No dia do afilhado, adolescente visita madrinha e, horas depois, é morto a tiros por motoqueiro


Por Marina Sequinel e Djalma Malaquias
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(Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

Dia do Afilhado, celebrado neste sábado (21), será de tristeza para uma família de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Um adolescente de 16 anos foi visitar a madrinha e, pouco tempo depois de sair do local, levou cinco tiros de um motoqueiro na Estrada do Agaraú, na zona rural da cidade.
Segundo testemunhas, a vítima também estava de motocicleta no momento do crime. “Eu só escutei os disparos e, com medo, esperei para sair de casa. Quando chegamos na rua, vimos a moto caída em um poste e o rapaz no chão, agonizando. Nós chamamos socorro, mas não deu tempo, ele morreu em 15 minutos. O atirador fugiu do local em uma moto”, disse uma moradora da região em entrevista à Banda B.
A madrinha do adolescente, identificado como Wesley César da Silva, conhecido como “Vermelhinho”, contou à reportagem que viu o menino momentos antes do homicídio. “Eu ainda dei um abraço bem forte nele, já que hoje é dia do afilhado. Ele me disse tchau e falou que logo voltava”, contou.
De acordo com ela, o adolescente estaria envolvido no tráfico de drogas. “O Wesley estava mexendo com coisa errada. Eu sou madrinha de igreja dele e sempre dizia para o meu afilhado largar tudo isso, e ele respondia que era o que ia fazer. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu”, finalizou.
O corpo do adolescente deve ser recolhido ao Instituto Médico Legal de Curitiba e a delegacia da cidade investiga o caso.


Irmão diz que atirador era fã de Ana Hickmann: 'Ele não andava armado'


Nas redes sociais Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a apresentadora e chegou a escrever: 'Não tem um pingo de carinho'

Lucinei AcostaDo EGO, no Rio
Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Facebook / Reprodução)Rodrigo Augusto
(Foto: Facebook / Reprodução)
Rodrigo Augusto de Pádua, homem que tentou atirar em Ana Hickmann, era fã da apresentadora. O irmão do atirador deu entrevista ao logo após reconhecer o corpo de Rodrigo na porta do hotel Ceaser Business, em Belo Horizonte neste sábado, 21. "Ele ja vive dentro de casa há muito tempo. Nós descobrimos que ele era fã dela há pouco tempo pelas redes sociais. Ele era muito tranquilo, muito amoroso e carinhoso com a minha mãe", disse ele.
Ainda em choque, ele contou ao "Brasil Urgente", da Band, mais informações sobre a vida do irmão, de 30 anos. "Ele nunca andou armado, só malhava. Nós somos de Juiz de Fora, ele vendeu um monte de coisas e disse que iria para Belo Horizonte conhecer a cidade".
Nas redes sociais, Rodrigo tinha perfil dedicado a Ana Hickmann onde escrevia declarções de amor e falava sobre não ser correspondido por ela. "Que cabeça você acha que eu tenho para ficar aqui fazendo um monte de declarações de amor se vc só me ferra e não tem um pingo de carinho e consideração por mim?", escreveu ele.
Além disso, Rodrigo chegou a publicar fotos do pênis com declarações para Ana e disse: "Ana Hickmann, meu amor, eu estou muito triste porque você gostar de me ver assim e ainda brinca com isso? Eu quero seu carinho, seu amor, não quero ser magoado! Eu te dou tanto amor, sou tão bom pra você e os meus dias estão desse jeito. Eu não estou dormindo direito, meus dias estão uma merda e a minha saúde indo pra casa do. Obrigado mesmo".
Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)Foto publicada por Rodrigo Augusto em perfil
dedicado a Ana Hickmann
(Foto: Instagram / Reprodução)
Entenda o caso
O capitão Santiago, da Polícia Militar, contou em entrevista ao "Brasil Urgente", da Band, sobre o ocorrido. Rodrigo estava hospedado no hotel no quarto 1305. Em determinado momento, ele desceu para o andar onde a Ana estava com sua assessora de imprensa. Ele aguardou no hall e quando o Gustavo Corrêa, cunhado de Ana, desceu do elevador, foi abordado por Rodrigo com um revólver e forçou a entrada no quarto.
Dentro do quarto ficaram Ana Hickmann, Gustavo e sua mulher, Giovana Oliveira, além de Rodrigo que pediu para os três ficarem de costas. Gustavo não aceitou e eles argumentaram, Rodrigo falava frases desconectadas e na discussão fez disparos que atingiram Giovana no abdômen e no braço. Elas saíram do quarto e Gustavo entrou em luta corporal com o indivíduo. Durante a luta, acontecem os disparos que atingiram o infrator e acabou caindo no chão. O cunhado de Ana pegou a arma, entregou na recepção do hotel dizendo que havia um homem morto e chamou a polícia.
Assessoria diz: 'Ana está bem
Ao EGO, Fabiana, assessora da apresentadora, afirmou que Ana está bem. “O que posso te dizer é que a Ana está bem. O resto não posso falar. Provavelmente vamos soltar um comunicado”, informou.
EGO NAS REDES SOCIAIS


