Diretoria muda previsão e Autódromo Internacional de Curitiba pode funcionar até dezembro


Por Juliano Cunha
Depois de anunciar o encerramento das atividades para junho deste ano, a Direção do AIC (Autódromo Internacional de Curitiba) mudou a previsão e anunciou uma nova data para o fechamento. Ao final da tarde desta quinta-feira (12), em um comunicado no site oficial foi anunciado a previsão de funcionamento até o final de 2016.
“Estamos prevendo a utilização do AIC até dezembro de 2016. Maiores detalhes estaremos informando oportunamente”, diz a nota assinada por Jauneval de Oms, Presidente do AIC.
Aviso no site informa mudança da previsão de funcionamento do AIC. (Reprodução)
Aviso no site informa mudança da previsão de funcionamento do AIC. (Reprodução)
A incerteza sobre o fechamento do Autódromo Internacional de Curitiba acompanhou pilotos, promotores e entidades do automobilismo durante este ano. Os boatos sobre o fechamento já existem há anos, porém, somente em 2016 a Direção do Autódromo falou sobre o assunto, que antes era negado. O Autódromo, que é de propriedade privada, daria lugar a um grande empreendimento imobiliário.
Em entrevista ao Acelera Banda B, o Secretário de Desenvolvimento Urbano de Pinhais – cidade onde está instalado o Autódromo -, Genésio Siqueira, informou recentemente que ainda não havia nenhum projeto referente a urbanização da área, o que causou dúvidas sobre a data real de fechamento.
Durante provas nacionais, pilotos e pessoas ligadas ao automobilismo lamentavam a decisão e alguns duvidavam do encerramento das atividades durante este ano. Em entrevistas com promotores e pilotos, sempre ficou claro que não havia ainda uma decisão oficial, porém uma previsão, que agora foi alterada.
Várias etapas nacionais de importantes categorias do automobilismo já realizaram provas no AIC em tom de despedida, entretanto terão mais uma chance de se apresentar novamente em um dos melhores autódromos do Brasil.
Desta forma, mesmo sendo uma previsão, é muito provável que já seja uma decisão oficial, pois a direção do AIC sempre foi cautelosa em divulgar informações.
Sendo assim, deve-se seguir um mesmo roteiro de provas dos anos anteriores, que sempre fechava as atividades competitivas com um dos maiores públicos do Autódromo com o Festival Nacional de Arrancada, no segundo domingo de dezembro. Os amantes do automobilismo agradecem.

União Europeia debate lei para abolir barreiras do Netflix


A proposta permitiria que clientes de serviços de streaming tivessem acesso aos seus catálogos, independentemente do país em que estivessem

REDAÇÃO ÉPOCA, COM REUTERS
14/05/2016 - 16h07 - Atualizado 14/05/2016 16h07
Assinantes europeus de serviços de streaming, como o Netflix, poderão ter acesso ao mesmo catálogos de filmes e séries de TV que teriam em suas casas quando estiverem viajando por países membros da União Europeia (UE). Atualmente, quando estão fora de seus países de origem, os clientes só podem visualizar o conteúdo disponível no local onde o serviço é acessado.
Conteúdo regionais do Netflix e outros serviços de streaming podem passar a ser acessíveis em qualquer país da União Europeia (Foto: Netflix)
A lei foi apresentada pela Comissão Europeia em dezembro, como parte dos esforços para derrubar barreiras nacionais em serviços online no bloco, que conta com 28 membros.
Com a possível aprovação da lei, numa reunião de ministros da UE que ocorrerá no próximo dia 26, consumidores com assinaturas de serviços como o Sky TV Now, na Alemanha, ou oNetflix na França, por exemplo, poderão assistir aos conteúdos pelos quais pagaram, mesmo quando estiverem viajando temporariamente ao exterior.
A Comissão Europeia ainda irá definir o limite de tempo máximo que será usado para considerar que uma pessoa está viajando. A nova lei deve entrar em vigor em 2017.
Direitos autorais
Produtores e estúdios de cinema não receberam a proposta com entusiasmo. Eles temem um aumento de gastos para tornar seus conteúdos disponíveis em plataformas móveis em todos os países da UE.
Outra preocupação é a próxima reforma da Comissão Europeia sobre a legislação de direitos autorais, que deve facilitar o acesso dos europeus a conteúdos produzidos nos países que compõem o bloco. Produtores alegam que licenças locais perderão seu valor se for possível acessar o mesmo conteúdo no exterior. Uma emissora pode não pagar tanto por uma licença francesa exclusiva se os residentes do país puderem assistir a mesma transmissão de conteúdo na Alemanha.

