Emerson Fittipaldi: 'Só Jesus foi perfeito'

Emerson Fittipaldi
Emerson Fittipaldi(Paulo Vitale/VEJA)
A vida esportiva e empresarial de Emerson Fittipaldi, cujo nome faz parte do imaginário coletivo das corridas de carro, e não somente no Brasil, foi construída de sucessivas camadas, com algumas aceleradas espetaculares e, na contramão, estrondosos movimentos de marcha à ré. Emerson virou lenda, com apenas 28 anos, ao conquistar o bicampeonato mundial de Fórmula 1 (1972-1974). Retomou a fama global com a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1989 (repetiria a proeza em 1993). Sua foto sentado na lataria de um Penske cercado de 1 milhão de dólares em espécie virou símbolo da retomada e do gosto sincero dos americanos por boas recompensas. Entre uma vitória e outra, Emerson fez inúmeras apostas como empreendedor, ao lado de mecânicos e na agricultura, com laranjais no interior de São Paulo. Seu mais conhecido tombo foi o prejuízo de 7 milhões de dólares com a escuderia Copersucar, em associação com o irmão Wilsinho, que era um sonho grande e acabou em 1982. Na semana passada, descobriu-se que Emerson, de 69 anos, teve penhorado alguns de seus bens - inclusive o heroico Penske de 1989 - destinado a cobrir dívidas que chegam a 27 milhões de reais. Para revelar o drama, as dores e inseguranças dessa curva inesperada em sua vida, mas também para defender-se das acusações de descuido com o dinheiro, Emerson recebeu VEJA com exclusividade, todo de azul, cor pela qual é apaixonado, "como o amigo Roberto Carlos", com as lendárias costeletas, mantidas pela força da indústria cosmética no mesmo tom de 40 anos atrás, e um espetacular anel de ouro, com uma bandeira quadriculada preta-e-branca, que ganhou em Indianápolis.
O senhor está quebrado? Não, absolutamente. Meu patrimônio é muito superior à minha dívida. Esse show que fizeram comigo é vexatório. Recebi ligações da Alemanha, dos Estados Unidos, da Inglaterra e teve uma até uma reportagem sobre esse assunto no Japão. Minha imagem, em nível global, foi afetada.
Mas o senhor acumula dívidas da ordem dos 30 milhões de reais no Brasil, deve para os maiores bancos nacionais, para a União e para prefeituras, está com contas bloqueadas pela justiça e tem ao menos 100 processos envolvendo seu nome só em São Paulo. Como explica esse desastre? Eu passei por dificuldades financeiras, pedi empréstimos em bancos, cujos juros são muitos altos, e investi em negócios que não deram o retorno que eu esperava.

Polícia divulga lista com nomes dos mortos em batida com ônibus no PR


Acidente aconteceu na madrugada deste sábado (9), em Mamborê.
Antes da batida, ladrões tentaram assaltar o ônibus; houve 24 feridos.

