Obras Rodovia da Uva, Trincheira do Atuba e Contorno Norte são discutidas na Câmara





            
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Os vereadores da Câmara de Colombo questionaram o andamento de obras de responsabilidade do governo estadual no município durante a sessão plenária desta terça-feira (29/3) ao presidente da Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), Omar Akel, convidado a falar na Tribuna Livre.
A
kel falou sobre a nova paralisação das obras na Rodovia da Uva, desta vez por causa da falência da empreiteira Leão Engenharia, responsável pela execução do projeto de duplicação do trecho da PR-417 que liga Curitiba a Colombo, iniciada em 2010. “O DER-PR [Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná] é quem toca as obra e nos passou que a empresa responsável [Leão Engenharia] quebrou e que, agora, a secretaria de Infraestrutura está em processo de recisão de contrato, o que deve ser concluído no começo de abril. A intenção é, até o final de abril lançar um novo processo de licitação para a conclusão do primeiro trecho da obra, que vai ser concluída ainda nesta gestão do governo estadual”, disse.
 
O presidente da Comec destacou que foram concluídos 40% da obra, investidos R$ 14 milhões dos R$ 35 milhões orçados para a duplicação da pista, construção de um canteiro central, acostamento, calçamento, ciclovias e sistema de iluminação. Com a necessidade de aguardar os procedimentos burocráticos para selecionar uma nova empreiteira para retomar os trabalhos, os vereadores solicitaram que, devido ao alto número de acidentes no trecho, seja reforçada a sinalização.
 
Outras obras – O convidado da Tribuna Livre também foi questionado pelos vereadores sobre a previsão de início dos trabalhos de construção da Trincheira do Atuba e do Contorno Norte, que vai ligar a Rodovia da Uva à BR-116. “Queremos fazer essa trincheira até o final de 2016. Mas lá temos esse problema de a obra passar por um terreno particular e a questão estar na Justiça. Estamos tentando recursos como declarar a área de interesse público ou alternativas possíveis”, explicou Akel.
 
Sobre o Contorno Norte, projeto d embargado em 2013 por passar por um trecho de reserva ambiental pertencente à Embrapa Floresta, ele explicou que há uma nova proposta em que concessionária Autopista Régis Bittencourt, responsável pela obra, bancaria os custos e a execução das obras do trecho que liga Rodovia da Uva à Estrada da Ribeira em uma nova rota, paralela em 600 metros do traçado original. “Temos uma reunião com o DER-PR apresentar essa nova proposta e então ir ao ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e com a com a concessionária, mas gostaríamos de fazer isso ainda nesta gestão”, afirmou.
 
Em fevereiro, a Autopista Régis Bittencourt apresentou ao governo estadual projetos para execução de obras viárias em Colombo, orçados em R$ 150 milhões. A proposta prevê duas fases de obras, que prevê a construção de onze viadutos e trincheiras. A primeira etapa prevê melhorias na BR-116; na segunda, a construção do Contorno Norte.
O vice-presidente da Câmara, o vereador Gilgera, destacou a importância de o Legislativo municipal acompanhar e cobrar o andamento de tais projetos.

 

Terminal Roça Grande será readequado para receber linhas de integração





            
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O Terminal Roça Grande deve passar por readequação e até maio ganha novas linhas de integração e as que já passam pelo terminal serão ajustadas para diminuir o tempo de espera dos passageiros, com o intuito de melhorar a operação do sistema de transporte na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

A readequação do terminal, inaugurado em 2009, foi acordada entre a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) e a prefeitura de Colombo, informou o presidente da Comec, Omar Akel, durante sua fala na Tribuna Livre na sessão plenária desta terça-feira (29/3). “Tivemos uma reunião com a prefeita Beti Pavin e ela se comprometeu em colocar o terminal em condições para que seja uma alternativa de mais ligações, inclusive com o Terminal Maracanã, com uma série de melhorias, como o acesso gratuito à internet via Wi-Fi. Precisamos ainda de uma integração maior com o Terminal do Santa Cândida, em Curitiba, para uma linha e conduzir mais acordos de operação conjunta”, declarou.

