Ex-sócio de Cleto vai entregar Geddel




O empresário Alexandre Margotto, ex-sócio de Fábio Cleto e um dos alvos da Operação Sépsis, está negociando uma delação premiada.
Segundo o Estadão, ele prometeu detalhar o envolvimento de Geddel Vieira Lima no esquema de corrupção na Caixa. O atual ministro da Secretaria de Governo foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco, entre 2011 e 2013.
Margotto é acusado pela PGR de receber parte das propinas pagas por empresas a Cunha e Funaro, em troca da liberação de recursos do FI-FGTS.

GEDDEL FOI GRAVADO POR FUNARO



Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo, aparece em gravações feitas pelo sistema de segurança instalado por Lúcio Funaro no escritório de sua corretora, no Itaim Bibi, em São Paulo.
Como O Antagonista revelou dias atrás, Funaro contratou um especialista em segurança eletrônica para montar todo o aparato na sede da empresa.
Geddel, aliás, não foi o único. Funaro gravou todos os que frequentaram seu escritório. 

Delator denuncia capitalização do BNDES



O delator Fábio Cleto, ex-vice da Caixa, disse em sua delação que a capitalização do BNDES com R$ 17 bilhões do FI-FGTS foi uma operação política e desrespeitou o regulamento do fundo.
Diz O Globo: "O primeiro montante, R$ 7 bilhões, foi a condição para o banco público aceitar a criação do FI-FGTS em 2007. O segundo, R$ 10 bilhões, foi aprovado no ano passado sob pressão da então presidente da Caixa, Miriam Belchior."

ASSISTA AQUI A GRAVE CRISE QUE ENFRENTA A HEMODIÁLISE NO BRASIL - VÍDEOS






Confira clipping que reúne varias reportagens veiculadas na mídia de todo o país expondo a grave crise enfrentada pela Terapia Renal Substitutiva – TRS no Brasil.



ASSISTA AQUI A GRAVE CRISE QUE ENFRENTA A HEMODIÁLISE NO BRASIL

PRESIDENTE DA ABCDT PARTICIPA DE REUNIÃO COM O MINISTRO DA SAÚDE E PEDE REAJUSTE PARA A HEMODIÁLISE



Foto: Ministério da Saúde.
O presidente da ABCDT, Dr. Luis Carlos Pereira, participou de uma reunião em 07 de julho/2016 com o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, em Brasília. Também estava presentes o tesoureiro da ABCDT, Dr. Leonardo Gigliotti Barberes; o Dr. Olympio Correa Távora, assessor técnico da Confederação Nacional de Saúde – CNS; o senhor Gilson Nascimento, diretor geral da ABRASRENAL e o senhor Francisco de Assis Figueiredo, novo Secretário de Atenção à Saúde, do Ministério.
O Dr. Luis Carlos, fez uma breve apresentação da grave crise financeira que a Terapia Renal Substitutiva – TRS está enfrentando, devido à defasagem do valor pago pelo reembolso do valor da sessão de hemodiálise pelo SUS. E solicitou um reajuste imediato para evitar o declínio do setor. O presidente da ABCDT ainda declarou que é muito importante a revisão da portaria nº 389/14 para tentar solucionar parte da crise. Apesar de não sinalizar nada concreto, o ministro reconheceu que a TRS enfrenta sérios problemas.
Na oportunidade foi entregue ao secretário de Atenção à Saúde a planilha de custos elaborada pela ABCDT e SBN. Ele elogiou o trabalho realizado pelas entidades e ressaltou a importância da ABCDT participar ativamente das discussões sobre o reajuste da sessão de hemodiálise, por ser a entidade que representa as clínicas de diálise.
Também foi entregue ao ministro um clipping reunindo várias reportagens veiculadas na mídia retratando o colapso das clínicas.
A pedido do ministro, a ABCDT foi incluída no grupo de trabalho do Ministério da Saúde que deve rever as formas de pagamento da TRS.

