Após luta corporal, PM prende trio que assaltou estudantes; soldado chegou a quebrar o dedo


Por Marina Sequinel e Paulo Sérgio Debski

Três jovens foram presos em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, na noite desta sexta-feira (6). Momentos antes de ser detido, o trio teria cometido roubos contra estudantes nos arredores do Colégio Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, no Jardim Cruzeiro.
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Soldado fraturou dedo durante luta corporal contra suspeito. (Foto: Colaboração)
“Uma equipe patrulhava a região quando os alunos pediram socorro para a viatura, dizendo que haviam sido vítimas de assalto. Os suspeitos foram encontrados pela polícia e um deles acabou reagindo. Ele entrou em luta corporal e acabou ferindo a mão de um soldado”, contou o capitão Periguari, da Polícia Militar (PM), em entrevista à Banda B.
O policial sofreu uma fratura no dedo, mas conseguiu deter o suspeito. De acordo com o capitão, o criminoso que reagiu a abordagem já tem passagens por receptação.
Os pertences levados dos estudantes foram recuperados e o trio encaminhado à delegacia de São José dos Pinhais, onde deve permanecer à disposição da Justiça. O soldado foi levado ao pronto socorro da cidade e passa bem.

Renan prorroga status de ministro para Jaques Wagner


Ao deixar o Planalto, o ex-governador baiano poderá receber até seis meses de salário

MURILO RAMOS
06/05/2016 - 10h00 - Atualizado 06/05/2016 10h00
Renan Calheiros, presidente do Senado (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, prorrogou por 60 dias a medida provisória que transformou o cargo de chefe do gabinete pessoal do Presidente da República em cargo de “ministro de Estado Chefe do gabinete pessoal do Presidente da República”. Na prática, o que Renan faz é garantir que Jaques Wagner, atual ocupante da Pasta, continue com foro privilegiado (até ser efetivamente exonerado) e reivindique salário de mais de R$ 30 mil por até seis meses. Essa é a regra para ministros que deixam o governo.

Votação do processo de impeachment no plenário do Senado pode durar dois dias



Da Agência Brasil
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(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Ao final da reunião de hoje (6), o presidente da comissão especial que aprovou hoje a admissibilidade do impeachment dapresidenta Dilma Rousseff, Raimundo Lira (PMDB-PB), disse que o próximo passo do processo – votação do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) em plenário – pode levar dois dias. Com isso, a expectativa é que a conclusão dessa etapa só ocorra na quinta-feira (12). A demora deve-se ao fato de que, na próxima votação, cada um dos 81 senadores terá 15 minutos para se manifestar, o que pode resultar em pelo menos 20 horas de debates.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que vai presidir a sessão no plenário, ainda não decidiu se a defesa de Dilma terá mais uma oportunidade de se manifestar antes da votação que pode afastar a presidenta do cargo por 180 dias.
Resultado
O relatório de Anastasia foi aprovado por 15 votos favoráveis e cinco contrários. O placar na comissão especial já era esperado por governistas e oposicionistas. O líder do governo na Casa, Humberto Costa (PT-PE), reafirmou que a base aliada agora vai se dedicar a estratégia de ampliar o apoio no plenário. Costa, por mais de uma vez, criticou a composição do colegiado e disse que os nomes foram escolhidos a dedo. “Acredito que vamos conseguir um bom resultado na votação do plenário”, afirmou. Fátima Bezerra (PT-RN) reforçou as críticas. “O processo está contaminado. É um dia de luto”, avaliou.
Do outro lado, a oposição comemorou o placar, e senadores do DEM e PSDB, entre eles, Ronaldo Caiado (DEM-GO), voltaram a tecer críticas ao que chamaram de “maquiagem de contas” e “contabilidade criativa” por parte do governo e declararam estar ainda mais otimistas com o resultado no plenário da Casa.
Em defesa do processo, Antonio Anastasia afirmou que esperava um debate acalorado. O relator disse que os impasses são naturais, mas avaliou que a base aliada extrapolou. O mineiro classificou como “mau caratismo” os ataques que sofreu de governistas nos últimos dias de reuniões da comissão, que concluiu o processo em duas semanas de trabalho.

