Lula se reúne com Dilma para discutir interrogatório do impeachment





Ex-presidente chegou ao Alvorada junto com presidente do PT, Rui Falcão.
Ex-ministros Nelson Barbosa e Kátia Abreu também estiveram no palácio.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou no início da noite deste domingo (28) ao Palácio da Alvorada para uma reunião com a presidente afastada Dilma Rousseff. No encontro, os dois devem discutir os detalhes finais do discurso que a petista fará nesta segunda (29) em sua defesa no julgamento do impeachment no Senado, seguido de um interrogatório.

Lula chegou à residência oficial acompanhado do presidente do PT, Rui Falcão. Também estiveram no palácio a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) e o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que chegou mais cedo.
A sessão desta segunda faz parte da fase final do processo, na qual a presidente poderá usar a palavra por 30 minutos – período que poderá ser prorrogado – e, em seguida, responder a perguntas dos senadores, da acusação e da defesa.

Até a última atualização desta reportagem, 46 estavam inscritos para fazer perguntas, pelo tempo de 5 minutos cada. Dilma terá o tempo que for necessário para responder as questões.
Ainda na noite deste domingo, senadores que apoiam Dilma se reuniram para acertar as perguntas que farão na sessão. Uma das presentes, a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) informou que ainda tentará convencer os opositores de Dilma a altenar a participação com os apoiadores, para balancear de maneira mais uniforme o interrogatório.
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A primeira a perguntar a Dilma deverá ser a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura.
A decisão final, pela condenação ou absolvição da petista, deve ocorrer entre terça e quarta-feira (31), após debate entre acusação e defesa e novas manifestações do senadores. São necessários 54 votos entre os 81 senadores para o afastamento definitivo da petista.
 

Militares que transportavam droga em caminhão serão expulsos, diz Exército


Três cabos foram presos; veículo carregava 3 toneladas de maconha.
Segundo Denarc, foram três meses de investigação; houve troca de tiros.

