Mega-Sena, concurso 1.805: ninguém acerta e prêmio acumula em R$ 34 mi


Veja as dezenas sorteadas: 17 - 22 - 27 - 31 - 49 - 57.
Quina teve 53 apostas ganhadoras, e cada uma levou R$ 52.834,14.

Do G1, em São Paulo
 
MEGA-SENA
CONCURSO 1805
172227
314957
Ninguém acertou as seis dezenas do sorteio do concurso 1.805 da Mega-Sena, realizado na noite deste sábado (2).  O sorteio ocorreu no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo (SP).
O próximo sorteio será na quarta-feira (6) e pode pagar um prêmio de R$ 34 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal.
Veja as dezenas sorteadas: 17 - 22 - 27 - 31 - 49 - 57.
A quina teve 53 apostas ganhadoras, e cada uma levou R$ 52.834,14. A quadra teve 4.693 apostas ganhadoras, e cada uma levou R$ 852,39.
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser feitas até as 19h (de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país. A aposta mínima custa R$ 3,50.

Explicamos o plano de Lula



Lula sabe que Dilma Rousseff não tem condição de governar.
Partindo dessa constatação, o seu plano é transparente:
a) Ele segura o impeachment da criatura, comprando ausências e votos na Câmara;
b) O STF permite que ele seja nomeado ministro e, assim, passe a ter foro privilegiado;
c) Com foro privilegiado, ele ganha tempo contra a Lava Jato;
d) Nesse ínterim, em meio ao impasse político e o aprofundamento da recessão, ele consegue emplacar a ideia de novas eleições ainda neste ano;
e) Eleições convocadas, Lula se candidata à Presidência da República, com o apoio de implicados graúdos na Lava Jato, como Renan Calheiros;
f) Com a máquina do governo, coronéis e sindicalistas ao seu lado, ele ganha a eleição;
g) Na Presidência da República, ele mela a Lava Jato.
Esse é o plano. Cabe aos cidadãos decentes, com e sem mandato, com e sem assento na magistratura, frustrar Lula.

Estudante é assassinado na porta da faculdade em Ourinhos

02/04/2016 10h54 - Atualizado em 02/04/2016 13h06


Dupla chegou de moto e atirou contra o jovem que estava com a namorada.
Delegado acredita que o crime seja uma execução.

Do G1 Bauru e Marília
Um jovem de 22 anos foi assassinado na porta de uma faculdade em Ourinhos (SP) na noite de sexta-feira (1º). Segundo informações da polícia, Eiji Marvulle Nagae estava indo embora de moto com a namorada, quando dois homens chegaram em outra moto. Um deles desceu e efetuou os disparos. Os dois suspeitos fugiram em seguida. A polícia acredita que o crime seja uma execução.
Vítima foi baleada em frente a faculdade (Foto: Reprodução/Facebook)Vítima foi baleada em frente a faculdade
(Foto: Reprodução/Facebook)
“Tudo indica que era uma execução, porque os autores chegaram em dois. O que ficou na direção da motocicleta confirmou que ele era a pessoa que era para matar, o que leva a polícia acreditar que era uma execução. Agora vamos trabalhar o perfil da vítima, da namorada, de pessoas próximas, buscar a motivação do crime”, explica o delegado João Beffa.
Ainda de acordo com o delegado, a arma usada foi um revólver calibre 38. A namorada da vítima e outras testemunhas deram informações à polícia sobre os suspeitos. “Várias pessoas viram o acontecimento e a partir do momento que o suspeito sacou a arma passaram a observar e nos deram informações importantes que vão contribuir nas investigações.”
Eiji chegou a ser socorrido e encaminhado à Santa Casa, mas não resistiu. Segundo parentes da vítima, ele gostava de andar de moto e havia acabado de comprar uma nova. Os alunos da faculdade ficaram chocados. Um grande tumulto se formou em frente à instituição. Amigos e familiares estiveram no hospital e na delegacia. Segundo a polícia, nenhum pertence da vítima foi levado. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) segue com o caso.
Jovem estava em uma moto quando foi atingido (Foto: Reprodução/TV TEM)Jovem estava em uma moto quando foi atingido (Foto: Reprodução/TV TEM)

Só a Lava Jato salva



Com o Ministério da Saúde e a Caixa nas mãos, além de 80 diretorias de estatais e autarquias à disposição, o PP está praticamente fechado contra o impeachment.
O PP tem 32 políticos investigados por envolvimento no petrolão. Só uma megaoperação da Lava Jato salvaria o impeachment.
E vai salvar.