Fabiana contou que ela não foi ferida e Alexandre Correa, marido de Ana, não estava envolvido no caso. “Eu não estou no hospital. E o Alexandre está em São Paulo. Está indo para lá agora. Então isso é mentira”, afirmou. A assessora ainda informou que o evento do qual ela participaria nesta tarde será remarcado. “Ela não tem condições psicológicas. Passou por um susto”, declarou.
Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)
Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)
Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Instagram / Reprodução)
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Perfil de Rodrigo Augusto (Foto: Facebook / Reprodução)Rodrigo Augusto morreu durante briga com cunhado de Ana (Foto: Facebook / Reprodução)
Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)
Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)
Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)
Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)Rodrigo Augusto de Pádua tinha perfil dedicado a Ana Hickmann (Foto: Instagram / Reprodução)

Fã é morto após ameaçar Ana Hickmann em hotel de Belo Horizonte


Segundo a PM, o homem armado se envolveu em briga com o cunhado.
Mulher do cunhado, que é assessora de Ana, foi baleada.

Do G1 MG
Fã de Ana Hickmann invade, armado, hotel onde estava a apresentadora e acaba morto em briga, em Belo Horizonte (Foto: Reprodução/Instagram)Fã Rodrigo Augusto, morto em Belo Horizonte, usava perfil no Instagram para declarar amor à apresentadora Ana Hickmann (Foto: Reprodução/Instagram)
Um homem foi morto após ameaçar a apresentadora de televisão Ana Hickmann na tarde deste sábado (21), no hotel em que ela estava hospedada na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O cunhado da apresentadora, Gustavo Correa, irmão do marido Alexandre Correa, é suspeito de matar a tiros o suposto fã durante uma briga. A mulher do cunhado, que também é assessora, foi baleada. O fã estava armado.
As primeiras informações da ocorrência davam conta de uma possível briga de casal, com uma mulher ferida e um homem morto por outro homem. No primeiro momento, as relações entre eles não foram esclarecidas pela polícia. Depois, a polícia disse que o fã teria invadido o hotel, mas durante entrevista coletiva, por volta das 18h40, a PM confirmou que ele estava hospedado.
Ana Hickmann festeja título da Vai-Vai na quadra da escola (Foto: Raul Zito/G1)Ana Hickmann, no carnaval de 2011
(Foto: Raul Zito/G1)
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o homem armado entrou no hotel e abordou Gustavo Correa. O suposto fã o obrigou a levá-lo até o quarto da apresentadora. Dentro do quarto ficaram Ana Hickmann, Gustavo e sua mulher, que é assessora para moda, Giovana Oliveira, além do homem.
Neste momento, ele os obrigou a ficarem de costas. Gustavo, segundo a PM, resistiu. O fã, então, disparou a arma, atingido dois tiros em Giovana, um no ombro e outro na barriga. Com os disparos, Gustavo entrou em luta com o atirador e o conseguiu desarmar. Ainda segundo a PM, o cunhado teria atirado na sequência.
Giovana foi socorrida ao Hospital Biocor. A unidade de saúde disse que o quadro dela é estável. Por telefone, a assessora de imprensa de Ana Hickamnn disse que a apresentadora está bem. "A Ana está muito abalada, mas está bem", disse Fabiana. A assessora informou que uma nota será divulgada posteriormente.