Do G1 Campinas e Região
O Exército Brasileiro informou nesta tarde de domingo (28), em nota, que os militares presos após serem flagrados transportando 3 toneladas de maconha em caminhão da instituição em Campinas(SP) nesta madrugada serão expulsos da corporação.veja vídeo
"O Exército Brasileiro não admite atos desta natureza que ferem os princípios e valores mais caros sustentados pelos integrantes da Força. Diante da gravidade do fato, que desonra a instituição e atinge a nossa sociedade, os militares encontram-se presos e serão expulsos do Exército", informou a instituição, por meio de seu Centro de Comunicação Social.
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A instituição afirmou ainda que foi instaurado um Inquérito Policial Militar para a apuração dos fatos e responsabilidades e disse que está à disposição para apoiar as investigações.
Em nota, o Comando Militar do Oeste reiterou a abertura de um Inquérito Policial Militar e prometeu máxima prioridade para elucidação dos fatos.
Os cabos presos em flagrante são Higor Abdala Costa Attene e Maykon Coutinho Coelho, que pertecem ao 20º Regimento de Cavalaria  Blindado (20 RCB), de Campo Grande, Mato Grosso do Sul (MS). O terceiro detido é Simão Raul, que fugiu após a ação e está internado em Limeira. Ele é do mesmo regimento e será levado para São Paulo quando receber alta.
Investigação
Um caminhão do Exército carregado com drogas foi apreendido nesta madrugada de domingo (28), na rodovia SP-101, que liga Campinas a Monte Mor, e dois militares foram presos em flagrante. A informação inicial dizia que as prisões haviam sido realizadas na rodovia Anhanguera. Durante a tarde do domingo, em coletiva de imprensa relizada na sede do Denarc em São Paulo, foi feita a correção.
Caminhão do Exército detido na região de Campinas (Foto: André Natale/ EPTV)Caminhão do Exército detido na região de
Campinas (Foto: André Natale/ EPTV).
Ainda segundo a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), o veículo estava carregado 3 toneladas de maconha, mas a droga ainda será pesada e periciada.
Foram três meses de investigação até que os policiais descobriram que um carregamento de drogas chegaria a uma empresa desativada, utilizada como estacionamento, em Campinas.
Os policiais foram até o local da entrega. Algum tempo depois, os suspeitos, que estavam dentro da empresa, desconfiaram da movimentação e tentaram fugir.
Segundo o Denarc, houve troca de tiros entre policiais e militares. Após o confronto, dois cabos, que estavam no caminhão, foram presos em flagrante e logo assumiram que o entorpecente estava no veículo. Eles disseram, ainda, que haviam trazido a droga de Campo Grande (MS) e que ela seria distribuída na região de Campinas.
O caminhão apreendido tinha marcas de disparos nas portas, vidros quebrados e um pneu furado.
Droga foi apreendida pelo Denarc em Campinas (Foto: Divulgação/ Denarc)Droga foi apreendida pelo Denarc, em Campinas
(Foto: Divulgação/ Denarc).
Terceiro militar
O militar que fugiu foi encontrado nesta manhã pela Guarda Municipal em Cordeirópolis (SP) com roupas do Exército e ferido.
Os guardas encaminharam o suspeito para a Santa Casa de Limeira (SP) para tratamento e acionaram a Polícia Civil. Após receber alta, ele será levado junto com os outros presos para São Paulo.
Mais suspeitos
Outros dois homens, que deram apoio à ação, tentaram fugir em uma Fiorino, mas foram presos. Segundo a Polícia Civil, eles teriam ido à empresa desativada para pegar a maconha. Foi apreendida uma pistola de calibre 380, com numeração suprimida, utilizada pelos cabos e mais uma van, abandonada por outros criminosos que escaparam.
A Polícia Civil disse ainda que acredita que mais duas pessoas tenham fugido.
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Dois militares estavam no veículo detido na região (Foto: André Natale/ EPTV)Dois militares estavam no veículo detido na região (Foto: André Natale/ EPTV)
Veja a nota do Exército Brasileiro na íntegra
1. Por volta de 1:40h, do dia 28 Ago 2016, os Cabos do Exército Brasileiro Higor Abdala Costa Attene e Maykon Coutinho Coelho, lotados no 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20º RCB), sediado em Campo Grande/MS, foram presos pela Polícia Civil de São Paulo, na Região de Campinas/SP, quando transportavam substância entorpecente, dentro de um  caminhão do Exército. Durante a abordagem policial, outro militar do Exército Brasileiro, o Cabo Simão Raul, também do 20º RCB, conseguiu evadir-se do local, mas foi capturado em seguida.
2. O Exército Brasileiro não admite atos desta natureza que ferem os princípios e valores mais caros sustentados pelos integrantes da Força. Diante da gravidade do fato, que desonra a Instituição e atinge a nossa sociedade, os militares encontram-se presos e serão expulsos do Exército. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar para a apuração de todos os fatos e responsabilidades.
3. O Exército Brasileiro agradece, desde já, o eficiente trabalho dos órgãos de segurança pública do estado de São Paulo, colocando-se à disposição para apoiar as investigações na busca do rigoroso esclarecimento das circunstâncias que envolveram a ocorrência policial.
4. A Força Terrestre procederá minuciosa investigação na Organização Militar de onde os militares e a viatura são oriundos, com o objetivo de corrigir procedimentos de segurança, para que falhas desta natureza não voltem a ocorrer.
Veja também a nota do Denarc na íntegra
A Polícia Civil prendeu cinco pessoas, incluindo três militares do Exército, flagradas com cerca de três toneladas de maconha, no começo da madrugada deste domingo (28), em Campinas, no interior de São Paulo.

Após três meses de investigações, uma equipe da 5ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), descobriu que um carregamento de drogas chegaria a uma empresa desativada, utilizada como estacionamento, em Campinas.