O assessor técnico da Comec Euclides Rovani explicou que o Terminal Roça Grande ganhará mais duas linhas: Roça – Grande Maracanã Roça Grande – Curitiba, com ponto final no Terminal Guadalupe. Com esta, outras quatro linhas terão percurso reduzido: as rotas Cesar Augusto, Arapongas, Ana Rosa e Santa Tereza deixam de seguir até o Centro da capital e, com seus trajetos diminuídos, terão menor tempo entre um ônibus e outro. Quem precisa seguir até Curitiba, pode fazer conexão com as linhas Roça Grande –Curitiba e Curitiba – Rodovia da Uva, que passam pelo terminal.

Omar Akel pediu, que a Câmara de Colombo solicite à prefeitura de Curitiba a integração de linhas regionais com o recém ampliado terminal no bairro Santa Cândida, em favor dos colombenses. Já os vereadores apresentaram as demandas da população sobre as regiões da cidade que carecem de transporte coletivo integrado com outras cidades da RMC.

Era o que faltava: surto de gripe H1N1


Desde janeiro, nove Estados registraram casos graves da doença. Pelo menos trinta pessoas morreram

CRISTIANE SEGATTO
30/03/2016 - 12h52 - Atualizado 30/03/2016 13h18
Vacinação contra o vírus H1N1 (Foto: Edson Silva /Folhapress)
Nas últimas semanas do verão, os prontos-socorros da capital e do interior de São Paulo começaram a receber um tipo de paciente que só era esperado a partir de maio. Um fluxo constante de pessoas com febre persistente acima de 38,5 graus, dores no corpo, cabeça latejando – sem que a dengue pudesse ser responsabilizada. O movimento atípico disparou o alerta: os vírus influenza, causadores da gripe, chegaram mais cedo ao Brasil. Em especial, o A (H1N1), popularmente chamado de vírus da gripe suína, responsável pela grande pandemia de 2009.
De janeiro a março de 2016, o Brasil registrou 225 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) provocada pelos diferentes tipos de influenza. Ela é caracterizada por falta de ar e outras complicações que exigem internação e podem matar. Em 188 dessas ocorrências, a presença do vírus A (H1N1) foi confirmadaEle matou 30 pessoas (dados até 12 de março). Em menos de três meses, o número de casos supera o total do ano inteiro de 2015 – quando ocorreram 141 registros e 36 óbitos. O Estado de São Paulo é o mais atingido: 157 casos e 23 mortes. 
As estatísticas não são um retrato fiel do que ocorre nos corredores dos hospitais porque as instituições são obrigadas a notificar apenas os casos graves. Nos últimos três meses, milhares de brasileiros devem ter sido infectados pelo vírus. Todas as formas de gripe podem se tornar graves. O H1N1 causa mais preocupação porque, além de idosos e crianças, costuma vitimar outros grupos: as grávidas, os jovens, os diabéticos e os obesos.
“Estamos vendo o início de uma epidemia fora de época e ainda não sabemos a razão disso”, diz o infectologista Esper Kallás, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. É possível que o vírus tenha sido reintroduzido no país por viajantes que vieram de regiões onde ele é endêmico (como a Europa ou os Estados Unidos). “Se eu estivesse numa cadeira no Executivo, tentaria apressar a vacina”, afirma. 
Nesses momentos em que a natureza subverte o planejamento, a capacidade de reação dos governos é colocada à prova. Mais uma vez, ela parece limitada. “Gostaríamos de antecipar a vacinação, mas o produto ainda não está disponível. Existe um impeditivo tecnológico”, afirma Claudio Maierovitch, diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.
A composição da vacina contra a gripe é atualizada a cada ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de acordo com as mutações sofridas pelos vírus. Em setembro, a OMS divulga a formulação das doses do inverno seguinte e os fabricantes começam uma corrida contra o tempo. A campanha de vacinação do Ministério da Saúde começará apenas no dia 30 de abril.Somente os idosos; as crianças de 6 meses a 4 anos; as grávidas e as mulheres no pós-parto; os doentes crônicos e os profissionais de saúde podem receber a vacina no Sistema Único de Saúde (SUS). Na terça-feira (29), o governo paulista anunciou a antecipação da vacinação para cerca de 3,5 milhões de pessoas. As doses de 2016 devem começar a ser distribuídas na próxima semana. 
O avanço da doença tem provocado uma corrida às clínicas particulares de imunização, em São Paulo. As principais informam que a vacina tetravalente (que protege contra duas cepas do vírus A e duas do vírus B) só estará disponível em abril. O antiviral Tamiflu, usado no tratamento da gripe H1N1, já está em falta em algumas farmácias. Na semana passada, uma campanha de vacinação extra começou em 67 municípios da região de São José do Rio Preto, que concentra o maior número de casos no Estado de São Paulo.
A vacina adotada pela Secretaria Estadual de Saúde é a do ano passado. Protege contra o H1N1, o H3N2 e uma cepa do vírus B. É a única disponível. “Espero que dê certo, mas ela demora cerca de 30 dias para produzir imunidade”, diz Maierovitch. Quem receber a dose do ano passado precisa tomar também a versão deste ano, quando for oferecida. Enquanto isso, é provável que a epidemia continue a crescer e a expor as limitações da assistência à saúde.

