Sem dinheiro, noivos cancelam casamento e maquiadora mobiliza profissionais para ajudá-los


Por Marina Sequinel
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Larissa e Leandro se conheceram no colégio. (Foto: Arquivo pessoal)

De repente deu tudo errado. O casamento, que estava planejado na cabeça dos noivos, foi por água abaixo com as dificuldades financeiras. Foi então que vários ‘anjos’ se reuniram para tornar real o sonho dos pombinhos Larissa Ferreira, de 23 anos, e Leandro Mossato, de 20, moradores de Curitiba.
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(Foto: Arquivo pessoal)
A ideia surgiu da maquiadora profissional Priscila Ribeiro, que, ao descobrir que a festa havia sido cancelada, se mobilizou para conseguir novos fornecedores. No meio do mutirão, a cerimonial Bruna Pires também entrou na história.
“A Larissa ganhou a maquiagem em um sorteio, mas avisou a Priscila que não faria o casamento. Comovida, a maquiadora entrou em contato com vários serviços em grupos no Facebook e conseguiu quase tudo, decoração, DJ, salão de festas. Agora só faltam as bebidas e o coquetel de frutas. Foi muito incrível”, contou Bruna em entrevista à Banda B nesta sexta-feira (29).
Segundo ela, todos os serviços serão gratuitos, desde o vestido de noiva até a contratação de uma limousine que será usada na cerimônia. “Quando soube do mutirão, a Lari ficou muito emocionada. Não acreditava no que estava acontecendo. No meio do caminho, surgiram muitas pessoas dispostas a ajudar, inclusive familiares de fornecedores querendo trabalhar como garçons”, completou.
Para Bruna, o esforço vale a pena ao perceber que todo esse trabalho dará vida ao desejo dos noivos de celebrar a união. “Nós sabemos o quanto é difícil pagar por uma festa assim. A Lari chegou chorando para a Priscila, ao cancelar o casamento. Nós nos mobilizamos para fazer esse sonho acontecer”, finalizou.
De acordo com ela, Larissa e Leandro estão juntos desde a época de colégio. Eles se conheceram, começaram a se gostar e deram o primeiro beijo. Se apaixonaram e iniciaram o namoro.
A união dos dois será oficializada no dia 27 de agosto na Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB), seguida de uma recepção na casa de eventos Pátio Paiol.

"Menos de 4% das decisões de Moro foram reformadas"



O Antagonista publica a nota da Associação dos Juízes Federais do Brasil em defesa de Sergio Moro mais uma vez.
Desta vez, o tema da nota é a infâmia protagonizada ontem pelo agora réu Luiz Inácio Lula da Silva:
"A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) vem a público manifestar-se sobre a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de recorrer à Comissão de Direitos Humanos da ONU contra o juiz Sergio Moro, acusando-o de violar direitos.
A Ajufe preza pelo bom funcionamento das instituições e tem total confiança na isenção e capacidade do juiz federal Sergio Moro, bem como de todos os juízes, desembargadores federais e Ministros, que decidem fundamentadamente, de acordo com a Constituição.
O sistema processual brasileiro garante três instâncias recursais e, até o momento, menos de 4% das decisões do juiz Sérgio Moro foram reformadas.
O Brasil consolidou-se como um Estado Democrático de Direito justamente pela independência dos Poderes, especialmente do Judiciário, tendo ficado mais claro, a partir da operação Lava Jato, que ninguém está acima da lei.
A motivação de todas as decisões e prisões no âmbito da Operação Lava-Jato é estritamente jurídica. Os juízes federais não temem qualquer represália por cumprirem o seu dever.
A Ajufe apoia as decisões até o momento tomadas e entende que tudo o mais são lamentos infundados e representam uma atitude de afronta e desrespeito ao próprio Poder Judiciário Nacional."

Lewandowski dá liminar a advogado que grampeou Moro



Responsável pelo plantão do STF durante o recesso do Judiciário, o ministro Ricardo Lewandowski tomou outra decisão polêmica contra a jurisprudência da corte que estabeleceu o cumprimento de pena após condenação em segunda instância.
Lewandowski beneficiou agora o advogado-lobista Roberto Bertholdo, condenado por grampear Sérgio Moro. Ele concedeu liminar suspendendo a audiência que determinaria o cumprimento da pena de Bertholdo.
Ligado ao ex-deputado José Borba e citado no mensalão, Bertholdo chegou a acusar Alberto Youssef e José Janene de serem os mandantes do grampo, quando Moro ainda era o titular da 2a. Vara Federal de Curitiba.