O suspeito foi identificado como Rodrigo Augusto de Pádua. O irmão dele, Helisson de Pádua, chegou ao hotel no início da noite deste sábado e, muito emocionado, falou sobre o irmão. Segundo ele, foram descobertas mensagens de Rodrigo onde ele dizia que se correspondia por textos com a apresentadora. Helisson contou que, ultimamente, o irmão estava mais recolhido ao quarto.
No perfil que Rodrigo mantinha no Instagram, todos os post eram relacionados à apresentadora, a quem o fã dizia amar.
Por volta das 17h15, o hotel Caesar Business divulgou uma nota sobre o ocorrido. Segundo o hotel, a apresentadora seria a vítima do suposto fã. "A rede Caesar Business confirma que a apresentadora Ana Hickmann foi vítima de um suposto fã na tarde desse sábado, 21 de maio, na unidade Belvedere, em Belo Horizonte. A apresentadora passa bem. O hotel lamenta ter sido local do ocorrido e afirma que está contribuindo para as investigações junto ás autoridades", disse o comunidado.
G1 entrou em contato com a rede de televisão Record, onde Ana Hickmann trabalha, e aguarda retorno.

Teori inclui provas de relação entre Lula e Esteves em denúncia no STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, durante sessão em plenário - 17/02/2016
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, durante sessão em plenário - 17/02/2016(Carlos Humberto/SCO/STF/Divulgação)
O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), mandou incluir na denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva novas provas que demonstram a proximidade do petista com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Ambos são acusados de participar da trama para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró.
A ordem de Teori inclui na denúncia trechos da delação premiada do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), que também foi denunciado por envolvimento no mesmo caso. Delcídio afirmou, nos termos de colaboração, que Esteves é um dos principais mantenedores do Instituto Lula, responsável por organizar as palestras do ex-presidente.
De acordo com o ex-senador, a relação de Esteves com Lula se deve ao fato de o ex-presidente ter sido um dos principais apoiadores dos negócios do BTG, e que Lula era um "alavancador eficaz" de negócios para agentes econômicos no Brasil e no exterior. No pedido enviado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) a Teori, Rodrigo Janot aponta o "relacionamento estreito" entre o banqueiro e o Instituto Lula.

"Embora isoladamente não constitua crime, (a proximidade) indica que o contexto das doações a que (Delcídio) faz menção é extremamente relevante para algumas investigações em curso", afirma Janot.
Além de Lula, Delcídio e Esteves, também foram denunciados no mesmo procedimento o assessor do ex-senador, Diogo Ferreira, o ex-advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, o ruralista José Carlos Bumlai, e seu filho, Maurício Bumlai. Todos são acusados de tentativa de obstrução à Justiça ao tentar evitar que Cerveró fizesse delação premiada no âmbito da Lava Jato.
Na decisão, Teori também juntou o trecho da delação de Delcídio sobre Lula e Esteves no inquérito da Lava Jato que investiga parlamentares e operadores do esquema de corrupção por formação de quadrilha. Há um pedido pendente para que o ex-presidente também seja incluído neste inquérito.
As informações do ex-senador sobre o caso também foram atreladas às investigações no Supremo e na 13ª Vara Federal de Curitiba, conduzida pelo juiz Sergio Moro, sobre o embandeiramento dos postos BR. O caso envolve, além de Esteves, o empresário Carlos Santiago, investigados na primeira instância, e o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL), que tem foro privilegiado.
(Com Estadão Conteúdo)

