O PT a caminho da oposição: um partido perdido


Manifestação contra o Impeachment em Brasília
Bandeira do PT em manifestação contra impeachment em Brasília(Paulo Whitaker/Reuters)
Depois de quase catorze anos no poder, o PT está prestes a voltar à oposição. E já dá mostras do que pretende. Com chances cada vez menores de barrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado, o partido se vê às voltas com manobras para deslegitimar um eventual governo Michel Temer - com destaque para o golpe das novas eleições, esta sim uma alternativa inconstitucional. Num gesto de desespero, membros do partido defendem uma Proposta de Emenda Constitucional que permitiria antecipar o pleito de 2018. Ou ainda a dupla renúncia de Dilma e Temer. Duas ideias sem respaldo na realidade: a legenda que não conseguiu 172 votos para barrar o impeachment na Câmara não conseguiria os votos de 3/5 dos deputados necessários à aprovação de uma PEC. Tampouco é factível imaginar que Temer aceitasse um acordo desse tipo com o PT.
Fustigado pelo escândalo do petrolão, o partido pode desembarcar do Palácio do Planalto dentro de um mês, conforme o calendário do Senado. O PT tentará barrar o processo de impeachment com votos de aliados no Senado e deve provocar o Supremo Tribunal Federal a se manifestar sobre o mérito das acusações de crime de responsabilidade contra Dilma. Mas há outras iniciativas em gestação. Desde a última sexta-feira, quando começou a série de debates na Câmara que culminou nos 367 votos favoráveis ao afastamento de Dilma, outras teses foram lançadas. Nenhuma delas pareceu unir o partido. Por iniciativa individual ou coletiva, parlamentares, representantes do governo, o comando nacional do PT e as bancadas na Câmara e no Senado adotaram posturas por vezes contraditórias.
"Está todo mundo meio tonto. Ninguém está tendo muita capacidade de formulação para esse novo momento. No PT está todo mundo com medo, mas ninguém acreditando. Se o impeachment passar, vai ser uma pancada, vai deixar todo mundo tonto", dizia o deputado Zé Geraldo (PA), num momento de reflexão no salão verde da Câmara.
Conselheiro jurídico do ex-presidente Lula e autor de estratégias para barrar o impeachment, o deputado Wadih Damous (RJ) abriu a temporada de propostas esdrúxulas ainda no primeiro dia de debates. Ele lançou a hipótese da convocação de eleições gerais. Mas sua fala na sequência já indica o óbvio: nem os petistas acreditam de fato que a tentativa de golpe do partido vai colar. "O PT vai reaprender a ser oposição, intransigente e sem dar tréguas", disse. "Vai se tratar de um governo ilegítimo do PMDB. Eu vou defender dentro do partido eleições gerais já caso o impeachment aconteça".
Coube ao líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), admitir antecipadamente a derrota e ecoar os pensamentos do Palácio do Planalto. "Não tem nada de eleição geral. O PT é bom de briga nessas horas". Porém, bastou chegar a noite de terça-feira para oito dos onze senadores do PT assinarem uma proposta de emenda constitucional (PEC) apresentada no Senado justamente para viabilizar a realização das eleições antecipadas.
Nos bastidores da Câmara, alguns dos petistas mais experientes da bancada e com base eleitoral em São Paulo já não disfarçam a verdadeira razão por trás da ideia de novas eleições: a tentativa de fazer o ex-presidente Lula voltar à Presidência da República. A legenda que está prestes a ser apeada do poder por crime de responsabilidade quer alçar ao comando do país uma figura na mira da Lava Jato e da Zelotes. Isso porque o partido avalia que ele ainda é o único com carisma e capaz de reunir forças de esquerda. Numa clara demonstração de perda de base social desde que se encastelou no poder, o PT só conseguiu mobilizar milhares de pessoas para ir às ruas depois que Lula foi conduzido para depor na Polícia Federal, teve um pedido de prisão entregue à Justiça e viu seus diálogos privados, muitos pouco republicanos, revelados pelo juiz Sérgio Moro.
Novo partido - A crise atual também ventilou nas fileiras do partido a proposta de criação de uma nova legenda. Petistas disseram que cerca de dez deputados estariam envolvidos nas discussões - sempre negadas em público. Seria um movimento semelhante à refundação do PT pregada pela corrente Mensagem ao Partido no auge do escândalo do mensalão em 2005. O ex-ministro Tarso Genro é um dos expoentes da corrente, assim como parte da bancada gaúcha na Câmara e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, um dos mais próximos ministros de Dilma desde o início de seu primeiro mandato.
A direção do PT demorou dois dias para se manifestar de maneira contundente depois da derrota na Câmara. Primeiro, soltou uma nota assinada pelo presidente nacional, Rui Falcão, cuja única palavra de ordem era conclamar "todos homens e mulheres comprometidos com a democracia para que se mantenham mobilizados, ocupando as ruas contra a fraude do impeachment". Na terça-feira, depois de ouvir Lula, o Diretório Nacional publicou uma resolução que reconhece o "cerco" e o estado "defensivo" do governo Dilma.
Calvário - Ironicamente, o partido que gestou o mensalão e o petrolão diz no documento que o impeachment é liderado pelos "chefões da corrupção" e usa uma linguagem policialesca ao se referir a Temer como um "receptador" de um mandato "surrupiado". Sugere ainda que Dilma haja como nunca fez antes: reforme seu ministério com "personalidades de relevo" e priorize pautas da esquerda, como a reforma agrária, relegada em seu governo. A resolução recorre ao mesmo terrorismo da campanha de 2014 e acusa o PMDB de planejar "ataques às conquistas dos trabalhadores, cortes nos programas sociais, privatização da Petrobras, achatamento dos salários, entrega das riquezas nacionais, retrocesso nos direitos civis e repressão aos movimentos sociais".
O discurso tem um objetivo claro: agradar a militantes que, pagos ou por vontade própria, (ainda) vão às ruas em defesa de Dilma e do partido. A resolução evidencia que o PT buscará em sua via-crúcis de volta à oposição o apoio do PCdoB, do PSOL , do PDT e do nanico PCO. Um dos principais articuladores contra o impeachment, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), avaliou como pouco viável uma repactuação com um governo do PMDB. "Para todos que estão lutando contra o impeachment, o local correto será na oposição", disse.