Alana Fonseca e Fabiula WurmeisterDo G1 PR
Irmãos que eram motoristas do carro estão entre as vítimas  (Foto: Reprodução / Facebook)Claudio Cordeiro e Elísio Cordeiro eram irmãos e eram os motoristas do ônibus. Os dois morreram (Foto: Reprodução / Facebook)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF)  divulgou, na tarde deste sábado (9), a lista com o nome dos mortos no acidente com um ônibus de turismo em Mamborê, na mesma região, nesta madrugada. Ao todo, 24 pessoas ficaram feridas. Entre os mortos estão os dois motoristas do veículo, que eram irmãos.
Um dos corpos ainda aguarda identificação.
Confira a lista com os nomes das vítimas:
- Claudio Cordeiro (primeiro motorista)
- Elisio Cordeiro (segundo motorista)     
- Fatima Stella Galdino
- Marco Aurélio Naufal
- Marcus Vinicius Canhola
- Adriana Rodrigues
- Ana Paula da Silva Pezarini
- Regina Aparecida Bonomo
- Salvador Eduardo dos Santos (morreu no Hospital Santa Casa)
Até as 17h20, dos 24 feridos encaminhados à Santa Casa e ao Pronto Socorro de Campo Mourão, 22 permaneciam internados, quatro deles em estado grave, também de acordo com a PRF. Eles estão internados na Santa Casa e no pronto-socorro de Campo Mourão.
saiba mais
O ônibus com placas de Dracena, no interior deSão Paulo, saiu de Presidente Prudente, no mesmo estado, e seguia para o Paraguai.
O grupo faria compras no país vizinho quando foi surpreendido por assaltantes por volta da 1h45, no quilômetro 403 da BR-369. Passageiros relataram à polícia que foram acordados pelo barulho de tiros momentos antes do acidente.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a suspeita é a de que o motorista tenha se assustado e perdido o controle da direção. Desgovernado, o ônibus cruzou a pista e bateu em uma árvore.
Com a pancada, a parte da frente do ônibus ficou completamente destruída. As poltronas dos passageiros se soltaram. "Estava na quinta poltrona, no lado direito. Fui arremessado para fora. Outras pessoas também foram, mas acabaram falecendo", relata o passageiro Gilmar Polisel.
Local do acidente na manhã deste sábado (9) (Foto: Marco Matos/RPC)Poltronas chegaram a soltar com o impacto da batida (Foto: Marco Matos/RPC)
Maria Aparecida Borgues conta que perdeu o genro no acidente. A filha dela, mulher da vítima, também viajava para o Paraguai, mas em um ônibus que estava na frente.
"Infelizmente, eu perdi o meu genro. Tenho um neto que vai fazer 5 anos em julho. A minha filha trocou de ônibus e ele ficou. Ele pediu para ela ir no outro ônibus e ela chamou ele para ir junto, mas ele disse que na volta eles voltavam no mesmo ônibus. Infelizmente, Deus não quis assim", lamenta.
Sob investigação
Uma verificação preliminar da PRF aponta que o veículo estava registrado na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas não tinha autorização para fazer a viagem.
A Polícia Civil já abriu um inquérito para investigar o caso.
"Era um comboio de cinco ônibus. Esse ônibus ficou por último, foi interceptado por outro veículo e foram efetuados de cinco a seis disparos. A maioria das vítimas estava dormindo e não viu o que aconteceu, só ouviu", explica o delegado João Paulo Lauandos.
Vítimas foram socorridas e os feridos encaminhados para hospitais de Campo Mourão, no Paraná (Foto: PRF/ Divulgação)Vítimas foram socorridas e os feridos encaminhados para hospitais de Campo Mourão, no Paraná (Foto: PRF/ Divulgação)
Ainda segundo o delegado, um dos passageiros relatou à polícia que viu dois indivíduos com lanternas no lado de fora. "Eles estavam procurando, perguntando se mais alguém tinha morrido, com atitude bem suspeita, de bonés. Tudo indica que se trata mesmo de uma tentativa de assalto", afirma.
Acidente Mamborê (PR) (Foto: Arte / G1)

