A palestra de 13 000 reais por minuto de Lula



O site da Veja deixou meio escondida uma reportagem do excelente Hugo Marques.
Ele publicou que os investigadores da Lava Jato suspeitam da "palestra motivacional" que Lula deu, em 2013, a operários do Consórcio QUIP, integrado por UTC, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa -- o mesmo que repassou 2,4 milhões sujos para a campanha de reeleição do petista.
Foram 29 minutos de "palestra", o que dá 13 000 reais por minuto.
Foi "motivacional" principalmente para Lula.

O apocalipse de Dilma



Vanessa Grazziotin lê o nauseabundo voto da bancada do jardim de infância, em companhia de Gleisi Hoffmann e Kátia Abreu - a Dilma do agronegócio. É arrepiante.

PT ABAFA DELAÇÃO DE PAULINHO



O Antagonista soube que, nas últimas semanas, o PT enviou diversos emissários à carceragem da Polícia Federal em São Paulo com a missão de convencer o ex-tesoureiro Paulo Ferreira a não firmar um acordo de delação.
Ferreira chegou a sondar advogados especializados, mas foi dissuadido pelos colegas de legenda. Eles sabem que o ex-tesoureiro não tem o sangue frio de João Vaccari Neto.

Não comemore ainda, Gabas



Carlos Gabas não entrou ontem na lista de denunciados da Operação Custo Brasil, mas não há o que comemorar. Ele virou alvo do MPF em uma outra investigação exclusiva, que inclui mais agentes públicos.

PT é o partido mais corrupto do Brasil, aponta pesquisa


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O PT é o partido mais corrupto do Brasil, aponta levantamento do instituto Paraná Pesquisas realizado entre os dias 20 e 23 de julho com 2.020 entrevistados em 158 cidades de 24 estados. O PT apontado como corrupto por 56,6% dos entrevistados contra 10,6% do PMDB e 8,1% do PSDB. A margem de erro é de 2% e grau de confiança é de 95%.
(charge: Sponholz)

Recurso de Lula contra Moro é ação política, diz Gilmar


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O ministro do STF Gilmar Mendes classificou como ação política a a decisão da defesa do ex-presidente Lula (PT) de recorrer ao Comitê de Direitos Humanos da ONU contra o juiz Sergio Moro, acusando-o de violar direitos. Para Mendes, a movimentação dos defenderes de Lula foi “precipitada” e não deve ser avaliada no campo jurídico. As informações são de Márcio Falcão na Folha de S. Paulo.
“No mínimo, eu diria que era uma ação [de ir à ONU] precipitada, mas deve ter uma lógica no campo político, onde o presidente atua com maestria. Não me parece que seja questão de ser analisada no plano jurídico. Me parece que é mais uma ação de índole política”, afirmou.

Mendes disse que alguns questionamentos sobre a atuação de Moro já foram feitas, mas que os tribunais superiores estão atuantes.
“Tantas pessoas a essa altura já responderam a esse juízo de Curitiba sem nenhum reparo, aqui ou acolá sempre sugue uma crítica ou outra, mas para isso existem também os tribunais, o Tribunal Regional Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o próprio Supremo e muitas questões estão sendo avaliadas em habeas corpus”, completou.
O ministro afirmou ainda que “manobras, tentativas de escapar do processo judicial, isso não resulta” efetivamente. Para a defesa do ex-presidente, Moro também antecipou juízo de valor ao imputar crimes ao petista em documento ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Os advogados sustentam que o Brasil assinou um protocolo de adesão a um pacto internacional de proteção aos direitos humanos em 2009, que está sendo desrespeitado com as atitudes do juiz.
A defesa contratou um escritório britânico especializado em direitos humanos. O advogado Geoffrey Robertson questiona a imparcialidade de Moro por ele ter, por exemplo, comparecido a um lançamento de um livro sobre a Lava Jato. “Ele age como uma comissão anticorrupção de um homem só.”
Segundo a defesa, é a primeira vez que um brasileiro recorre a essa instância para questionar as instituições do país.
No texto da petição, os advogados de Lula dizem que Moro é incentivado a disputar a eleição presidencial de 2018 e que pode barrar a candidatura do petista o condenando em um processo judicial.
(foto: Raphael Ribeiro/Folhapress)