Prefeito do Rio reconhece problemas em ciclovia, mas descarta demolição


No Rio

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Trecho de ciclovia desaba no Rio de Janeiro16 fotos

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21.abr.2016 - Um trecho da ciclovia inaugurada em janeiro em São Conrado, no Rio de Janeiro, desabou, deixando feridos e mortos. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão no localVEJA MAIS >Imagem: Custódio Coimbra / Agência O Globo
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, reconheceu que há problemas na obra da Ciclovia Tim Maia, que teve parte de sua estrutura derrubada em meio a uma ressaca do mar, na zona sul do Rio, na última quinta-feira (21). Embora tenha sido inaugurada há apenas três meses, vários trechos apresentam rachaduras. No entanto, a Prefeitura descarta a hipótese de demolição da estrutura.
Pelo menos duas pessoas morreram no desabamento de parte da ciclovia: o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, 54, e o gari comunitário Ronaldo Severino da Silva, 60. Bombeiros ainda buscam os corpos de outras possíveis vítimas.
"É óbvio que se essa ciclovia tivesse sido feita de forma perfeita, não teríamos essa tragédia, esse absurdo. Então obviamente há problemas ali", declarou Paes a jornalistas.
O prefeito diz que só poderá determinar as causas do acidente após a conclusão de duas auditorias, encomendadas ao INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias) e ao Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro).
"Contratamos essa auditoria da Coppe e INPH para identificar isso tecnicamente e responsabilizar quem tiver que ser responsabilizado. Ou seja, se (houve) erro de projeto, erro de execução, erro de acompanhamento, de fiscalização. O que a gente pode responder neste momento é que está claro, não precisa nem ser olhado, é que as coisas não foram bem feitas ali", completou o prefeito.
Parte da ciclovia permanece interditada indefinidamente, por determinação da Defesa Civil. O trecho que liga o Leblon à comunidade do Vidigal foi liberado para o uso da população. Segundo o prefeito, esse percurso já era utilizado pelos moradores e funcionava como uma espécie de passeio público, tendo recebido apenas reforço de pavimentação e contenção. Segundo ele, a Prefeitura não trabalha atualmente com a possibilidade de demolir a ciclovia. "Não é esse o nosso desejo, não é esse o nosso trabalho. Estamos trabalhando para mantê-la", afirmou.
A Concremat, empresa que construiu a ciclovia, possui ainda contrato com a prefeitura do Rio para fazer o gerenciamento de sete obras ligadas à Olimpíada. Um desses contratos refere-se à própria ciclovia. No entanto, Paes explica que os contratos referem-se ao acompanhamento do cronograma da obra, e não à fiscalização da qualidade. "É uma especialidade da empresa", defendeu.
Paes rechaçou insinuações de que a empreiteira - que pertence à família do secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Melo - tenha sido beneficiada pelo governo do município. "A Concremat é uma empresa de mais de 60 anos, que trabalha para a prefeitura do Rio há muito tempo. É uma empresa respeitada no mercado, pelo menos até esse episódio", disse.
No governo Paes, a Prefeitura do Rio desembolsou R$ 186 milhões em contratos firmados com a Concremat, um crescimento de 463% em relação ao período de 2000 a 2008, quando a empresa recebeu R$ 33 milhões em contratos com o governo.
Entretanto, Paes alega que todas as 350 empresas que trabalham para a prefeitura provavelmente tiveram aumento no volume recebido, porque o governo elevou em aproximadamente 900% o total de investimentos no período. O governo Paes investiu R$ 39,243 bilhões de 2009 a 2016, contra R$ 4,404 bilhões investidos no governo anterior, de 2000 a 2008. "É mais do que natural que uma empresa do tamanho da Concremat tivesse aumento nos repasses da Prefeitura", defendeu Paes.
Quanto ao relatório da 2ª Inspetoria Geral de Controle Externo do TCM (Tribunal de Contas do Município), que apontou falhas na pista da ciclovia no trecho próximo ao mirante do Leblon que já havia sido concluído, Paes disse que todas as contestações foram acatadas, debatidas ou respondidas pela Prefeitura. Segundo o jornal O Dia, os técnicos do TCM encontraram trincas na pista, entre tampas de bueiro, além de depressões.
"O TCM faz permanentemente relatórios. Tudo é esclarecido. Essas fiscalizações vão contestando. Lá atrás, o tribunal de contas disse isso: olha, está prendendo demais, não precisa gastar tanto, não precisa de tanto pino. Mantivemos a tese da prefeitura (quantidade de pinos que fixavam a estrutura na base)", justificou Paes.