Os policiais foram ao local e ficaram de campana. Algum tempo depois, os suspeitos, que estavam dentro da empresa, desconfiaram da movimentação e tentaram fugir a bordo de veículos – um deles um caminhão do Exército.

Houve troca de tiros entre os militares e os policiais. Após o confronto, dois cabos, que estavam no caminhão, foram presos em flagrante e logo assumiram que o entorpecente estava no veículo. Eles disseram, ainda, que haviam trazido a droga de Campo Grande (MS).
Um terceiro cabo foi ferido na ação e localizado posteriormente em um hospital de Limeira. O militar foi detido e será levado ao Denarc.

Outros dois homens, que tentaram fugir em uma Fiorino, também foram presos. Segundo a Polícia Civil, eles teriam ido à empresa desativada para pegar a maconha. Foi apreendida uma pistola de calibre 380, com numeração suprimida, utilizada pelos cabos e mais uma van, abandonada por outros criminosos que escaparam.

A polícia acredita que duas pessoas tenham fugido. A estimativa é que tenham sido recolhidas 3 toneladas de maconha. A droga ainda será pesada e periciada. A ocorrência está sendo registrada e as investigações prosseguirão.

Após traição, namorada de Bolt recebe apoio de brasileiros


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Bolt ao lado da namorada – Reprodução Instagram

Depois de ser traída publicamente, a namorada de Usain Bolt, Kasi J. Bennett, parece não estar muito preocupada com a repercussão do caso. Sem se pronunciar ou excluir as fotos com o amado, a bela vem recebendo uma série de conselhos e apoio dos brasileiros em suas redes sociais.
Em sua foto mais recente no Instagram, postada no último domingo (21), antes da noitada do amado, já são cerca de 3 mil comentários. “Mana, parte pra outro! Tu é linda, não merece homem safado”, enfatizou uma. “Bolt é um idiota… Fique bem, você é linda”, disse outra. “O homem pode ter a melhor ração, mas sempre vai fuçar o lixo, impressionante!”, reclamou uma terceira.
Na internet, inclusive, a gata vem sendo chamada de “Kardashian Jamaicana”, em referência à esposa de Kanye West, a socialite Kim Kardashian, por conta das curvas acentuadas.

Após ser agredido pelo cunhado, ex-Polegar desabafa: “Era para eu estar enterrado”


Da Redação com R7

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Divulgação TV Record
Ricardo Costa, ex-músico do grupo “Polegar”, acusou o cunhado de tê-lo agredido com um pedaço de pau durante uma briga em Taubaté, no estado de São Paulo. Neste domingo (28), ele concedeu entrevista ao Domingo Show da Rede Record e mostrou, pela primeira vez, o rosto cheio de hematomas e conta detalhes sobre a agressão que quase o matou no início deste mês.
Ele foi atacado pelas costas pelo próprio cunhado. O motivo da briga seria um comentário que Ricardo teria feito sobre o sobrinho.
Após deixar o hospital, o ex-Polegar desabafou: “Não era nem para eu estar falando aqui hoje, ” O que aconteceu de fato? Por causa dos graves ferimentos, ele ficou internado e ainda hoje sua aparência impressiona.

A História descarta canastrões


canastrao
Mary Zaidan
Renan Calheiros acertou: o Senado virou um hospício. Não se trata mais de apreciar o impeachment de Dilma Rousseff, cujo placar foi antecipado pelos julgadores ao longo do processo e, com mais precisão, na sessão de pronúncia. Durante essa fase de julgamento, iniciada na quinta-feira, o que se quer é holofote e, se possível, escrever o nome na História. Nem que seja no rodapé.
Para tal, não se medem esforços e muito menos palavras. A maior parte delas não recomendável para menores. Bate-bocas sem fim, xingamentos, baixarias vexaminosas.
Ensandecidos, acusadores e defensores do mandato da presidente afastada se engalfinharam em troca de acusações que nem de longe se aproximavam do mérito da questão. E muitos deles escancararam o desapreço que têm pelo Parlamento e pela própria democracia, em que a chave é o contraditório.