Novos CMEI’s vão atender mais de 500 crianças a partir deste dia 04






Os três Centros Municipais do Osasco, Jardim Central e Monte Castelo irão funcionar em período parcial e integral

A partir desta segunda, dia 04, três Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) iniciam suas atividades para 541 novos alunos da rede pública de ensino. Localizados no Osasco, Jardim Central e Monte Castelo, as instituições irão funcionar em período parcial e integral.
“Temos o compromisso de melhorar a educação do nosso município em todos os sentidos. E com estes novos Cmeis ampliamos o atendimento às nossas crianças e seguimos no propósito de fazer sempre mais e melhor neste setor que é, e sempre será nossa prioridade”, disse a Prefeita Beti Pavin.
O CMEI do Osasco, denominado de Aquarela, está localizado na rua Prefeito Pio Alberti, 564. O centro conta com uma área construída de 1.323,58 m², dentro dos padrões do Modelo Proinfância. Para iniciar suas atividades estarão presentes 209 alunos de zero a cinco anos.
Já o Centro Infantil do Jardim Central, localizado na rua Cristóvão Colombo, 198, recebeu o nome de Quero Aprender e terá nesta fase inicial 160 alunos de zero a cinco anos. E o do Monte Castelo chamado de Carrossel fica na Rua das Dálias, 05, e começa com 132 crianças também de zero a cinco anos.
“Todas estas estruturas foram pensadas e planejadas com muito carinho e responsabilidade para oferecer conforto aliado a um atendimento adequado e saudável às nossas crianças”, destacou a secretária municipal de Educação, Aziolê Maria Cavallari Pavin.
Com base no projeto, as três construções receberam investimentos de R$ 1.5 milhão cada e contemplam blocos administrativos, pedagógicos e de serviços, com: despensa, cozinha, lactário, lavanderia, buffet, sanitários e salas multiuso. Na área externa, será disponibilizado pátio coberto e playground.

Mais informações sobre o trabalho da prefeitura em:
FACEBOOK: 
facebook.com/pmdecolombo
Foto: João Senechal/PMC

F


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PREFEITURA MUNICIPAL DE COLOMBO
Secretaria Municipal de Comunicação Social
Contato: 41-3656.8079 / 8038 / 8051
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Tentativa de arrastão em restaurante no Batel termina com bandido morto e dois baleados


Por Marina Sequinel e Daniela Sevieri
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(Foto: André Belusso – Colaboração Banda B)

Uma tentativa de arrastão em um restaurante no bairro Batel, em Curitiba, terminou com um bandido morto, dois baleados e um preso na noite desta sexta-feira (1). Quatro homens tentavam assaltar o estabelecimento, na esquina da Rua Comendador Araújo com a Desembargador Motta, quando foram surpreendidos por policiais.
“A nossa equipe realizava levantamentos no local procurando por foragidos e alguns policiais estavam na frente do restaurante, se passando por clientes. Os indivíduos renderam os nossos agentes com uma arma de brinquedo, entraram no local e iniciaram o assalto”, contou o delegado Rodrigo Brown, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em entrevista à Banda B.
Segundo ele, os policiais reagiram e acabaram atingindo três assaltantes. Um homem de 30 anos foi socorrido, mas morreu assim que deu entrada no hospital. Um jovem de 21 foi encaminhado ao Hospital do Trabalhador com ferimentos moderados e o último, de 35 anos, sofreu machucados mais graves.
O quarto envolvido na tentativa de roubo foi preso pela polícia e encaminhado à delegacia. A Polícia Civil deve ficar responsável pelo caso.

O Brahma vai cair na real



De acordo com Lauro Jardim, de O Globo, Lula está "feliz da vida" porque acha que vai salvar a própria pele e tambeem evitar o impeachment da sua criatura.
Deixem o Brahma sonhar.
As delações da Andrade Gutierrez e de Léo Pinheiro vão jogá-lo de volta na realidade.
Fonte: O antagonista

"Que tipo de garantia a Miriam Belchior exigiu?"


Como publicamos, a JBS teve financiamento integral da Caixa para comprar o controle da Alpargatas, que pertencia à Camargo Corrêa.
Um executivo do mercado financeiro fez o seguinte comentário sobre a operação esdrúxula:
"Essa notícia da JBS comprando Alpargatas com 100% de alavancagem da Caixa é uma vergonha. O ativo tinha vários interessados, o processo se apresentaa competitivo, com fundos de private equity interessados, ofertas com preço justo... A Camargo sairia bem de qualquer forma.
No entanto, ocorreu essa vergonha, repito. LBO com 0% de capital próprio e dois anos de carência nem nos melhores tempos do mercado americano! Resta saber que tipo de garantia a Miriam Belchior exigiu para aprovar esse empréstimo... Qual taxa foi usada? Isso tudo no dia seguinte ao que o governo autorizou assalariados a usar 10% do saldo do FGTS (que é dinheiro deles), pagando juros de 43% ao ano. Absurdo