Pesquisa aponta Lula e Dilma como principais responsáveis pela crise política


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Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas aponta os governos petistas de Lula (26%) e de Dilma (23,4%) como os principais responsáveis pela crise política brasileira. A responsabilidade sobre os dois governos soma 49,4%, conforme os entrevistados. Entre os responsáveis pela crise política, os entrevistados responderam ainda a Operação Lava Jato (23,8%), governo FHC (8,9%), cenário internacional (4%) e governo Temer (1,7%).
O Paraná Pesquisas entrevistou 2.020 brasileiros entre os dias 20 e 23 de julho em 158 cidades de 24 estados. A margem de erro é de 2% e o grau de confiança, 95%.
(foto: internet)

A Copa não acabou


Os estádios construídos para o evento dão prejuízos. Pior, boa parte é bancada com dinheiro público. Dois anos após o fim do Mundial, o cidadão continua a pagar por ele. E continuará a pagar por muito tempo

RODRIGO CAPELO
01/08/2016 - 15h40 - Atualizado 02/08/2016 13h29
7 x 1 eterno  (Foto: Otavio Silveira)
Faz dois anos que o alemão Mario Götze, aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, matou o cruzamento que veio da esquerda no peito e, quase dentro da pequena área, acertou o voleio que decidiu a partida. No Maracanã, a Alemanha bateu a Argentina e venceu a Copa do Mundo pela quarta vez na história. De lá para cá os argentinos jogaram – e perderam – mais duas finais em Copas Américas. Os alemães deixaram passar uma Eurocopa para, quem diria, Portugal. A Seleção Brasileira dispensou Luiz Felipe Scolari, o técnico do 7 a 1, recontratou e já demitiu Dunga, quem a fez cair na primeira fase da Copa América. Mas algo não mudou. O Brasil – mais especificamente, você, cidadão – continua a pagar a Copa.
Quando se fala em arena, ou em qualquer obra, uma coisa é a construção, outra é a operação. O Brasil já gastou bilhões de reais para levantar os estádios da Copa e as estruturas da Olimpíada noRio de Janeiro. Isso não tem volta. O que você precisa considerar, agora e nos próximos anos, é quanto dinheiro ainda vai gastar com a manutenção dessas instalações esportivas. O custo do legado do Parque Olímpico da Barra passa de R$ 1,4 bilhão nos próximos 25 anos – voltaremos a este tópico na véspera da Olimpíada. O preço do legado da Copa está aberto. Aumenta a cada ano com os prejuízos anuais dos estádios. 

Voto do PT na comissão de impeachment dirá que Dilma é perseguida por ser mulher


A inclusão da questão de gênero no documento foi acertada na manhã desta terça-feira

NONATO VIEGAS
02/08/2016 - 12h19 - Atualizado 02/08/2016 12h49
Dilma Rousseff (Foto: AP Photo/Mark Lennihan)
O relatório que o PT apresentará na comissão do impeachment nesta terça-feira (2) para contestar as acusações de que a presidente afastada, Dilma Rousseff, deixou de cumprir a lei de responsabilidade fiscal irá além de questões técnicas e políticas propriamente. Na manhã desta terça-feira, ficou acertado que ele levará em conta a questão de gênero. O documento dirá que Dilma sofre perseguição por ser mulher.

Em entrevista à revista Marie Claire do mês de agosto, Dilma bateu na mesma tecla. “O que vivi foi reflexo de uma grande misoginia. Ou era muito dura por isso não me abatia ou vivia no mundo da lua. A mulher é sempre histérica ou descontrolada. Se você não é nenhuma dessas coisas, é um trator, não uma mulher. Isso é machismo”, disse.