Agrediram-se ao vivo na televisão, foram fotografados por todos os ângulos, e manchetados nos jornais impressos e noticiosos da internet. Brigaram pela audiência, não pelo país.
Aguerridos, os defensores de Dilma protagonizaram cenas que não são capazes de mudar um único voto em prol da presidente afastada, mas asseguraram o papel de coadjuvantes – e até com algum destaque — no filme que está sendo preparado para o pós-impeachment. Com direito a cenas ao lado do ícone maior, o ex Lula, algumas delas, dizem, já rodadas.
Estrela da produção, Dilma Rousseff pretende que a História a reconheça como quem defendeu a democracia contra golpistas. Seu script começou há meses, quando iniciou a bateria de entrevistas para a mídia internacional. E terá como ponto alto o pronunciamento de amanhã, no Senado, em que pretende repisar no mesmo soalho.
A tática serve ao público cativo. Difícil será convencer historiadores sérios quanto a um golpe perpetrado contra os ditos da Constituição, com direito amplo de defesa, julgamento no Senado sob a batuta do presidente da Suprema Corte, e até pronunciamento da acusada.
Só um desavisado ou um mal intencionado acharia possível usar tanta lei para golpear a lei.
Pouco importa. A balela serve para animar a torcida – que também está no filme – e tentar um espacinho na História, ainda que com intelectuais de ocasião.
Fazer História, recheando a biografia, deve também ser a inspiração do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que, no afã de dar ares de Corte ao Senado, importou regras descabidas para o mundo da política. Como a de encarcerar testemunhas em hotéis, tornando-as incomunicáveis sobre um tema que há meses o país inteiro comunica e opina. Ou de proibir que, nesta fase, senadores se pronunciem sobre o mérito do crime. Algo só aplicável a advogados e promotores em um tribunal, ainda assim porque sobre eles paira a possibilidade real de punição em caso de desacato às ordens da Corte.
Sem a autoridade imaginada, à Lewandowski sobrou o recurso de cortar o microfone. E o extremo de suspender a sessão quando a temperatura sobe além da fervura, queimando as instituições.
A loucura que impera entre aqueles que se lixam para os males que causam ao país acaba por turvar a importância do processo. O impedimento de um presidente da República é fato que impacta o cotidiano. Tem lugar assegurado na História.
Mas o filtro da História é implacável.
Quem mesmo presidia o Senado quando Fernando Collor foi cassado? Quais foram os três senadores que votaram pela permanência dele? Como foram as sessões? Quantas horas duraram? Quem disse o quê? Informações difíceis de serem encontradas até mesmo nos anais do Senado.
Sábia, ainda quando demora, a História costuma ser cruel para os que acham que conseguem trapacear com ela.
(foto: arquivo/google)

Gleisi vai para o Conselho de Ética


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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu representar a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no conselho de ética da Casa. Voltou atrás, mas um colega de Renan já adiantou que o fará no lugar do presidente. Gleisi já tentou telefonar para Renan várias vezes e desde então não é atendida.
Nos bastidores do Senado, a sentimento é que Gleisi também selou seu destino na Lava Jato, deve ser condenada, perder o mandato e ficar inelegível por oito anos.
(foto: internet)

Os 109 dias de solidão da dama de ferro do PT


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Desde que Dilma Rousseff deixou o Planalto, há 109 dias, uma foto com seu rosto de guerrilheira, emoldurado por grossas lentes, repousa solitária num poste de energia elétrica diante do palácio hoje comandado pelo presidente em exercício Michel Temer. A imagem em preto e branco, já rasgada, aparece ao lado de uma convocação desbotada pelo tempo. “Lutaremos em todas as trincheiras até o último minuto”, diz a presidente afastada no cartaz, que exibe a hashtag #VoltaDilma. As informações são de Vera Rosa no Estadão.
A cinco quilômetros dali, no Palácio da Alvorada, a mulher que responde a processo de impeachment por crime de responsabilidade ainda tem na ponta da língua o mesmo discurso da resistência com o qual pretende enfrentar seus algozes amanhã, quando irá ao plenário do Senado para se defender.