Como publicamos, a JBS teve financiamento integral da Caixa para comprar o controle da Alpargatas, que pertencia à Camargo Corrêa.
Um executivo do mercado financeiro fez o seguinte comentário sobre a operação esdrúxula:
"Essa notícia da JBS comprando Alpargatas com 100% de alavancagem da Caixa é uma vergonha. O ativo tinha vários interessados, o processo se apresentaa competitivo, com fundos de private equity interessados, ofertas com preço justo... A Camargo sairia bem de qualquer forma.
No entanto, ocorreu essa vergonha, repito. LBO com 0% de capital próprio e dois anos de carência nem nos melhores tempos do mercado americano! Resta saber que tipo de garantia a Miriam Belchior exigiu para aprovar esse empréstimo... Qual taxa foi usada? Isso tudo no dia seguinte ao que o governo autorizou assalariados a usar 10% do saldo do FGTS (que é dinheiro deles), pagando juros de 43% ao ano. Absurdo."
Fonte: O antagonista

No Congresso, Paraná tem 7 indecisos e 5 contra impeachment de Dilma


requiao e gleisi
Entre os 33 parlamentares do Paraná no Congresso Nacional, há sete indecisos e cinco contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Os indecisos são Nelson Meurer (PP), Toninho Wansdcheer (Pros), Assis Couto (PDT), Ricardo Barros (PP), Sergio Souza (PMDB), João Arruda (PMDB) e Hermes Parcianlello (PMDB). Nos contra estão Enio Verri (PT), Zeca Dirceu (PT), Aliel Machado (Rede), Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT). Os outros 21 parlamentares – 20 deputados e um senador – são pelo impedimento da petista.

PT e PCdoB querem expulsão de Sérgio Moro do Judiciário


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Deputados do PT e do PCdoB entregaram ontem uma representação ao Conselho Nacional de Justiça para apurar infrações cometidas pelo juizSérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Os principais questionamentos do grupo são interceptações telefônicas que poderiam ser consideradas ilegais, como a da presidente Dilma Rousseff (PT), de ministros, senadores e de um escritório de advocacia. Os parlamentares denunciam violação do sigilo na comunicação profissional entre advogado e cliente, por causa da interceptação telefônica do escritório de advocacia Teixeira, Martins & Advogados, que alcançou 25 advogados e 300 clientes. Segundo Paulo Pimenta (PT-RS), um dos autores do requerimento, Moro foi alertado por ofício diversas vezes pelas companhias telefônicas sobre os alvos dos grampos, mas manteve a decisão. As informações são da coluna Informe da Folha de Londrina.

Impeachment: Oposição chama população para acompanhar a votação


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O deputado Fernando Francischini (SD-PR) e um grupo de deputados da oposição estão convocando a população para acompanhar a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) nos próximos dias 15 (sexta-feira), 16 (sábado) e domingo (17) de abril na Câmara dos Deputados, em Brasília. “Venham para Brasília para acompanhar a votação. Ocupem Brasília, nós temos que fechar o Congresso Nacional com pessoas de bem. Precisamos de vocês aqui”, diz Francischini no facebook.