Temer, o presidente que veio do campo



Quem olha para a imagem elegante do homem de 1,70 metro de altura e 75 anos que acabou de assumir a Presidência da República não imagina que ele veio da roça. Na infância, bem mirradinho, Michel Miguel Elias Temer Lulia mantinha uma vida simples. Acordava com as galinhas, tomava café às pressas e percorria a pé os dois quilômetros que separam a chácara em que morava da escola pública Plínio Rodrigues de Moraes, onde cursou em meados da década de 1940 o equivalente ao ensino fundamental, na zona rural do município de Tietê, interior de São Paulo. A estrada era de chão batido e empoeirada. No trajeto, atravessava o cafezal que dava sustento à família de dez pessoas. No meio do caminho, encontrava-se com o amigo James Milanelo. Seguiam na maior galhofa. Só não havia algazarra quando tinham de enfrentar a temida professora de Matemática, Ossin José, mais conhecida na região como dona Linda. O nome doce não combinava em nada com a postura poderosa da mestra, que não tolerava conversa fiada em sala de aula. Ensinava sob o mais absoluto silêncio. Se alguém desse um pio, ela encarava o infrator com um olhar fulminante e perguntava em tom enfático: "Posso continuar?". "Ai de quem ousasse a responder", lembra Milanelo, hoje com 75 anos.
Passadas sessenta primaveras desde que saiu de Tietê, Michel Temer não esqueceu a professora, nem o amigo de infância. Muito menos a chácara que servia de cenário para a vida bucólica do passado. Todas as vezes que vai à cidade natal, mesmo depois de exercer a vice-presidência e andar cercado de seguranças, Temer corre para dar um abraço no velho amigo e trocar algumas horas de prosa. "Sempre falo para ele: 'Michel, você está velho e rico; casado com uma mulher linda e é pai de um garotinho. Larga esse negócio de ser presidente e vai curtir o resto da sua vida'. Ele ri e não me obedece", conta Milanelo, às gargalhadas. A professora chega a se emocionar quando fala do ex-aluno ilustre. Pelas suas lembranças, Temer era um aluno aplicado, apesar de ter certa dificuldade em fazer contas mais complexas. Sentava na primeira cadeira, bem perto do quadro de giz, lugar disputado por quem queria aprender. Quando Temer ocupou pela primeira vez o Palácio do Jaburu, em 2010, Linda enviou a ele uma carta escrita à mão, desejando boa sorte e pedindo que olhasse pelos professores aposentados. Hoje, ela não consegue esconder um fiapo de revolta por ter dado aula para uma criança que se tornou presidente da República e receber ao final do mês só 1 800 reais de aposentadoria. Doente, ela gasta 800 reais com uma acompanhante noturna e mais 600 com uma empregada. Sobram 400 reais para as demais despesas. "Agora ele assumiu o lugar da Dilma. Será que ele me consegue um aumento?", pergunta Linda, de 91 anos.
Filho de imigrantes libaneses que desembarcaram no Brasil em 1930 para beneficiar arroz e café, Temer é o caçula de oito irmãos. O terceiro, chamado Fued, já falecido, era doze anos mais velho e despertava nele um combinado de admiração e inveja branca. Formado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Fued já morava em São Paulo. Todas as vezes que visitava a família no interior, chegava em casa esbanjando refinamento. Era culto, usava ternos muito bem cortados, gravatas italianas e abotoaduras cintilantes, o que dava a ele um ar soberano sobre os irmãos. A elegância da roupa era potencializada por uma postura ereta, gestos contidos e fala suave, bem pausada, limpa do sotaque marcante do interior paulista, que carrega na pronúncia dos erres. Temer ficava tão encantado com toda aquela formalidade que fez de Fued o seu espelho. Aos 19 anos, já estava matriculado na mesma universidade que o irmão frequentou. Sem ter onde ficar na capital paulista, foi morar na casa do estudante, dividindo quarto com Homar Cais, hoje ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; Ralph Tórtima, que se tornaria um renomado criminalista. No mesmo cômodo, morava o advogado Luiz Chinaglia.