Ao que tudo indica, porém, Dilma viverá nesta semana seus últimos dias de poder em Brasília. No Alvorada, ela participou de treinamento intensivo para responder às perguntas mais duras dos senadores, muitos deles seus ex-ministros, com dois umidificadores ligados na sala para espantar a seca.
Apesar do clima tenso, a petista demonstrou bom humor. “Ajeita essa gravata torta, Zé Eduardo!”, ordenou ela a José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, ex-titular da Advocacia-Geral da União e seu advogado no processo de impeachment. “O que aconteceu com você que está mancando?”, perguntou. Cardozo sofreu distensão muscular no pé esquerdo, no último dia 20, quando tropeçou durante uma viagem, após ser patrono de uma turma de Direito em São Gotardo (MG). Na véspera do início do julgamento, passou horas fazendo fisioterapia.
De maio para cá, Dilma reduziu a quantidade de broncas nos auxiliares. Uma das derradeiras foi em Miguel Rossetto, ex-ministro do Trabalho e da Previdência, que gritou “Viva a democracia!” após a presidente receber do primeiro-secretário do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO), a notificação de seu afastamento, no Planalto, em 12 de maio. “Você está maluco?’’, reagiu ela, provocando constrangimento em ex-ministros, servidores, deputados e senadores que assistiam àquela despedida.
A solidão de Dilma, nos capítulos que se seguiram a essa cena, impressionou até mesmo os aliados. Várias reuniões, almoços e jantares com senadores foram organizados em busca de apoio para virar o jogo. Nada disso adiantou para evitar que ela se tornasse ré no processo.
Convescote. Em 12 de julho, quando todos já se levantavam de um jantar oferecido por Kátia Abreu (PMDB-TO) a um seleto grupo de senadores, Dilma fez um apelo que revelou o quanto desejava romper o isolamento. “Não, não vão embora”, pediu ela. “Vamos ‘prosear’ mais. É a primeira vez que eu saio sozinha”, confessou, animada, ao lembrar que não estava acompanhada de nenhum assessor.
A “ordem” foi cumprida e os convidados voltaram. A conversa, regada a vinho, durou até 1 hora da manhã. Dilma parecia feliz. “A Presidência, para ela, é muito sofrida. Ela ficou sitiada no Planalto”, resumiu o senador João Capiberibe (PSB-AP), um dos presentes ao encontro daquela noite.
Cinco dias antes, seu colega Roberto Requião (PMDB-PR) havia sido anfitrião de mais um convescote pró-Dilma. Fez tantas reuniões que seu estoque de vinhos acabou. Requião batizou o grupo de “G-30”, com a expectativa de que ele abrigasse 30 aliados ou simpatizantes da petista, mas a estratégia fracassou.
Com Luiz Inácio Lula da Silva como convidado de honra, Requião serviu carneiro assado. Apenas cinco senadores, porém, se dispuseram a ouvir o ex-presidente. O mais esperado deles, Cristovam Buarque (PPS-DF), não apareceu.
Cristovam foi uma das muitas decepções de Dilma. Dizendo-se indeciso, bateu ponto quatro vezes no Alvorada, transformado em gabinete virtual da “pronta resposta” às medidas anunciadas por Temer. Alinhavou sugestões para a carta escrita pela petista, batizada de Mensagem ao Senado e ao Povo Brasileiro, pediu a ela um sinal de que manteria Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, em caso de retorno ao cargo, e indicou que, ao fim do processo, poderia até escrever um livro em sua companhia.