Filha de brasileira está entre os mortos em Nice

A filha de uma brasileira, Kayla Assis Ribeiro, 6, está entre os 84 mortos do atentado em Nice, na França. Sua mãe, a carioca Elizabeth Cristina de Assis, 30, também foi atropelada e está hospitalizada desde o dia do ataque, nesta quinta-feira.
A família passava o feriado na cidade francesa quando o caminhão atingiu a multidão. O marido de Elizabeth, o suíço Silvan, conseguiu salvar as duas filhas mais novas do casal, Djulia, 4, e Kimea, de 7 meses.  Mas Kayla e a mãe já tinham sido atingidas.
Elizabeth e o marido moram na Suíça
Elizabeth e o marido moram na Suíça (Facebook/Reprodução)

Elizabeth chegou à Suíça com a mãe, em 1998 e tem dupla cidadania. A avó de Kayla publicou mensagens de luto e preocupação nas redes sociais. Antes de receber a confirmação da morte, na quinta à noite, ela postou “Ataque a Nice. Deus tá [sic] no controle. Sem notícias da família depois do ataque. Se alguém viu esta família por favor entre em contato”, pediu a avó, com fotos do casal e das filhas.

Em delação, Cleto diz que Eduardo Paes o pressionou para liberar empréstimo da Caixa


A EXPRESSO, Paes disse que pressionou mesmo e continua pressionando o banco

MURILO RAMOS
15/07/2016 - 21h30 - Atualizado 15/07/2016 23h32
Eduardo Paes prefeito do Rio de Janeiro (Foto:  DANIEL RAMALHO/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO)
Em sua delação premiada, o ex-dirigente da Caixa Fábio Cletoafirma ter sido pressionado pelo prefeito do Rio de Janeiro,Eduardo Paes, para agilizar uma liberação bilionária da Caixa para o projeto do Porto Maravilha. Paes confirmou a pressão. “Pressionei Cleto e várias pessoas na Caixa. Se nomeiam bandidos para as diversas posições, nada posso fazer senão lamentar.”

Na véspera das Olimpíadas, ANAC aumenta fiscalização em voos nacionais


Medidas passam a valer nesta segunda-feira (dia 18) e vão de verificação de bagagens até revista de passageiros

TALITA FERNANDES
16/07/2016 - 15h43 - Atualizado 16/07/2016 15h43
Aviões da Gol e da TAM são vistos na área de desembarque do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (Foto: Pilar Olivares/Reuters)
Às vésperas dos Jogos Olímpicos no Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) vai mudar as regras de inspeção de bagagempara voos nacionais a partir da próxima segunda-feira (18). Embora a agência negue que tenha endurecido os parâmetros de fiscalização por conta dos jogos, autoridades brasileiras estão atentas a alertas de possíveis atentados terroristas no país durante o evento esportivo. 
De acordo com as novas regras, passageiros que carregarem aparelhos eletrônicos como notebooks terão de retira-los da bagagem na hora de passar no Raio-X, de forma semelhante ao que é feio em voos internacionais. A justificativa para inspeção de notebooks é de que eles dificultam a fiscalização de bagagem de mão.
Outra medida adotada normalmente em voos internacionais, e que passa a valer para voos domésticos, é a revista aleatória de bagagens e de passageiros. A Anac, contudo, não informou os critérios que serão adotados para escolha de passageiros que serão submetidos a essa fiscalização adicional.
Com as regras a serem adotadas na próxima semana, as companhias aéreas temem um aumento nas filas de embarque e de maior lentidão no procedimento do Raio-X.