O herdeiro do Orkut


O engenheiro turco que criou a mais popular rede social do mundo, antes do surgimento do Facebook, volta à cena com o Hello, que já conta com 100 mil brasileiros inscritos

22/07/2016 20:00

  • // Por: Roger Marzochi
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Paz e amor: Orkut Buyukkokten lança no Brasil uma nova rede social que, segundo ele, baseia-se no amor e não em likes
Paz e amor: Orkut Buyukkokten lança no Brasil uma nova rede social que, segundo ele, baseia-se no amor e não em likes ( foto: divulgação)
Eram tempos de ingenuidade nos primórdios das redes sociais. Em 2004, nascia o Orkut, a primeira rede social a ganhar escala planetária, conquistando, no seu ápice, 300 milhões de pessoas. O engenheiro turco Orkut Buyukkokten, que criou a rede enquanto trabalhava no Google, não imaginava que teria tanto sucesso, com uma legião de fãs no Brasil com 40 milhões de usuários. “Quando lançamos, nós não antecipamos a demanda”, diz Buyukkokten, em entrevista à DINHEIRO. “Recebemos milhões de usuários em um espaço curto de tempo e nossa infraestrutura não estava preparada.” Essa é a principal lição que o engenheiro diz ter aprendido com o Orkut, que agora tenta aprimorar com o lançamento de Hello, a sua nova rede social, que começou a operar no Brasil na terça-feira 19.

Fechado pelo Google em 2014, o Orkut já havia sofrido um forte baque em 2011, quando perdeu muitos usuários para o Facebook, que tem hoje 1,6 bilhão de membros. Mas agora, o Orkut revive na nova plataforma, buscando centralizar a experiência no usuário. Diferentemente do Facebook, o Hello é específico para uso em smartphones. Nele, o usuário escolhe cinco entre cem “personas”, que são usadas para compartilhar informações com pessoas que escolheram as mesmas características.  “A Hello é uma rede social construída no amor, não em likes”, afirma.  A fama que o Orkut teve no País no passado, segundo o engenheiro, será positiva para atrair usuários para a rede. Segundo ele, 100 mil brasileiros se inscreveram para fazer o download do aplicativo. 

O modelo de negócios é baseado na compra de moeda virtual, que dá acesso a presentes e conteúdo. “Estamos no fim da onda Facebook”, afirmaDaniel Domeneghetti, CEO da consultoria E-Consulting, para quem a nova rede social pode ser uma alternativa aos atuais sistemas, que bombardeam as pessoas com mensagens e induções comerciais. “A Hello é mais um player propondo um modelo de negócio alternativo, apostando no cansaço da democratização infinita.”

Quem tem que provar são o MP e a PF, diz Lula em evento em SP


Ex-presidente e outros 6 viraram réus acusados de tentar obstruir a Justiça.
Defesa diz que ele 'jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos'.

