Defesa de Lula reage à denúncia: ‘Espetáculo de verborragia’

Diante das pesadas denúncias apresentadas nesta quarta-feira pela força-tarefa da Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu atacar os procuradores da operação e rechaçar com veemência as acusações formalizadas hoje, que o colocaram como chefe central do esquema de corrupção na Petrobras. O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, rebateu o teor da denúncia, dizendo que ela tem cunho político e faz parte de um “truque de ilusionismo” e de uma “farsa lulocêntrica” criada para “atacar o Estado democrático de direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros”. “A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Lava Jato”, completou.
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Durante coletiva para detalhar a denúncia, o coordenador da equipe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, classificou Lula como o “comandante máximo” do petrolão e que, sem ele, o esquema não seria possível. reação do petista às declarações da procuradoria veio rápida, antes do término da coletiva convocada pela MPF. 

Em um ataque direto a Dallagnol, Zanin ironizou a sua fala, taxando-a de”incompatível” com o cargo que ocupa. “Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime. Sua conduta política é incompatível com o cargo de procurador-geral da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses”, afirmou o advogado, que errou ao citar o posto de Dallagnol, que é procurador da República do MPF do Paraná. O PGR é Rodrigo Janot.
Pela primeira vez na Lava Jato, Lula foi acusado formalmente pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá. Segundo Dallagnol, ele recebeu propina em forma de benfeitorias no imóvel num valor total de 3,7 milhões de reais. Apesar das evidências colhidas pelos investigadores, Zanin voltou a dizer que o ex-presidente não é proprietário do apartamento que ganhou reformas da empreiteira OAS, enrolada no esquema de corrupção da Petrobras – portanto, “não seria beneficiário de qualquer benesse”, disse o advogado.

“Lula era o comandante máximo da organização criminosa”


Entenda por que a Operação Lava Jato acusa o ex-presidente de comandar o petrolão e pede que ele seja processado por corrupção e lavagem de dinheiro

DANIEL HAIDAR
14/09/2016 - 16h19 - Atualizado 14/09/2016 21h23
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado à Justiça nesta quarta-feira (14), acusado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A força-tarefa do Ministério Público Federal que cuida da Operação Lava Jato divulgou há pouco, em Curitiba, o pedido no qual acusa Lula de ter cometido esses crimes quando foi favorecido pela empreiteira OAS na compra e reforma do apartamento tríplex no edifício Solaris, em Guarujá, litoral de São Paulo. A OAS é uma das empreiteiras participantes do petrolão, o esquema de corrupção instalado na Petrobras durante o governo de Lula.
A denúncia será encaminhada ao juiz federal Sergio Moro, que decidirá se há provas suficientes para abrir processo contra Lula por esses crimes. “A Operação Lava Jato acusa o senhor Luiz Inácio Lula da Silva de ser o comandante máximo do esquema de corrupção na Petrobras”, afirmou o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol. “O que se constatou foi o repasse de recursos da empresa OAS para o ex-presidente Lula por meio de um imóvel, um apartamento tríplex, pela reforma desse tríplex, pela decoração desse tríplex, pelo contrato falso de armazenamento de bens”, acrescentou.
O ex presidente Luis Inácio Lula da Silva Lula  (Foto:   Paulo Whitaker / Reuters)
De acordo com a ação penal apresentada pela força-tarefa, Lula “recebeu de forma direta, em benefício pessoal, valores oriundos do caixa geral de propinas da OAS com o PT” no total de R$ 3,7 milhões. Para calcular qual foi o benefício de Lula, os procuradores consideraram o perdão de uma dívida equivalente a R$ 1,1 milhão pela aquisição do tríplex, que Lula não pagou porque só tinha desembolsado o equivalente a R$ 340 mil por um apartamento menos valioso. Também entraram na conta as reformas no tríplex, que custaram R$ 926 mil, e a decoração do apartamento, que saiu por R$ 350 mil. Nenhum outro proprietário teve tamanha honraria da empreiteira no condomínio Solaris. Lula desistiu da compra quando a existência do apartamento se tornou pública. E Lula também foi beneficiado pelo fato de a OAS ter desembolsado R$ 1,3 milhão para manter objetos pessoais do ex-presidente em depósitos da transportadora Granero, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2016.
Para demonstrar que Lula foi beneficiado com a reserva do tríplex, ainda que tenha desistido de morar no local, os investigadores apresentaram documentos internos da OAS e da Bancoop em que o tríplex é apontado como um imóvel “reservado”, cuja negociação estava proibida. A força-tarefa também localizou documentos internos da Bancoop em que, depois de uma rasura, a família de Lula deixa de ser registrada como proprietária de um apartamento básico e passa a ser dona de um tríplex.
A defesa afirma que o tríplex foi oferecido a Lula, que terminou por não exercer a opção de compra. Os investigadores da Lava Jato demoliram essa versão. Apresentaram documentos e rastrearam pagamentos que demonstraram que a OAS reservou o apartamento para Lula por vários meses e o reformou, sob a orientação de sua esposa, Marisa Letícia. Em uma atitude nada usual, o próprio Léo Pinheiro esteve no apartamento com Lula e Marisa para tratar de detalhes da reforma.