Grave acidente deixa pai e filha mortos em rodovia do Paraná; outros quatro ficaram feridos


Da Redação

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Foto: Sérgio Rodrigo/TnOnline
Um grave acidente envolvendo dois carros deixou pai e filha mortos na noite desta sexta-feira (15) em Arapongas, no norte do Paraná. De acordo com informações do portal TnOnline, outras quatro pessoas ficaram feridas na colisão frontal ocorrida na PR-444.
A colisão envolveu um Vectra e um Celta. Segundo informações de testemunhas, o Vectra, que seguia sentido Mandaguari teria invadido a pista contrária, bateu contra a lateral de um caminhão, rodou na pista e acabou atingindo o Celta, que seguia atrás do caminhão. Dois ocupantes do Celta – pai e filha – morreram no local.
Sebastião Machado, de 54 anos, e Ananeri Machado, de 32, morreram no local. Uma terceira vítima do carro foi socorrida em estado grave.
As outras três vítimas são as ocupantes do Vectra. Elas também continuam internadas em estado grave.

Kombi com família de feirantes perde roda e uma pessoa fica ferida no Alto da XV


Por Felipe Ribeiro e Ricardo Vieira
Foto: Ricardo Vieira - Banda B
Foto: Ricardo Vieira – Banda B

Uma pessoa ficou ferida no começo da tarde deste sábado (16) após uma Kombi bater contra um poste no cruzamento das ruas Almirante Tamandaré e Professor Brandão, no bairro Alto da XV, em Curitiba.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma família de feirantes havia acabado de deixar o ponto de trabalho quando a roda direita do veículo soltou. Sem controle da Kombi, acabaram batendo contra um poste.
Segundo o socorrista Issao, todos os familiares estavam de cinto, mas um deles preciso de atendimentos especiais. “Sempre reforçamos a importância do cinto de segurança. Aqui apenas uma pessoa teve ferimentos leves, mas os três poderiam ter batido a cabeça”, explicou.
A vítima socorrida foi encaminhada ao Hospital Cajuru.

Polícia detém cinco pessoas ligadas a autor de ataque em Nice


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A polícia francesa deteve cinco pessoas ligadas ao franco-tunísio Mohamed Lahouaiej Bouhlel, que matou 84 pessoas e deixou outras dezenas de feridos ao dirigir um caminhão em alta velocidade na última quinta-feira (14) em Nice, na França, durante a comemoração do Dia da Bastilha. Três foram detidos na manhã deste sábado para interrogatório, segundo fonte próxima à investigação. A esposa de Lahouaiej Bouhlel foi detida na noite de sexta-feira. O casal estava se divorciando.
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Foto: Agência Brasil
O objetivo das detenções é tentar entender como Lahouaiej Bouhlel preparaou o ataque, se contou com ajuda de cúmplices de alguma grande rede e se atuou sob instruções de alguma organização criminosa, como o Estado Islâmico.
Ainda que o grupo terrorista tenha reivindicado neste sábado a responsabilidade pelo atentado em Nice, investigadores ainda não encontraram ligação entre Lahouaiej Bouhlel e grupos terroristas Seu nome não aparece em nenhuma lista de supostos terroristas e chamou a atenção da polícia o fato de o ataque não ter sido reivindicado mais cedo pelo grupo Estado Islâmico, dado o grande número de mortos e o simbolismo de um ataque no Dia da Bastilha
“Não estamos trabalhando com um perfil ou modo de operar que remeta ao que já vimos antes”, afirmou Céline Berthon, secratária geral da União dos Comissários da Polícia Nacional da França (SCPN, na sigla em francês), em entrevista à rede de televisão BFMTV.
Os quatro detidos, além da esposa de Lahouaiej Bouhlel, foram identificados por serem pessoas a quem Bouhlel ligava com frequência, segundo uma fonte próxima à investigação. Em casos de terrorismo, a polícia pode deter pessoas por 96 horas sem haver acusação contra elas, com possibilidade de extender o período para 112 horas. Fonte: Dow Jones Newswires.