Entenda a onda de violência no Rio Grande do Norte


O estado já foi alvo de mais de 80 ataques em 27 cidades. Facção é suspeita de comandar as ações criminosas

REDAÇÃO ÉPOCA
02/08/2016 - 19h35 - Atualizado 02/08/2016 20h08
Desde a última sexta-feira (29), o estado do Rio Grande do Nortevive uma onda de violência e ataques de vandalismo. Ônibus e veículos foram incendiados na capital Natal e em cidades do interior. Prédios públicos e privados foram depredados. O Ministério Público do Rio Grande do Norte aponta a facçãoSindicato do Crime, que seria uma dissidente da maior organização criminosa do Brasil, como a possível mandante dos atentados.
Devido às ações, o sistema de transporte público de Natal foi altamente comprometido. No domingo (31), houve paralisação total do sistema. Os veículos circularam com frota reduzida a partir de segunda-feira (1º). Escolas e comércios chegaram a fechar as portas. Até o momento, nenhuma morte foi registrada.
O presidente em exercício, Michel Temer, autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para combater a onda de ataques no estado. O governo do Rio Grande do Norte confirmou o reforço de 1.000 homens do Exército e cerca de 200 fuzileiros. No começo da tarde de segunda-feira, em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed), Ronaldo Lundgren, classificou os ataques criminosos como “atos de terrorismo”.
Ôninus que foi queimado por Bandidos na Zona Leste de Natal (RN), sábado (30) (Foto: FRANKIE MARCONE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)
Ações criminosas 
Os ataques tiveram como primeiro alvo um ônibus da empresa Guanabara que transitava pela Zona Oeste de Natal, próximo ao cemitério público da cidade, por volta das 15h30 da sexta-feira (29). Segundo passageiros, dois homens pararam o veículo, renderam o motorista e pediram a todos que deixassem o ônibus. Em seguida, atearam fogo no veículo e fugiram a pé.
Meia hora depois, por volta das 16 horas do mesmo dia, outro ônibus da mesma empresa foi atacado. Ainda no terminal, cerca de dez homens abordaram o motorista, cercaram o veículo, quebraram os vidros e atearam fogo com gasolina. Os criminosos trancaram o motorista e outros funcionários em uma sala no terminal. Ao todo, cinco ônibus foram incendiados em Natal na sexta-feira.
De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, desde o início da onda de violência a polícia já registrou mais de 80 ataques em 27 cidades do estado até esta terça-feira (2). Além dos ataques, 17 presos fugiram do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Ribeira, na Zona Leste de Natal, na madrugada de segunda-feira. Apenas um foi recapturado até o momento.
Possível causa
Segundo investigações, a instalação de bloqueadores de sinal de celular em penitenciárias do estado pode ser o motivo da série de ataques. Os bloqueadores, que foram instalados na quinta-feira (28), devem impedir que os detentos façam ou recebam ligações de dentro do presídio.
No mesmo dia, a Secretaria de Justiça e da Cidadania do Rio Grande do Norte enviou um memorando a todos os diretores de penitenciárias e cadeias públicas. Pedia a atenção dos agentes penitenciários para possíveis rebeliões e motins. O alerta foi emitido depois da circulação de áudios nas redes sociais, supostamente gravados por criminosos em resposta à instalação do sistema de segurança contra celulares. Em um dos áudios, um criminoso ligava para uma pessoa para alertá-la de que haveria represália à instalação dos bloqueadores e que os criminosos responderiam ao estado com uma “guerra no Rio Grande do Norte”.
Prisões
Até esta terça-feira, 72 suspeitos de participação nos ataques foram presos ou apreendidos. No domingo, João Maria dos Santos de Oliveira, de 32 anos, foi preso em um condomínio em Parnamirim, Grande Natal. Ele é apontado como o chefe da facção que coordena os ataques. Na casa, a polícia ainda apreendeu R$ 300 mil em espécie, aparelhos celulares e tablets. João Mago, como é conhecido, estava foragido desde dezembro do ano passado, quando saiu da Penitenciária Estadual de Parnamirim.
Além de João Mago, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte anunciou a prisão de Daniel Silva de Carvalho, apontado como o “número 2” na linha hierárquica da organização criminosa. O criminoso era preso no regime semiaberto e usava uma tornozeleira eletrônica no momento da prisão.