Mulher é presa por simular sequestro para extorquir R$ 500 mil de amigo empresário


Da Sesp-PR
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(Foto: Divulgação Polícia Civil)

Uma mulher de 39 anos foi presa em Curitiba na terça-feira (29) suspeita de simular o próprio sequestro para extorquir R$ 500 mil de um amigo empresário. Além dela, outras duas pessoas envolvidas no falso sequestro foram presas por policiais do Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial).
De acordo com as investigações do Tigre, o plano era simples: assim que o empresário chegasse na casa da amiga, ele seria rendido por dois comparsas que diriam a ele que ela tinha sido sequestrada e que o empresário deveria pagar R$ 500 mil de resgate para que a amiga não fosse morta.
O empresário foi mantido refém na casa da amiga por três horas. Por volta das 6 h, ele foi libertado com o compromisso de arranjar R$ 500 mil para salvar a vida da amiga. Imediatamente, ele procurou a Polícia Militar (PM) que realizou o primeiro atendimento e o orientou a procurar o Grupo Tigre — unidade da Polícia Civil especializada nessa modalidade criminosa — que iniciou as investigações.
O plano começou a naufragar na tarde de terça-feira (29), depois que policiais do Tigre conseguiram localizar a mulher que estava se passando por vítima de sequestro e puderam constatar que se tratava de um golpe. A partir daí, os policiais identificaram e prenderam três pessoas envolvidas com o crime: duas mulheres, de 39 e 41 anos, e um homem de 30 – este último teria, segundo as investigações, abordado e mantido o empresário com refém. A polícia já identificou mais um homem que teria envolvimento com o falso sequestro e agora trabalha para prendê-lo.
De acordo com o delegado operacional do Tigre, Cristiano Quintas, a intenção dos criminosos era simular o sequestro para conseguir de um empresário amigo o dinheiro e dividi-lo entre eles. “As duas mulheres e o homem preso responderão pelo crime de extorsão qualificada e, em caso de condenação, poderão pegar de quatro a dez anos de prisão em regime fechado”, explicou. Além de prender o trio, os policiais do Tigre conseguiram recuperar o veículo do empresário que havia sido roubado.

Pais que procuravam filho desaparecido descobrem que ele estava morto e enterrado no próprio quintal


Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias

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Suspeito é o irmão, mas polícia não confirma versão de amigos e vizinhos. Foto: DM/Banda B