Os vendilhões do Planalto


Editorial, Estadão
A aprovação ou a rejeição do impeachment de Dilma Rousseff vai depender, exclusivamente, de que os vendilhões do Planalto consigam negociar em número suficiente a mercadoria no momento mais valorizada no cenário político: os votos a serem registrados na sessão plenária que vai decidir a sorte da presidente da República. Pode­-se dizer, alternativamente, que o mandato de Dilma vai depender de que parlamentares venais fiquem satisfeitos com o que os traficantes de consciência, tendo à frente Luiz Inácio Lula da Silva, têm a lhes oferecer em troca do voto. E o mais vergonhoso é que essa estratégia de cooptação baseada na corrupção dos valores morais que deveriam prevalecer na gestão da coisa pública – estratégia definida esta semana pelo ministro Jaques Wagner como uma “repactuação” das alianças – foi concebida e é coordenada a partir dos gabinetes do poder e está sendo abertamente discutida nos círculos políticos.
Definitivamente, o lulopetismo perdeu de vez a vergonha.
Há porta­-vozes de Lula, como o senador Lindbergh Farias (PT­RJ), que até se permitem gabar­-se do “sucesso” de suas artimanhas: “Diziam que após o rompimento do PMDB haveria uma debandada e o que estamos vendo hoje é um movimento inverso, vários partidos voltando para a base. O PMDB facilitou o jogo para o governo, que terá agora condições de construir uma maioria (sic) de 200 votos. Não haverá impeachment”.
De qualquer modo, a “repactuação” pela “maioria” de 200 votos vai dar trabalho a Lula e sua tropa de choque, a começar pelos seis Ministérios ocupados pelo PMDB que, pela lógica, já deveriam estar disponíveis para serem negociados por votos na Câmara dos Deputados. Henrique Eduardo Alves, do Turismo, já se demitiu. Até dois dias atrás era dado como certo que três ministros peemedebistas desejavam permanecer nos cargos: Kátia Abreu, da Agricultura, da cota pessoal de Dilma; Marcelo Castro, da Saúde; e Celso Pansera, de Ciência e Tecnologia. Outros três estariam dispostos a renunciar tão logo ultimassem questões pendentes em seus gabinetes.
Ontem, o panorama já era diferente: a despeito da decisão do Diretório Nacional de determinar a “imediata saída”, todos os seis peemedebistas passaram a demonstrar que gostariam de continuar ministros. Ocorre que o Ministério da Saúde, por exemplo, já está sendo negociado com outros partidos, para profunda frustração do controvertido ministro Marcelo Castro. Corre o mesmo risco outro que está agarrado ao cargo com unhas e dentes: Celso Pansera. De qualquer modo, a composição final do Ministério “repactuado” dependerá do que cada aspirante a ascender ou permanecer no cargo poderá oferecer em termos de votos contra o impeachment.
Enquanto isso, na linha da falta de compostura a que o desespero a está levando, Dilma Rousseff voltou, quarta­-feira e ontem, a privatizar o espaço público da sede do governo de todos os brasileiros para promover comícios partidários em defesa de seu mandato. E não desperdiçou as oportunidades para elevar o tom na escalada “anti-golpe” a que se entregou de corpo e alma. Como a palavra de ordem “impeachment é golpe” ficou desmoralizada pela evidência de que o afastamento é preceito constitucional inquestionável, Dilma foi forçada a fazer uma adaptação no mantra: “impeachment sem crime é golpe”, conforme berrou, com voz cada vez mais esganiçada, sob aplausos delirantes das claques.
Mais uma vez, Dilma age de má­-fé e fala bobagem. O impeachment precisa, é claro, ter justificativa legal. Mas a existência ou não dos crimes alegados no pedido de impeachment é uma questão que cabe aos congressistas julgar. A presidente da República tem o direito de se defender, mas não o direito de se antecipar a uma decisão soberana do Congresso Nacional e decretar que o pedido de impeachment, já em tramitação na Câmara, não tem fundamento. Muito menos lhe cabe incendiar o País em benefício próprio. Se tivesse um mínimo de compostura, a desesperada chefe do governo preservaria a dignidade de seu mandato deixando a cargo de seus advogados e correligionários a tarefa de expor, nos foros adequados e com linguagem pertinente, os argumentos de sua defesa.
Mas Dilma só faz o que sabe. Formada na escola do “centralismo democrático”, com aperfeiçoamento no populismo lulopetista, ela acredita que o governante pode tudo, inclusive colocar-­se acima da lei.

Vargas promete delatar tudo e todos


vargas - arquivo-google
A força­-tarefa da Operação Lava­ Jato está interessada nas informações que o ex­-deputado André Vargas, que pertenceu ao PT, tem afirmado dispor sobre o financiamento de campanhas majoritárias do PT. O político, que é de Londrina (PR) e foi próximo de Alberto Youssef, doleiro e um dos principais delatores da Lava ­Jato, teve cargos de destaque na hierarquia petista: foi secretário nacional de Comunicação da sigla e vice-­presidente da Câmara dos Deputados. Sua ligação com os escândalos apurados pela Operação veio à tona em abril de 2014, antes da reeleição da presidente Dilma Rousseff, e o levaram em poucas semanas a sair do partido. No fim de dezembro, foi cassado. As informações são de André Guilherme Vieira noValor Econômico.
No início de março, Vargas afirmou a seus defensores que está disposto a fazer delação premiada. Procurada, a defesa do ex-­parlamentar informou que não vai se manifestar sobre o assunto.O ex-­deputado foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro a 14 anos e 4 meses de prisão em agosto do ano passado por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, praticados com recursos que teriam origem na Petrobras. O ex-­petista quer sair do regime prisional fechado.