Serra: "Será bizarro se o PSDB lavar as mãos"



Mais cedo, Aloysio Nunes Ferreira enviou uma nota a O Antagonista, a favor da participação do PSDB no governo Michel Temer.
José Serra, cotado para ser ministro, também defende que os tucanos integrem a nova administração. Ele enviou a seguinte nota a este site:
"Eu concordo com o senador Aloysio Nunes Ferreira: se o futuro presidente Michel Temer aceitar os pontos programáticos do PSDB, o partido deve apoiar o governo. E se apoiar o governo e for convidado, deve participar da administração. Seria bizarro o PSDB ajudar a fazer o impeachment de Dilma e depois, por cálculos oportunistas, lavar as mãos e fugir a suas responsabilidades com o país."
O Antagonista reafirma a sua posição: é hora de por o Brasil em primeiro lugar.

Crise na Saúde no Brasil torna ainda mais difícil fazer hemodiálise



Quem precisa de hemodiálise sofre com o sucateamento da rede pública, denunciam médicos.

O Dia Mundial do Rim foi lembrado ontem, mas a data não foi motivo de comemoração para médicos e muito menos para pacientes. Diariamente, eles enfrentam queda na qualidade no tratamento, seja pela diminuição do número de sessões de hemodiálise, seja pela falta de vagas. A fila de espera só cresce, e as máquinas estão sucateadas. Além disso, o acesso a consultas e exames na rede pública é demorado. Para piorar a situação, clínicas conveniadas, que oferecem tratamento de diálise, estão prestes a interromper as atividades.
Os motivos são atraso no pagamento por parte do GDF e falta de reajuste da hemodiálise por parte do Governo Federal. As instituições alegam que são três anos sem aumento em um cenário onde o dólar e as tarifas de água e luz estão em alta – boa parte dos insumos e equipamentos utilizados são importados. O valor atual por hemodiálise é de R$ 179. As clínicas querem que esse preço suba para R$ 253.
Além disso, médicos da rede pública denunciam o sucateamento dos equipamentos e a falta de manutenção. Em alguns hospitais, os pacientes são obrigados a fazer menos tempo de hemodiálise - técnica que substitui, de forma parcial, algumas das funções do rim -, de acordo com denúncia de entidades que representam os doentes no Distrito Federal.
Acesso difícil
Marcelo Lodônio, nefrologista e presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional DF (SBN-DF), constata que não há motivos para comemorar o Dia Mundial do Rim, pois faltam vagas na rede pública e o acesso do paciente a um nefrologista ainda é difícil. E a situação piora para aqueles que precisam fazer diálise.
“A situação é péssima, pois são poucos médicos e enfermeiros especializados na área. Além disso, há muitos equipamentos quebrados e, por causa disso, os atendimentos são reduzidos. O que resulta em filas de espera para a hemodiálise”, explicou.
A SBN-DF se preocupa com o fato de o médico ser obrigado a reduzir o tempo de duração de diálise em favor de um caso mais grave. “O tempo ideal na máquina é de três horas e meia a quatro horas. Essa redução compromete a eficácia do tratamento. No entanto, o nefrologista fica em uma situação complexa, porque, se não existem mais vagas e chega um paciente grave, o profissional é obrigado a tirar o paciente mais estável para não deixar o outro sem atendimento”, afirmou Lodônio. Segundo ele, “hoje, o nefrologista trabalha no limite, estressado”.
Versão oficial
A Secretaria de Saúde (SES-DF) informou, por meio de nota, que, atualmente, possui 1.190 pacientes fazendo hemodiálise, sendo 319 nos hospitais da rede pública e 871 nas clínicas privadas conveniadas à pasta. Ou seja, 74% dos pacientes do DF são atendidos na rede conveniada. A demanda atual gira em torno de cinco pacientes novos ao mês. Os hospitais públicos do DF que realizam hemodiálise são os de Taguatinga, Santa Maria, Gama, Base, Asa Norte, Sobradinho e Ceilândia (este só na UTI). Outras oito clínicas privadas possuem convênios com a SES-DF.
Dois meses para conseguir consulta
Segundo o médico Marcelo Lodônio, o DF possui 177 especialistas em nefrologia. Porém, somente cerca de 60 atuam na rede pública. O presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia no DF diz que a situação não é tão melhor na rede particular, pois a espera por consulta gira em torno de dois meses.