A família de Carlos Eduardo Gonçalves, 35 anos, espalhou cartazes a procura do rapaz pelo bairro Cajuru, em Curitiba. Ele estava desaparecido há 32 dias e não havia nenhuma pista sobre o sumiço ou paradeiro. Na manhã desta quarta-feira (30), o mistério terminou de forma trágica. O corpo de Eduardo foi encontrado no quintal da casa da própria família, enterrado em uma cova rasa, próximo a um barranco. Parentes estão desesperados e querem entender quais foram os últimos passos do jovem. O que afinal aconteceu?
A casa fica na rua Dr. Hamilton Portugal Pereira e, desde o fim de semana, parentes que foram visitar a família notaram um forte odor que vinha de trás da casa. Após uma forte chuva, o quintal virou um lamaçal e uma área de terra se destacava pela diferença na espessura. O cheiro forte somado à desconfiança da terra mexida fez com que a família fosse ver o que tinha naquela parte do quintal. Descobriram o corpo do filho, envolto em um saco plástico.
Os pais são idosos e recorreram aos vizinhos diante da descoberta. O pastor da igreja que eles frequentam conversou com a Banda B e levantou uma suspeita, dita no local. “Uma tragédia, um momento difícil, todos querem entender o que aconteceu. Infelizmente, depois de tantas buscas, achamos o corpo. A mãe achou estranho a lama, os parentes também estavam desconfiados por causa do cheiro e hoje isso aconteceu. A principal suspeita é o irmão, mas não podemos falar nada concreto, temos que deixar para a polícia investigar”, contou o amigo da família, que pediu para não ser identificado.
A Polícia Militar (PM) está no local, mas não confirmou a versão dos amigos e vizinhos, onde há suspeita do envolvimento do irmão. “Há essa suspeita, mas não podemos afirmar nada, ainda”, disse o aspirante Gabriel Salata à Banda B. A informação concreta é que ele está preso há poucas semanas por uma roubo no Jardim das Américas.

Polícia prende comerciante de Curitiba que vendia gasolina clandestina a R$ 2,90 o litro


Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

Flagrado vendendo gasolina dentro de uma mercearia, um comerciante de 56 anos foi preso no começo da tarde desta quarta-feira (30) no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. De acordo com a Polícia Civil, já eram várias denúncias contra o comerciante pela venda ilegal e por um preço muito mais baixo que o praticado em postos de gasolina da capital paranaense.
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Foto: Colaboração
De acordo com o investigador Henrique, da equipe comandada pelo delegado Rinaldo Ivanike, o crime acontecia na Rua Eduardo Pinto da Rocha. “Já tínhamos essa informação do comércio ilegal e informações nos levaram a realizar a prisão em flagrante nesta tarde”, relatou à Banda B.
Durante a abordagem da polícia, um motorista abastecia o tanque por R$ 2,90 o litro, cerca de R$ 0,60 mais barato que em postos regulamentados – isso aqueles mais baratos. Como o produto era de origem duvidosa, o motorista também foi detido, só que por receptação. O comerciante foi autuado por crime contra a ordem econômica.
No estabelecimento, a polícia também encontrou botijões de gás de cozinha sem a devida licença. Ambos os detidos foram encaminhados ao 10° Distrito Policial e agora permanecem à disposição da Justiça. A polícia investiga quem seria o fornecedor da gasolina ao comerciante.

Tentativa de assalto em frente a shopping termina com troca de tiros no Jardim das Américas


Por Luiz Henrique de Oliveira e Flávia Barros
(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

Uma tentativa de assalto a um cliente da agência bancária do Itaú, que fica dentro do Shopping Jardim das Américas, em Curitiba, terminou em troca de tiros, por volta das 16h desta quarta-feira (30). Os bandidos abordaram a vítima, que faria o depósito de um malote, na calçada em frente ao shopping. Um agente penitenciário que viu o crime reagiu e entrou em luta corporal com os bandidos. A Polícia Militar (PM) interviu e houve uma intensa troca de tiros, que resultou em dois suspeitos presos.
Durante a reação, um dos suspeitos apontou uma pistola na cabeça do agente, que conseguiu escapar. “Eu tenho experiência em armamento, sou funcionário da Secretaria de Segurança Pública, e vi pelo visor que a pistola estava travada. Eu revidei, porém vi que ele tinha outra arma na cintura, a qual me apontou e entramos em luta corporal de novo. Levei um ferimento no braço, só que quando os policias chegaram conseguiram detê-lo”, afirmou.
Segundo o agente, após isso foi uma intensa troca de tiros em frente ao shopping. “Foram muitos tiros disparados pelos policiais e os suspeitos aqui na calçada do Shopping Jardim das Américas. O que eu quero dizer é que o cidadão tem que ter o porte de arma para ontem. É preciso isso de forma urgente”, opinou.
O tenente Nicácio, da PM, estava presente no local e explicou em detalhes a ação dos policiais militares. “O agente viu a tentativa de assalto e entrou em luta corporal com um deles, quando uma viatura nossa que ia a uma operação passou pelo local. Houve uma troca de tiros e dois suspeitos foram presos, com um terceiro conseguindo fugir”, descreveu Nicácio