Um cadáver na Operação Lava Jato


CENA DO CRIME - O prefeito de Santo André Celso Daniel foi sequestrado e assassinado em 2002. Sua família sempre acusou dirigentes do PT de estarem por trás do homicídio
CENA DO CRIME - O prefeito de Santo André Celso Daniel foi sequestrado e assassinado em 2002. Sua família sempre acusou dirigentes do PT de estarem por trás do homicídio (EPITACIO PESSOA/Estadão Conteúdo)
José Dirceu conversava animadamente em um restaurante de Brasília, no ápice da campanha presidencial, em 2002, quando foi interrompido por um homem bem vestido, de terno. Carregando uma valise, ele chegou apressado e fez sinal com as mãos de que precisava falar reservadamente. O então coordenador da campanha de Lula se levantou e apresentou o interlocutor: "Este aqui é o Delúbio, nosso tesoureiro". Os dois seguiram para um canto vazio e cochicharam por alguns minutos. Delúbio Soares passou rapidamente pela mesa, acenou e foi embora. Dirceu voltou ao seu lugar. Parecia transtornado. "Os tucanos estão preparando uma armadilha para nos destruir." "Que armadilha?", alguém perguntou. "Fizeram um dossiê para nos envolver no assassinato do Celso Daniel. Dizem que tem gravações telefônicas, depoimentos, gente do PT...". Antes de se despedir, Dirceu dimensionou o que estaria por vir: "Isso é muito grave. Precisamos reagir rápido, abortar o plano de qualquer maneira". Na conversa, que VEJA testemunhou, petistas e simpatizantes que estavam à mesa combinaram uma estratégia de defesa. Era preciso que se antecipassem, denunciando a farsa antes que viesse a público. Era preciso esclarecer que o caso constituía uma tentativa de golpe sujo e desesperado do governo tucano para atrapalhar a eleição de Lula.
O assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, ocorrido em janeiro de 2002, nunca deixou de assombrar o PT, fosse na forma de chantagens eleitorais ou de investigações policiais que, até hoje, não esclareceram a morte do prefeito. Assim, a dúvida sobre o envolvimento de petistas no caso paira no ar como uma nuvem de enxofre capaz de contaminar ainda mais o pântano em que se meteu o partido. Na semana passada, a mais recente fase da Lava-Jato voltou a agitar o fantasma de Celso Daniel. A operação foi chamada de Carbono 14, numa referência ao elemento usado pela ciência para desenterrar o passado. Mas o que um homicídio de catorze anos atrás tem a ver com a roubalheira na Petrobras? As conexões são um pouco intrincadas, mas, seguindo-se o calendário das investigações, tudo fica mais claro.
O começo se dá em 2012. VEJA revelou que Marcos Valério ainda guardava consigo segredos devastadores. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, o famoso operador do mensalão resolveu detalhar alguns deles. Um, em especial, parecia mirabolante. Valério disse que um obscuro empresário de Santo André, Ronan Maria Pinto, acionou o então secretário do PT, Silvio Pereira, para chantagear o ex-presidente Lula. A chantagem: ou o PT lhe dava 6 milhões de reais ou ele revelaria o envolvimento de Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato de Celso Daniel. Disse mais: os 6 milhões de reais foram negociados pelo pecuarista José Carlos Bumlai, que tomou o dinheiro do cesto de picaretagens petistas na Petrobras. Diante dessa história, os investigadores arregalaram os olhos - era forte, mas também poderia ser resultado de imaginação positivamente fértil.
Em 2014, dois anos depois, durante as investigações da Lava-Jato, a polícia encontrou num escritório de contabilidade um contrato confidencial. Pelo documento, Marcos Valério emprestava 6 milhões de reais ao empresário chantagista Ronan Maria Pinto. O valor e o nome dos personagens acenderam uma luz vermelha. A polícia então interrogou a dona do escritório de contabilidade, Meire Poza. Ela contou que o contrato pertencia a um notório lavador de dinheiro chamado Enivaldo Quadrado. E Enivaldo Quadrado dizia que guardava uma via do tal contrato para resguardar-se. Era seu "seguro de vida contra o PT", uma "arma que derrubaria o Lula". E, claro, um instrumento para arrancar uma graninha do PT. E explicava que os tais 6 milhões do empréstimo serviriam para pagar a chantagem que Ronan Maria Pinto vinha fazendo contra o PT. O quebra-cabeça começava a tomar uma forma mais clara.
Arte - Linha do tempo Celso Daniel
(VEJA.com/VEJA)

Uma presidente fora de si


Bastidores do Planalto nos últimos dias mostram que a iminência do afastamento fez com que Dilma perdesse o equilíbrio e as condições emocionais para conduzir o país

Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco
Os últimos dias no Planalto têm sido marcados por momentos de extrema tensão e absoluta desordem com uma presidente da República dominada por sucessivas explosões nervosas, quando, além de destempero, exibe total desconexão com a realidade do País. Não bastassem as crises moral, política e econômica, Dilma Rousseff perdeu também as condições emocionais para conduzir o governo. Assessores palacianos, mesmo os já acostumados com a descompostura presidencial, andam aturdidos com o seu comportamento às vésperas da votação do impeachment pelo Congresso. Segundo relatos, a mandatária está irascível, fora de si e mais agressiva do que nunca. Lembra o Lula dos grampos em seus impropérios. Na última semana, a presidente mandou eliminar jornais e revistas do seu gabinete. Agora, contenta-se com o clipping resumido por um de seus subordinados. Mesmo assim, dispara palavrões aos borbotões a cada nova e frequente má notícia recebida. Por isso, os mais próximos da presidente têm evitado tecer comentários sobre a evolução do processo de impeachment. Nem com Lula as conversas têm sido amenas. Num de seus acessos recentes, Dilma reclamou dos que classificou de “traidores” e prometeu “vingança”. Numa conversa com um assessor, na semana passada, a presidente investiu pesado contra o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato. “Quem esse menino pensa que é? Um dia ele ainda vai pagar pelo quem vem fazendo”, disse. Há duas semanas, ao receber a informação da chamada “delação definitiva” em negociação por executivos da Odebrecht, Dilma teria, segundo o testemunho de um integrante do primeiro escalão do governo, avariado um móvel de seu gabinete, depois de emitir uma série de xingamentos. Para tentar aplacar as crises, cada vez mais recorrentes, a presidente tem sido medicada com dois remédios ministrados a ela desde a eclosão do seu processo de afastamento: rivotril e olanzapina, este último usado para esquizofrenia, mas com efeito calmante. A medicação nem sempre apresenta eficácia, como é possível notar.
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DESCONTROLE
A presidente se entope de calmantes desde a eclosão da crise. Os medicamentos 
nem sempre surtem efeito, atestam seus auxiliares
Em recente viagem a bordo do avião presidencial, um Airbus A319, tripulantes e passageiros ficaram estupefatos com outro surto de Dilma. Depois de uma forte turbulência, a presidente invadiu a cabine do piloto aos berros: “Você está maluco? Vai se f...! É a presidente que está aqui. O que está acontecendo?”, vociferou. Não seria a primeira vez que Dilma perdia o equilíbrio durante um vôo oficial. No final de janeiro, o avião da presidente despencou 100 metros, enquanto passava pela região entre a floresta Amazônica e o Acre. O piloto preparava-se para pousar em Quito, no Equador. Devido ao tranco mais brusco, Marco Aurélio Garcia, assessor especial, acabou banhado de vinho e uma ajudante de ordens bateu levemente com a cabeça no teto da aeronave. Copos e pratos foram ao chão, mas ninguém se machucou. A presidente saiu de si. Na sequência do incidente, tratou de cobrar satisfações do piloto. Aos gritos. “Não te falei para não pegar esse trajeto? Quer que eu morra de susto, cace...?”. Os desvarios de Dilma durante os vôos já lhe renderam uma reclamação formal. Em carta, a Aeronáutica pediu para que a presidente não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos. A presidente não demonstra paciência nem mesmo para esperar o avião presidencial seguir o procedimento usual de taxiamento. Um de seus assessores lembra que, certa feita, Dilma chegou a determinar à Aeronáutica que reservasse uma pista exclusiva para a decolagem de sua aeronave. Com isso, outros aviões na dianteira tiveram de esperar na fila por horas.
O modelo consagrado pela renomada psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreve cinco estágios pelo qual as pessoas atravessam ao lidar com a perda ou a proximidade dela. São eles a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Por ora, Dilma oscila entre os dois primeiros estágios. Além dos surtos de raiva, a presidente, segundo relatos de seus auxiliares, apresenta uma espécie de negação da realidade. Na semana passada, um presidente de uma instituição estatal foi chamado por Dilma para despachar assuntos de sua pasta. Chegou ao Palácio do Planalto, subiu ao terceiro andar e falaram longamente acerca da saúde da empresa e especialmente sobre a economia do Brasil e o contexto internacional. Ao final da conversa, observando o visível abatimento do executivo, Dilma quis saber: “Por que você está cabisbaixo?”. Franco, ele revelou sua preocupação com o cenário de impeachment que se desenhava, especialmente com o então iminente rompimento do PMDB. Ao ouvir a angústia do seu subordinado, que não está há muito tempo à frente da empresa, Dilma teve uma reação que tem se repetido sistematicamente: descartou totalmente a hipótese do seu impedimento. Ela exclamou: “Imagine, nada disso vai acontecer. Já temos garantidos 250 votos na Câmara”. O executivo tentou argumentar, mas foi novamente interrompido. A petista avaliou ser “até melhor” o rompimento com o PMDB, assim teriam a chance de “refundar” o governo. O presidente da instituição deixou a conversa completamente atônito. Considerou inacreditável a avaliação da chefe do Executivo.
