Depois de uma análise detalhada da nova fase da Operação Lava Jato, o PT passou a trabalhar com o que considera o pior cenário: as delações premiadas do ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira e do empresário Ronan Maria Pinto.

Petistas avaliam que os dois, presos na fase batizada de Carbono 14, têm potencial explosivo, já que estão na órbita de dois escândalos que antecederam o Petrolão  o mensalão e o caso do prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002.

Petistas avaliam que tanto Silvinho como Ronan não possuem o perfil de aguentar muito tempo na cadeia. O primeiro é considerado um homem instável. E, sabe-se agora, recebeu uma mesada por um longo período. O segundo foi apontado nas delações como o receptor de R$ 6 milhões para não falar sobre o caso Celso Daniel.

Durante mais de uma década, os dois ficaram em silêncio. Mas agora, o temor no comando do partido é de que os dois decidam falar o que sabem.

Neste sábado, num rápido discurso em Fortaleza, o ex-presidente Lula não mencionou a Operação Lava Jato ou as novas investigações que ligam o petrolão ao mensalão e ao caso do prefeito Celso Daniel.

Pelo contrário. Lula preferiu partir para o ataque. Dentro da estratégia de evitar o desgaste do escândalo de corrupção e desviar o foco, o ex-presidente disparou contra o vice-presidente Michel Temer ao afirmar que que o peemedebista sabe que impeachment é golpe. E disse que voltará a ser ministro da Casa Civil do governo Dilma se o Supremo a decisão que suspendeu a posse.

Lula tenta resolver o seu problema mais urgente – evitar a queda do governo Dilma – para depois encarar os fantasmas do passado.