Mensalão de Dilma para conter impeachment


índice
Sem qualquer freio moral e com dinheiro do Orçamento, o Planalto volta a comprar apoio parlamentar num último esforço para livrar a presidente do impeachment. Dois parlamentares do PSB teriam recebido oferta de R$ 2 milhões em troca do voto pró-Dilma, contam Marcelo Rocha e Mel Bleil Gallo, IstoÉ
No derradeiro esforço para tentar salvar o mandato da presidente Dilma Rousseff, o governo reeditou nos últimos dias, sem qualquer pudor, uma prática já condenada pelo Supremo: a de usar dinheiro público para comprar apoio político no Congresso. De maneira escancarada, o Planalto passou a negociar emendas e cargos, e até dinheiro, com deputados que se dispuserem a votar contra o impeachment da petista. O modo de operar remete ao escândalo do mensalão, o esquema de compra de votos durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com uma diferença fundamental.
O mensalão clássico consistiu no pagamento de parlamentares a partir do desvio de verbas públicas e da lavagem de dinheiro por meio de agências de publicidade. Agora, o dinheiro negociado com os deputados de forma escancarada vem direto do Orçamento – ou seja, do seu e dos nossos impostos. “São práticas terríveis e o PT repete tudo de novo”, lamentou o ex-deputado Roberto Jefferson, o principal delator do mensalão, em entrevista a ISTOÉ.
De tão ostensivos, o assédio aos parlamentares e as propostas indecentes formuladas por emissários do Planalto fizeram corar de vergonha parlamentares que nunca se notabilizaram propriamente pela probidade ou por suas reputações ilibadas, como o deputado Paulo Maluf e o ex-presidente Fernando Collor. Há outro componente agravante no feirão a céu aberto promovido pelo governo: ele mostra que o PT vira as costas para a sociedade no momento em que o País vive uma crise político-econômica sem precedentes na história recente. Enquanto a presidente Dilma determina o contigenciamento de verbas para a Educação, e paralisa programas como o financiamento estudantil no exterior, uma das bandeiras do segundo mandato de Dilma, R$ 50 bilhões em emendas são oferecidas para quem se dignar a votar contra o impeachment. O governo também não parece se preocupar com a existência de quatro surtos de doenças no País, como a gripe H1N1, que já fez 47 vítimas só este ano. Enquanto diretores do instituto Butantã reclamam de falta de recursos federais para a produção de vacinas contra o zika vírus, por exemplo, o critério de escolha do futuro ministro da Saúde e do presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) se orienta pelo número de votos contra o afastamento da presidente que os aspirantes às vagas são capazes de oferecer. Ou seja, no vale-tudo para se manter no poder, o Planalto não se constrange em comprometer o presente e o futuro do País.
Na quarta-feira 6, ao mesmo tempo em que o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) lia as 128 páginas do relatório que concluiu pela admissibilidade do pedido de impeachment contra a presidente, os defensores do Planalto tentavam conquistar votos pró-Dilma nos corredores da Câmara. Às claras. Assim se deu, por exemplo, quando o deputado André Abon (PP-AP) abordou o colega Sílvio Costa (PTdoB-PE), vice-líder do governo. “Tudo certo?”, perguntou Costa. “Falta assinar”, disse Abdon. “Então, está tudo resolvido”, afirmou o vice-líder. Costa é dos encarregados de negociar, no varejo, votos para tentar derrubar, no plenário, o pedido de impeachment da presidente. ISTOÉ perguntou a Costa se o assunto com Abdon era o voto contra o afastamento da chefe do Executivo. O parlamentar não titubeou. “É claro”, respondeu sem detalhar, no entanto, o que fora negociado. O pernambucano é quem anota as adesões e dissidências num papelzinho que carrega no bolso do paletó. “Posso ver o placar?”, indagou a reportagem. “Tá de brincadeira, meu líder?!” Em meio ao balcão de negócios que tomou conta dos corredores do poder em Brasília, há suspeitas de práticas nada republicanas. Ao longo da semana, circulou a informação de que os deputados Heitor Schuch e José Stédille, ambos do PSB do Rio Grande do Sul, teriam sido abordados por aliados do Palácio do Planalto com oferta de dinheiro para apoiar a presidente. A bancada do PSB se reuniu para cobrar explicações. Eles negaram. Um deputado de um partido da base aliada, no entanto, assegurou à ISTOÉ que a oferta foi feita. O valor: R$ 2 milhões pelo voto pró-Dilma.
Na nova modalidade do mensalão, o principal operador não tem cargo, ao contrário de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e Delúbio Soares, então tesoureiro do PT. Atua como um agente estranho ao Estado, mas em nome do Estado, e fazendo promessas de algo que, ao menos oficialmente, não poderia entregar. Esse papel é exercido pelo ex-presidente Lula, com as ajudas providenciais de Jaques Wagner e do ministro Ricardo Berzoíni.. Após ter sua nomeação para a Casa Civil barrada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, o petista transformou uma suíte de um hotel de luxo em Brasília numa espécie de QG do mensalão do impeachment. Durante as conversas, não se perde um minuto de prosa para discutir políticas públicas ou projetos para o andamento do País. No local, onde ele tem recebido uma romaria de políticos, o samba é de uma nota só: os votos pró-Dilma. O toma la, da cá, que nos governos anteriores era promovido com uma roupagem mais republicana, agora é embalado pelo mais puro pragmatismo político. Quem oferece mais votos sai com a promessa de um cargo num escalão mais alto. Daqueles com caneta, verba e tinta. Ou com uma emenda mais polpuda. Sem disfarçar, o ex-presidente Lula fala e age em nome do governo. Claro que nem tudo é escancarado. Duas precauções foram tomadas para evitar o flagrante das negociatas. Primeiro as câmeras do corredor do ex-presidente foram cobertas, impedindo o registro de quem circula no local – uma medida preventiva de quem possui experiência no assunto. Ainda está fresco na memória do PT as cenas filmadas dentro do quarto de um outro hotel em Brasília do ex-ministro José Dirceu negociando cargos com integrantes do alto escalão da República, antes de ser preso no escândalo do Petrolão. Outra medida adotada foi reservar as madrugadas para a intensificação das negociações. É o período onde o fluxo de parlamentares e ministros é mais intenso.