PT mobiliza deputados licenciados para votar contra o impeachment


Há oito deputados do partido afastados; ordem é só não chamar para votar se suplente for apoio garantido a Dilma

RICARDO DELLA COLETTA
30/03/2016 - 10h34 - Atualizado 30/03/2016 11h52
Patrus Ananias (PT-MG) (Foto: Divulgação)Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma e deputado federal licenciado (Foto: Divulgação)
A bancada do PT na Câmara está mobilizando deputados licenciados - que ocupam ministérios ou secretarias em governos estaduais - para aumentar sua bancada na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Há hoje oito petistas que não estão exercendo seus mandatos e que podem ser escalados.
Além deles, há atualmente três membros da bancada que são suplentes. Ou seja: podem não participar da votação caso os titulares decidam reassumir seus mandatos.  
A ordem na liderança da bancada é clara: só não será convocado aquele cujo suplente for do PCdoB, único partido que os petistas confiam que votará 100% contra o impeachment. 
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'Pedaladas constituem crime grave', diz autor de pedido de impeachment


Miguel Reale Jr. foi convidado a falar a comissão; houve bate-boca na sessão.
'Sobram crimes. Vítima de golpe somos nós', diz advogada que assina pedido.

Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (30), na comissão especial que analisa o processo de afastamento, que as “pedaladas fiscais” constituem “crime grave”.( ASSISTA AO VÍDEO)
Ele foi chamado pelo relator do processo, deputado Jovair Arantes (PDT-DO), para detalhar à comissão as denúncias que fez contra Dilma. Também falou à comissão a advogada Janaína Paschoal, outra signatária do pedido de impeachment.
“As pedaladas constituem crime e crime grave. Foram artifício malicioso para esconder déficit fiscal. E foi por via das pedaladas que se ocultaram despesas do superávit fiscal. [...]Crime aqui é eliminar as condições deste país de ter desenvolvimento, cuja base é a responsabilidade fiscal”, disse.
As chamadas “pedaladas fiscais” consistem na manobra de atrasar pagamentos do Tesouro Nacional a bancos públicos, para melhorar artificialmente a situação fiscal do país.
Por causa da demora nas transferências, Caixa Econômica e BNDES tiveram que desembolsar recursos próprios para pagar programas sociais, como o Bolsa Família.
Os depoimentos ocorreram após bate-boca entre deputados do PT, o presidente da comissão, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), e deputados da oposição (veja vídeo abaixo). Os petistas queriam adiar os depoimentos dos autores do impeachment para depois da apresentação da defesa de Dilma, o que foi negado por Rosso.
Em sua fala de abertura, Miguel Reale Jr. afirmou que o fato de as pedaladas terem ocorrido em governos anteriores não invalida a denúncia. Ele destacou que a prática foi mais frequente e movimentou valores maiores no governo Dilma.
“Podem ter ocorrido no governo FHC e Lula, mas neste período [do governo Dilma] alcançaram volumes extraordinários e por longo tempo. Sem constar como dívida, falseou-se o superávit primário e a existência de um superávit que o país não tinha. E disse na eleição que o Brasil cresceria e manteria a meta fiscal”, argumentou o jurista.
Durante o depoimento de Reale Júnior, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), gritou: “Isso não está na denúncia!”. A intervenção gerou breve tumulto em plenário com gritos a favor e contra Dilma. O jurista retomou a palavra e continuou a discursar, após dizer que os argumentos citados fazem, sim, parte do pedido de impeachment.
'Golpe'
Após a fala de Miguel Reale Júnior, a advogada Janaína Paschoal, que também assina o pedido de impeachment, começou a depor na comissão.
“Tenho visto cartazes com os dizeres de que impeachment sem crime é golpe. Essa frase é verdadeira. Acontece que estamos diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade. Para mim, vítima de golpe somos nós”, declarou.
A advogada elencou trechos do pedido de afastamento que apontam, segundo ela, crime de responsabilidade por parte da presidente Dilma.
“Tenho visto críticas de que irresponsabilidade fiscal não justificaria impeachment. Vamos voltar no tempo, o que acontecia antes da lei de responsabilidade fiscal? Os estados usavam dinheiro dos bancos públicos sem ter arrecadação, quebravam os bancos e o povo é que pagava a conta”, afirmou, em referência à manobra de “pedalada fiscal”.