Certa vez, Cais, Temer e Tórtima resolveram pregar uma peça de gosto duvidoso no roommate. Chinaglia havia chegado ao quarto com uma arma de fogo carregada, que levaria para o pai no fim de semana seguinte, na cidade de Araçatuba. Cais pegou o revólver e atirou três vezes contra um livro de capa dura, dentro do banheiro. A atitude deixou Chinaglia nervoso, despertando risos nos colegas. Foi aí que o trio combinou a pegadinha. Eles trocaram a munição de verdade por balas de festim e esconderam uma pequena bexiga com líquido vermelho sob a roupa de Tórtima. Em seguida, simularam uma discussão por causa da música que tocava no volume máximo no rádio, incomodando quem queria estudar. Cais pegou a arma e se atracou com o amigo, representando uma luta corporal. No clímax da encenação, houve um disparo, ensopando a camisa de Tórtima com o sangue falso. Temer fingia estar apavorado, enquanto Chinaglia, assustado, saiu correndo pelos corredores da casa do estudante vestindo apenas uma cueca, anunciando o suposto assassinato. "Até hoje contamos essa história e damos muita risada", diz Tórtima.
Não eram só brincadeiras inconsequentes que levavam emoção à vida dos estudantes da Faculdade de Direito. Assim que pisou no pátio da instituição, em 1959, Temer descobriu que o local respirava política. Entre os estudantes, quem não pertencia ao Partido Acadêmico Renovador (PAR), com perfil mais de esquerda, estava no Partido Acadêmico Independente (PAI), com tendência de centro. Temer se filiou à segunda agremiação e concorreu à presidência do Centro Acadêmico, em 1962. Fazia campanha já defendendo independência na atuação dos advogados públicos e autonomia das universidades. A eleição ocorria em 11 de agosto, data de fundação da São Francisco - e que batiza o centro acadêmico. Temer se lançou com o lema "o destino do onze está em suas mãos". No final dos discursos, apontava o braço para frente para mostrar à plateia o M desenhando pelas linhas da palma da mão, que dizia ser de Michel. A criatividade não rendeu muitos votos e o seu adversário, Oscarlino Marçal, venceu o pleito.
No mesmo pátio em que de discutia política, também se falava de amor. Temer era considerado pelos amigos um galanteador nato. Como gostava de poesia e já incorporava aos poucos o traço cortês do irmão Fued, ele seduzia as meninas mais pela lábia do que pela beleza. Com essa estratégia, conquistou Maria Isabel, uma aluna bela e bastante popular na faculdade. Após alguns meses de namoro, noivou. Mas nem todos os amigos levaram muito a sério o status do casal, que vivia grudado. Tinham muita afinidade, mas ninguém acreditava que seria eterno. Quando ela se formou, foi morar nos Estados Unidos e Temer ficou solteiro novamente. Passou a investir mais na carreira para só depois pensar em casamento.
Com o diploma de advogado em mãos, Temer montou um escritório em sociedade com os amigos Celso Bandeira de Mello, Dalmo Dallari e Geraldo Nogueira, na década de 1960. Começou a ganhar dinheiro com causas genéricas - naquela época ainda não era comum os advogados atuarem em ramos específicos. Paralelamente, foi professor universitário, procurador-geral e depois secretário de Segurança de São Paulo. Filiou-se ao PMDB e se elegeu deputado federal por três mandatos, além de presidente do partido.