Mesmo sem poder de decisão na Casa, Cunha age para manter Maranhão no cargo



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O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu definir com seus aliados um formato de gestão da Casa de forma que ele, mesmo longe do cargo, consiga manter a influência sobre suas atividades.
A ideia é manter o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), no posto. No entanto, quem comandará as sessões plenárias e a reunião de líderes partidários para definir a pauta de votações serão o segundo-vice-presidente Fernando Giacobo (PR-PR) e o primeiro-secretário Beto Mansur (PRB-SP), ambos integrantes do chamado “centrão”, grupo liderado por Cunha
O formato será ainda repassado pelo Palácio do Planalto, que tem agora à frente o presidente da República em exercício, Michel Temer. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, conversou nesta sexta-feira (13), por telefone com Maranhão, que demonstrou disposição em colaborar com a nova administração. “Vamos construir um entendimento”, disse Geddel. Eles devem conversar pessoalmente neste fim de semana.
A decisão de Temer, por ora, é de não se envolver na discussão em torno da presidência da Câmara. Os aliados dizem que o presidente em exercício não quer repetir o erro da presidente afastada Dilma Rousseff na disputa pela presidência da Casa, no ano passado. O governo petista patrocinou a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), derrotado no primeiro turno, e Cunha, irritado com a participação direta de ministros de Dilma na campanha de Chinaglia, criou uma pauta-bomba.
Auxiliares de Temer sustentam que os possíveis candidatos a presidente da Câmara, como Jovair Arantes (PTB-GO) e Rogério Rosso (PPS-DF), foram favoráveis ao impeachment e estão na linha de frente de sustentação do novo governo. Portanto, não há razão para o governo apoiar um nome específico. O discurso de Temer será de que é um tema do Legislativo.
Conhecido como um parlamentar “hesitante”, Maranhão ganhou força para se segurar após procurar nesta semana o apoio de Cunha para continuar no cargo. Interlocutores contam que os dois têm se falado nos últimos dias e, desde então, os partidos do “centrão” (PTB, PSD, PSC e PR) passaram a defender a tese de deixar o pepista na presidência, mas sem poder de decisão. As siglas integram hoje a base de apoio de Temer e são velhas aliadas do presidente afastado da Casa. “Essa proposta é de Eduardo Cunha, que quer o comando da Casa fragilizado. Ele quer continuar manietando”, concluiu um oposicionista de Maranhão.
O problema, porém, é que partidos que integram a base de Temer rejeitam a manutenção da influência de Cunha. “Cunha continua conduzindo a Câmara à distância”, protestou o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). Nesse sentido, PSDB, DEM e PPS pressionam para que Maranhão renuncie. “Não tem renúncia. Sem renúncia”, balbuciou nesta sexta-feira o pepista, acrescentando que é preciso “administrar o País”.
DEM, PSDB e PPS dizem que vão insistir na busca de uma solução permanente para situação de Maranhão, mas que não vão obstruir o fluxo de votação dos projetos do governo Temer. “Essa é uma queda de braço. Tem de dar uma solução, mas como vai se dar, não sei”, disse outro candidato a líder do governo, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Dilma passa o fim de semana em Porto Alegre


Presidente afastada Dilma Rousseff anda de bicicleta em Porto Alegre
Presidente afastada Dilma Rousseff anda de biciclieta acompanhada de seguranças, ao lado do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre - 14/05/2016(Eduardo Anizelli/Folhapress)
A presidente afastada Dilma Rousseff viajou para Porto Alegre na noite da última sexta-feira para descansar ao lado da família. De acordo com sua assessoria, o objetivo da viagem de Dilma é aproveitar o final de semana ao lado da filha, Paula, e dos dois netos, Gabriel e Guilherme.
Na manhã deste sábado, ela andou de bicicleta, como costuma fazer quando está em Brasília. Dilma pedalou das 7h15 às 8h, na orla do Guaíba, acompanhada de seguranças. Depois, retornou para casa.
Esta é a primeira vez que Dilma sai de Brasília desde que foi afastada da Presidência. A capital gaúcha, onde fez carreira política e constituiu família, costuma ser o destino preferido dela durante feriados e dias de descanso nos finais de semana.
Embora a passagem por Porto Alegre tenha motivos familiares, a presidente afastada poderá aproveitar a viagem para fortalecer os laços com os movimentos sociais e mobilizar os apoiadores. No domingo passado, quando também estava na capital gaúcha para celebrar o dia das mães, Dilma atendeu a pedidos e desceu na portaria de seu edifício para receber flores de simpatizantes.
(Com Estadão Conteúdo

