda conhecedora dos submundos do Petrolão, uma das explicações para o apontamento de Youssef seria “algum pagamento que deveria ser feito à Dilma”. 
 
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De acordo com relato da contadora, ao receber o papel, em abril de 2014 na Superintendência da PF na Lapa, em São Paulo, o delegado Márcio Anselmo, da força-tarefa da Lava Jato, vibrou: “Que coisa maravilhosa”, teria dito, segundo testemunho dela que consta do livro Assassinato de Reputações II. Ao presenciar a cena, Meire pensou na hora: “Dilma estava no esquema”. Anselmo estava acompanhado do agente Rodrigo Prado. Tanto o manuscrito citando Dilma como os demais documentos entregues por Meire foram acondicionados no porta-malas de uma Range Rover Evoque, apreendida pela Lava Jato e agora a serviço da PF. 
 
No dia seguinte, o agente Prado enviou um email à contadora de Youssef: “Nossa conversa foi muito boa. Vamos mantendo contato por aqui”. Começava ali o trabalho de Meire Poza como uma espécie de agente infiltrada da PF. Ao longo de mais de um ano, até meados de setembro de 2015, a contadora municiou os policiais federais com uma série de informações relevantes. A maioria delas foi considerada pelos integrantes da Lava Jato na hora de produzir provas contra envolvidos no esquema de desvios na Petrobras. 
 
Os relatos se revelaram cruciais para a deflagração de operações que vieram a seguir. Estranhamente, o bilhete em que o doleiro menciona a presidente teve outro destino. Nunca foi incorporado às provas da Lava Jato. Além de não aparecer no e-Proc, sistema de consulta dos processos da força-tarefa, ISTOÉ apurou que o documento nunca foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) – caminho obrigatório e formal de qualquer indício ou prova envolvendo um presidente da República. “Esse manuscrito nunca apareceu por aqui”, assegurou na semana passada à reportagem de ISTOÉ um alto integrante da PGR que se debruçou sobre o material relativo ao doleiro Alberto Youssef. 
 
Para Romeu Tuma Jr, o episódio é um claro indicativo de que possa ter havido pressão do Planalto para abafar o caso. “É uma indicação forte de que houve uma tentativa de proteger Dilma”, afirmou Tuma Jr. à ISTOÉ. Hoje, no momento de maior fragilidade da presidente, desde a posse, em que as discussões sobre o impeachment ganham força e vigor, tanto a revelação do bilhete, escrito pelo doleiro, como as suspeitas de mais uma interferência do Planalto na Lava Jato contribuem para tornar a situação da petista ainda mais delicada. 
 
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Internação do doleiro na véspera do 2º turno chegou a ser tratada como atentado.
Não foi, mas a relação dele com a candidata poderia influir na eleição
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Na semana passada, ISTOÉ publicou com exclusividade trechos da delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). As revelações do parlamentar sacudiram a República. Entre elas, a tentativa de ingerência de Dilma nas investigações da Lava Jato, ao nomear o ministro Marcelo Navarro, ao STJ, em troca do compromisso de soltura de empreiteiros envolvidos no Petrolão. Esta seria mais uma investida de Dilma contra a Lava Jato, desta vez no sentido de evitar a criação de embaraços para ela própria. Razões não faltavam. 
 
Quando o manuscrito em que o doleiro menciona a presidente chegou às mãos da PF, em 29 de abril de 2014, o País encontrava-se às vésperas da campanha eleitoral. Em 17 de março daquele ano, Alberto Youssef fora preso, acusado de ser um dos operadores do Petrolão. Em setembro, o doleiro iniciaria os seus depoimentos à PF. Perguntado, em uma das sessões, sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro afirmou: “O Planalto sabia de tudo”. Questionado pelo delegado que colhia o depoimento a quem ele se referia, Youssef respondeu: “Lula e Dilma”. 
 
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Ficou por isso mesmo: Ao ver o bilhete, o delegado
Márcio Anselmo vibrou: “Coisa maravilhosa”
 
A afirmação se tornou pública na sexta-feira 24 de outubro, antevéspera do segundo turno das eleições. No dia seguinte, o doleiro era internado. Imediatamente, surgiram versões de que ele teria sido alvo de atentado ou queima de arquivo. Oficialmente tratou-se de um infarto. O resto da história, todos sabem: Dilma reeleita por uma margem estreita de votos em relação ao senador Aécio Neves (PSDB). Difícil prever se o surgimento desse novo elemento – no caso, o bilhete de Youssef – seria capaz de mudar os rumos da eleição. É certo, no entanto, que o Planalto, tinha total interesse em manter o documento incógnito em meio ao calor da campanha. Seu vazamento era totalmente inconveniente a Dilma àquela altura.
 
 O livro Assassinato de Reputações II, cujo fio condutor é a trajetória da contadora Meire Poza, a ligação com Youssef e sua atuação como informante da PF, traz outra revelação importante. Por intrigante. Segundo Meire, a Lava Jato poderia ter sido deflagrada dois anos antes, em 2012, quando ela se dirigiu pessoalmente à sede da PF em São Paulo e se dispôs a colaborar com informações sobre o esquema operado por Alberto Youssef. Quem a recebeu foi o delegado Otávio Margonari Russo, lotado na Lapa de Baixo, bairro da zona oeste de São Paulo. Ela diz ter levado tudo o que tinha de indícios de Youssef associados ao PT. 
 