Grave acidente entre cinco veículos deixa duas pessoas gravemente feridas em Curitiba


Por Felipe Ribeiro e Ricardo Vieira

Duas pessoas ficaram gravemente feridas após grave acidente envolvendo cinco veículos na Avenida Anita Garibaldi, no bairro Ahú, em Curitiba. De acordo com a polícia, as vítimas mais graves dirigiam um Celta e um Audi e bateram de frente.
Entre os encaminhados em estado grave ao hospital, está um idoso de 81 anos, que teria sofrido um mal súbito. Ele dirigia o Audi e teria invadido a pista contrária. A outra vítima não teve a idade divulgada, mas trabalhava no momento do acidente e chegou a ficar presa contra as ferragens.
Jeferson Guedes testemunhou o acidente e relatou que o idoso seguia no sentido Centro quando raspou em um carro antes de bater contra o Celta. “Deu para perceber que o idoso estava em uma velocidade alta. A filha dele chegou a dizer para o Siate que ele já sofre com esse problema há algum tempo”, disse.
Devido ao atendimento, o trânsito ficou intenso no local e o Batalhão de Polícia de Trânsito precisou realizar um desvio.
Confira fotos registradas pelos internautas Rodrigo Zonato e Jeferson Guedes:
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Investigado, Renan trama contra investigações



Josias de Souza


A pretexto de fazer um balanço do semestre legislativo, Renan Calheiros divulgou um pronunciamento na TV Senado. Na peça, fez autoelogios, trombeteou prioridades controversas e reiterou ameaças legislativas à Lava Jato. Alvo da operação, protagonista de inquéritos em série no STF, Renan trama, por exemplo, alterar a lei que regulamenta a delação premiada.
Disse Renan: “Com a responsabilidade de quem aprovou a delação, devo dizer que, quando a delação não for comprovada e for vazada para constranger, com o réu preso, com as contas bloqueadas e a família desesperada, quando for apenas para livrar o bandido da cadeia, para trocar personagens, contar narrativas mentirosas, citar fatos que não têm nada a ver, apenas para lavar o dinheiro pilhado, como algumas delas, evidentemente a pena precisa ser agravada e a delação até desfeita.”
O presidente do Senado investe contra a Lava Jato num instante em que a operação começa a arrombar os salões do PMDB. Nunca a elite empresarial e política esteve tão ameaçada como agora. Corrupção passou a dar cadeia. O pânico do cárcere solta a língua dos transgressores. E as colaborações judiciais tonificam as investigações.
Renan se queixa das delações feitas por presos. A maioria dos delatores da Lava Jato abriu o bico fora do xilindró. Ironicamente, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, afilhado politico de Renan, não precisou fazer escala no cárcere para suar o dedo contra a cúpula peemedebista.
O mandachuva do Senado reclama também da complacência com as falsas delações. Conversa mole. Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato, anulou os benefícios concedidos a um delator que mentiu em depoimento sobre o ex-ministro petista José Dirceu. Graças a essa decisão, voltou para cadeia o empresário e lobista Fernando Moura, condenado a 16 anos e dois meses de prisão.
“Não se trata de tratamento severo, pois o colaborador que mente, além de comprometer seu acordo, coloca em risco a integridade da Justiça e a segurança de terceiros que podem ser incriminados indevidamente”, anotou Moro na sentença. “Considero os seus depoimentos, portanto, apenas como uma confissão da prática de crimes por ele mesmo.”
Renan voltou a brandir a espada que mantém sobre a cabeça de Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal. “O Senado recebeu dez pedidos de afastamento do procurador-geral da República por variadas razões”, afirmou, sem especificar as alegações. “Eu arquivei cinco deles, por ineptos. Os demais estou analisando e pedi um parecer da Advocacia-Geral do Senado. Vamos aguardar a manifestação jurídica e técnica para decidir, amparados na lei.”
Em seu pronunciamento, Renan reitera a intenção de levar a voto o projeto que pune o “abuso de autoridade”. “Em torno desse tema, é normal que assim seja, há mais malícia do que notícia”, afirmou, como a puxar a orelha da imprensa que o imprensa. A proposta encontrava-se na gaveta desde 2009. Agora, sob o crivo das autoridades, Renan avalia que o tema “está maduro para deliberação”. Promete “votá-lo na segunda semana de agosto.” Sugere até o nome de uma relatora: a deputada Simone Tebet (PMDB-MS).
Os planos de Renan foram ao ar nas pegadas de uma palestra do juiz Sérgio Moro na American University, em Washington, nos Estados Unidos. O magistrado declarou que o Brasil dispõe de leis anticorrupção modernas e eficientes. O problema está no trâmite dos processos. Segundo ele, o país não tem tradição de punir crimes do poder. Moro costuma lembrar que, na Itália, a célebre Operação Mãos Limpas levou a oligarquia política a alterar a legislação para dificultar o desbaratamento dos crimes. Corre-se o mesmo risco no Brasil.