Cunha está incomodado com tratamento recebido de Temer até aqui


O presidente afastado da Câmara esperava ao menos gesto de agradecimento feito de modo reservado

MURILO RAMOS
14/05/2016 - 10h00 - Atualizado 14/05/2016 10h00
Eduardo Cunha (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
O presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem se mostrado desgostoso com o tratamento recebido de Michel Temer até aqui. Entende que afagos públicos do presidente interino a ele seriam delicados. Mas os gestos de agradecimento não têm ocorrido nem reservadamente.

Petistas acham que reação da Dilma a afastamento será imprevisível nos próximos meses


Alguns acreditam que a presidente afastada não terá gás para tentar reverter o cenário desfavorável

NONATO VIEGAS
13/05/2016 - 21h29 - Atualizado 13/05/2016 21h29
A presidente afastada Dilma Rousseff e o presidente interino Michel Temer (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
Petistas não têm certeza se a presidente afastada Dilma Rousseffestá disposta a lutar mesmo para se defender no processo de impeachment, que vai se desenrolar nos próximos meses. Dificilmente viajará seis meses freneticamente para condenar a ascensão de Michel Temer. Nem Lula sabe ao certo o que será de Dilma. Alguns acreditam que a presidente se contentará em preservar o que considera ser seu “legado”.
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Lula diz que “o PT não acabou”


A frase foi proferida para animar correligionários abatidos com afastamento de Dilma

NONATO VIEGAS
14/05/2016 - 15h00 - Atualizado 14/05/2016 15h00
Lula discursa em Brasília (Foto: Sérgio Lima / ÈPOCA)
Na quarta-feira, abatidos com a iminência de que a presidente Dilma Rousseff seria afastada (o que acabou acontecendo), parlamentares do PT estiveram no hotel predileto de Lula em Brasília para chorar as pitangas. Quando lá chegaram, encontraram um Lula resignado. Mas, para não desanimar a tropa, Lula disse: “O governo acabou. Mas o PT não acabou”. Alguns duvidaram.

Débora Diniz: “O novo governo se mostrou insuficiente para acolher e proteger as mulheres”


A antropóloga Débora Diniz afirma que a escalação de Michel Temer representa um retrocesso para as conquistas das brasileiras

THAIS LAZZERI
12/05/2016 - 20h25 - Atualizado 13/05/2016 18h14
Débora Diniz (Foto: Divulgação)
A agenda da antropóloga Débora Diniz está sempre atribulada, com palestras e projetos dentro e fora do Brasil. Além das aulas que ela ministra na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, ela conduz pesquisas na Anis (Instituto de Bioética) e produz documentários. Em comum, todas as atividades têm como foco os direitos das mulheres. Há mais de uma década, Débora se esforça para entender a área para além das estatísticas oficiais. Ela foi uma das protagonistas na conquista do direito do aborto em casos de bebês anencéfalos, em 2012. Em abril, Débora lançou um documentário sobre mães nordestinas cujos filhos nasceram com microcefalia. Nesta quinta-feira, a antropóloga abriu um espaço em sua agenda para comentar as nomeações do ministério do presidente em exercício, Michel Temer, o primeiro a não incluir mulheres na Esplanada desde o governo Ernesto Geisel (1974-1979). “Olhe para o novo governo: são homens, heterossexuais e brancos. O novo governo silencia a voz da mulher”, diz Débora.
ÉPOCA – Qual a avaliação da senhora sobre a escalação dos novos ministros, todos homens, no governo Temer?
Débora Diniz –
 Vivemos, hoje, três retrocessos. Primeiro, deixamos de ter uma representação na Presidência. Segundo, não temos mulheres no primeiro escalão do governo. A última ruptura é deixar de ter um ministério específico e nomeado para cuidar dos direitos femininos, com a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

