Jovem recém-casado é assassinado a tiros após ser perseguido por carro preto


Por Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento
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Zuber foi perseguido e morto por atirador em carro preto (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

Um jovem de 21 anos foi morto com vários tiros por volta das 16h deste domingo (29) em Campo Largo, na região Metropolitana de Curitiba. Brenno Zuber estava em uma Saveiro branca, com um adolescente de 16 anos no banco do passageiro, quando ocupantes de um carro preto passaram a persegui-los. Baleado na cabeça, Zuber perdeu o controle do carro e morreu na Rua Desembargador Clotário Portugal, no Centro da cidade. O adolescente se abaixou e não foi atingido.
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Zuber tinha mais de mil amigos no Facebook (Foto: Reprodução)
Segundo o pai de Zuber, o filho estava casado há cinco meses e era trabalhador, sem passagens pela polícia. “Nós temos uma loja de lonas e ontem mesmo ele trabalhou em Curitiba. Não dá para saber o que motivou isso, porque meu filho nunca foi preso. Eu não faço a menor ideia”, lamentou o pai em entrevista à Banda B.
O investigador Rodrigo Podegurski, da Delegacia de Campo Largo, falou sobre o que foi apurado. “Essa discussão começou a dez quadras do local de morte. Segundo testemunhas, o ocupante de um carro preto começou a atirar no lado do motorista da Saveiro. Estamos levantando as informações e ainda não se tem nenhuma linha de investigação”, ponderou.
Zuber era popular na rede social Facebook, com mais de dois mil amigos. Ele não tinha filhos. O corpo foi recolhido ao Instituto Médico Legal de Curitiba (IML).

Bandidos fazem ‘micro-ondas’ e queimam jovem até a morte na CIC


Por Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento


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Caso será investigado pela DHPP (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)
Moradores na Colônia Riviera, na Cidade Industrial de Curitiba, tomaram um susto ao sair de casa na manhã deste domingo (29). Eles encontraram o corpo de um homem queimado dentro de vários pneus empilhados. A Polícia Militar (PM) foi chamada e constatou a morte.
Segundo a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o homem foi vítima de um micro-ondas, forma usada por bandidos para matar e torturar rivais. Nessa modalidade, o inimigo é amarrado e empilhado por pneus, que são queimados com a vítima dentro.
Pelo estado de carbonização, a identificação não foi possível de ser realizada. O corpo foi recolhido ao Instituto Médico Legal de Curitiba (IML).

Corpo de mulher seminua é encontrado boiando em rio na Grande Curitiba; suspeita é de morte por agressão


Por Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento


O corpo de uma mulher, que aparenta ter 25 anos, foi encontrado no início da tarde deste domingo (29) dentro do Rio Atuba, embaixo da ponte que faz o limite entre Curitiba e Colombo. A jovem foi morta a pedradas e jogada no rio, possivelmente no início da madrugada.
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Corpo de jovem foi encontrado embaixo de ponte no limite entre Curitiba e Colombo (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)
O soldado Delgado, da Polícia Militar (PM), esteve no local e falou sobre o caso à Banda B. “Nós fomos chamados via 190 porque havia uma mulher morta dentro do rio. Entramos embaixo da ponte, no limite de Colombo e Curitiba, e encontramos a mulher, já sem vida. Ela estava seminua, apenas vestindo uma blusa e com um par de meias”, explicou.
Segundo o soldado, perto do local em que o corpo estava foram encontradas marcas de sangue em algumas pedras. “Tudo indica que ela foi morta a pedradas. Infelizmente, ainda não temos a identificação e nenhum familiar esteve no local até o momento”, descreveu.
Chegada da perícia
Ao chegar no local, o perito Silvestre Ornelas, do Instituto de Criminalística, confirmou a morte por agressão. “Ela sofreu lesões no rosto e foram retiradas as partes de baixo da vestimenta. Pela forma que o corpo foi localizado, acredito que o crime tenha acontecido durante a madrugada”, relatou.
Um possível abuso sexual antes da morte só poderá ser precisado por exames complementares. “O corpo está com muito barro e não dá para precisar se houve abuso ou uma luta de defesa por parte da vítima”, resumiu o perito.
A Polícia Civil inicia a investigação do caso. Sem identificação, o corpo foi levado ao Instituto Médico Legal de Curitiba (IML).