A caravana da mentira


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Em micro comícios na Bahia e em Pernambuco, o ex-presidente Lula mente de forma descarada, ataca a gestão de Michel Temer e diz que planeja ser candidato em 2018. Antes, porém, terá que se livrar da Justiça
Mário Simas Filho, IstoÉ
Antes de se eleger presidente pela primeira vez, em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva percorreu o País nas chamadas Caravanas da Cidadania. Na semana passada, Lula novamente colocou os pés na estrada. Bem no estilo populista, vestiu um chapéu de couro e percorreu cinco cidades da Bahia e de Pernambuco. O problema é que depois de 13 anos no poder e de protagonizar ao lado do PT o maior escândalo de corrupção já registrado em nossa história, a versão moderna das romarias de Lula nada mais é do que uma caravana de mentiras.
Procurando impor um clima de comícios eleitorais em suas paragens, o ex-presidente desfiou um rosário de inverdades para defender a afilhada apeada do Planalto, Dilma Rousseff, chegou a admitir o que chamou de “pequenos erros administrativos” de sua sucessora, mas em nenhum momento fez menção aos desvios de dinheiro público que já levou para a cadeia alguns dos principais líderes de seu partido. E, para se fazer de vítima, insistiu na irresponsável tese do “nós contra eles”. Na tarde da quinta-feira 14, um dos principais líderes do PT no Rio Grande do Sul foi taxativo ao analisar o périplo de Lula: “Desse jeito ele só irá afastar ainda mais o PT de seu antigo eleitor”.
As primeiras mentiras da caravana de Lula foram proferidas em Juazeiro (BA), na segunda-feira 11, e tiveram como alvo o presidente Michel Temer. “Temer quer privatizar porque não sabe governar”, afirmou Lula, tentando bater a velha tecla de que ele seria o único líder capaz de preservar o patrimônio nacional e os demais seriam entreguistas de nossas riquezas. Uma bobagem que pode até ter surtido algum efeito eleitoral no passado, mas que hoje certamente não encontra ressonância. O que o ex-presidente não disse é que nos últimos 13 anos, sob a nomenclatura de “concessões” ou “PPPs”, as gestões comandadas por ele e Dilma não cansaram de passar para o controle da iniciativa privada uma série de rodovias, portos, ferrovias, aeroportos etc.
A maior parte das obras do PAC são privatizadas e em 2004 o próprio Lula fez força para aprovar uma lei que garante uma espécie de seguro para que o empresário seja ressarcido caso seu investimento nas “concessões” não tenha o retorno previsto. Na prática, Lula não só promoveu uma série de privatizações, como instituiu no País uma espécie de capitalismo sem risco. Sob seu comando, o lucro é privado, mas o prejuízo, se houver, é público. Ainda em Juazeiro, o ex-presidente afirmou: “Agora eles (governo Temer) estão tentando desmontar os programas sociais”. Outra bravata que não encontrou ressonância. Boa parte dos que ouviam Lula sabiam que em 29 de junho o presidente Michel Temer reajustou em 12,5% o valor do Bolsa Família, aumento superior aos 9% que Dilma havia anunciado em março.