Após alfinetada de Teori em Moro, STF mantém prisões na Lava Jato


Alan Marques/Folhapress
O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal
O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal

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Apesar de uma crítica do ministro Teori Zavascki a argumentações do juiz Sergio Moro, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu manter nesta terça-feira (2) a prisão preventiva dos ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argolo (Solidariedade-BA), que já foram condenados pela Justiça sob acusação de envolvimento com a Lava Jato.
Por unanimidade, os ministros entenderam que há risco de que os dois voltem a cometer novos crimes. A decisão foi tomada pela segunda turma do STF, responsável pelos casos relacionados ao esquema de corrupção da Petrobras.
Na análise dos habeas corpus, Teori, relator da Lava Jato, leu argumentos jurídicos de Moro para defender a prisão dos ex-parlamentares, mas afirmou que isso não significa que os corrobore. O ministro mostrou incômodo com o uso de fatos relacionados ao mandato parlamentar para justificar a prisão, como traição dos eleitores e possibilidade de conquistar novo cargo político.
"Gostaria de fazer uma pausa aqui para dizer que estou reproduzindo os argumentos do juiz de primeiro grau. Não significa que concordo com todos eles. Porque há vários fundamentos aqui, como por exemplo decretar prisão para não obter mandato parlamentar futuramente. Obviamente não tem o menor sentido. Ou para impedir que atue na vida pública, enfim, "afirmou Teori.
Vargas está preso há um ano e quatro meses. O ex-petista está preso em Curitiba e foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 14 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro em processo derivado da Operação Lava Jato.
Preso desde abril de 2015, Argolo foi condenado a 11 anos e 11 meses de reclusão, também por corrupção e lavagem de dinheiro.
Os dois estão em prisão preventiva, que não tem prazo para terminar e é considerada uma medida cautelar, que tem o objetivo de evitar que o réu cometa novos crimes ou que, em liberdade, prejudique as investigações, atrapalhando a busca de provas, por exemplo.
Segundo especialistas, a prisão preventiva não viola a garantia constitucional de presunção de inocência se a decisão for devidamente motivada e a prisão for necessária. Alguns, no entanto, reclamam do excesso de prisão preventiva na Lava Jato.
Teori afirmou que apesar do longo período, ainda é necessário mantê-los em prisão preventiva. Sobre Vargas, o ministro considerou que há fortes indícios de que ele pode retomar a atividade criminosa.
"É importante registrar que, ao contrário do que registra a defesa, há risco concreto de reiteração. [...] Não se revela no caso dos autos possível a substituição da prisão preventiva por outra medida. Por essas razões que nesse caso não há como conceder a ordem, apesar desse longo tempo."
Advogado do ex-petista, Juliano Breda afirmou que Vargas não possui qualquer vínculo com as obras e empreiteiras investigadas no processo da Lava Jato e ainda questionou a competência de Moro para julgar o caso, uma vez que ele foi condenado por desdobramento do esquema de corrupção.
Segundo a sentença de Moro, a prática dos crimes de corrupção envolveu o pagamento de propinas de pelo menos R$ 1 milhão por intermédio de contratos de publicidade firmados com a Caixa e o Ministério da Saúde.
Em relação a Argolo, Teori afirmou que as investigações mostraram que o ex-parlamentar recebeu pagamentos do doleiro Alberto Youssef às vésperas de sua prisão preventiva. Dessa forma, sua liberdade coloca em riscos à investigação.
A defesa do ex-deputado argumentou que a prisão preventiva pode ser substituída por medidas cautelares, uma vez que a sentença já foi proferida e não há como o ex-deputado interferir nas investigações.