Nem sempre o fechamento do negócio é celebrado nas dependências do hotel localizado às margens do lago Paranoá em Brasília. Para obter o apoio do ministro dos Portos, Helder Barbalho (PMDB-PA), e de seu pai, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Lula precisou alterar a rotina. Teve de visitar o paraense em sua própria residência, no dia seguinte à decisão do PMDB de deixar o governo. O esforço, ao menos para o PT, foi válido. Em jogo, estavam não apenas o eventual voto do senador, mas o de duas deputadas peemedebistas: sua esposa, Simone Morgado, e sua ex-mulher, Elcione Barbalho. O acordo foi fechado. A contrapartida oferecida pelo PT à família Barbalho é generosa: neste ano, Helder administrará um orçamento de aproximadamente R$ 3,2 bilhões para obras portuárias no Pará, estado do qual ele é pré-candidato a governador. Além disso, Jader conseguiu emplacar a indicação de seu antigo rival e hoje correligionário, o ex-senador e até então secretário-executivo da pasta comandada por Helder, Luiz Otávio Campos, para o comando da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Graças ao regalo obtido, Barbalho se tornou um dos mais ativos articuladores dentro do PMDB a favor de Dilma. Atua afinado com outro governista de carteirinha: o líder na Câmara, Leonardo Picciani. Sua sede desmedida por cargos lhe rendeu a alcunha de “rei do fisiologismo”.
Outro cacique do Senado que se dobrou às promessas de Lula foi o presidente nacional do Partido Progressista, Ciro Nogueira. Recentemente, ele foi alçado à condição de articulador oficial e, em incontáveis reuniões, levou ofertas a diversos aliados e indecisos. A negociação rendeu frutos ao governo: ele conseguiu postergar a decisão da bancada do partido – que conta com 51 deputados e seis senadores – sobre aderir ou não ao impeachment. Ciro é um dos mercadores pelo PP no balcão de negócios. Na Câmara, o PP conta com os préstimos de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que já se posicionou declaradamente contra o impeachment. Exercem papel idêntico, só que pelo PR, o ministro de Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e o ex-ministro e hoje deputado Alfredo Nascimento (PR-AM). São responsáveis pelo corpo-a-corpo com os parlamentares. Na retaguarda encontra-se o mensaleiro Valdemar Costa Neto, hoje de tornozeleira por estar na condicional, a quem cabe abençoar as decisões. Pelo PSD, quem arregimenta a tropa governista é o ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Como o ex-prefeito de São Paulo não costuma dar um passo sequer sem combinar com seu padrinho político, o senador tucano José Serra, cabe a pergunta: de que lado estaria Serra neste momento? No PT, o mais aguerrido na busca por votos para Dilma é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Além de cargos no governo, também estão em negociação a ocupação do comando de comissões estratégicas na Casa e relatorias importantes. Segundo um empresário que esteve na capital federal na última semana, a investida petista têm sido feita prioritariamente sobre deputados cuja base eleitoral fica localizada no interior do País. O Planalto dispõe de levantamentos mostrando que esses parlamentares são menos expostos às pressões do eleitorado. Por estarem mais presos às conveniências paroquiais, ficam mais suscetíveis às benesses do poder. Para estes, uma emenda ou cargo possuem um peso decisivo numa futura eleição.
As indecorosas pressões, no entanto, ainda não têm sido suficientes para reverter o placar ainda favorável ao impeachment. Pior: podem configurar mais um crime praticado por este governo – ou por representantes dele. Para o cientista político Bolívar Lamounier, Lula adota uma prática criminosa passível de prisão. Na última quarta-feira 7, Lamounier enviou ao procurador-¬geral da República, Rodrigo Janot, um ofício em que sugere a prisão preventiva do ex¬-presidente por “orquestrar e conduzir” a compra de votos de deputados federais. “Que se trata de uma prática criminosa, não há dúvida”, afirmou. Para o estudioso, a investida de Lula é mais danosa ao erário do que as ações dos coronéis que transformaram municípios do interior do País em feudos eleitorais.“Justiça seja feita, por execráveis que fossem suas ações de aliciamento eleitoral, eles as praticavam com recursos próprios, não com cargos e verbas públicas, como ocorre atualmente nas dependências do hotel brasiliense”.
O afastamento da presidente ainda é o cenário mais provável. A oposição, no entanto, mantém a mobilização temendo eventuais baixas. Na quinta-feira 7, o mapa do impeachment produzido pelos parlamentares de oposição André Moura (PSC-SE) e Mendonça Filho (DEM-PE) contabilizava 353 votos pró-impeachment, 131 favoráveis ao governo e 29 indecisos – onze a mais do que o necessário. Já na Comissão Especial que decidirá nesta semana se o processo deve ou não seguir para o Plenário, o cálculo é de que a oposição tenha 38 votos – quatro a mais. Horas antes de fechar o relatório diário, Moura se reuniu com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), em Brasília, a quem constantemente abastece com atualizações sobre a radiografia do voto. “O que nós observamos é que quando algum indeciso decide votar com o governo, é porque ele foi cooptado. Eles mesmos admitem isso. Mas quando eles apoiam o impeachment, é ideológico”, afirmou o líder do PSC.
Uma das principais baixas sofridas pelo governo, nos últimos dias, foi o afastamento do Partido Republicano Brasileiro (PRB). A sigla tem declarado apoio crescente ao impeachment e esteve em peso no ato que anunciou a adesão majoritária da bancada evangélica à causa, na última quarta-feira 6. Entre os representantes, estavam João Campos (PRB-GO), Rosângela Gomes (PRB-RJ) e Tia Eron (PRB-BA). O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira (PRB-SP), conta que nem a oferta de dois ministérios de Dilma, intermediada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi capaz de devolver o partido à base. “Ficaríamos muito desmoralizados. Além disso, nós fizemos uma pesquisa em São Paulo e mais de 70% dos eleitores criticaram nosso apoio ao governo”, explicou Pereira. Outro problema enfrentado pelo Planalto, além da debandada de aliados às vésperas da votação em plenário, é o que se pode chamar de overbooking de cargos. É que entre os próprios parlamentares soube-se que o governo estava oferecendo um mesmo cargo para vários políticos. Como Dilma prometeu honrar os compromissos apenas depois da votação do impeachment na Câmara, o clima de desconfiança paira no ar. Dos dois lados do balcão. “Tem gente vendendo terreno no céu. Prometem o que não podem entregar”, afirmou à ISTOÉ um parlamentar que pediu para não ser identificado. Em meio às negociatas e traficâncias do poder, resta saber quem vai trair quem. Que a vítima da traição não seja o povo brasileiro.