Da Bahia, Lula seguiu para Pernambuco e levou na bagagem novas mentiras (leia quadro ao lado). É difícil afirmar qual delas é a mais descarada. Em Petrolina e no Recife, o ex-presidente afirmou que o impeachment de Dilma “só evoluiu por uma vingança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha” e que “as pedaladas fiscais foram uma invenção”. O ex-presidente não explicou a seus ouvintes que o processo de impeachment no Congresso foi acompanhado passo a passo e referendado pelo STF. Ele também não disse que as pedaladas fiscais foram reveladas e condenadas pelo Tribunal de Contas de União e também apontadas pelo Judiciário como crimes de responsabilidade. Mas, de todas as mentiras proferidas pelo ex-presidente na semana passada, há duas que chamam a atenção pelo cinismo contido nelas. Na terça-feira 12 em Carpina (PE), disse: “estão me investigando há dois anos e duvido que se ache um empresário a quem eu pedi R$ 10”.
Na verdade, o juiz Sérgio Moro tem diversos indícios de que empresários tenham favorecido Lula com milhões de reais. O dinheiro teria sido repassado como pagamento de palestras fictícias. Nesse sentido, há inclusive delações premiadas de ex-diretores da Andrade Gutierrez e a Odebrecht. Existem ainda as suspeitas de que Lula tenha ocultado patrimônio através do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia. Em delação premiada, o empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, afirmou que Lula solicitou e recebeu as melhorias nos imóveis em troca de tráfico de influência a favor da construtora no Exterior. Em seu último evento, no Recife, Lula disse que “só existe apuração de corrupção porque o PT permitiu e não interferiu na escolha do procurador-geral da República”.
Mais uma bravata. Na semana passada, o procurador geral, Rodrigo Janot, acusou Lula e Dilma de tentarem barrar as investigações da Lava Jato, não só tentando comprar o silêncio de testemunhas como nomeando para o Superior Tribunal de Justiça ministros que teriam a tarefa de tirar da cadeia os empresários que pudessem aderir às delações. Isso sem mencionar a tentativa do Planalto de fazer de Lula ministro apenas para lhe garantir foro privilegiado. Com tantas mentiras, Lula pode até se iludir. Mas para ser um candidato forte em 2018 precisará encontrar outro discurso, além de escapar da Justiça.