À medida que evoluía na vida pública, Temer assemelhava-se cada vez mais com o irmão Fued. Ele também conseguiu disfarçar o sotaque de caipira e passou a usar ternos clássicos feitos com exclusividade em uma alfaiataria de alta costura, em São Paulo. O traje completo custa entre 9 000 e 12 000 reais, mas o preço de algumas peças que ele encomenda cai pela metade porque Temer costuma levar os tecidos. Ele tem preferência por fios inglês e italiano, como o loro piana, nas cores azul marinho e cinza, que geralmente traz de viagens internacionais. "Justamente por ser de alto padrão, os seus ternos estão sempre bem passados, sem qualquer vinco, mesmo no final do expediente", diz o alfaiate Carlos Lopes.
Temer também é vaidoso com o cabelo, que está constantemente penteado para trás e fixado com gel moderador, o que passa a impressão que ele acabou de sair do banho a qualquer hora do dia. Ele corta as madeixas há 30 anos no salão do Jassa, em São Paulo, o mesmo cabeleireiro do cantor Ronnie Von e do apresentador Sílvio Santos. Para manter um certo ar jovial, faz reflexo masculino platinado no mesmo salão. No início do ano passado, Temer foi submetido a uma cirurgia para transplante de cabelos com o médico Milton Peruzzo, o mesmo que corrigiu as falhas capilares no tucano Aécio Neves. O peemedebista tirou fios das laterais e implantou na parte superior da cabeça. A pele é tratada pela dermatologista Ligia Kogos, que cobra 780 reais pela consulta. Segundo ela, o presidente tem uma pela muito boa e nunca fez aplicação de botox. "Ele náo é muito chegado a cremes e sai do meu consultório só com uma receita de vitamina C", entrega.
Sem nunca ter feito aulas de etiqueta, Temer virou referência em boas maneiras. Quando se senta, costuma cruzar as pernas e repousar as mãos sobrepostas ao joelho. A voz, que já era mansa, ficou aveludada. A postura excessivamente formal fez os marqueteiros classificarem o político de "esfinge acadêmica". "Como figura pública, ele parece opaco de tão fechado e sombrio", diz um ex-assessor. Temer já tinha algumas camadas de verniz, em 1964, quando foi trabalhar como oficial de gabinete de José Carlos de Ataliba Nogueira (PSD), que comandava a Secretaria de Educação do estado de São Paulo. Lá, conheceu a primeira mulher, Maria Célia, com quem teve as filhas Luciana, de 46 anos; Maristela, 43; e Clarissa, 41. Em seguida, casou-se com Neuza e não teve filhos. Namorou ainda a jornalista Erica Ferraz, em Brasília, na época que era deputado federal, e teve Eduardo, de 17 anos. Atualmente, está casado com Marcela, 42 anos mais jovem que ele, com quem teve Michelzinho, de 7 anos.
A projeção na vida pública cristalizou a sua maior característica: a de autoridade cerimoniosa, cada vez mais desprovida de calor humano. Quando divulgava o seu livro de poesias, Anônima Intimidade, em 2012, Temer fez uma revelação curiosa. Disse que resolveu publicar os escritos tão íntimos depois que o amigo Gaudêncio Torquato o convenceu de que era uma boa oportunidade para mostrar à população que ele não era uma criatura metálica, sem emoções. A publicação vendeu apenas 2 000 exemplares na primeira edição e a mácula de homem de lata continua até hoje. "Muita gente fala que Michel é um homem frio. Mas quem o conhece de perto sabe que, na verdade, ele permanece aquele garotinho excessivamente tímido que vivia lá no interior. É isso que fez dele um homem com excesso de reservas. Quando éramos criança e chegava visita lá em casa, ele corria para se esconder", revela o único irmão vivo, Adib Temer.