Amigos se envolvem em briga em saída de casa noturna, são perseguidos e mortos dentro de carro


Por Elizangela Jubanski e Daniela Sevieri



Dois jovens foram mortos a tiros depois de uma briga na casa noturna Big Baile, que fica no Xaxim, em Curitiba, no fim da madrugada deste sábado (9). Uma terceira garota, que estava no banco de trás, foi socorrida ao Hospital do Trabalhador, em estado grave. Os atiradores estavam em outro carro e câmeras de segurança já foram acionadas. A Banda B apurou que os jovens foram identificados como Tainá Tereza Barreto da Silva, 22 anos, e Sandro de Moares Trancoso, 25.
O crime aconteceu por volta das 5h50, quando cinco amigos estavam dentro de um veículo Voyage, de cor prata, com placas de Itajaí/SC, na rua Antônio Rebelatto, cruzando a rua Francisco Derosso. Diversos tiros foram efetuados e o motorista tentou descer do carro, mas morreu ao lado da porta. A versão da polícia é que eles se envolveram em uma briga e foram perseguidos. A jovem que estava no passageiro morreu na hora e outra, que estava atrás, foi socorrida. O estado de saúde dela é grave, com risco de morte. O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi acionado e a encaminhou ao Hospital do Trabalhador.
Informações preliminares apontaram que havia três pessoas no carro, entretanto a polícia confirmou que outros dois jovens que estavam no banco de trás não foram feridos e aguardaram a chegada dos policiais. Eles confirmaram a briga na casa noturna e são peças-chave na investigação.
O tenente Schelbauer, do 13º Batalhão, confirmou à Banda B sobre a briga na casa noturna e disse que as investigações já começaram. “Temos de informação premilinar que foi uma briga generalizada na casa noturna próxima daqui. Os rivais teriam seguido essas vítimas e efetuados disparos de arma de fogo. Os dois jovem de 20 anos, aproximadamente, morreram dentro do carro. A intenção era acertar quem estivesse dentro do carro independente das vítimas”, descreveu.
Foram dois tipos de munição usadas no crime e câmeras de segurança de apartamentos e comércios já foram solicitadas para as investigações. A Polícia Científica esteve no local e os corpos foram recolhidos ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. Até o início da tarde, nenhum familiar tinha comparecido até o IML para fazer o reconhecimento do corpos.
Confusão
A Banda B tentou entrar em contato com a casa noturna Big Baile e até o fechamento da reportagem não obteve sucesso.