Mochila com bilhete que fala em ‘explosão’ mobiliza Esquadrão Antibombas no Jardim Botânico


Por Marina Sequinel e Daniela Sevieri
(Fotos: Daniela Sevieri – Banda B)

Uma ameaça de bomba mobilizou a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM) no Jardim Botânico, em Curitiba, no fim da tarde deste sábado (7). Uma mochila foi deixada do lado de fora da estufa do parque, com um bilhete escrito em folha de caderno, que dizia “Um salve pro Caue. Bjos pro giro de quinta” [SIC].
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(Foto: Daniela Sevieri – Banda B)
O papel ainda continha um horário em que, supostamente, a bomba detonaria: 5:00 pm (às 17h). “Eu estava tirando fotos com os meus amigos, quando vi um homem barbudo, todo de preto e óculos escuros, deixar a mala ali. Na hora eu suspeitei que era uma bomba, pela ameaça que os terroristas fizeram ao Brasil no Twitter recentemente”, disse uma testemunha em entrevista à Banda B.
Foi ela quem chamou a guarda. O Esquadrão Antibombas foi até o local para verificar o que era o artefato. “Nós fomos acionados pela GM e, ao chegar no parque, descobrimos que havia uma mochila com um bilhete, ameaçando um programa de TV pela internet. Fizemos uma entrada manual, depois tiramos raio X e verificamos que não era um material explosivo. Em seguida, destruímos o objeto”, contou o sargento Guilherme, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
O artefato deve, agora, ser enviado para a perícia para a identificação e busca de impressões digitais.

Deputado pede para Supremo anular votação do impeachment na Câmara


Paulo Teixeira (PT-SP) diz que líderes não poderiam ter orientado deputados.
Mandado de segurança foi encaminhado por sorteio ao ministro Luiz Fux.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a decisão da Câmara que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em ação protocolada na última quinta (5), o parlamentar diz a votação, realizada no último dia 17 de março, foi nula, porque líderes partidários orientaram os deputados como votar.
O petista aponta que o "encaminhamento da votação", adotado em diversos tipos de decisão em plenário, é proibido na deliberação sobre o impeachment, conforme lei de 1950 que regulamenta o procedimento, comprometendo a liberdade dos parlamentares.
"Os partidos políticos, ao determinarem em quem seus parlamentares deveriam votar, violaram abertamente a formação da livre e pessoal convicção dos deputados [...] A orientação partidária sobre a votação, inclusive em alguns casos com “fechamento de questão”, retirou de seus
deputados a liberdade de formarem livremente as suas convicções", diz a peça.

O mandado de segurança foi encaminhado por sorteio para o ministro Luiz Fux e inclui pedido de decisão liminar (provisória), que pode ser concedida individualmente, de forma mais rápida, antes da análise pelo plenário.

A ação apresentada por Paulo Teixeira é a primeira apresentada por governistas para questionar a decisão do plenário da Câmara, em que foram registrados 367 votos favoráveis ao impeachment. Antes da votação, o governo tentou barrar a votação do STF, mas sem sucesso.

Nesta sexta (6), a comissão instalada no Senado para analisar a admissibilidade do processo aprovou, por 20 votos a 5, e 1 abstenção, relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que recomenda a abertura do processo.
Na próxima quarta (11), o plenário do Senado começa a analisar o parecer; se aprovado por ao menos 41 senadores, a presidente é afastada do mandato.