Assessor de Teori que assinou manifesto pró-Lula pede exoneração


Alan Marques/Folhapress
BRASÍLIA, DF, BRASIL 22.06.2016 O ministro Teori Zavascki participa de reunião do Supremo. Sessão do STF, onde os ministros do tribunal vão decidir se instauram nova ação penal contra o presidente afastado da Câmara. (FOTO Alan Marques/ Folhapress) PODER
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki

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Um dia após endossar um manifesto em defesa da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva derecorrer ao Comitê de Direitos Humanos da ONU(Organização das Nações Unidas) contra o juiz Sergio Moro, Manoel Lauro Volkmer de Castilho pediu exoneração do cargo que ocupava no gabinete do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, relator da Lava Jato.
Castilho é assessor técnico do ministro e ocupava cargo comissionado no Supremo desde novembro de 2014. Desembargador aposentado do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4a Região, ele também é casado com a vice-procuradora-geral da República Ela Wiecko de Castilho.
Teori afirmou que o assessor não atuava na área criminal, portanto, não trabalhava com processos da Lava Jato, mas que é preciso garantir a isenção do gabinete. O ministro reconheceu o desgaste com a participação do assessor no texto que apontou que Lula "é alvo das elites e a oligarquia, inconformadas com a ascensão da esquerda ao poder que iniciaram uma verdadeira caçada ao petista com o apoio da grande mídia".
"É uma figura fora de série, um profissional de altíssimo nível, eu compreendo as razões pelas quais ele assinou esse manifesto. Ele foi consultor-geral da união, mas para evitar constrangimento ele tomou a iniciativa de pedir exoneração do cargo e eu aceitei", explicou o ministro.
"Eu acho que o problema que tem é que não se pode separar a figura das convicções pessoais dele, inclusive tendo servido como consultor-gral da união, com o atual cargo que ele ocupa, trabalhando no Supremo, em gabinete. O conteúdo do documento pode aparentemente fazer com que se façam leituras incompatíveis. Ele percebeu isso e tomou a iniciativa", emendou.
"Para todos os efeitos, o importante não é só ser, mas parecer", completou.
Teori não quis comentar o teor político do manifesto. "Esse assunto não é comigo. Eu já tenho problemas para resolver. Vou resolver os meus problemas", afirmou.
O ministro também desconversou sobre a decisão da defesa de Lula de recorrer à ONU.
"Eu não vou me manifestar sobre esse assunto, porque realmente acho que é impertinente eu me manifestar. Eu vou continuar seguindo meu modelo de trabalho. Vou procurar resolver os problemas de maneira muito clara. As minhas decisões são decisões que procuro fazer para que todas as pessoas entendam os fundamentos que eu adoto", disse.
"Vou decidir claramente, de uma maneira aberta. Aquilo que é possível publicar vocês sempre vão ter acesso, como sempre tiveram. Agora sobre outros assuntos eu prefiro não me manifestar porque cada macaco no seu galho", disse.