A estimativa da SBN é de que, no DF, 1,5 mil pacientes necessitem de tratamento. O crescimento anual de crônicos renais na capital federal é de 10%. Para o nefrologista, as medidas a curto prazo que melhorariam a situação dos pacientes renais no DF seriam a manutenção de aparelhos e a ampliação da rede de hemodiálise.
Natália Andrade, 30 anos, convive há três anos com a doença. Atualmente, não pode trabalhar e faz três sessões de hemodiálise por semana. “Fui obrigada a me afastar para me tratar. É uma doença difícil, que vai degenerando o corpo conforme o tempo e a frequência das sessões. Tenho esperança de fazer o meu transplante, pois minha irmã é compatível comigo”, disse.
Mais de 20 anos de sofrimento
Quem sofre com a doença enfrenta dificuldades constantemente. Alcione Bragança, de 53 anos, tem problemas renais há 21 anos e faz sessões de diálise desde 1994. Ela alega que, ao longo de seu tratamento, perdeu a chance de fazer um transplante por erro na escrita de um laudo, além de ser obrigada a comprar medicamentos que estavam em falta na rede pública.
“Já tive inúmeros problemas no Hospital de Base porque faltavam máquinas, ou então fazia sessões com menos tempo de duração. Agora, faço três vezes por semana em uma clínica conveniada, que não diminui o tempo no aparelho. Hoje, quem precisa de hemodiálise sofre com a falta de estrutura na rede pública. É algo deprimente e angustiante para o paciente”, desabafa Alcione.
Ela confirma que as clínicas frequentemente ameaçam interromper o atendimento por falta de pagamento. O cancelamento, diz, “seria terrível”.
Alcione revela ter sido abandonada pelo marido por conta da doença e, pelo mesmo motivo, não consegue trabalho. Para completar, tentou aposentadoria pela Previdência Social, mas foi informada de que pacientes renais não têm direito a esse benefício.
Alcione não recebe nenhum tipo de auxílio e mora com a irmã, que é quem cuida dela. Atualmente, tenta conseguir o direito ao passe livre, pois precisa se deslocar pelo menos três vezes por semana para fazer as sessões de diálise, fora os dias de consultas e exames. “E quando falta medicamento, sou obrigada a comprar, mesmo sem condições”, completa.
Transplante
Cansada de aguardar por um transplante no Distrito Federal, Alcione se inscreveu na lista de espera do estado de São Paulo. “Meu problema é complexo. Por causa da doença, desenvolvi problemas ósseos e cardíacos. Como em São Paulo fazem mais transplantes, me inscrevi e tenho fé de que logo serei chamada”, diz, confiante.
Necessidade de fazer mais transplantes
O presidente da Associação dos Renais Crônicos de Brasília (Arebra), Alessandro Lemos, lamenta a situação crítica de atendimento aos pacientes renais: “Até para entrar na fila de diálise é difícil, porque precisa apresentar os exames, que levam meses para serem marcados na rede pública. Fazer o tratamento em uma clínica conveniada é o que garante uma sessão completa”. Para Lemos, se houvesse mais transplantes, a situação seria menos preocupante.
Gilson Nascimento, presidente da Aliança Brasileira de Apoio à Saúde Renal (Abrasrenal), tem recebido apelos dramáticos de pacientes de todo o Brasil. De acordo com ele, as clínicas estão endividadas, pois, além de não terem reajuste para a hemodiálise, a verba federal não é repassada pelos governos estaduais na data correta. Com isso, os fornecedores já não querem mais atendê-las. “Quem sofre é quem depende do tratamento para se manter vivo”, diz.
É preciso esclarecimento
Um grande rim inflável chama a atenção da população para a necessidade de prevenção a doenças. A iniciativa é da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT). De acordo com a Secretaria de Saúde, no Distrito Federal, além do Instituto de Cardiologia, o Hospital de Base também faz transplantes de rim. No ano passado, 77 transplantes desse órgão foram realizados na capital federal. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 10% da população mundial sofre de algum tipo de doença renal, por isso, a importância de a prevenção começar ainda na fase da infância.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília – 10/03/2016 