A defesa de Lula tentou várias vezes evitar que ele caísse nas mãos de Moro. Na semana passada, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou um recurso nesse sentido e afirmou que a defesa de Lula tentava apenas “embaraçar” as investigações. Além de Lula, a força-tarefa denunciou a ex-primeira-dama Marisa Letícia, pelo crime de lavagem de dinheiro, e Paulo Okamotto, amigo de Lula e ex-presidente do Instituto Lula, por lavagem de dinheiro. Também foram denunciados o presidente da OAS, Léo Pinheiro, e mais quatro pessoas envolvidas no caso.
O caso tríplex foi a segunda ação penal contra Lula. No final de julho, ele havia sido denunciado, acusado de tentar atrapalhar a investigação da Lava Jato, ao participar com o ex-senador petista Delcídio do Amaral, de uma operação para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró – que, depois, formalizou um acordo de colaboração com a Justiça.
Desde fevereiro a defesa de Lula tentava paralisar as investigações, com recursos ao Supremo Tribunal Federal. Lula deve ter mais problemas no futuro próximo. Ele também é investigado e pode ser denunciado pela mesma prática em outro imóvel, o sítio em Atibaia. Embora o imóvel esteja registrado em nome de sócios de um dos filhos de Lula, os investigadores formaram a convicção de que o ex-presidente é o verdadeiro proprietário do sítio. O imóvel foi reformado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, ambas envolvidas no petrolão. Um laudo da Polícia Federal calcula em R$ 1,2 milhão o gasto das empresas com obras, móveis e equipamentos para a propriedade.
Entre 2011 e 2014, o Instituto Lula recebeu R$ 20 milhões doados por empresas investigadas no petrolão. Lula também faturou outros R$ 10 milhões de empreiteiras no mesmo período. No papel, as notas fiscais apontam que Lula deu palestras para as empresas. Mas, se ficar constatado que a motivação era menos nobre, Lula também vai ser processado por isso.

DELATORES QUE CONFIRMARAM LULA COMO CHEFE



A denúncia do MPF contém os principais trechos de delações que citam Lula como chefe do esquema: Pedro Corrêa, Delcídio do Amaral, Fernando Schahin, Fernando Soares, Nestor Cerveró.
O ANTAGO

Dallagnol sabe mais do que nós




Quem afirma que Deltan Dallagnol exagerou na denúncia contra Lula se esquece de um fato: ele e os demais procuradores da Lava Jato sabem muito mais do que nós sobre os crimes do petista.
Será no processo que o MPF usará toda a sua munição.

Reunião de Pauta: O comandante máximo da corrupção - VÍDEO






ESPETACULAR: LULA É O GENERAL DO PETROLÃO VÍDEO



Claudio Dantas, direto de Curitiba, comenta a denúncia bombástica contra Lula, o general do petrolão.
Dantas traz bastidores exclusivos e revela os próximos passos da Lava Jato contra Lula.



Sobre pedido de prisão



Deltan Dallagnol diz que o MPF tem por praxe não comentar "medidas cautelares".
Ele não responde, portanto, se foi pedida a prisão de Lula.

CESSOU O PERIGO DE LULA ATRAPALHAR A LAVA JATO?