Não há o que pensar, Rosso



Andréia Sadi informa que Rogério Rosso, presidente da comissão que analisará o impeachment de Dilma na segunda-feira, estuda fazer votação nominal, quando cada deputado é chamado a se posicionar individual e publicamente.
Não há o que pensar: queremos ver a cara de cada um deles votando.

Ao menos 10 morrem após tentativa de assalto causar acidente de ônibus no PR


Carlos Ohara
Colaboração para o UOL, em Campo Mourão (PR)

  • Carlos Ohara/UOL
    Ônibus trafegava na BR 369, entre as cidades de Campo Mourão (512 km de Curitiba) e Mamborê (476 km), no interior do Paraná
    Ônibus trafegava na BR 369, entre as cidades de Campo Mourão (512 km de Curitiba) e Mamborê (476 km), no interior do Paraná
Uma tentativa de assalto a um ônibus com "sacoleiros" vindos do interior paulista ocasionou um acidente com ao menos 10 mortes e 20 feridos na BR 369, entre as cidades de Campo Mourão (512 km de Curitiba) e Mamborê (476 km), no interior doParaná.
O ônibus com 31 passageiros bateu em eucaliptos à beira da rodovia, após ser alvejado por tiros, por volta de 2h20 da madrugada deste sábado (9). O número de mortes pode se elevar durante o dia, segundo paramédicos que estiveram no local, devido ao estado grave dos feridos.
De acordo com relatos de passageiros que sobreviveram ao desastre, um carro se aproximou da janela do motorista e os suspeitos dispararam vários tiros contra o veículo. O ônibus deixou a cidade de Presidente Prudente, ponto inicial da viagem, por volta das 22h.
Policiais do posto da Polícia Rodoviária Federal em Campo Mourão, no entanto, acreditam que o motorista, que morreu no acidente, tentou fugir dos ladrões em alta velocidade e acabou atravessando a pista. Eles se baseiam no violento impacto do veículo com as árvores e na informação inicial, ainda não confirmada pelo Instituto Médico Legal, de que não foram encontrados ferimentos à bala no corpo do motorista.
Segundo o passageiro Gilmar Polisel, da cidade de Birigui (SP), foram dados ao menos seis tiros contra o ônibus. "Após a colisão, os ladrões ainda desceram do veículo e se aproximaram do ônibus na tentativa de levar alguma coisa. Devem ter se assustado com a cena e fugiram na sequência", disse ele, que teve ferimentos leves. Outro passageiro, o comerciante Gilson de Souza Pinheiro, de Presidente Prudente (SP), disse que estava dormindo, quando ouviu os tiros e o ônibus "chacoalhou", antes da colisão.
O veículo transportava "sacoleiros" das regiões de Adamantina, Dracena, Araçatuba e Presidente Prudente que se dirigiam ao Paraguai para compras de produtos que seriam revendidos posteriormente.
Com placas de Dracena, na região da Alta Paulista, o ônibus pertence a uma pessoa física e está registrado como parte de uma frota de uma empresa de São Paulo, não divulgada pela PRF. Nas laterais, o veículo está identificado como sendo da Manobra Turismo. Apesar de estar registrado na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo não tinha autorização para realizar a viagem até Foz do Iguaçu. 
Carlos Ohara/UOL
O veículo transportava "sacoleiros" das regiões de Adamantina, Dracena, Araçatuba e Presidente Prudente que se dirigiam ao Paraguai
Até o início da manhã deste sábado a PRF ainda não tinha a relação completa dos passageiros e nem a identificação dos mortos, o que deverá ser divulgado ao longo do dia. Ambulâncias do Samu, Corpo de Bombeiros, da concessionária Viapar e de prefeituras da região foram deslocadas ao local para transporte dos feridos que foram levados para hospital de Ubiratã e Campo Mourão.