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Outro interlocutor freqüente diz que a desaprovação recorde junto aos eleitores é vista como mero detalhe pela presidente. “Que falta faz um João Santana”, disse referindo-se ao marqueteiro preso e, principalmente, conselheiro para todas as horas. Aos integrantes do núcleo político, Dilma deixa transparecer que não lhe importa mais a opinião pública. Seu objetivo é seguir no posto a todo e qualquer custo e, se lograr êxito, punir aqueles que considera hoje seus mais ferozes inimigos. Especialmente os do Congresso. Na tática do desespero oferece cargos e verbas para angariar apoios à sua causa, não se importando com o estouro do orçamento e muito menos com o processo sobre suas contas abertos nos órgãos de fiscalização e controle, como o TCU. Na quarta-feira 30, chegou ao cúmulo de sugerir uma audiência com Valdemar Costa Neto, do PR, para oferecer-lhe a indicação do ministério de Minas e Energia. Ocorre que, hoje, Costa Neto apresenta dificuldades e limites de locomoção devido ao uso de uma tornozeleira. Depois da gafe, o jeito foi recorrer a emissários.
É bem verdade que Dilma nunca se caracterizou por ser uma pessoa lhana no trato com os subordinados. Mas não precisa ser psicanalista para perceber que, nas últimas semanas, a presidente desmantelou-se emocionalmente. Um governante, ou mesmo um líder, é colocado à prova exatamente nas crises. E, hoje, ela não é nem uma coisa nem outra. A autoridade se esvai quando seu exercício exige exacerbar no tom, com gritos, berros e ofensas. Helmuth von Moltke, chefe do Estado-Maior do Exército prussiano, depois de aposentado, concedeu uma entrevista que deveria servir de exemplo para governantes que se pretendam grandes líderes. Perguntado como se sentia como um general invicto e o mais bem-sucedido militar da segunda metade do século XIX, Moltke respondeu de pronto: “Não se pode dizer que sou o mais bem-sucedido. Só se pode dizer isso de um grande general, quando ele foi testado na derrota e na retirada. Aí se mostram os grandes generais, os grandes líderes e os grandes estadistas”. Na retirada, Dilma sucumbiu ao teste a que Moltke se refere. Os surtos, os seguidos destemperos e a negação da realidade revelam uma presidente completamente fora do eixo e incapaz de gerir o País.
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O PLACAR DO AFASTAMENTO 
Em frente ao Congresso, integrantes de movimentos pró-impeachment estampam
os rostos dos parlamentares contra e a favor da saída de Dilma
A maneira temperamental de lidar com as situações não é nova, embora tenha se agravado nas últimas semanas. Desde o primeiro mandato de Dilma, um importante assessor palaciano dedicou-se a registrar num livro de capa preta as reprimendas aplicadas por Dilma em seus subordinados. Ele deixou o governo recentemente por não aturar mais os insultos da presidente. A maioria injustificável, em sua visão. No caderno, anotou mais de 80 casos ocorridos entre 2010 e 2016. Entre eles, há o de um motorista que largou o automóvel presidencial no meio da Esplanada dos Ministérios depois de ser ofendido compulsivamente pela presidente e ameaçado de demissão por causa de um atraso. “Você não percebeu que não posso atrasar, seu m...Ande logo com isso senão está no olho da rua”, atacou Dilma. Consta também das anotações os três pedidos de demissão de Anderson Dornelles, que deixou o Planalto no último mês sob fortes suspeitas de ser sócio oculto de um bar localizado no estádio Beira-Rio de propriedade da Andrade Gutierrez. Nas vezes em que ameaçou deixar o governo, alegou cansaço dos destratos da presidente. “Menino, você não faz nada direito!”, afirmou ela numa das brigas. O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, também já experimentou a fúria da presidente. A irritação, neste caso, derivou das revelações feitas pelo empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sobre as doações a sua campanha à reeleição em 2014. Participaram dessa reunião convocada pela presidente, além de Cardozo, os ministros Aloizio Mercadante, Edinho Silva e o assessor especial Giles Azevedo. Na frente de todos, Dilma cobrou Cardozo por não ter evitado que as revelações de Ricardo Pessoa se tornassem públicas dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, quando buscava notícias positivas para reagir à crise. “Você não poderia ter pedido ao Teori (Zavascki) para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou Dilma referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no STF. “Cardozo, você fodeu a minha viagem”, bradou a presidente.
 