Após polêmica, delegado não é mais responsável por investigar estupro coletivo, diz TJ


Da Agência Brasil

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou, na madrugada deste domingo (29), o desdobramento do inquérito sobre oestupro coletivo da jovem de 16 anos ocorrido no Rio. Assim, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), cujo titular é Alessandro Thiers, ficará encarregada de investigar o vazamento das imagens do estupro nas redes sociais, enquanto que o caso envolvendo o estupro coletivo da menor vai para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV).
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Doutor Alessandro foi afastado do cargo (Foto: Divulgação EBC)
A advogada Eloisa Samy Santiago, que defende a menor de 16 anos que sofreu estupro coletivo há uma semana no Rio, comemorou nas redes sociais. “O delegado Alessandro Thiers, da DRCI, não é mais o encarregado pela investigação do estupro coletivo!, disse, em post no Facebook, sob o título “Vitória das Mulheres”.
O estupro coletivo ocorreu há cerca de uma semana, no morro São José Operário, em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade. Um vídeo mostrando o crime foi divulgado na última quarta-feira (25), na internet, por um dos 33 homens que participaram da violência. Eloisa Samy Santiago defende a menor junto com a advogada Caroline Bispo.
Ministério Público
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) já havia se manifestado favoravelmente ao desmembramento do inquérito. Na noite de ontem (28), os promotores do MP se reuniram com as advogadas da adolescente, que fizeram questionamentos em relação às investigações da Polícia Civil e a forma como o delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), vinha atuando no caso, segundo elas “de forma machista e misógina”.
Os promotores atenderam a três dos pedidos das advogadas, inclusive sobre a necessidade de desmembramento do caso, mas não se posicionaram contra o afastamento do delegado por entender que essa era uma atribuição da polícia civil.
Na nota, o MP disse que “Independente da decisão judicial”, o promotor de Justiça Bruno Lavorato iria expedir ofício pedindo que a investigação sobre o estupro seja conduzida “apenas pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV)” e que as investigações fossem desmembradas, “remetendo-se para a DCAV, Delegacia de Polícia especializada em crimes desta natureza, a investigação do delito de estupro, ficando a cargo da DRCI apenas o delito de divulgação do vídeo referido.
O Ministério Público também determinou que uma medida cautelar assecuratória, em favor da vítima, por analogia às medidas protetivas da Lei Maria da Penha, “tendo em vista o temor à sua integridade física, moral e intelectiva, certo que há notícias de que um dos possíveis autores, denominado de Rafael Belo, vem se aproximando da mesma, a fim de intimidá-la” e com isso dificultando o andar das investigações”.
O órgão também se mostrou favorável a que se averigue se o delegado da DRCI infringiu, durante o depoimento, o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Operação Policial
Paralelamente às investigações no âmbito da Polícia Civil a respeito do estupro da jovem, moradora da zona oeste da cidade, a Polícia Militar desencadeou na manhã de hoje uma grande operação na tentativa de localizar os suspeitos do estupro.
A operação cumpre determinação do Comando da Corporação e envolve cerca de 70 agentes das policiais Militares do Grupo de Ações Táticas de todas as unidades e envolve policiais de nove batalhões da Polícia Militar subordinados ao 2º Comando de Policiamento de Área, além de outras duas unidades da PM.
A operação foi desencadeada às 7h da manhã de hoje na comunidade na Comunidade do São José Operário e estão sendo utilizados 2 cães farejadores, um helicóptero, dois veículos blindados e pelo menos 14 viaturas.
Comandada pelo 9º BPM (rocha Miranda), a operação tem por objetivo, segundo nota da PM, “identificar os criminosos que praticaram o estupro coletivo contra uma menor de 16 anos, para dar maior sensação de segurança a população e na prevenção e repressão os crimes de roubo de veículos, roubo de cargas, roubo de rua e o tráfico de drogas”.
Segundo a nota da PM “não houve resistência, e as equipes estão fazendo uma varredura na comunidade “em busca de indivíduos suspeitos, armas e drogas. Até o momento a Polícia Civil não divulgou um balanço da operação.

Exclusivo: ex-presidente da EBC mora em hotel de luxo em Brasília



A coluna Radar publicou, na semana passada, que até mesmo apartamentos funcionais eram destinados a algumas das “estrelas” da EBC em Brasília.
O Antagonista descobriu que o petista Ricardo Melo, por exemplo, o ex-presidente, mora em um flat no quinto andar do Meliá, hotel de luxo da capital, a alguns passos da sede da empresa.
A ocupação do imóvel custa aos cofres públicos R$ 3,2 mil mensais. O contrato de locação vigora até 7 de outubro deste ano, conforme extrato publicado no Diário Oficial da União.
Mesmo exonerado, o petista continua morando no apartamento.