Amigos saem para pescar e um morre afogado em chácara de Curitiba


Por Felipe Ribeiro e Djalma Malaquias
Foto: Djalma Malaquias - Banda B
Foto: Djalma Malaquias – Banda B

O corpo de um pedreiro de 43 anos foi encontrado pelos bombeiros no final da manhã deste sábado (23), na Represa do Passaúna, Cidade Industrial de Curitiba. De acordo com familiares, a vítima saiu de casa na sexta-feira para pescar com o irmão e um amigo, mas após um suposto consumo excessivo de álcool, decidiu nadar e não voltou mais.
Segundo o tenente Renato Costa Barbosa, do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), o irmão contou que Wagner Rodrigues Maciel desapareceu ao tentar nadar. “Eles estavam pescando e a vítima estava próxima, mas em um momento ele desapareceu. Enquanto procurávamos, o pai encontrou o corpo”, explicou.
A esposa Eliana Leal contou que a vítima nadava muito bem, mas às vezes abusava da bebida alcoólica. “Não sei dizer o que aconteceu. Ele às vezes bebia, mas sempre voltava. Na questão do nado, ele já até salvou um irmão uma vez”, disse.
A chácara em que a situação ocorreu fica aos fundos da Vila Sabará. O Gost retirou o corpo e encaminhou para o Instituto Médico Legal.

Acarajé e Xepa voltam para Moro. Moro cada vez mais perto de pegar Lula



Teori Zavascki devolveu a Sergio Moro as investigações da Operação Acarajé, que tem como alvos João Santana e Mônica Moura, e da Operação Xepa, que revelou a existência de departamento da propina na Odebrecht.
Com a Acarajé, Moro pode pegar Lula.

TCM já havia apontado falhas em ciclovia que desabou no Rio


"Solicita-se a correção de trincas e depressões', diz trecho de relatório.
Geo-rio, que teve presidente afastado nesta sexta-feira, não respondeu.

Do G1 Rio
Ciclovia desabou na Avenida Niemeyer (Foto: CHRISTOPHE SIMON/AFP)Ciclovia desabou na Avenida Niemeyer na última quinta-feira (21) (Foto: CHRISTOPHE SIMON/AFP)
Seis meses antes da inauguração da obra da ciclovia entre Leblon e São Conrado, na Zona Sul do Rio, o Tribunal de Contas do Município (TCM) já havia apontado falhas no projeto, entre trincas e depressões na pista da ciclovia da Avenida Niemeyer. As informações são do RJTV.

Na época do último relatório, de outubro de 2015, a Geo-rio, órgão da prefeitura responsável pela fiscalização do projeto, não respondeu aos questionamentos. Neste sábado, o prefeito Eduardo Paes anunciou que o presidente da Geo-Rio, Márcio Machado, foi afastado do cargo após pedir renúncia.

"Solicita-se  a  correção  das  trincas  e  depressões  observadas no pavimento da ciclovia", diz o documento do TCM, ao tratar da quarta visita ao local.
 
A Concremat, consultora de engenharia que tocou a obra em consórcio com a Concrejato, assinou um contrato com a prefeitura no valor de R$ 12 milhões para gerenciar sete obras olímpicas.

A obra da ciclovia teve um acréscimo de R$ 8 milhões ao contrato original, passando de R$35,8 para R$ 44,7 milhões. Segundo o prefeito Eduardo Paes, a obra demorou seis meses além do estipulado para ficar pronta.