O episódio envolvendo Cardozo, no entanto, pode ser considerado até brando se comparado às situações enfrentadas por duas ex-ministras do governo, Maria do Rosário e Ideli Salvatti. Em 2011, ao debater com Rosário o andamento dos trabalhos da Comissão da Verdade, àquela altura prestes a ser criada pelo Congresso para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar, Dilma perdeu as estribeiras: “Cale sua boca. Você não entende disso. Só fala besteira”. Já Ideli conheceu o despautério da presidente logo no dia seguinte à sua nomeação para as Relações Institucionais. Quando ainda devorava jornais, Dilma leu uma reportagem em que a titular da pasta fazia considerações sobre os desafios do novo trabalho. Não gostou e deixou clara sua insatisfação: “Ideli, se na primeira coletiva você já disse bobagens, imagine nas próximas”.
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Publicamente, a presidente tenta disfarçar seu estado de ânimo atual. Mas nem sempre é possível deixar transparecer serenidade quando, por dentro, os nervos estão à flor da pele. Seus últimos discursos refletem a tensão reinante nos corredores do Palácio do Planalto. Na quarta-feira 30, Dilma converteu o evento de entrega de moradias da terceira fase do Minha Casa Minha Vida em um palanque contra o impeachment. Na cerimônia, estiveram presentes integrantes de movimentos sociais, como o MST. Os representantes, —muitos deles chamados de última hora já que nenhum governador se dignou a ir e, dos 300 prefeitos convocados, só oito compareceram —, foram acomodados em lugares destinados a convidados, onde entoaram gritos de guerra pró-governo mesmo antes de o evento começar. Os presentes chamaram o juiz Sérgio Moro, o vice Michel Temer e a OAB de “golpistas” e bradaram o já tradicional “não vai ter golpe”. Detalhe: o coro foi puxado pela militante travestida de presidente da República.
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Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff pagou para seus marqueteiros desenvolverem e disseminarem o nocivo “discurso do medo”. Espalhou o pavor entre os brasileiros mais carentes dizendo que, se seus concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (na época no PSB) ganhassem a eleição, os programas sociais estariam em risco. Funcionou. Hoje, cara a cara com o impeachment, ela coloca sua tropa de choque novamente para atemorizar a população. Disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), na última segunda-feira: “Programas sociais como Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Fies e tantos outros que beneficiam os mais pobres correm sério risco de sofrer corte caso a presidente Dilma seja impedida de continuar seu governo”.
Não bastasse a repetição da retórica cretina da campanha eleitoral, a presidente disse nos últimos dias que o que está se vendo o País é um verdadeiro “nazismo”, sem lembrar que o discurso do “nós contra eles” foi gestado e cultivado por sua equipe. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, foi na mesma toada ao tentar reverter a posição do governo de incitador de ódio para pacificador: “Nós vamos baixar o tom ou esperar o primeiro cadáver?”. Sem mencionar, é claro, provocações até do presidente do PT, Rui Falcão, que no twitter escreveu recentemente: “Queremos a paz, mas não tememos a guerra”. Ou as palavras de Guilherme Boulos, coordenador do MTST, que disse que se o impeachment for efetivado ou Lula for preso, o Brasil seria “incendiado por greves, ocupações e mobilizações” e que “Não haverá um dia de paz do Brasil”.
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As diabruras de “Maria, a Louca”
Não é exclusividade de nosso tempo e nem de nossas cercanias que, na iminência de perder o poder, governantes ajam de maneira ensandecida e passem a negar a realidade. No século 18, o renomado psiquiatra britânico Francis Willis se especializou no acompanhamento de imperadores e mandatários que perderam o controle mental em momentos de crise política e chegou a desenvolver um método terapêutico composto por “remédios evacuantes” para tratar desses casos. Sua fórmula, no entanto, pouco resultado obteve com a paciente Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, que a história registra como “Maria I, a Louca”. Foi a primeira mulher a sentar-se no trono de Portugal e, por decorrência geopolítica, a primeira rainha do Brasil. O psiquiatra observou que os sintomas de sandice e de negação da realidade manifestados por Maria I se agravaram na medida em que ela era colocada sob forte pressão. “Maria I, a Louca”, por exemplo, dizia ver o “corpo” de seu “pai ardendo feito carvão”, quando adversários políticos da Casa de Bragança tentavam alijá-la do poder. Nesses momentos, seus atos de governo denotavam desatino, como relatou doutor Willis: “proibir a produção de vinho do Porto na cidade do Porto”. Diante desse quadro, era preciso que ocorresse o seu “impedimento na Coroa”. Quanto mais pressão, mais a sua consciência se obnubilava, até que finalmente foi “impedida de qualquer ato na Corte”. Já com o filho Dom João VI no comando de Portugal, “Maria I, a Louca” veio às pressas para o Rio de Janeiro com a Família Real diante da invasão de Portugal. Aqui, ela tinha por hábito usar longos vestidos pretos e passava horas correndo pelos corredores palacianos gritando palavrões desconexos. Costumava acordar na madrugada e “berrava para seres imaginários descerem do Pão de Açúcar” porque nele “morava o diabo”. A sua derradeira frase em território lusitano pode ser interpretada como faísca de lucidez na loucura: “Não corram tanto, vão pensar que estamos sendo tocados ou que estamos fugindo”.
Antonio Carlos Prado
Fotos: Adriano Machado, Claudio Belli/Valor; Adriano Machado/Ag. Istoé; CELSO JUNIOR/AE; EPITACIO PESSOA/AE, Marcelo Camargo/Agência Brasil, Givaldo Barbosa/Agência O Globo