Na fria madrugada do último dia 10, no entanto, Cristovam votou contra Dilma. “Para ela, é melhor sair como João Goulart do que ficar como Nicolás Maduro”, comparou o senador, numa referência ao presidente obrigado a se exilar no Uruguai, na ditadura, e ao enfraquecido chefe do Executivo na vizinha Venezuela. Detalhe: em 2013, Dilma foi tratada pelo jornal britânico The Guardian como a “dama de ferro” brasileira, uma alusão à ex-premiê do Reino Unido Margareth Thatcher.
Ressentimento. Dirigentes do PT disseram que Cristovam nunca perdoou Lula por tê-lo demitido em 2004 do Ministério da Educação, por telefone, e “guarda o ódio na geladeira”. Nos bastidores, porém, antigos aliados de Dilma criticaram o fato de a presidente afastada ter demorado tanto tempo para divulgar a carta ao Senado, que voltou a bater na tecla do “golpe”, dividindo seus discípulos.
Dilma precisa de 28 dos 81 votos de senadores para escapar do impeachment, mas, na sessão de pronúncia, obteve apenas 21 – um a menos do que tinha em maio. “Nada me deprime nem me abate. Eu vou lutar até o último minutozinho”, avisou a mulher que, em 2014, carregava o mote de “coração valente” na campanha. “Hoje eu não tenho de renunciar, não tenho de me suicidar, não tenho de fugir para o Uruguai”, bradou ela em seu último ato público, na quarta-feira, em uma referência a Getúlio Vargas e a João Goulart. “É porque você tem peito!”, berrou uma mulher na plateia.
Suspiros. Na longa jornada contra o impeachment, Dilma recebeu no Alvorada dirigentes de partidos, senadores, deputados, intelectuais, sindicalistas, cineastas, representantes de vários movimentos sociais e até chef de cozinha. A cúpula do PT, no entanto, praticamente a abandonou.
Rachado, o partido não endossou nem mesmo a proposta de plebiscito para antecipar a eleição presidencial de 2018 – principal bandeira de Dilma em sua mensagem aos congressistas – e quer virar a página do impeachment para que o drama político não contamine ainda mais seus candidatos nas disputas pelas prefeituras. O problema maior está em São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad enfrenta dificuldades na briga para conquistar mais um mandato.
Com tantos almoços e jantares, Dilma engordou cinco dos 17 quilos perdidos na dieta Ravenna. Preocupada, manteve todos os dias o hábito de pedalar nas proximidades do Alvorada, e alongar o corpo por meia hora. Aliados juram que, nesse período, ela conversou com mais políticos do que em seus cinco anos e oito meses à frente do Planalto.
Após fazer inúmeras contas de calorias, Dilma conseguiu incluir na dieta pequenos suspiros, adoçados com stevia, e não abre mão das sessões de acupuntura com o chinês Gu Hanghu, que também lhe receitou raiz de ginseng, para dar energia.
Metódica e disposta a emagrecer, a presidente afastada chegou a uma conclusão “estarrecedora” para quem ultrapassou os cem dias de solidão. “Um pote com 78 minissuspiros equivale a uma banana, minha filha”, revelou ela a uma amiga, sem esconder a alegria com a descoberta.
Na atual temporada, Dilma alternou momentos de abatimento aos de alívio. Não foram poucos os que disseram ao Estado que ela parece ter tirado um “peso” das costas. Em uma das reuniões com militantes, porém, até da cor do rejunte no piso das moradias do programa Minha Casa Minha Vida ela falou. “Por que não pode ter rejunte rosa, rejunte verde?”, indagou, detalhista, como se ainda estivesse no comando do projeto. Foi mais uma mostra de que Dilma está cada vez mais Dilma.
(foto: Filippo Monteforte/AFP)