ÉPOCA – O que essa mudança significa?
Débora – 
A desigualdade brasileira tem três grandes marcadores para exercícios da cidadania: a renda, o gênero e a cor. Olhe para os novos ministros. O que você vê? Homens, heterossexuais e brancos. O novo governo se mostrou insuficiente para acolher e proteger as mulheres. O novo governo silencia a voz da mulher. O presidente interino poderia colocar uma mulher no poder, porque estamos vivendo momentos históricos de lutas femininas. O que o gesto dele significa?  Desconsideração. Ele não consegue olhar para o lado e reconhecer competências em mulheres, e as forças que o movem não são suficientes para provocar essa mudança. O que vimos, no processo do impeachment, é uma cena histórica do masculino no poder. Como as mulheres vão atuar na desigualdade? Há um retrocesso.

ÉPOCA – Essas forças a que a senhora se refere são os partidos da base de apoio de Temer?
Débora –
 Exato. Nenhum partido foi capaz, nas suas cotas, de dizer: nós precisamos ter mulheres. Nem nas pastas tradicionalmente ocupadas por mulheres, como o desenvolvimento social. A ruptura de uma secretaria é anterior a quem a ocupa. Explico. Primeiro, o governo teria que mostrar que a agenda das mulheres é importante. Como? Mantendo e nomeando a pasta. A existência garante agendamento. Depois, elegendo mulheres para o primeiro escalão. É como os negros. Você não tem um negro entre os novos ministros. Nós precisamos de identificação na política, e ela não aconteceu.

ÉPOCA – Mas ter mulheres no primeiro escalão não é garantia de mudanças, certo?
Débora – 
Correto. Não é porque ela é mulher que vai atuar numa perspectiva igualitária. São dois momentos. A inclusão de uma mulher no regime de poder representa rupturas de igualdade de gênero, altera registros públicos de reconhecimento. Nós tivemos uma ministra da Casa Civil, uma ministra da Economia. É a representação simbólica de como o poder pode ser ocupado. Mas essa não é uma incompetência atual. Nos últimos anos, não fomos capazes de falar sobre aborto, violência contra as mulheres, questões raciais, a igualdade no ambiente de trabalho e etc.
>> Grávida vítima de zika deve ter direito ao aborto? Por Debora Diniz

ÉPOCA – Quais são as perspectivas?
Débora – 
O que me preocupa é que a participação das mulheres – assim como de outros grupos – é um chamado das ruas. Então, a gente pode entender que as ruas não são ouvidas pelo novo governo. Que essas vozes não agregam valor. Também vejo desconsideração com os movimentos sociais. Não se escutou o que é importante para o povo. Nem os ajustes profissionais – dentro de ministérios subalternos – foram feitos. O cenário é perverso com as mulheres. As cotas (de mulheres em cargos políticos no Legislativo) não foram suficientes, e agora os ministérios foram silenciados. A escuta torna-se muito mais difícil. Podemos entender também a nova bancada de ministros como uma negação total do poder anterior, de uma mulher. Não se trata, apenas, de um descuido de competência. É um descuido misógino. É o primeiro sinal de alerta.

Barusco viaja aos EUA para negociar delação premiada com departamento de Justiça


Delator da Lava Jato, que também tem consulta médica, não foi dispensado de usar tornozeleira

MURILO RAMOS
13/05/2016 - 20h11 - Atualizado 13/05/2016 20h20
Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, em depoimento à CPI que investiga esquema de corrupção na estatal (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)
Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras e delator na operação Lava Jato, foi autorizado a viajar pela Justiça Federal aos Estados Unidos, entre 4 e 15 de maio.
Segundo despacho da juíza substituta Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, Barusco tem entrevista marcada com procuradores do departamento de Justiça dos EUA, "para celebrar acordo de colaboração premiada naquele país".
Outra razão apontada para a autorização é  uma consulta médica do ex-gerente da Petrobras com uma endocrinologista no Hospital da Universidade de Columbia, em Nova York.
Carolina Lebbos, no entanto, não dispensou Barusco de usar tornozeleira eletrônica, um pedido da defesa. "Havendo possibilidade ténica de ser mantido o monitoramento em outro país, como no caso, em que isso é possível, razão não sobeja para a remoção do equipamento".