O mesmo manto que cobre a vida privada de Michel Temer se estende às filhas e ex-mulheres. A única que exerce função pública é Luciana Temer, secretária de Ação Social do petista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo. Ela reitera a imagem de homem formal que o pai mantém até mesmo dentro de casa. As filhas, que nunca viram Temer usando chinelo de dedo, eram repreendidas quando falavam qualquer tipo de palavrão ou expressões chulas dentro de casa, até mesmo as mais brandas, como "ai que saco!". Luciana afirma que o pai sempre foi um homem simples, generoso e muito apegado à família. Quando as filhas eram crianças, por exemplo, ele as levava em um corcel laranja de São Paulo para Tietê, para a mesma chácara onde passou a infância. No trajeto de quase duas horas, recitava poemas, como O Navio Negreiro, de Castro Alves. De tanto ouvir repetidamente o clássico da literatura, as meninas chegavam a decorar o poema inteiro. Luciana diz que o pai é tão simples que ele chega a pedir comida pelo telefone no fim de semana, quando está em sua mansão em São Paulo e ir pessoalmente ao portão atender o motoboy, mesmo tendo seguranças ao seu dispor 24 horas por dia.
Vem de Gilda Sanchez, secretária de Temer há 51 anos, exemplos de como o novo presidente da República é protocolar. Mesmo trabalhando há tanto tempo com ele, nunca ousou entrar em sua sala sem primeiro ligar pedindo permissão, sem bater na porta duas vezes suavemente antes de abri-la e ainda pedir a tradicional licença quando já estiver chegando próximo à sua mesa. O excesso de educação é retribuído. Temer agradece tudo o que se faz e repete a expressão "por favor" como se fosse um mantra. Mas às vezes, dá provas de que tem sangue correndo nas veias. Certa vez, Gilda entregou a ele um ofício datilografado, ele reagiu com rigor. Mas, sem levantar a voz, perguntou: "Quem foi o burro que fez isso?". Gilda respondeu cabisbaixa que foi ela. Envergonhado por constranger a funcionária, ele se desculpou e pediu que refizesse o documento deixando uma margem branca de quatro dedos para cima para que pudesse receber carimbos e três dedos na esquerda, para que o papel pudesse ser furado e arquivado numa pasta classificadora.
Os amigos dizem que três coisas o deixam bastante irritado: incompetência, deselegância e traição. No final do ano passado, quando o governo de Dilma Rousseff acumulava uma sucessão de derrotas na Câmara dos Deputados, Temer estava jantando com amigos em sua casa, em São Paulo. No meio da refeição, o seu telefone tocou. Era Dilma aos berros dizendo que ele não conseguia nem conter o PMDB, que não vinha votando a favor do governo. Os gritos tinham tantos decibéis que todo mundo ouviu. Temer ouviu calado até Dilma bater o telefone na sua cara. Minutos depois, ela ligou de volta pedindo desculpas. Ele não disse que aceitava, nem que não aceitava. Falou apenas a seguinte frase: "Estou acostumado a tratar com vários presidentes da República e nenhum deles nunca falou assim comigo. Não vou mais aceitar esse tipo de descortesia". Desligou e continuou o jantar, que deu origem à famosa carta que Temer enviou à Dilma reclamando que ela o mantinha no governo como um adorno. Com a queda da mandatária, o vice decorativo virou a peça principal da República.