O fim da era Cunha, á um passo de cair nas mãos de MORO


Eduardo Cunha, enfim, é afastado da Presidência da Câmara e do mandato. Agora, ele também está a um passo de cair nas mãos do juiz Sérgio Moro

Pedro Marcondes de Moura
A manhã da quinta-feira 5 trouxe alívio a políticos de diferentes matizes do País. Eles acordaram com a notícia de que o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fora afastado do mandato por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Teori Zavascki acolheu os argumentos da Procuradoria-Geral da República de que o deputado não tinha condições de permanecer na Casa diante dos indícios de que usava o cargo para atrapalhar as investigações contra ele. A decisão foi referendada horas depois por unanimidade pela Corte. “Eu costumo dizer que o cargo é ocupado para servir ao semelhante. Não para que este ou aquele, se sentindo inalcançável, se beneficie”, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello. Há tempos a situação de Cunha estava insustentável. Afinal, era um acinte alguém comandar a Câmara sendo réu de uma ação por corrupção e alvo de outras seis investigações. O parlamentar usava uma tropa de choque de aliados para controlar a Casa. Sem constrangimentos, recolocava em votação projetos de seu interesse e interpretava o regimento interno ao seu bel-prazer para protelar o andamento de sua cassação. O processo que pede a sua saída superou todos os recordes da Câmara: há mais de 150 dias tramita sem chegar a lugar algum. Mas até ser expulso pelo Plenário, Cunha mantém o foro privilegiado. Sabe que, se perder, corre o risco de parar na Superintendência Federal do Paraná. Motivos não faltam.
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O temor de engrossar a lista de presos da Lava Jato tomou conta do parlamentar após a ordem de afastamento. Ele fez reuniões, com advogados e políticos, e trocou a frieza habitual por impropérios ao se referir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em outro momento, chegou a esboçar, segundo interlocutores, a frase típica dos políticos enrascados: “se cair, não caio sozinho”. Estima-se que Cunha tenha cerca de 200 apoiadores na Câmara. É neles que confia para manter o mandato e não cair nas garras de Sergio Moro. Mas fidelidade e política são palavras que não costumam andar juntas em momentos de crise. Ficar ao lado do deputado carioca representava ascensão a políticos do baixo clero até a quarta-feira 4. Depois da decisão do STF, se tornou risco de desgaste eleitoral. Prova disso é que aliados discutiam o seu espólio dentro da Casa poucas horas após o afastamento.
Caindo nas mãos de Moro ou não, a situação jurídica de Cunha é delicada. Ele se tornou réu no STF em março. Os ministros aceitaram por unanimidade as denúncias por corrupção e lavagem de dinheiro. Teria, segundo os delatores Júlio Camargo e Fernando Baiano, recebido mais de US$ 5 milhões para pressionar o estaleiro Samsung a pagar propinas atrasadas pelo arrendamento de dois navios sondas à Petrobras. Para garantir o recebimento do dinheiro, usou uma deputada para convocar os envolvidos a prestarem esclarecimentos sobre os contratos na Câmara. Pesa contra Cunha ainda outra denúncia à espera de ser aceita pelo STF. O Ministério Público Federal o acusa de manter contas irregulares na Suíça. Desconfiança confirmada por documentos enviados por autoridades do país europeu. Entre eles, há a cópia do passaporte usado pelo parlamentar para abrir uma conta bancária. O presidente afastado da Câmara enfrenta outros seis inquéritos.
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A suspensão do mandato de Eduardo Cunha reforça a isenção dos procuradores do Petrolão. Desde que a Lava Jato chegou a políticos, o PT acusa a operação de existir para apear o partido do poder. Uma teoria que se mostra novamente falaciosa. O agora afastado Cunha é do PMDB de Michel Temer, desafeto do governo. A saída dele desmonta também argumentos que colocavam em dúvida a legalidade do processo de cassação de Dilma. A presidente tem afirmado que haveria um acordo em que o então presidente da Câmara ficaria impune das acusações em troca de aceitar a denúncia que deu origem ao impeachment. O ex-presidente da Câmara pode ser questionado por muitos aspectos, menos pela habilidade política. Não empenharia o seu capital numa jogada que se mostra tão equivocada. Por fim, a decisão do STF encerrou o discurso petista de que ele se tornaria vice de Temer. Poderia comandar o País, em um enredo ao estilo da série americana ‘House of Cards’. É verdade que o presidente da Câmara assume o cargo na vacância de poder. Mas a decisão do Supremo faz com que Cunha não possa mais exercer nem o seu mandato.