Roney DomingosDo G1 São Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (29) que o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF) têm de provar as acusações feitas contra ele. Ao participar do Seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade, na Zona Norte de São Paulo, ele começou seu discurso citando o fato de ter se tornado réu e, em seguida, falou sobre os imóveis atribuídos a ele e que são alvos de investigação da Lava Jato.assista a vídeos
Lula tornou-se réu, segundo a Procuradoria, por tentativa de obstruir a Justiça ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O sítio em Atibaia e o apartamento em Guarujá não têm relação com a acusação aceita nesta sexta pela Justiça.
“Eu não quero falar dos meus problemas pessoais, para não transformá-los em problemas coletivos, mas enquanto estou aqui conversando com vocês eu fiquei sabendo que foi aceito uma denúncia contra mim de obstrução de Justiça. Vamos ver, eu não conheço", disse nesta sexta. "Eu não ia tocar no assunto, mas eu já cansei. Eu não tenho que provar que eu tenho apartamento. Quem tem que provar é a imprensa que acusou, o Ministério Público que falou que eu tenho, a Policia Federal que diz que eu tenho.”
O ex-presidente acrescentou que "eles é que têm que apresentar documento de compra, pagamento de prestação, algum contrato assinado". "Porque, se eu não tiver, em algum momento eles é que terão que me dar de presente uma chácara e um apartamento, e aí eu ganharei de graça, quem sabe essas coisas que eles dizem que eu tenho. É por isso que eu não manifesto, porque é eles que têm que provar, não sou eu quem tem que provar.”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de evento no hotel Holiday Inn, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (29) (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de evento no hotel Holiday Inn, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (29) (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)
Além do ex-presidente, também viraram réus o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Defesa
É a primeira vez que Lula vira réu na Lava Jato. Por meio de nota, os advogados do ex-presidente da República afirmaram que o petista já esclareceu, em depoimento à Procuradoria Geral da República, que ele "jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato".
Ainda de acordo com os defensores de Lula, "a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade, que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar" (leia ao final desta reportagem a íntegra da nota divulgada pela defesa do ex-presidente).
Denúncia
A denúncia acusa os sete de três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa que prevê pena de três a oito anos; patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros foram considerados coautores), que prevê pena de seis meses a três anos; e exploração de prestígio, que prevê pena de um a cinco anos.
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do seminário Sistema Financeiro e Sociedade, que abre a Conferência Nacional dos Bancários durante a tarde desta sexta feira (29) no hotel Holiday Inn Anhembi, zona norte de São Paulo (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do seminário Sistema Financeiro e Sociedade, que abre a Conferência Nacional dos Bancários durante a tarde desta sexta feira (29) no hotel Holiday Inn Anhembi, zona norte de São Paulo (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)
O magistrado da 10ª Vara Federal de Brasília entendeu que estão presentes elementos probatórios para início de uma ação penal. Ricardo Leite concedeu prazo de 20 dias para os sete acusados se manifestarem sobre a acusação e determinou a retirada do sigilo do processo.
Depois que os advogados dos sete réus se manifestarem, terá início a fase de produção de provas e os interrogatórios de testemunhas de defesa e acusação. Concluída esta fase, o juiz decidirá se condena ou absolve os sete acusados de tentar obstruir o trabalho da Justiça.
Temor de Moro
A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no começo deste ano, mas o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato na Corte, determinou que fosse enviada para a Justiça Federal de Brasília depois que Delcídio foi cassado no Senado e perdeu o foro privilegiado.
Na ocasião em que Delcídio deixou de ser senador, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo que o processo fosse enviado para o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, por entender que havia conexão dos fatos com o esquema de corrupção que agia na Petrobras.
Janot ponderou que, parte dos denunciados, como José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai, e o próprio Cerveró já são alvos de processo no Paraná, portanto, o processo deveria ser enviado para Curitiba. A defesa dos acusados, contudo, contestou o pedido para que o processo ficasse sob a responsabilidade de Moro.
Os advogados do banqueiro André Esteves, sócio do banco BTG Pactual, argumentaram que o suposto crime foi cometido em Brasília e, por isso, deveria ficar sob a jurisdição da Justiça do Distrito Federal.
Já a defesa de Lula ponderou que o caso deveria ir para a Justiça Federal de São Paulo porque os fatos que originaram a denúncia ocorreram naquele estado.
O ministro Teori Zavascki reconheceu que o que permitia que o inquérito seguisse no Supremo era o foro privilegiado de Delcídio. Mas, depois que ele foi cassado, o caso deveria continuar na primeira instância, frisou o ministro.
Mas ele entendeu que o próprio Supremo já decidiu que não há a chamada "prevenção" para o que não se referir especificamente à corrupção na estatal. Segundo o ministro, a definição do juízo que deve tocar o caso deve ser feita conforme o local onde o crime foi cometido.
Conforme o ministro, os delitos ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, "com preponderância desta última porque onde desempenhava o ex-parlamentar sua necessária atividade".
Teori Zavascki também frisou que foi em Brasília que o filho de Cerveró, Bernardo, gravou a conversa que deu origem à descoberta da trama.
Leia a íntegra da nota da defesa de Lula:
O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não recebeu citação relativa a processo que tramita perante a 10a. Vara Federal de Brasília (IPL n. 40755-27.2016.4.01.3400). Mas, quando isso ocorrer, apresentará sua defesa e, ao final, sua inocência será certamente reconhecida.

Lula já esclareceu ao Procurador Geral da República, em depoimento, que jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato.

A acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade - que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar.