Serra enquadra geral


jose serra by ag senado
Do Diário do Poder
José Serra deu ontem, em seu primeiro dia como chanceler do governo Temer, a sinalização de novos tempos na diplomacia brasileira. Em duas notas, respondeu a ataques de Venezuela, Equador e outros países bolivarianos ao Brasil e dirigiu uma crítica direta ao secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper.
Na primeira nota oficial, o ministro diz que o MRE “rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Comércio dos Povos (ALBA/TCP), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil”. Esse processo, diz ele, “se desenvolve em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal.”
Na segunda nota, o ministro “repudia declarações do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, sobre a conjuntura política no Brasil”. Samper classificou recentemente de “golpe” o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e defendeu seu governo. Tais declarações, segundo a nova diplomacia brasileira, “qualificam de maneira equivocada o funcionamento das instituições democráticas do Estado brasileiro”.
O texto acrescenta que, “além de errôneos”, os termos de Samper “deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras”. Classifica de “interpretação absurda” o que o secretário-geral da Unasul afirma sobre o País. “A realidade é oposta”.
O ministro conclui afirmando que essas interpretações “são incompatíveis com as funções que (Samper) exerce e com o mandato que recebeu do conjunto de países sul-americanos nos termos do Tratado Constitutivo e do Regulamento Geral da Unasul”.

Gleisi: bateria pifada


Quem esteve na reunião de líderes do Senado com o presidente do STF e do processo de impeachment, Ricardo Lewandowski, estranhou o comportamento manso das senadoras agora oposicionistas Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Graziotin (PC do B-AM).
Combativas e cheias de energia vocal durante os debates do impeachment no plenário, as duas mal falaram na reunião e pareciam já conformadas com o destino de Dilma Rousseff, que não deve voltar ao governo após seu afastamento.

Mais Médicos terá menos estrangeiros e ministro diz que “não há dinheiro para tudo”



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A participação de estrangeiros no Mais Médicos será reduzida depois das eleições municipais. A ideia do Ministério da Saúde é renegociar, no próximo ano, o contrato feito com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), para o recrutamento dos profissionais. Hoje, 73% dos que atuam são estrangeiros. A maioria é de cubanos.
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Ministro Ricardo Barras. Foto: Agência Brasil
A mudança não será de uma só vez. O ministro Ricardo Barros, ao assumir, afirmou apenas que iria incentivar a participação de brasileiros. A ideia de anular o contrato, recentemente prorrogado pela presidente afastada, Dilma Rousseff, foi descartada, a princípio. Ele preferiu adotar uma regra de transição. Com isso, agrada ao mesmo tempo associações médicas, críticas do projeto, e prefeitos – favoráveis.
A intenção é fazer um ajuste programado, até que o número de profissionais trazidos pela Opas se reduza de forma expressiva. Só ficariam aqueles que têm vagas consideradas de difícil preenchimento, como as dos distritos sanitários indígenas e das cidades afastadas.
Lançado há três anos em uma resposta às manifestações de rua que reivindicavam melhorias nos serviços de saúde, o Mais Médicos somente foi adiante em virtude da contratação de estrangeiros. Para driblar a resistência de médicos brasileiros, o governo permitiu que formados em outros países atuassem no Brasil sem a necessidade da validação do diploma.
Essa era a maior crítica de entidades de classe, que chegaram até mesmo a romper com o Ministério da Saúde. Para associações médicas, o ideal seria criar, em vez do Mais Médicos, uma carreira federal para a área, a exemplo da magistratura.
A lei que criou o Mais Médicos previu um prazo de três anos para que estrangeiros trabalhassem no programa sem validação do diploma. Há duas semanas, no último ato da presidente Dilma Rousseff na área de saúde, o prazo foi prorrogado. Com isso, 7 mil profissionais, que teriam de voltar agora para seus países de origem, podem permanecer no Brasil.
A medida, de acordo com a presidente afastada, Dilma Rousseff, foi feita para atender a pedidos de prefeitos. O medo maior era de que, às vésperas das eleições municipais, serviços de saúde tivessem uma redução abrupta no atendimento.
Gastos – Barros ainda criticou a forma como recursos de saúde são usados. Já avisando que “não há dinheiro para tudo” nem perspectiva de reforço no orçamento, ele disse ser necessário gerir melhor a verba. De olho na indústria farmacêutica, porém, afirmou que vai também adotar medidas para tornar mais rápido o registro de medicamentos, com o aproveitamento, por exemplo, de pesquisas em outros países.