Temer prepara mudanças em vitrines sociais do PT


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O presidente em exercício Michel Temer prepara mudanças na área social do país caso o afastamento de Dilma Rousseff se confirme, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. Com alterações em programas petistas, a retomada da reforma agrária e a implementação de iniciativas de impacto eleitoral, o governo visa acabar com o discurso de que a gestão peemedebista representaria um retrocesso, além de se aproximar das camadas mais pobres, que formaram a principal base de apoio às gestões Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva. As informações são da Veja/Estadão.
A proposta inclui mudanças em pelo menos cinco programas considerados bandeiras do PT – Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Ciência sem Fronteiras, Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Transposição do São Francisco – e o lançamento de outros dois – um destinado a atender crianças da primeira infância e outro de reforma de casas populares, com recursos federais.

Após as eleições municipais, Temer deve lançar um plano de inclusão produtiva, que pretende dar uma nova cara ao Bolsa Família. Depois de anunciar um reajuste de 12,5% no valor do benefício, o Planalto quer combater a informalidade no mercado de trabalho verificada entre os atendidos pelo programa – cerca de 14 milhões de famílias. A ideia é estimular que tenham carteira de trabalho assinada, garantindo o recebimento do benefício por um a dois anos mesmo depois de empregados.
“Não tem nenhum retrocesso na agenda social, só temos uma visão diferente: o governo anterior tinha uma visão mais assistencialista, enquanto nós achamos que as pessoas não precisam se conformar com o benefício”, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra. “Da maneira como está, ninguém sai do Bolsa Família, só entra.”
O governo estuda ainda organizar pequenas incubadoras de startups para jovens beneficiados e parcerias com gigantes do setor de informática a fim de estimular o empreendedorismo. Prefeitos cujos municípios registrem a maior proporção de famílias emancipadas receberão diploma das mãos de Temer, fortalecendo o discurso de combate à pobreza, e serão premiados – o valor deve ficar entre 100.000 e 3 milhões de reais, segundo Terra.
O roteiro para os primeiros meses do governo efetivo de Temer inclui o lançamento do Criança Feliz, projeto que prevê o acompanhamento de crianças de até 3 anos que são filhas de beneficiários do Bolsa Família. “Os programas de desenvolvimento (social) serão mantidos e majorados. O governo busca normalizar e pacificar o país”, disse o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha.
Segundo O Estado de S.Paulo, Temer deverá anunciar no próximo mês uma nova política de reforma agrária, conferindo aos beneficiados o título de domínio da propriedade e retirando de movimentos sociais, como o MST, o papel de selecionar as famílias. O Planalto também pretende corrigir distorções apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou até casos de servidores públicos beneficiados com a distribuição de terras.
No dia 9 deste mês, Temer lançou um programa de revitalização de 1,2 bilhão de reais da Bacia do Rio São Francisco intitulado “Novo Chico”, que inclui recuperação de áreas, controle de processos erosivos e a implementação de técnicas de irrigação mais modernas. A transposição e a recuperação do rio foram uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Dilma, impulsionando seu desempenho no Nordeste – depois de muitos atrasos, a obra só deverá ficar pronta em 2017.
Educação
Outra bandeira petista que será alterada é o Pronatec, que deverá oferecer cursos mais voltados para a realidade de cada município. O Ciência Sem Fronteiras será reformulado, com o fim das bolsas para graduação, e dará prioridade a jovens pobres do ensino médio matriculados em escolas públicas. “Eles estão destruindo esses programas e reduzindo recursos para a educação”, criticou o ex-ministro Miguel Rossetto, um dos auxiliares mais próximos de Dilma.
(foto: Pascal Le Segratian)

Temer adotará medidas impopulares após confirmação do impeachment de Dilma


Será bem menos tolerante em relação aos pedidos de aumentos de salários

MURILO RAMOS
28/08/2016 - 10h00 - Atualizado 28/08/2016 10h41
Michel Temer presidente interino (Foto:   Ueslei Marcelino / Reuters)
Após a confirmação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, Michel Temer reagirá de modo diferente em relação aos pedidos feitos ao governo para que conceda aumentos para várias categorias de servidores públicos. Até agora, Temer tem sido comedido nas respostas dos pleitos porque depende dos senadores, suscetíveis a pressões de funcionários, para permanecer no posto. Temer deu sinais de que dará ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e sua equipe as condições para promoverem um arrocho fiscal daqueles.