Lula não se opõe a qualquer investigação, desde que realizada com a observância do devido processo legal e das garantias fundamentais.
Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins

"Recebo a denúncia"



Vejam o trecho do despacho do juiz Ricardo Leite em que ele aceita a denúncia contra Lula e os outros seis denunciados.

Exclusivo: PF acha diálogo de Otávio Azevedo com advogado de Cunha



O Antagonista teve acesso a trocas de mensagens de celular entre Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, que defende Eduardo Cunha há anos.
Num dos diálogos, ocorrido em junho de 2014, Marcos Joaquim parece intermediar encontro entre Cunha e Azevedo:

Marcos Joaquim: Confirmado às 14 hs aqui no escritório. Brasil 21, Bloco C, 19 andar
Otávio Azevedo: Ok
Marcos Joaquim: O EC já está aqui

Em relatório de análise de mídia, a PF diz que "EC se refere ao deputado federal Eduardo Cunha".
"Partindo de tal premissa, as mensagens sugerem encontro de Otávio Marques e Eduardo Cunha no escritório de Marcos Joaquim no dia 25/6/2014. Posteriormente, há mensagem de Marcos em que avisa Otávio que estão tocando conforme o acordado", afirma a PF.
Marcos Joaquim é sócio do escritório "Mattos Filho Veiga Filho Marrey Jr e Quiroga Advogados". O endereço indicado na mensagem coincide com a sede do escritório em Brasília.

A correta informação



Prevendo a grande repercussão de seu despacho, o juiz Ricardo Leite pede para que sejam enviadas cópias da decisão de hoje ao MPF e aos advogados dos denunciados -- para que, se acharem necessário, deem à imprensa as informações técnicas sobre o caso.
O magistrado fala em prestigiar a "correta informação", qual seja: Lula é réu.

ONU ainda não notificou Itamaraty



O Antagonista soube que o governo Temer só reagirão recurso de Lula na ONU após ser notificado, o que ainda não aconteceu. Existe um rito a ser observado.
Primeiro, o Itamaraty precisa ser notificado pela ONU. Depois, será feito um estudo preliminar pela AGU, que demandará as autoridades acusadas por Lula de violação e abuso. A partir daí, o órgão deverá elaborar uma minuta de defesa, que será submetida a aprovação e enviada à Missão do Brasil junto à ONU.
Deixe a burocracia para lá, Temer, e emita uma nota curta e grossa.

JEC e Thomas Turbando serão trucidados



O Antagonista soube que Antonio Anastasia, relator da comissão especial do impeachment no Senado, passará o fim de semana debruçado sobre seu relatório, que está em estágio bem avançado.
O resultado do trabalho será lido pelo senador na próxima terça-feira. Nenhum ponto das "alegações finais" apresentadas pela defesa de Dilma Rousseff ficará sem resposta.
JEC e Thomas Turbando serão trucidados.

Operador de Cunha não tem saída



Lúcio Funaro, operador de Eduardo Cunha, está na Papuda desde quarta-feira. Com direito a banho de sol diário, ele espera o fim do recesso do Judiciário para entrar com um habeas corpus no Supremo.
As chances de ter êxito são mínimas. Segundo fontes da Lava Jato em Brasília ouvidas por O Antagonista, as provas contra Funaro são robustas. "Não há saída para ele", diz um investigador.
O Antagonista é mais otimista. Funaro ainda tem uma porta de saída: a delação.

Refrescando a memória de Lula (2)



O Antagonista sugere que o governo Temer inclua na mesma peça jurídica contra o recurso-piada de Lula a nota do MPF sobre a condução coercitiva do ex-presidente.
O comunicado foi divulgado no dia seguinte à condução coercitiva e serviu para rebater críticas, como a do ministro Marco Aurélio Mello, o primo de Fernando Collor.
A versão do MPF, aliás, é bem diferente daquela enviada à ONU e na qual Lula diz que sempre esteve à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
"Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer", disse o MPF.
Releia a nota, por favor.

Um recado do MPF a Marco Aurélio Mello

Brasil  21:26
O MPF divulgou nota de esclarecimento sobre a adoção da condução coercitiva de Lula. É um recado ao próprio Lula e, especialmente, a Marco Aurélio Mello, que ironizou o argumento usado pela Lava Jato para a deflagração da Operação Aletheia.
Na nota, os procuradores de Curitiba lembram que já foram executados 117 mandados de condução coercitiva em 24 fases da Lava Jato, mas só agora surgiram críticas.
"Considerando que em outros 116 mandados de condução coercitiva não houve tal clamor, conclui-se que esses críticos insurgem-se não contra o instituto da condução coercitiva em si, mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República"
"Assim, apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato."