"Piratas do Asfalto"

A região onde ocorreu a tragédia reúne vários grupos especializados em assaltos a ônibus que transitam com destino ao Paraguai, conforme a PRF. Conhecidos como "Piratas do Asfalto", eles bloqueiam a rodovia e muitas efetuam disparos contra os para-brisas dos veículos para obrigar a parada. Passageiros são saqueados e obrigados a ficarem apenas com as roupas íntimas, após serem abandonados em estradas rurais.

Marco Aurélio Mello: invencível polêmico


Com nova decisão controversa, o ministro obriga Eduardo Cunha a seguir Com o impeachment de Michel Temer e finca o Supremo no meio da arena política

FLÁVIA TAVARES
08/04/2016 - 19h03 - Atualizado 08/04/2016 19h03
Perto das 8h30 da terça-feira, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, embarcou num voo de Congonhas, em São Paulo, para Brasília. Estava bem-disposto. Deparou com o ex-deputado federal tucano José Aníbal, sentado algumas fileiras à frente da sua. Tempos antes, em outro encontro casual, eles haviam trocado dicas de leitura. Marco Aurélio recomendaraTudo ou nada, biografia de Eike Batista escrita pela jornalista Malu Gaspar. Desta vez, Aníbal carregava a mais recente obra do moçambicano Mia Couto, Mulheres de cinzas. Marco Aurélio pediu que sua mulher anotasse o nome do livro. O ministro cruzou com mais um tucano, o deputado Ricardo Tripoli. Os dois, apaixonados por motos, papearam brevemente sobre uma relíquia que Tripoli está adicionando a sua coleção. Marco Aurélio seguiu para seu assento. Acomodou-se na poltrona. Precisava repor as energias depois do duro interrogatório a que fora submetido na véspera, no programa Roda viva, da TV Cultura. E para aguentar a pressão que viria naquela tarde, quando suadecisão sobre um pedido de impeachment do vice-presidente, Michel Temer, fosse publicada. Marco Aurélio cochilou.

Marco Aurélio é ministro desde 1990. Nos 26 anos de Corte, a notoriedade não veio pela sua dicção inusual, de quem está constantemente exalando. Tampouco por seu parentesco com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, seu primo e responsável por sua indicação ao Supremo. Veio, em grande parte, por sua disposição para a inconsonância. Marco Aurélio adota com frequência posições absolutamente discordantes dos seus pares. Por isso, o apelido de “senhor voto vencido”. Na noite da segunda-feira, o ministro foi questionado sobre por que decidiria que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem obrigação de levar adiante um pedido de impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer. Os entrevistadores sabiam qual seria a decisão de Marco Aurélio porque seu despacho vazara na sexta-feira anterior. O ministro admitiu um “pequeno pecado do gabinete” no vazamento. Ironizou o conteúdo da decisão, indicando que ele não era definitivo: “Sou um juiz muito sugestionável. Posso evoluir ou involuir”. Marco Aurélio não evoluiu. Manteve a posição de obrigar Cunha a analisar o pedido de impeachment de Temer. No despacho, argumentou que cabe a Cunha somente avaliar se o pedido atende aos pré-requisitos formais, não seu mérito. Ao arquivar o pedido, diz Marco Aurélio, Cunha “queimou etapas”, apreciando a procedência do pedido. Assim, Cunha deveria seguir com a instalação de uma comissão especial para, essa sim, analisar o mérito das acusações contra Temer. Marco Aurélio foi severamente acusado de interferir no Poder Legislativo.
 