NOTA DE APOIO A LULA
A assinatura do assessor de Zavascki se junta a mais de 200 que corroboram a nota direcionada ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski.
Entre os apoiadores do documento também estão o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, o ex-conselheiro do CNJ Marcelo Neves, o deputado Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, e o subprocurador-geral da República Carlos Vasconcelos.
O texto afirma que "embora tenha deixado a Presidência da República há cerca de seis anos, Luiz Inácio Lula da Silva continua sofrendo ataques preconceituosos e discriminatórios. Agora as ofensas estão acompanhadas de uma tentativa vil de criminalizar o ex-presidente", diz o texto.
Segundo a nota, preconceito e discriminação explicam a perseguição ao petista. "Porque ele é filho da miséria; porque ele é nordestino; porque ele não tem curso superior; porque ele foi sindicalista; porque foi torneiro mecânico; porque é fundador do PT; porque bebe cachaça; porque fez um governo preferencialmente para as classes mais baixas e vulneráveis; porque retirou da invisibilidade milhões de brasileiros etc.", diz.
"Fosse Luiz Inácio Lula da Silva um homem de posses, sulista, 'doutor', poliglota, bebesse vinho e tivesse governado para os poucos que detêm o poder e o capital em detrimento dos que lutam sofregamente para ter o mínimo necessário para uma vida com dignidade, certamente a história seria outra. Grande parte daqueles que rejeitam Lula o fazem pelo que ele representa e pelo que ele simboliza."
A presidência do Supremo informou que não tomou conhecimento do documento.
A decisão de levar o caso à ONU provocou polêmica no campo jurídico. O ministro do STF Gilmar Mendes classificou a movimentação como uma ação política.
ARGUMENTOS
Para a defesa do ex-presidente, Moro antecipou juízo de valor ao imputar crimes ao petista em documento enviados ao STF. Os advogados sustentam que o Brasil assinou um protocolo de adesão a um pacto internacional de proteção aos direitos humanos em 2009, que está sendo desrespeitado com as atitudes do juiz.
A defesa contratou um escritório britânico especializado em direitos humanos para atuar no caso. O advogado Geoffrey Robertson questiona a imparcialidade de Moro por ele ter, por exemplo, comparecido a um lançamento de um livro sobre a Lava Jato. "Ele age como uma comissão anticorrupção de um homem só."
Segundo a defesa, é a primeira vez que um brasileiro recorre a essa instância para questionar as instituições do país.
Os advogados de Lula dizem que Moro é incentivado a disputar a eleição presidencial de 2018 e que pode barrar a candidatura do petista o condenando em um processo judicial.

Após pressões, Renan diz que julgamento de Dilma será antecipado


Eduardo Anizelli - 11.mai.2016/Folhapress
Renan Calheiros preside sessão do Senado para decidir sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

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Após a articulação montada pelo governo interino para que o julgamento final do processo de impeachment não se estenda até setembro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça (2) que o processo de votação deve começar em 25 ou 26 de agosto.
A data precede a que havia sido acordada com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, em 29 de agosto.
"Com certeza nós temos como concluir isso antes do final do mês. Vamos trabalhar para que isso efetivamente aconteça, porque a lei manda que levemos em consideração esses prazos", disse Renan. A fala de Renan gerou reações de senadores aliados à presidente afastada, Dilma Rousseff, que prometeram retaliar.
No fim de semana, o STF divulgou a previsão feita em um acordo entre os dois presidentes para que a votação final comece em 29 de agosto. A divulgação desta data, no entanto, irritou o Palácio do Planalto, que tem pressa para que a questão seja definida ainda em agosto.
A preocupação do presidente interino, Michel Temer, é que ele não consiga viajar para a China, no início de setembro, para participar da cúpula dos chefes de Estado do G20, como presidente efetivo. De acordo com aliados, o peemedebista cogita cancelar sua participação no encontro caso o processo de impeachment não seja concluído a tempo.
Para tentar alterar a data, o governo interino começou a atuar junto à base aliada no Senado para que ela convencesse Renan a antecipar a fase de julgamento para o início da quarta semana de agosto, por volta do dia 25, com sessões também no fim de semana, o que viabilizaria que o processo fosse concluído ainda em agosto.
Renan almoçou com Temer nesta terça para discutir o assunto. Os dois foram acompanhados pelos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). Após o encontro, Jucá reconheceu que o calendário do impeachment foi discutido no almoço e disse que o objetivo é encerrar o processo ainda em agosto. "Não dá para o presidente do país chegar a uma reunião do G-20 como interino. Isso faz mal ao país", disse
Renan, no entanto, negou que Temer tenha feito um apelo pela antecipação e disse que a data provável para o incio do julgamento nada tem a ver com o G20. "É evidente que ir para a reunião do G20 nessa condição é ruim para o Brasil e para as instituições. Mas ele não falou. Já temos um calendário que já foi mais ou menos pré-definido", disse Renan, que afirmou acreditar em uma cooperação dos senadores para que a sessão final não se prolongue por mais do que cinco dias.
Para ele, a "obsessão em informar" levou técnicos tanto do STF quanto do Senado a "fazerem calendários alternativos". "Isso acaba complicando bastante", disse.
O peemedebista deve se reunir com Lewandowski nesta quarta (3) para tratar do calendário, que só deverá ser confirmado na próxima semana, após a votação prévia do relatório final no plenário, em 9 de agosto. De acordo com ele, a acusação e a defesa devem arrolar cinco testemunhas cada uma. Elas falarão durante o julgamento no plenário da Casa.
O líder da oposição, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), no entanto, protestou contra a mudança de data e disse que isso de fato acontecer, a defesa apresentará uma lista com 40 testemunhas. Este é o número que a defesa tem direito de apresentar. Entretanto, um acordo entre os dois lados limitou o número de depoimentos no plenário.
Renan também cancelou as sessões deliberativas do Senado desta quarta e desta quinta para não inviabilizar o andamento da comissão especial do impeachment, o que poderia atrasar o calendário já estabelecido