O MPF lembra que a legalidade da decisão adotada ontem já foi reconhecida pelo próprio STF e que, diferentemente do que Lula apregoa, não bastaria convidá-lo. Isso ficou claro no episódio envolvendo o MP de São Paulo.
"Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer."
E finaliza:
"Por fim, tal discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados. É preciso, isto sim, que sejam investigados os fatos indicativos de enriquecimento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, por despesas pessoais e vantagens patrimoniais de grande vulto pagas pelas mesmas empreiteiras que foram beneficiadas com o esquema de formação de cartel e corrupção na Petrobras, durante os governos presididos por ele e por seu partido, conforme provas exaustivamente indicadas na representação do Ministério Público Federal."

Refrescando a memória de Lula



Caso o governo Michel Temer decida rebater juridicamente o recurso-piada de Lula, O Antagonista sugere que seja incluído o relato do delegado que conduziu o ex-presidente ao famoso depoimento no dia 4 de março.
Releiam, por favor.

EM RELATO DA PF, LULA DIZ QUE SÓ IRIA DEPOR ALGEMADO

Brasil  22:37
A Polícia Federal encaminhou ao juiz Sérgio Moro um relato detalhado da condução coercitiva de Lula, ocorrida na sexta-feira 4. No documento, anexado aos autos da Operação Alethea, o delegado Luciano Flores de Lima informa que a equipe da PF bateu à porta do ex-presidente às 6h.
O próprio Lula recebeu os policiais, que anunciaram o mandado de busca e apreensão. Não havia imprensa e o delegado se preocupou em preservar a imagem do petista.
"Informei ao ex-presidente Lula que deveríamos sair o mais rápido possível daquele local, em razão da necessidade de colhermos suas declarações, a fim de que sua saída do prédio fosse feita antes da chega de eventuais repórteres e/ou pessoas que pudessem fotografar ou filmar tal deslocamento."
Lula, então, disse que não sairia dali "a menos que fosse algemado". "Disse ainda que se eu quisesse colher as declarações dele, teria de ser ali. Respondi então que não seria possível fazer sua audiência naquele local por questões de segurança, pois tão logo alguém tomasse conhecimento disso, a notícia seria divulgada e poderia ocorrer manifestações e atos de violência nos arredores daquele local, o que prejudiciaria a realização do ato."
O delegado então informou que já estava preparado o Salão Presidencial anexo ao Aeroporto de Congonhas, "local seguro, discreto e longe de eventuais manifestações que certamente poderiam ocorrer de forma mais violenta, caso fizéssemos sua oitiva naquele local ou na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo/SP".
Flores de Lima esclareceu que o mandado de condução coercitiva só seria cumprido se ele se recusasse a acompanhá-lo até o local.
"O ex-Presidente Lula pediu para que o chefe de sua segurança, Tenente Moraes, ligasse para o seu advogado, Dr. Roberto Teixeira, vindo a falar com ele por telefone, informando que a Polícia Federal estava querendo levar ele para o Aeroporto de Congonhas para ouvi-lo e que havia um mandado de condução coercitiva para tanto. Logo depois de ouvir as orientações do referido advogado, o ex-presidente disse que iria trocar de roupa e que nos acompanharia para prestar as declarações."
Eis a íntegra do relato, que desmonta a versão trágica narrada por Lula à imprensa.
"Às 6h e 30min saímos da garagem subterrânea do prédio em uma viatura discreta, com películas escuras nos vidros laterais, pedindo a ele que se mantivesse em posição atrás do motorista e sem aparecer entre os bancos, pois assim impediria que qualquer pessoa que estivesse na rua conseguisse captar sua imagem."
"Por volta das 7h e 20min chegamos ao Salão Presidencial do Aeroporto de Congonhas e aguardamos a chegada dos advogados do ex-Presidente, o que ocorreu por volta das 7h e 45min, momento em que mostramos os mandados e permitimos que eles conversassem em local próximo, sem nossa presença."
"Em torno das 8h o ex-presidente e os advogados retornaram à mesa onde ocorreria a oitiva e disseram que estavam prontos para o ato, sendo dito pelo ex-presidente que iria prestar as declarações necessárias. No início do ato, foi dada ciência de que ele não estava obrigado a responder às perguntas que faríamos e que poderia ficar em silêncio sempre que quisesse. Também foi dada ciência a todos de que as perguntas e respostas seriam gravadas em áudio e vídeo para posterior transcrição. Foi autorizada a gravação também pelo telefone celular de um dos advogados do ex-presidente Lula, atendendo-se, assim, o pedido que a defesa fez naquele momento."
"Por volta das 11h a audiência se encerrou, sendo lavrado um termo de audiência dando ciência a todos de que as perguntas e respostas foram gravadas e seriam posteriormente transcritas, sendo assinado, por todos os presentes, o referido termo, conforme será juntado neste e-proc assim que digitalizado."
"Após a assinatura do termo, foi permitida a entrada no local de diversos parlamentares federais que batiam na porta e chegaram a forçar para entrar naquele recinto, durante a audiência. Na sequência, ofereci, de maneira insistente, a segurança da Polícia Federal ao ex-presidente Lula para levá-lo ao local onde ele quisesse ir, a partir dali, sendo dispensada tal segurança e sendo dito que ele preferiria sair dali com seus companheiros de partido e seus advogados, em veículo próprio, sem o acompanhamento da Polícia Federal. Em razão disso, foi autorizada a entrada até a porta daquele salão de automóvel indicado por ele para o deslocamento e aguardada sua saída."