Marco Aurélio Mello ministro do STF (Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF )
Com sua decisão, o ministro Marco Aurélio fincou o Supremo no meio da arena política. Envolveu a Corte na celeuma da qual boa parte dos ministros esquivava-se: o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O Congresso não gosta de ser desafiado. Os deputados reagiram, a começar pelo próprio Cunha. O presidente da Câmara chamou a decisão do ministro de “absurda” e “teratológica”. Cunha chegou a sugerir que desrespeitaria a ordem do Supremo. Foi repreendido. “Quando se inobserva (uma decisão judicial) é porque as coisas não vão bem, e eu não posso fechar o Brasil para balanço”, disse o ministro. Marco Aurélio ainda reconheceu condescendentemente o “direito de espernear” de Cunha. E garantiu que, assim que o recurso da Câmara chegar a seu gabinete, ele o encaminhará ao pleno do Supremo, que, então, julgará se sua decisão fora equivocada. Um indício de que Marco Aurélio pode ser “voto vencido” mais uma vez é a reação de seus colegas ministros. Primeiro, Gilmar Mendes, o mais afeito a se embrenhar na política, satirizou Marco Aurélio, dizendo que ele “está sempre nos ensinando” algo.
 
"Marco Aurélio reconheceu, condescendente, o “direito de espernear” de Eduardo Cunha"
No dia seguinte, mais ático e formal, o decano Celso de Mello publicou um despacho sobre outro pedido de impeachment de Temer. Em 14 páginas, o decano desmonta a argumentação de Marco Aurélio, sem jamais citá-lo. De saída, afirma que o Supremo tem a competência de analisar se Cunha agiu corretamente ao descartar o pedido. Em seguida, o ministro decide que, na mesma medida, é competência regimental de Cunha não dar seguimento ao pedido se ele o considerar inepto. “É inviável a possibilidade jurídica de qualquer atuação corretiva do Judiciário, constitucionalmente proibido de interferir na intimidade dos demais Poderes da República”, disse Celso de Mello. Em tradução livre, o oposto do que disse Marco Aurélio. Os votos singulares de Marco Aurélio não parecem afetar o respeito de seus colegas por seu conhecimento técnico. O próprio decano Celso de Mello falou disso na homenagem que o Supremo prestou a Marco Aurélio no ano passado, quando de seus 25 anos de Corte. “Muitos de seus luminosos votos vencidos culminaram por converter-se em diretrizes jurisprudenciais prevalecentes na prática jurisdicional desta Corte Suprema”, disse o decano. “Aquele que vota vencido, por isso mesmo, deve merecer o respeito de seus contemporâneos, pois a história tem registrado, sem qualquer exagero, que, nos votos vencidos, reside, muitas vezes, a semente das grandes transformações, tal a irresistível força fecundante que pode assumir, em determinado contexto histórico, um simples voto minoritário.”
 
Celso de Mello ministro do STF (Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF)
Em 2006, o advogado Sergio Bermudes compilou alguns dos votos mais polêmicos de Marco Aurélio até então. “O ministro entende profundamente a fenomenologia jurídica. Tem posições muito próprias, originais”, diz Bermudes. “Não tem medo de se contradizer nem de ficar sozinho.” Nem de se expor, acrescente-se. Por vaidade ou convicção, ou ambos, Marco Aurélio é um dos mais falantes ministros da Corte. Ao longo do julgamento do mensalão, sempre circulava entre os jornalistas antes das sessões – para papear sobre seu Flamengo ou sobre alguma rusga com oex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa. Marco Aurélio ficou sozinho também quando se manifestou sobre a ideia de que impeachment é golpe. No Roda viva, foi firme ao dizer que fora mal interpretado em sua afirmação. “Não conheço o teor desse processo, não parei para examiná-lo. Não me atreveria a antecipar essa visão de que estamos diante de um golpe. O que eu asseverei, e assevero, neste momento, é que se não houver fato jurídico, já que o processo tem uma mesclagem do político com o jurídico, aí sim se terá um golpe político.” Seu tom é distinto de outros ministros, que nem sequer aventam essa hipótese. A soma desse posicionamento com a decisão sobre Temer levou o Movimento Brasil Livre a pedir o impeachment de Marco Aurélio. O presidente do Senado, Renan Calheiros, derrubou rapidamente o pedido, alegando que Marco Aurélio não cometeu crime de responsabilidade. Até o momento, nenhum magistrado determinou que Calheiros siga com o processo.