Delação não afasta risco de ex-presidente da Transpetro ser julgado por Moro


POR RICARDO BRANDT E FAUSTO MACEDO
29/05/2016, 04h00
   
Desmembramento de processos pode levar Sérgio Machado, o novo homem-bomba da Lava Jato que gravou conversas comprometedoras com membros da cúpula do PMDB, a enfrentar o juiz da Lava Jato e suas 158 prisões e 93 condenações
Ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, investigado pela Lava Jato
Ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, investigado pela Lava Jato
As gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com políticos do PMDB, feitas como parte do acordo de delação premiada fechado com a Procuradoria-Geral da República, não afastam a possibilidade dele ser julgado na 13ª Vara Federal, em Curitiba – origem e sede dos processos em primeiro grau da Operação Lava Jato. Novo homem-bomba do escândalo Petrobrás, seu medo é enfrentar o juiz federal Sérgio Moro – e suas 158 prisões e 93 condenações.
Até aqui, foram tornadas públicas conversas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP) e com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) – exonerado do cargo de ministro do Planejamento, um dia após a divulgação dos conteúdos. Neles, os peemedebistas mencionam a preocupação com a prisão de Machado, por Moro, e os avanços da Lava Jato, em Curitiba.
Com um rombo no caixa da Transpetro reconhecido em balanço de R$ 256,6 milhões por desvios em contratos de R$ 8 bilhões, um adiantamento de R$ 511 milhões para estaleiros de empreiteiras do cartel acusado de corrupção na Petrobrás e a confissão de três delatores sobre propinas nos negócios da subsidiária, Sérgio Machado segue investigado em um inquérito aberto em Curitiba.
É nessa apuração que Machado ainda pode virar réu de Moro pelos crimes praticados por ele de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Investigadores e advogados especialistas em delação, ouvidos em reservado, avaliaram que ao arrastar políticos da cúpula do PMDB com foro privilegiado para o centro do escândalo, a delação premiada de Machado pode ter afastado temporariamente o risco uma prisão preventiva decretada em Curitiba – tratada nas conversas como a “Torre de Londres”, referência ao castelo inglês que nos séculos XVI e XVII foi prisão e local de torturas. Mas não afasta a possibilidade de denuncia criminal contra ele por crimes na Transpetro – a não ser que o Supremo expressamente proíba esse desmembramento.
Em outros casos da Lava Jato, como o que envolve suposto recebimento de propina pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ministro Teori Zavaski – relator da Lava Jato no Supremo – mandou seguir com Moro os processos contra sua mulher, Cláudia Cruz, e contra outros delatores, como o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. Ficou apenas com a parte do caso, que envolve o recebimento e a lavagem dos alvos com foro.
Risco Curitiba. Machado expressou, nos diálogos, o medo de ser preso por Moro. “Ele (Rodrigo Janot, procurador-geral da República) acha que no Moro, o Moro vai me prender, e aí quebra a resistência e aí… Então, a gente precisa ver. Andei conversando com o presidente Sarney, como a gente encontra uma… porque se me jogar lá embaixo (Curitiba) eu to f…”, afirma Machado, em diálogo com Renan Calheiros – principal investigado no inquérito que resultou na delação de Machado, em trâmite no Supremo.