Trabalhador que prometeu colocar assaltantes atrás das grades é perseguido e morto dentro de empresa


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

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Siate foi acionado, mas ele não resistiu aos ferimentos. Foto: AN/Banda B

Um caminhoneiro de 45 anos foi morto a tiros dentro da empresa onde ele trabalhava, na manhã desta terça-feira (2), no bairro Ribeirão das Onças, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Everson Esteves Martins foi perseguido e morto com tiros de pistola. Funcionários e colegas da vítima estão abalados com a morte.
Conhecido como Ligeirinho, o trabalhador é um terceirizado da empresa, tinha acabado de chegar no local, que fica na rua João Toniollo, e estava na recepção quando dois motociclista entraram. O garupa também estava de capacete e efetuou diversos disparos de arma de fogo contra o trabalhador. Antes de irem embora, ele efetuou um disparo apontando para cima.
O crime do trabalhador pode ter tido o primeiro episódio há meses. Segundo testemunhas e colegas, ele foi assaltado há cerca de quatro meses e reconheceu os homens, que seriam moradores da região. Na ocasião, os bandidos atiraram contra o ombro dele e levaram R$ 500. Martins teria dito que eles seriam presos – um deles foi detido dias depois.
“Fazia cinco minutos que ele tinha chego aqui, estava na portaria falando com o porteiro e o garupa da moto desceu atirando. Ele entrou correndo lá para a empresa, lá para dentro e o cara perseguiu ele até lá dentro”, contou uma das testemunhas.
O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi acionado, mas ele não resistiu aos ferimentos. O corpo dele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. A Delegacia de Colombo investiga o crime.

Polícia prende último integrante de quadrilha que atacava supermercados para roubar celulares


Por Marina Sequinel e Flávia Barros
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Leandro foi preso nesta terça-feira. (Foto: Flávia Barros – Banda B)

O último suspeito de integrar uma quadrilha especializada em roubo de celulares foi preso nesta terça-feira (2) no bairro Parolin, em Curitiba. Segundo a Polícia Civil, em apenas duas ações contra supermercados, ele e mais dois comparsas levaram mais de 80 aparelhos dos estabelecimentos, causando um prejuízo de R$ 108 mil.
O delegado adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), Emmanoel David, declarou que a quadrilha era extremamente perigosa e violenta. “Leandro deixava que os menores entrassem nos locais e avaliassem se havia polícia ou segurança. Se o espaço estivesse ‘limpo’, ele voltava com os adolescentes e, juntos, faziam os clientes reféns. Eles davam coronhadas e apontavam as armas para a cabeça das pessoas. Em seguida, o trio pegava os celulares e fugia em um carro roubado”.
De acordo com a DFR, o primeiro assalto aconteceu no dia 20 de maio e o segundo quatro dias depois. Um dos suspeitos, de 17 anos, que tinha passagens pela polícia pelo mesmo crime, foi morto no último dia 16 de julho, na Vila Guaíra. O outro envolvido é um menor de 16 anos, que está apreendido na Delegacia do Adolescente.
O delegado ainda relatou que, durante as ações, o trio usava um HB20 branco roubado, que já foi recuperado e devolvido ao dono. Leandro, que tem passagens pelos crimes de furto e porte ilegal de arma, confessou o crime. Ele afirmou que parte dos aparelhos foram vendidos para desconhecidos e a outra parte teria sido roubada de sua casa. Ele deve responder por roubo e associação criminosa.