Feira e Xepa podem escapar de corrupção



Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura podem se livrar das acusações de corrupção na Lava Jato, após os depoimentos do operador Zwi Skornicki.
Mas serão condenados por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Em delação, executivos da Odebrecht citarão mais de cem políticos

Em negociação para fechar o acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, Marcelo Odebrecht e executivos da empreiteira listaram mais de cem políticos, entre deputados, senadores, ministros e governadores, como beneficiários diretos de desvios de verba pública ou de repasses a campanhas eleitorais. Segundo reportagem do jornal O Globo publicada nesta sexta-feira, entre os citados estão os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); de Minas, Fernando Pimentel (PT); e do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). A matéria não deixou claro em que circunstâncias eles são mencionados na delação. Também aparece na lista o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que já foi citado por outros delatores, como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Reportagem de VEJA publicada em junho já havia revelado os primeiros detalhes do que Odebrecht pretendia revelar aos procuradores em sua colaboração. Na ocasião, já havia a informação de que 13 governadores seriam citados. De acordo com VEJA, Odebrecht também diria que a campanha à reeleição de Dilma foi financiada com propina depositada em contas no exterior e que os detalhes do financiamento eram tratados diretamente com o ex-chefe de gabinete da presidente afastada Giles Azevedo.
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As tratativas dos executivos da Odebrecht com o MP chegaram a emperrar no começo, mas agora estão avançando de forma significativa. Os depoimentos devem começar ainda hoje, segundo o jornal. “Foi superada a fase da conversa entre procuradores e advogados. Agora, a conversa é entre procuradores e réus. Nessas conversas eles indicam o que realmente vão dizer”, disse uma fonte.
O ponto crucial para o avanço do acordo foi a informação de que a Odebrecht estava conseguindo recuperar os arquivos do Setor de Operações Estruturas da empreiteira, responsável por operacionalizar a propina paga para a obtenção de contratos de obras públicas.
Em nota, o governador Geraldo Alckmin informou que todas as suas prestações de contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. “À frente do governo de São Paulo, Geraldo Alckmin sempre pautou suas ações de forma estritamente profissional na defesa do interesse público com empresários. Geraldo Alckmin não mantém e jamais manteve relações pessoais com executivos da empresa Odebrecht”, diz o texto.
Já o governador Pimentel afirmou, por meio de sua assessoria, que não irá comentar uma suposta delação “que, se de fato ocorreu, está resguardada pelo sigilo judicial”.
O governador licenciado Pezão não quis comentar por não ter detalhes do que está sendo dito na delação. E o ex-governador Cabral “manifestou sua indignação e seu repúdio ao envolvimento de seu nome com qualquer ilicitude”. O peemedebista afirmou que manteve com a Odebrecht apenas relações institucionais.