Com indícios de existência na Transpetro de um tentáculo do esquema de cartel e corrupção descoberto na Petrobrás, a força-tarefa do Ministério Público Federal e Polícia Federal, em Curitiba, considera ter elementos para imputar a Machado crimes. No esquema “sistêmico” de “propina tabelada”, como classificou o juiz da Lava Jato, políticos do PT, PMDB e PP, em conluio com empresários e agentes públicos, lotearam postos chaves nas estatais e suas subsidiárias para arrecadar de 1% a 3% nos contratos públicos – um desvios de mais de R$ 20 bilhões, emO temor de enfrentar o juiz da Lava Jato em Curitiba, citado nas escutas do delator, pode soar como chamariz para envolver os interlocutores em conversas comprometedoras. Mas os números de revisão de prisões e sentenças do juiz da Lava Jato mostram que o medo tem fundamento. Dos 372 habeas corpus e recursos em habeas corpus apresentados pelas defesas contra acusações, desde 2014, apenas 3,5% prosperaram no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, segundo balanço do início do mês feito pela Procuradoria da República.
dez anos.
Caixa do PMDB. Machado seria um braço do PMDB na Transpetro, sustentado no cargo por Renan Calheiros, que arrecadou valores para membros do partido e para benefício próprio. Ele ocupou a presidência da companhia desde o primeiro ano do governo do PT, com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, até ser afastado, no início de 2015, com Dilma Rousseff, por ter o nome citado no escândalo Petrobrás.
A apuração em Curitiba foi aberta após confissão do primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Ele citou ter recebido propina de R$ 500 mil de Machado, referente a contratos de afretamentos de navios. Desde então, outros dois delatores comprometeram o ex-presidente da Transpetro: o dono da UTC, Ricardo Pessoa, que diz ter pago R$ 1 milhão em um contrato, e o ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), que ligou o novo homem-bomba ao presidente do Senado e ao esquema de propinas.
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Em 2015, a força-tarefa da Lava Jato descobriu indícios de corrupção em outros contratos, em especial o de construção de navios, com recursos levantados no Promef (Programa de Modernização da Frota), lançado em 2004 pelo ex-presidente Lulas. Com investimento de R$ 11 bilhões – e a participação do BNDES –, o programa transformou a Transpetro numa subsidiária de peso da Petrobrás.
As suspeitas são que valores desviados desses contratos tenham abastecido políticos do PMDB. É desse pacote de contratações que foi aberto o inquérito da PGR que levou Machado a fechar acordo de delação premiada. Ele é suspeito de fraudar o processo de licitação para compra de 20 comboios com 80 barcaças no valor de US$ 239,1 milhões destinadas ao transporte de etanol pela hidrovia Tietê/Paraná, no interior de São Paulo.
O estaleiro contratado teria repassado propina em forma de doação legal para a campanha Renan Calheiro, em 2010. O procurador-geral da República sustentou ao Supremo que a “contratação do Estaleiro Rio Tietê possui elemento a confirmar que (a licitação) teria sido fraudulenta” e que recursos “relacionados a essa contratação foram carreados a favor de Renan Calheiros”. O grupo nega. Endereços do ex-presidente da Transpetro foram alvo de buscas – na Operação Catilinárias – em dezembro de 2015.
O maior volume de recursos de contratos de construção de embarcações da Transpetro, no entanto, está concentrado em um pacote de 46 navios, dos quais nove tinham sido entregues até o início do ano. A Lava Jato em Curitiba quer saber o destino de um adiantamento de 5% para os estaleiros, feitos entre 2007 e 2013 – que representa R$ 511 milhões. O principal beneficiado é o Estaleiro Atlântico Sul, formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão – já alvo de acusação em obras da Petrobrás. A empresa nega propinas.
Se comprovada a existência de corrupção nesses contratos, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba deve esperar pronunciamento de Teori e a divulgação do conteúdo do acordo de delação de Machado para prosseguir com as investigações e levar novas denúncias ao juiz Sérgio Moro.
Defesas. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Sérgio Machado não foi encontrado para comentar o caso.
A Transpetro informa que “não fez qualquer desses pagamentos indevidos” apontados na Lava Jato. Em balanço contábil, a companhia admitiu perda de R$ 256 milhões e informou “que está acompanhando e colaborando com as investigações”, além de ter aprofundados em 2015 as medidas de compliance para evitar mais prejuízos. “Não toleramos qualquer prática de corrupção e consideramos inadmissíveis práticas de atos ilegais envolvendo os nossos empregados.”

Áudios pela culatra



O principal objetivo de Sérgio Machado, ao divulgar os áudios com Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, era garantir foro privilegiado para si próprio na Lava Jato.
Uma reportagem do Estadão, contudo, mostra que ele pode ter o seu objetivo frustrado, se o STF não proibir o desmembramento do caso Transpetro, no qual Machado é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Falido em 2014, frigorífico muda de nome e contrata 650 pessoas para segundo turno