Parecer de Anastasia é a favor da acusação e julgamento de impeachment


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Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Os senadores ainda discutem requerimentos na Comissão Especial do Impeachment na tarde desta terça-feira, 2, mas o resultado do parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) já é conhecido: favorável ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
O senador acolheu as denúncias da acusação e considerou em seu relatório que a presidente cometeu crime de responsabilidade ao editar três decretos de crédito suplementares sem autorização do Congresso Nacional e ao realizar operações de crédito com o Banco do Brasil relativas ao Plano Safra, as chamadas pedaladas fiscais.
“Instaurou-se um vale-tudo orçamentário e fiscal que trouxe sérias consequências negativas para o País”, argumenta Anastasia na conclusão de seu parecer. O relator defende ainda que o processo não trata dos índices de impopularidade ou rejeição pública da presidente, tampouco de uma revisão biográfica da presidente, mas tão somente das questões técnicas fiscais.
Créditos suplementares
Anastasia rebateu os argumentos da defesa de que os decretos de crédito suplementares tenham sido compensados por decretos de contingenciamento. “Decretos de contingenciamento em nada alteram as autorizações orçamentárias. Embora possam passar a falsa impressão de que representam instrumentos de ‘corte’ orçamentário, na realidade não reduzem as dotações orçamentárias Não têm o efeito inverso das suplementações orçamentárias e, portanto, não têm o condão de ‘neutralizá-las'”, argumenta o relator.
No relatório, o tucano também aponta o impacto dos créditos suplementares sobre o resultado primário. De acordo com Anastasia, os créditos suplementares, e não apenas sua execução, devem ser compatíveis com a obtenção da meta fiscal. O senador usa como exemplo um único decreto, de R$1,7 bilhão, que afetou negativamente o resultado primário.
“O próprio Poder Executivo, ao final do primeiro semestre, registrou em documento oficial de publicação obrigatória, que previa arrecadar, em 2015, cerca de R$ 110 bilhões a menos do que inicialmente estimado na lei orçamentária anual para receitas primárias. Diante disso, seria razoável ampliar o volume de despesa primária autorizada? Certamente, não”, argumenta.
Pedaladas
O relator não seguiu a perícia do Senado, que, apesar de identificar as operações de crédito, inocentou a presidente de ação nas pedaladas fiscais. “O fato de haver lei que autorize a concessão de subvenções no âmbito do Plano Safra não afasta a responsabilidade da Presidência da República”, argumentou. O relator ainda acusa Dilma de omissão.
Contrariando os argumentos da defesa, o relator entendeu os atrasos de pagamento relativos ao Plano Safra como operações de crédito. Anastasia também minimizou a decisão do Ministério Público Federal que pediu o arquivamento da denúncia contra a presidente relativa às pedaladas fiscais por entender que não há crime na atuação.
“De qualquer forma, a discussão em torno da natureza jurídica da operação é irrelevante. A operação, independentemente de sua formatação e conceituação jurídica, assume as características e produz os efeitos materiais de uma operação de crédito, ofendendo o bem jurídico protegido pela lei, que é o que importa”, escreveu Anastasia.
O relatório, que será apresentado na Comissão Especial do Impeachment nesta tarde, só será discutido amanhã e votado pelo colegiado na quinta-feira, 4. Depois, o relatório segue para a análise do plenário do Senado Federal. Caso a maioria dos senadores concorde com o parecer de Anastasia, acontecerá um julgamento da presidente, que deve se iniciar em 29 de agosto e durar, pelo menos, uma semana.