O Palácio do Planalto comemorou a decisão do STF como uma vingança. “Antes tarde do que nunca”, disse a presidente Dilma. Mas a saída de Cunha a essa altura pouco – ou nada – contribuirá à petista. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, até entrará com um pedido no Supremo para suspender o processo de impeachment. Alegará que foi mais uma das decisões tomadas por Cunha com “finalidades estranhas ao interesse público.” A chance de êxito, no entanto, é quase nula. Voltar atrás em um processo com tamanho apelo social e referendado pelo Parlamento configuraria uma crise institucional sem precedentes no País. Por menos, o STF manteve votações importantes do Congresso em que se comprovou, durante o mensalão, a existência de compra de votos. Para integrantes do núcleo próximo de Dilma, o maior beneficiário da suspensão de Cunha é o vice-presidente. Temer se livrou de eventuais chantagens políticas. O então presidente da Câmara poderia usar o cargo para exigir apoio, ameaçando colocar em votação pautas que comprometessem o orçamento ou atrasando propostas do Executivo. Teria a opção até de radicalizar mais ao aceitar um dos pedidos de impeachment contra Temer pelas supostas pedaladas fiscais. Isso sem contar que o vice agora não necessitaria do apoio institucional dele, evitando velhos problemas a uma nova gestão.
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Cunha antecipou sua derrocada, dizem aliados, ao se superestimar. As vitórias acumuladas o fizeram errar os cálculos sobre seu verdadeiro cacife político. Quando seu nome surgiu no Petrolão, ele mexeu com o corporativismo do Ministério Público Federal e do Supremo com declarações de perseguição política. “O Renan estava mais enrascado, mas preferiu contemporizar. Cunha se expôs ao partir para o ataque”, afirma um correligionário. No Parlamento, cultivou desavenças com suas sucessivas manobras. Tornou-se uma espécie de malvado favorito do Planalto. Estabeleceu uma relação de bate e afaga que interessava Dilma até a hora em que aceitou o impeachment. Aí passou a exercer o mesmo papel do outro lado. Era cortejado por grupos pró-impeachment. Com a vontade popular concentrada em derrubar a presidente, os problemas de Cunha com a Justiça ficavam em segundo plano. Era o mal necessário. O fato é que, depois de tramitado o processo na Câmara, ele perdeu a serventia. Só permaneceu o malvado, com seus episódios de corrupção e chantagens políticas. Em nota, os partidos de oposição afirmaram que seu afastamento “indica o reencontro do País com princípios e valores como a transparência, a Justiça e o combate à impunidade.” Para o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), “é uma decisão esperada. Há muito tempo Eduardo Cunha vem golpeando a Constituição”. Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, classificou como “uma das mais extraordinárias e corajosas decisões da história político-judiciária do Brasil.”
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REBELIÃO
Congresso na quarta-feira 27: oposição ao deputado crescia a cada dia
Horas depois do afastamento, parlamentares tentavam entender como ficaria a direção da Casa. A presidência da Câmara será assumida temporariamente pelo deputado Waldir Maranhão (PP-MA), acusado no Petrolão. Na quinta-feira 5, ele deu os primeiros sinais de como será a sua gestão interina. Finalizou a sessão em andamento e ordenou a suspensão da transmissão do plenário pela TV Câmara. Deputados se revoltaram. Luiza Erundina (PSOL-SP) sentou na cadeira da presidência enquanto colegas se revezavam na tribuna entoando gritos de “Fora, Cunha”. A derrocada é incontornável. Até políticos fiéis a ele concordam com o presidente do Conselho de Ética na Câmara, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), de que as manobras que seguraram o seu mandato chegaram ao fim. Em breve, ele acertará as contas com a Lava Jato. Vai seguir o caminho de Lula. O País começa a ser passado a limpo. 
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ALÍVIO 
Decisão de afastamento de Teori (acima) foi seguida pela Corte por unanimidade
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