"Nunca houve uma recomendação por parte da Geo-Rio para fechar a ciclovia quando há ressaca. Então, você provavelmente tem um problema estrutural, além de um não encaminhamento de uma operação de uma ciclovia naquelas condições. Em caso de ressaca, de mar alto, devia-se botar um aviso indicando que a ciclovia não deveria ter sido utilizada. A prefeitura que deveria ter feito isso. Me sinto totalmente responsável", disse Paes. A Prefeitura do Rio decidiu, agora, criar um sistema de aviso em caso de ressaca.
Parentesco de secretário com construtora
O prefeito comentou também o parentesco do secretário de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, com a empresa Concremat, que realizou as obras na ciclovia.
"Isso nunca foi um impedimento, porque ele não tem a menor interferência nos contratos da Concremat e da Concrejato. Em nenhum momento ele interferiu nisso. Não vejo nenhum conflito ético", defendeu.
Homicídio culposo
A Polícia Civil do Rio abriu inquérito por homicídio culposo (sem intenção de matar) para apurar a queda de 20 metros da ciclovia.
A investigação está a cargo da 15ª DP (Gávea) que já fez duas perícias no local do acidente e começou a ouvir testemunhas. Na próxima semana, serão convocados para prestar depoimento os responsáveis pelo projeto, execução da obra e também fiscalização. O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) também abriu investigação para apurar as responsabilidades dos engenheiros na obra.
Muitas perguntas continuam sem respostas. A empresa Concremat, que contruiu a ciclovia, também tem contrato com a prefeitura em outras seis obras financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela é responsável pelo gerenciamento da ligação entre os BRTs (Transolímpica/ Transoeste/Transbrasil), Duplicação do Elevado do Joá e das obras do Entorno do Parque Olímpico do Engenhão. No caso da ciclovia Tim Maia, a empresa também gerenciava a obra, ou seja, a Concremat supervisionava a Concremat.
Além disso, junto com as construtoras Audax e a Planservi, a Concrejat é responsável pelo gerenciamento, fiscalização e supervisão de obras de infraestrutura da Linha 4 do Metrô. Em 2014, o Tatuzão, equipamento que constrói os túneis do metrô, ficou parado após um afundamento do solo e provocar a abertura de duas crateras em Ipanema, na Zona Sul.

Lula saiu do armário



A Lava Jato tem uma penca de documentos para condenar Lula.
Veja a encomenda para o closet de Lula (que não é o closet de Lula), no sítio de Lula (que não é o sítio de Lula), paga pela Odebrecht de Lula (que não é a Odebrecht de Lula):

O PSDB poderá pagar caro



Em nota para O Antagonista, que publicamos com grande prazer, o senador Aloysio Nunes esclareceu exatamente o que pensa sobre o papel do PSDB no governo Temer:
“O PSDB patrocinou politicamente a abertura do processo, deu todos os seus votos pelo impeachment na Câmara e fará o mesmo no Senado.
Isso é, aliás, o que querem nossos eleitores.
Poderá agora sabotar o governo cujo existência propiciou, antes mesmo de sua constituição?
Não é hora de desperdiçarmos nossa energia política com uma resolução partidária impeditiva de nossa eventual participação no governo Temer. A hora é, sim, de esclarecermos qual a linha de ação que desejamos que esse governo adote para merecer nosso apoio. E, se estivermos de acordo, contribuir com todas as nossas forças, integrando, inclusive, o ministério para o êxito de um governo capaz de colocar o Brasil nos eixos.
Se prevalecer a ideia de nos preservarmos dos riscos inerentes à nossa responsabilidade e prentendermos chegar a 2018 como se estivéssemos recém-saídos da pia batismal, receberemos o carimbo de oportunistas e pagaremos caro por isso."
Aloysio Nunes é uma raridade: um tucano que fala com clareza.