Temer decide recriar o Ministério da Cultura; posse deve ser na terça-feira


André Carvalho
Do UOL, em São Paulo

  • Agência Brasil
    Na gestão Temer, Cultura tem um secretário, Marcelo Calero (à. dir.), que responde ao ministro Mendonça Filho (esq.)
    Na gestão Temer, Cultura tem um secretário, Marcelo Calero (à. dir.), que responde ao ministro Mendonça Filho (esq.)
Em mais uma reviravolta, o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) decidiu recriar o Ministério da Cultura (MinC), que havia sido incorporado pelo Ministério da Educação (MEC). A informação foi confirmada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), neste sábado (21), por meio de sua conta no Twitter. 
Marcelo Calero, nomeado secretário nacional de Cultura na quarta-feira (18), será o novo ministro da pasta. A recriação do MinC será feita por meio de uma medida provisória, a ser editada na segunda-feira (23). A posse de Calero deve ocorrer na terça-feira (24). 
"A decisão de recriar o MinC é um gesto do presidente Temer no sentido de serenar os ânimos e focar no objetivo maior: a cultura brasileira", afirmou Mendonça Filho, pelo Twitter. "Com Marcelo Calero vamos trabalhar em parceria para potencializar os projetos e ações entre os ministérios da Educação e da Cultura", completou, também pela rede social.

Cinco mulheres negaram convite

Calero, ex-secretário de Cultura da cidade do Rio de Janeiro, havia assumido a Secretaria Nacional de Cultura nesta semana, após a negativa de cinco mulheres: a antropóloga Cláudia Leitão, a consultora de projetos culturais Eliane Costa, a atriz Bruna Lombardi, a cantora Daniela Mercury e a jornalista e apresentadora Marília Gabriela.
O governo interino tentou emplacar uma mulher no cargo, tentando minimizar críticas ao fato de todos os novos ministros nomeados por Temer serem homens. 

Protestos da classe artística

A extinção do MinC e sua fusão com o Ministério da Educação gerou uma série de protestos da classe artística na última semana: ao menos 18 capitais registraram ocupações em prédios públicos ligados ao Ministério da Cultura.
Na sexta-feira (20), no Rio, um ato cultural no pilotis do Palácio Gustavo Capanema, que já sediou o ministério e hoje abriga a Funarte, reuniu os músicos Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Seu Jorge e Marcelo Jeneci. "O MinC é nosso. É uma conquista do Estado brasileiro. Não é de nenhum governo", disse Caetano Veloso, ao abrir sua apresentação.
Havia a expectativa, também, que a Virada Cultural, que acontece neste fim de semana em São Paulo, também pudesse aumentar a pressão pela recriação da pasta. 
Além da movimentação de artistas e entidades culturais, o anúncio do fim do Ministério da Cultura também gerou críticas negativas entre parlamentares. Na terça-feira (17), a Comissão de Educação do Senado aprovou a convocação de Mendonça Filho para que ele explicasse a extinção do MinC, mas a audiência pública não chegou a ocorrer.
Um dia depois, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se comprometeu a recriar a pasta por meio de uma emenda parlamentar no Congresso. "Reconheço a importância do Ministério da Cultura. Seu custo para o Orçamento é muito pequeno. Se não tivermos o Ministério, isso vai quebrar o Brasil, por tudo o que ele representa", declarou na ocasião.

Artistas comemoram volta do MinC

O anúncio da volta do Ministério da Cultura foi comemorado por artistas. O ator José de Abreu e a cantora Daniela Mercury classificaram o retorno da pasta como uma "vitória".

Picciani demite Gomyde


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Apadrinhando pelos senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), o ex-deputado Ricardo Gomyde (PCdoB-PR) foi exonerado pelo ministro Leonardo Picciani (Esporte) da Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor. No lugar de Gomyde, Picciani indicou Gustavo Perrella, 33, filho do senador Zezé Perrella (PTB). Gomyde não ficou nem um mês no cargo e tentou segurá-lo, no governo Temer, com a benção de Requião que a condicionou ao apoio do comunista à candidatura do seu filho, o deputado Requião Filho, à prefeitura de Curitiba. Não deu certo.

A indignação de Cardozo



José Eduardo Cardozo está indignado com a reação de Fábio Medina Osório, o novo AGU, ao querer processá-lo por chamar impeachment de golpe.
Disse que vai recorrer ao Conselho de Ética da Presidência, o mesmo que lhe garantiu a quarentena remunerada.