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Dinheiro: Para Meire Poza, contadora do doleiro, anotação significa pagamento à Dilma
 
O delegado prometeu investigar, mas não tomou seu depoimento. Duas semanas depois, quando Meire telefonou cobrando uma posição, o delegado, de acordo com a contadora, primeiro disse não se lembrar dela. Depois, recomendou a Meire que não ligasse mais. “Se eu estiver precisando de alguma coisa, quem liga pra você sou eu”. A ligação nunca veio. Em 26 de maio de 2014, Meire relatou esse episódio em reunião com as estrelas da promotoria da Lava Jato: Deltan Dallagnol, Andrey Borges, Carlos Fernando e Roberson Pozzebon. Também participaram do encontro Márcio Anselmo, com quem Meire costumava conversar pelo whatsapp, e Rodrigo Prado. “Minha história começou em março de 2012, quando denunciei Alberto Youssef à Polícia Federal de São Paulo e não aconteceu nada”, disse. 
 
Silêncio sepulcral. O primeiro a falar teria sido Dallagnol. “Como assim? Você sabia disso, Márcio?”. Ao que o delegado respondeu: “É, eu sabia. Ela esteve lá com um colega nosso, mas, putz, ele estava cheio de trabalho e não levou isso pra frente”. Anselmo foi procurado por ISTOÉ desde a terça-feira 8, mas não retornou até o fechamento desta edição. A reportagem também tentou uma audiência com a direção da PF em Brasília para tratar do tema. Sem sucesso. Numa conversa mantida em Curitiba com o agente Prado, com o qual mantinha uma relação próxima, Meire ouviu do próprio policial que, em sua avaliação, Otávio Russo, ao não investigar a denúncia formulada por ela em 2012, havia incorrido num crime: o de prevaricação.
 
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“Esquema de Santo André se reproduziu em Brasília”
 
A expectativa é que o livro Assassinato de Reputações II - muito além da Lava Jato - repita o estrondoso sucesso da primeira edição
 
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Ingerência: Para Romeu Tuma Jr, Planalto atuou para retardar início da Lava Jato
 
Em 2012, Marcos Valério, o operador do mensalão, prestou um depoimento em que revelou pela primeira vez que o pecuarista José Carlos Bumlai havia intermediado um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin para, com metade deste valor, conseguir comprar o silêncio do empresário de transportes, Ronan Maria Pinto. Segundo Valério, Ronan ameaçou envolver o ex-presidente Lula, e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel. 
 
Valério tentava um acordo de delação premiada e disse ainda que, como contrapartida ao empréstimo a Bumlai, a Schahin foi recompensada com contratos bilionários na Petrobras. Em fevereiro do ano passado, ISTOÉ trouxe um documento do Banco Central atestando a ilegalidade da operação. Em dezembro, depois de ser preso, Bumlai confessou o esquema. O livro Assassinato de Reputações II – muito além da Lava Jato – traz o contrato da transferência de R$ 6 milhões a Ronan, em 2004. Ele prova que a operação clandestina narrada por Valério e confirmada por Bumlai de fato ocorreu. 
 
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A documentação, segundo narra o livro, foi repassado à PF pela contadora Meire Poza. De acordo com a secretária de Alberto Youssef, quem lhe entregou o material foi Enivaldo Quadrado, braço-direito do doleiro. “O Enivaldo pediu para que eu guardasse como se fosse a minha vida, pois era o seguro dele contra o Lula”. Fornido dessas e outras importantes revelações, o novo livro de Romeu Tuma Jr. e Claudio Tognolli promete repetir o retumbante sucesso da primeira edição. O Assassinato de Reputações – um crime de Estado, lançado em dezembro de 2013, vendeu mais de 140 mil cópias e ficou 24 semanas na lista dos mais vendidos. 
 
“Demonstramos no livro que o esquema de Santo André se reproduziu em Brasília. Como ocorreu em Santo André, também tentaram abafar as denúncias de Meire Poza feitas em 2012 sobre o Petrolão. Suspeita-se que tenha sido para preservar o governo, afinal, com o andamento das investigações, tudo o que nós temos assistido sobre a Lava Jato estaria acontecendo às vésperas da eleição de 2014, vencida por Dilma”, diz Tuma Jr. no livro. 
 
Filho do ex-senador e diretor-geral da Polícia Federal Romeu Tuma - morto em 2010 -, Romeu Tuma Junior é delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo e ex-deputado estadual. Integrou a Interpol e, em 2007, durante o governo Lula, Tuminha, como é conhecido, foi nomeado secretário nacional de Justiça. No cargo, acompanhou operações importantes, como a Satiagraha. Acabou exonerado três anos depois, de maneira repentina, pelo Palácio do Planalto. Diz ter sido vítima de perseguição política.
 

Créditos das fotos desta matéria: Guilherme Pupo; Paulo Lisboa/Brazil Photo Press; Eduardo Knapp/Folhapress