As mentiras que enterram o governo


índice
Estratégia petista de difundir à exaustão uma versão falsa do processo de impeachment pode ter vitimado a própria presidente
IstoÉ
De tanto repetir que está sendo “vítima de um golpe”, é possível que a presidente Dilma Rousseff hoje acredite que isso seja verdade. De tanto tentar desqualificar seus opositores e afirmar que, uma vez no poder, eles acabarão com os programas sociais instituídos no País nas últimas décadas, não é improvável que se julgue estar de fato defendendo direitos alheios. Dilma, dessa forma, revela que pode ter sido vítima, sim, mas da estratégia petista de tentar se perpetuar no poder através da propagação incessante de falácias. Numa versão contemporânea do antigo ditado que diz que uma mentira repetida infinitas vezes acaba se tornando verdade, os defensores da presidente decidiram adotar em sua defesa a tática de usar, em todas as aparições públicas de Dilma, Lula ou de qualquer de seus principais quadros, o mesmo discurso descolado da realidade que, ao invés de contrapor as acusações com fatos, cria um cenário ilusório e ofende outros poderes constituídos. O grande problema dessa estratégia é que, como um castelo de cartas, ela é frágil e pode ser facilmente derrubada com a verdade. Na semana passada, diante da insistência de Dilma em pregar com argumentos falsos, surgiu uma série de decisões judiciais, declarações e notas desmontando a sua versão.
São incontáveis as vezes em que Dilma procedeu como na segunda-feira 18, dia seguinte à votação na Câmara dos Deputados que decidiu por autorizar o Senado a instaurar o processo de impeachment.
Num pronunciamento seguido de entrevista coletiva no Palácio do Planalto, a presidente disse que acompanhou todas as declarações dos deputados que votaram a favor do seu impedimento e que quase nenhum deles usou como justificativa o cometimento de crime de responsabilidade, o enquadramento legal reservado aos governantes que desrespeitam a Lei de Responsabilidade Fiscal. “A Constituição estipula que é necessária a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada”, afirmou. Mais uma vez, a presidente recorreu à artimanha de se apresentar como vítima de um golpe. “Estou tendo meus direitos torturados.”
Torturados, nesse caso, foram os fatos. Intencionalmente, Dilma ignorou um processo legal, respaldado na mesma Constituição que ela reivindica para desqualificá-lo. Um processo que tramitou na Câmara, obedecendo prazos legais e deu a seu defensor, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, a oportunidade de expor os argumentos do governo contra as acusações que pesam contra ela. Um processo que, às vésperas de ir à votação em plenário, foi questionado, sem êxito, no Supremo Tribunal Federal (STF). A chefe do Executivo desconsiderou, ainda, uma votação encerrada com folgada margem pró-impeachment. Durante a entrevista no Planalto, a presidente falou que tem certeza de que os deputados sabem que ela não cometeu crime de responsabilidade. Essa não foi a conclusão do Tribunal de Contas da União, instituição auxiliar do Parlamento. Os ministros do TCU consideraram, por unanimidade, que a presidente Dilma Rousseff incorreu nas “pedaladas fiscais” para atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. Fez isso em 2014 e insistiu em 2015.
Em vez de aceitar o que a realidade lhe impõe, a mandatária criou o hábito de atacar adversários. Então, misturou fatos com ilações. Um dos alvos foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “(Ele) tem um retrospecto que não o abona para ser juiz de nada, abona para ser réu”. É fato: existem contra Cunha graves acusações no Petrolão, mas isso é problema para seus pares e para o Supremo Tribunal Federal (STF). Dilma também dirigiu críticas ao vice-presidente, Michel Temer. Em um texto divulgado nas redes sociais anterior à votação do processo de impeachment, a petista acusou Temer de querer acabar com programas sociais. “Querem revogar direitos e cortar programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida’, afirmou. É ilação. O PT usa, com frequência, como arma política a acusação de que adversários irão acabar com os benefícios sociais. Fez isso na última campanha presidencial, quando desconstruiu a candidatura de Marina Silva (Rede). Temer já deu inúmeras declarações públicas defendendo esses benefícios.
A presidente repete à exaustão que não há acusações contra ela, numa referência à Operação Lava-Jato. “Meu nome não está em nenhuma lista de propina. Tampouco sou suspeita de qualquer delito contra o bem comum”, afirmou. Pode-se chamar esse discurso de meia-verdade. Se não há, de fato, indícios de enriquecimento, existem nas investigações que apuram corrupção na Petrobras depoimentos de delatores afirmando que Dilma sabia do Petrolão e indicando o uso de propina em suas campanhas. O senador Delcídio do Amaral (MS), ex-líder do governo, implicou a petista na tentativa de barrar a investigação. De acordo com Delcídio, Dilma teria nomeado o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) com a missão de liberar empreiteiros presos pela Polícia Federal. A presidente e o ministro Navarro negaram a existência de qualquer acerto escuso. O senador acusou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de tentar convencê-lo a não fechar a delação, oferecendo inclusive ajuda financeira. Não teria sido uma ação isolada do ministro, mas uma ação coordenada pelo Planalto. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao ministro Teori Zavascki, do Supremo, o conteúdo da delação premiada de Delcídio para que seja avaliada a abertura de inquérito contra Dilma. Interferir em investigações é crime. Na quarta-feira 20, Zavascki, numa demonstração de que o teor dos depoimentos de Delcídio teria respaldo nos fatos, decidiu anexar trechos da delação que fazem citações a Dilma, Temer e Lula no principal inquérito da Lava Jato.