O ocaso de Lula: desprestígio, abandono e suspeitas


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Seis anos depois de deixar o poder, petista convive com o descrédito político, o sumiço dos amigos e os inquéritos da Lava Jato
Thiago Bronzatto e Daniel Pereira, Veja
Às 7h50 da última quarta-feira, um segurança do ex-presidente Lula chegou ao Aeroporto Oscar Laranjeira, em Caruaru, no agreste de Pernambuco. Diligente, comunicou que um Gulfstream G200, avião executivo de luxo e alta performance, estava a caminho da cidade. Minutos depois, dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o vice-prefeito Jorge Gomes (PSB) estacionaram seus carros no local. Estavam apreensivos, porque não havia militantes para oferecer uma recepção calorosa a Lula. “Eles vão chegar. Pode ficar tranquilo”, disse um dos líderes do MST ao segurança, tentando amenizar a tensão.
Uma hora mais tarde, só oito pessoas aguardavam o ex-presidente. “Vamos partir para o plano B. Acho melhor receber o Lula no hotel. Manda o pessoal para lá”, ordenou o guarda-costas. Em seguida, ele trancou a porta de entrada do saguão do aeroporto, que é público, para evitar que alguém fotografasse o deserto que aguardava Lula, aquele que já foi um dos políticos mais populares do mundo. “O cara”, como disse o presidente americano Barack Obama, numa ocasião em que se encontraram.
Lula desembarcou às 9h13 acompanhado do senador Humberto Costa (PT-PE). Driblou as poucas pessoas curiosas que o aguardavam e deixou o aeroporto pelos fundos. “Pensei que ele fosse ao menos pegar na minha mão e me cumprimentar”, reclamou Augusto Feitosa, funcionário do aeroporto. Os tempos são outros. A popularidade e o prestígio de Lula também. Caruaru é testemunha dessa transformação. Em 27 de agosto de 2010, o então presidente desembarcou no mesmo Oscar Laranjeira ao som de uma orquestra formada por estudantes de uma escola pública. O saguão estava lotado. Sorridente, Lula abraçou eleitores e posou para fotos ao lado de autoridades como Fernando Haddad, então ministro da Educação, hoje prefeito de São Paulo, e a então primeira-­dama do Estado de Pernambuco, Renata Campos. Em seu último ano de mandato, Lula beneficiava-se do crescimento econômico, que atingiu 7,5% em 2010. Nem o céu parecia lhe servir de limite. “Se a gente continuar mais dez anos do jeito que está, daqui a pouco chega a Caruaru e pensa que está em Paris, em Madri, de tão chique.”
Caruaru continua Caruaru. Figura entre as doze piores cidades para viver no Brasil. E Lula deixou de ser Lula. Lidera no quesito rejeição entre os nomes cotados para disputar a Presidência em 2018. Na quarta-feira passada, Lula discursou em Caruaru num auditório com capacidade para setenta pessoas. A plateia era formada por militantes do MST e da CUT, que preferiram tomar o café da manhã do hotel a esperar o petista no aeroporto. A programação previa uma coletiva de imprensa. Não ocorreu. Só Lula e áulicos falaram. Mas o ex-presidente mantém um fotógrafo e uma equipe de documentaristas, sempre a postos para captar as melhores cenas. Enquanto estava no hotel, um militante rompeu o cerco de seguranças e tirou uma foto com Lula, mas a equipe do ex-presidente o obrigou a apagá-la. A imagem mostrava uma garrafa de uísque ao fundo. Não pegaria bem nas redes sociais, foi a justificativa apresentada.
Depois do evento, Lula saiu pela garagem, num carro com os vidros fechados, e percorreu um trajeto de apenas 400 metros até o trio elétrico que o esperava para um novo discurso. “Ele parece estar meio distante do povo, com um olhar desconfiado”, observou a funcionária pública Conceissão Pessoa. Em cima do trio elétrico Pantera Fashion, Lula discursou para 2.000 pessoas. Cinco ônibus, com capacidade para cinquenta passageiros, foram fretados por 1.000 reais cada um, pagos em dinheiro vivo, para postar a claque diante da estrela petista.
A programação da semana passada, por exemplo, previa uma passagem pela cidade do Crato, no Ceará, onde ele receberia o título de doutor honoris causa da Universidade Regional do Cariri. A segurança fora informada de que estava sendo organizado um protesto de alunos contra a concessão da honraria. A visita foi cancelada. Em Caruaru, Lula foi ainda a um assentamento agrário do MST. Uma banda de pífanos, também contratada por cerca de 1.000 reais, animou a festa. À mesa, famílias convidadas puderam se servir de macaxeira, jerimum, cuscuz, carne guisada e suco de acerola. Lula bebia cachaça e água. Estendia o braço direito para o alto, com o punho cerrado, e discursava contra o “golpe” que derrubou Dilma.
No fim da tarde, às 17 horas, o ex-presidente partiu para o Recife no avião de prefixo PR-WTR, o mesmo que as empreiteiras Odebrecht e OAS usavam para transportá-lo ao exterior. À noite, na capital pernambucana, num evento em praça pública, Lula criticou o presidente interino Michel Temer e o juiz Sergio Moro, que em breve julgará um pedido de prisão contra ele. Falou à plateia e também à equipe que produz um documentário sobre o “golpe”. Com a chuva, os militantes começaram a se dispersar, e Lula teve de encerrar o espetáculo.