Estadão
 
No pequeno município de Capanema, no Paraná, um frigorífico acabou de contratar 650 pessoas para iniciar, na próxima quarta-feira, um segundo turno de trabalho. Se hoje a situação surpreende, por ocorrer no meio da crise, há dois anos ela era considerada impossível.
O frigorífico Dip Frangos, que vai ampliar o abate de aves em 70% e para isso precisou contratar, é a antiga Diplomata, do deputado federal Alfredo Kaefer (PSL/PR), que teve falência decretada em dezembro de 2014 por má gestão e fraudes. Apesar dos problemas financeiros, o juiz Pedro Ivo Lins Moreira, da 1ª Vara Cível de Cascavel, entendeu que a empresa era viável e nomeou um gestor judicial. O frigorífico mudou de nome e manteve suas atividades enquanto o processo corre na Justiça.
Passado mais de um ano da decisão, a empresa consegue gerar recursos para pagar funcionários e custos de manutenção. Os R$ 10 milhões investidos para a ampliação da produção são de recursos próprios. Dívidas com salários atrasados, agricultores, fornecedores, credores e tributos ainda não foram saldadas. Para a administradora da massa falida, a Capital Administradora, isso só será possível quando a empresa for vendida, após liberação da Justiça para a realização de leilões.
No ano passado, a Dip Frangos lucrou R$ 669 mil. Antes da falência, o grupo operava com prejuízos mensais na casa dos R$ 2 milhões. Segundo o administrador judicial Cesar Luiz Scherer, com a ampliação, o abate de frangos saltará de 70 mil para 120 mil aves ao dia, o que exige reforço na mão de obra.
O frigorífico é o principal motor da economia de Capanema, que tem cerca de 19 mil habitantes. De acordo com dados da prefeitura, a empresa é responsável por 60% da arrecadação de ICMS, que no ano passado totalizou R$ 13,9 milhões. O negócio gira cerca de R$ 3 milhões mensais na economia da cidade por conta dos salários dos trabalhadores e da renda de caminhoneiros, postos de combustíveis, mecânicas e outras atividades vinculadas ao frigorífico, que também tem atividades em Cascavel.
Incomum
O caso da Dip Frangos não é a regra quando o assunto é falência. Segundo Juliana Bumachar, sócia do Bumachar Advogados Associados, é, na verdade, uma exceção. “Não é comum a continuidade de uma empresa com falência decretada, principalmente pequenas e médias, que compõem a maioria das que fecham as portas”, diz.
Segundo dados da Serasa Experian, em 2014 houve 648 pedidos de falência de indústrias, número que praticamente se repetiu no ano seguinte, com 644 pedidos. “Prosseguir com as atividades permite que não se tenha um patrimônio estagnado, fadado à depreciação”, afirma Luis Cláudio Montoro, da Capital.
Além da Dip Frangos, também foram mantidos em funcionamento a rede de distribuição de combustíveis Diplomata Petróleo (antiga Dial), que fatura em média R$ 8 milhões por mês, e o jornal O Paraná, da RCK Comunicações, que ainda é deficitário. Ao todo, o grupo conta com cerca de mil empregados e obteve receita de R$ 42,4 milhões em janeiro (último dado disponível), a maior parte com a Dip Frangos.

Moro afirma que prisões não bastam para combater corrupção


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O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato, disse hoje (28) que a prisão de investigados não basta para combater a corrupção no país. De acordo com o juiz, também é necessário recuperar os valores desviados pelos criminosos, por meio de acordos de cooperação internacional ou de delação premiada. Moro participou nesta manhã de uma conferência sobre combate à corrupção em João Pessoa.
Moro destacou a importância dos acordos de cooperação internacional, principalmente com a Suíça, para repatriar ao Brasil recursos desviados da Petrobras para contas secretas no exterior. O juiz citou o caso de Pedro Barusco, ex-gerente da estatal e um dos delatores do esquema de corrupção, que tinha cerca de U$S 100 milhões depositados fora do país e devolveu a quantia após assinar um acordo de delação.
Segundo o magistrado, somente a pena de prisão não é suficiente para combater os desvios na Petrobras. “Hoje em dia, isso não é suficiente, também é necessário a recuperação do produto do crime. Não basta a punição, a sanção corporal, a pena privativa de liberdade. É necessário fazer com que o crime não compense financeiramente. Isso significa a necessidade de retirar do criminoso o produto de sua atividade.”
O juiz também ressaltou que a cooperação internacional nas investigações da Lava Jato é fundamental para a corroborar os depoimentos de delação premiada, que não podem ser usados unicamente como acusação no processo penal contra os investigados.
“Se os países não cooperam, simplesmente não se tem a prova do crime, e não se tem a possibilidade de recuperar esses ativos. É certo que parte do caminho do dinheiro foi descoberto através da colaboração de alguns desses indivíduos, que resolveram colaborar com a Justiça, mas, como se sabe, mesmo quando se tem essa colaboração, é sempre necessária ter a prova dessa colaboração, e essa prova às vezes é baseada nessa prova documental dos registros bancários”, explicou.
De acordo com levantamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram repatriados para o Brasil até o momento R$ 2,9 bilhões por meio de acordos de colaboração no âmbito da Lava Jato.