Janaína Paschoal também criticou a tentativa de defensores da presidente de classificar o processo de impeachment como golpe. Segundo ela, o pedido de afastamento tem base legal e contém denúncias de violações à legislação.
“Não é confortável esse sentimento que estão criando na população de que estamos criando um golpe. É necessário, independente do resultado desse processo, é importante que a população tenha a compreensão de que não estamos inventando nada. De que não estamos trazendo para vossas excelências apreciarem questões que não tem tipificação legal. As denúncias têm tipificação legal”, afirmou.
Para a advogada, os que defendem o governo pensam que instituições públicas pertencem à presidente e podem ser usadas para atender a benefícios pessoais.
“Acreditam que todos os órgãos são dela. Os bancos públicos são dela. Que o BNDES é deles, tanto é que só os amigos foram beneficiados esses anos todos. Que o Banco do Brasil é deles, que a Caixa Econômica é deles”, disse a autora do pedido de impeachment, o que gerou manifestações em plenário.
Por causa do novo princípio de tumulto, Rogério Rosso teve que pedir "respeito à liberdade de manifestação".
A advogada encerrou o discurso pedindo para que os deputados "repensem e pensem na importância do Congresso Nacional". "Estamos passando o país a limpo. As pessoas que vão às ruas esperam uma providência. Não é só para afastar a presidente Dilma, é para afastar tudo o que tem de ruim na política", disse Janaina Paschoal, sendo aplaudida de pé por parte dos deputados, enquanto manifestantes contrários ao impeachment vaiavam.
‘Comício político’
Primeiro deputado do PT a falar depois da exposição dos autores do pedido de impeachment, o deputado Wadih Damous (PT-OAB), ex-presidente da OAB no Rio de Janeiro, disse que Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior não souberam usar argumentos técnicos para defender o afastamento de Dilma. Para o petista, os dois fizeram um “comício”.
“Muito mais do que uma defesa jurídica, fizeram uma agitação política. O que se viu aqui foi um comício político. Os dois não definiram o que é operação de crédito. Operação de crédito não é adimplemento de obrigações sociais. Eles misturaram diversos conceitos jurídicos. Trata-se, sim, de um golpe”, sustentou o petista.
Depoimentos
Os autores do pedido de impeachment foram chamados a falar pelo relator do processo, deputado Jovair Arantes (PTB-GO). O governo, por sua vez, escalou para fazer a defesa de Dilma no colegiado os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e o professor de Direito Tributário da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Ricardo Ribeiro, que prestarão depoimento nesta quinta (31).
Jovair Arantes destacou que as oitivas não servem para produzir provas contra ou a favor de Dilma, mas apenas para esclarecer pontos do pedido de impeachment. Nesta fase de análise do processo, não cabe à comissão decidir sobre o mérito das acusações, mas apenas dar parecer pela instauração ou não do procedimento que pode resultar no afastamento da presidente.
Dilma Rousseff ainda poderá fazer sua defesa na comissão, o que deve ocorrer por meio do advogado-geral da União, Eduardo Cardozo.
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Comissão do impeachment
A comissão do impeachment foi instalada em 17 de março, e o prazo para a presidente Dilma Rousseff apresentar a sua defesa começou a contar no dia seguinte.
A previsão é que esse prazo termine na próxima segunda-feira (4), dependendo da realização de sessões no plenário – são necessárias dez sessões no plenário da Casa.
Em seguida, o relator do processo, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), terá até cinco sessões para apresentar um parecer, que deverá ser votado pela comissão.
Enquanto estiver correndo o prazo da defesa, a comissão pode ouvir pessoas tanto da defesa quanto da acusação. No entanto, os deputados não entram no mérito da denúncia, pois apenas decidem se o processo deve ser aberto ou não. O mérito ficará a cargo do Senado.
Em sessão do dia 22 de março, o colegiado decidiu não incluir no processo as denúncias feitas pelo ex-líder do governo Delcídio do Amaral (sem partido-MS) em seu acordo de delação premiada.
Ex-líder do governo no Senado, ele acusa Dilma de tentar obstruir no andamento da Operação Lava Jato com a indicação de ministros para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).