A estratégia de tentar desqualificar o processo de impeachment ganhou agora uma versão internacional. Dilma decidiu levar sua tese de “golpe” para um discurso na ONU. Ainda no Brasil, disse a jornalistas estrangeiros que, por trás da tentativa de impedimento, estaria o objetivo de um grupo de chegar à Presidência sem ter que se submeter à vontade popular. “É (o processo de impeachment) a maior fraude jurídica e política da história do País”, afirmou. A verdade é que não há ilegalidades no processo de impeachment. A Constituição prevê a possibilidade de cassação quando o governante comete crime. A presidente atenta contra os outros poderes quando diz que o processo é ilegal. Coube ao ministro Celso de Mello, decano do Supremo, afirmar na quarta-feira 20 que a presidente chamar o processo de impeachment de golpe é “gravíssimo equívoco”. O ministro Gilmar Mendes disse que o quadro é de “normalidade”. Além disso, Dilma esquece que o PT foi o partido que mais lançou mão do instrumento, em mandatos anteriores, contra presidentes então no cargo.
Além das reações no Judiciário, as ilações de Dilma provocaram repúdio de parte majoritária do Legislativo. Em nota, 15 partidos que apoiaram a abertura do processo de impeachment acusaram a presidente de “encenar” para a imprensa estrangeira que é vítima de um golpe. Apoiado por presidentes e líderes de legendas como o PMDB, o PSDB, o DEM e o PSB, o comunicado afirma que Dilma “inverte sua posição de autora em vítima” e repudia “o “triste espetáculo” protagonizado pela presidente. Os oposicionistas alegam que, ao tachar a decisão de golpista, Dilma omite que o rito da tramitação do processo de impeachment foi “chancelado” pelo STF. Entidades que representam procuradores e advogados públicos federais repudiaram a utilização da estrutura da Advocacia-Geral da União para fins partidários. Sem mencionar o nome do ministro José Eduardo Cardozo, da AGU, os servidores criticam a atuação dele por se manifestar classificando como “golpe” o processo de impeachment. “Não é possível admitir que o advogado-geral da União desvirtue o exercício da função atribuída à instituição e atente contra atos praticados por outros Poderes da República”, diz o texto das entidades.
Com o avanço do processo de impeachment, que nesta semana começa a ser analisado pelo Senado, a presidente tenta empurrar a opinião pública contra seus adversários. “Os golpistas já disseram que será necessário impor sacrifícios à população”, afirmou. Mas a própria Dilma já reconheceu a necessidade de o País adotar um severo ajuste fiscal. No início do segundo mandato, ela colocou Joaquim Levy no ministério da Fazenda para promover um pacote de austeridade. Não só não cumpriu o que prometeu como aumentou gastos públicos, sobretudo na liberação de verbas que objetivavam cooptar parlamentares a votar em seu favor. E os poucos cortes efetuados atingiram, diferentemente do que alega Dilma, programas de cunho social como o Pronatec, uma de suas bandeiras eleitorais.
Desesperado para tentar embolar o impeachment no Senado, o governo tenta agora mais uma de suas manobras diversionistas. Senadores governistas conseguiram reunir 27 assinaturas e apresentaram na terça-feira 19 uma proposta de emenda constitucional para a convocação de novas eleições presidenciais. Nenhum dos oposicionistas aderiu. O próprio governo sabe muito bem que não tem a menor chance de isso passar entre os senadores e muito menos entre os deputados. De acordo com parlamentares ouvidos por ISTOÉ, trata-se de uma “cortina de fumaça”. Petistas e alguns apoiadores de esquerda optaram por essa estratégia como uma tentativa de reforçar a tese de “golpe”, com que tentam rotular o processo de impedimento que conta com apoio regimental da Câmara e tem o Supremo como árbitro. O curioso é que esta ideia “republicana” de dar voz aos eleitores novamente só surgiu após a entourage da petista tentar de tudo para evitar o afastamento de Dilma e ainda assim perder a votação no domingo 17.
Rolando lero
José Eduardo Cardozo joga com as palavras para defender o indefensável
O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, se esmera em defender o indefensável. Mal terminara a aprovação do processo de impeachment na Câmara, ele já concedia entrevistas desqualificando a Casa. Cardozo, mais uma vez, rompeu o seu papel institucional. Disse que os deputados tomaram uma decisão “absolutamente política”. Esqueceu-se que, se Dilma Rousseff não tivesse cometido crimes de responsabilidade, não sofreria processo algum. O fato é que ela infringiu a lei ao cometer as chamadas pedaladas fiscais e ao emitir decretos sem autorização do Legislativo. Mas Cardozo foi além. Afirmou que a decisão era golpista. “Um golpe na democracia, um golpe nos 54 milhões de brasileiros que elegeram a presidenta Dilma, um golpe numa Constituição que foi fruto de uma conquista histórica do povo brasileiro depois da ditadura de 1964”, disse. Antidemocrático é querer desqualificar o voto de 367 deputados. O que beira o golpismo é dizer que um processo de cassação que teve o rito aprovado pelo STF viola a Constituição. Cardozo só não parece achar errado usar a estrutura de um órgão como a AGU, que deveria zelar pelo patrimônio do Estado, para defender uma presidente acusada de prejudicar os cofres públicos. Quem responde a crimes não é a figura institucional da presidência da República, é a pessoa física Dilma Rousseff. Cardozo não deveria usar o cargo para defendê-la. Nem provocar crises institucionais.