Claudio Dantas, de O Antagonista, pergunta se cessou o risco de Lula atrapalhar a investigação, considerando os fartos indícios de obstrução à Lava Jato por parte do ex-presidente.
"Claudio Dantas, obrigado por estar aqui. Mas, por padrão, o Ministério Público não se manifesta sobre medidas cautelares."
Claudio insistiu.
Afinal, quando Lula será preso?

LAVA JATO VAI SE ESPALHAR



Deltan Dallagnol respondendo sobre ol fim da Lava Jato:
"Chegar ao comandante do petrolão é chegar ao ápice, o que impede de avançar verticalmente para cima, mas não impede a expansão para os lados."
"A Lava Jato está em plena expansão."

LULINHA E BITTAR GANHARAM FÔLEGO



Respondendo novamente a O Antagonista, Deltan Dallagnol disse que Lulinha, Sandro Lula e Fernando Bittar, citados na investigação do triplex, ficaram de fora da denúncia.
"Não houve nesse caso indícios suficientes para incriminá-los", afirmou o procurador.

BLOQUEIO DE BENS?




O Antagonista também perguntou a Deltan Dallagnol se houve pedido de bloqueio de bens de Lula e Marisa. O procurador, mais uma vez, não quis se manifestar sobre "medidas cautelares".

"O começo do fim das aspirações presidenciais de Lula"



O brasileiro Marcos Troyjo, da Columbia University, resumiu ao Guardian o que significa a denúncia contra Lula:
“O PT, que talvez tenha pensado que se moveria confortavelmente para a oposição depois do impeachment de Dilma, enfrentará desafios extremos. É certamente o começo do fim das aspirações presidenciais de Lula."

Morre, aos 54 anos, o ator Duda Ribeiro, o Adam em "Salve Jorge"


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Do UOL, no Rio
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Relembre a trajetória do ator Duda Ribeiro9 fotos

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Duda Ribeiro interpretou um passageiro na série "Faça Sua História", de 2008Imagem: Divulgação/Globo
O ator Duda Ribeiro morreu nesta quarta-feira (14) aos 54 anos. Ele lutava contra um câncer e estava internado no hospital Adventista Silvestre no Rio de Janeiro. Em 2010, o ator passou por seis cirurgias para tratar um câncer no fígado e precisou realizar um transplante.
Em nota oficial, a direção do hospital informou que Duda estava "em processo de Quimioterapia para tratamento de um tumor neuroendócrino, que evoluiu para uma pneumonia grave e resultou em choque séptico. O ator faleceu nesta quarta-feira, às 05h10".

Em seu última publicação no Facebook, no dia 7 de setembro, Duda escreveu: "A vida nas mãos do Criador. Não se iluda, ela não será controlada por você. Por isso tente, uma vez só, deixar que ela flua como Ele quer".

Vários amigos lamentaram a morte do ator nas redes sociais. "Amigo querido. Aprendi com ele em cada momento de sua luta. Aceitando com alegria seu destino e nos alegrando a todos sempre. Mais uma estrela nos ilumina agora em paz", escreveu Letícia Spiller no Instagram.
A autora Gloria Perez contou que o ator já foi namorado de sua filha Daniella Perez. "Duda chegou em nossa família na adolescência, como o primeiro namorado sério da Dany. E ficou para sempre, como um amigo querido e presente. Hoje ele foi embora, depois de lutar tanto e tão bravamente pela vida. Muita saudade, Duda".
"Meu amigo amado, é com essa imagem que me despeço de você, em 'Assalto ao Banco Central'. Foi você que me ensinou a fazer comédia, foi com a sua direção que ganhei premio de atriz revelação no teatro, foi com você que fiz um dos melhores e mais divertidos trabalhos da minha vida. Te amo muito, parabéns pela sua passagem nesse plano, dois filhos lindos, um grande homem, grande amigo e um grande ator. Vai com Deus", escreveu Antonia Fontenelle.
O ator deixa dois filhos, Júlia, 16 anos, e Felipe, de 14, frutos do seu relacionamento com a dentista Patricia Iorio.

Duda interpretou o personagem Adam em "Salve Jorge" (2012) e participou do "Vai que Cola" em 2013. Ele estava escalado para a próxima novela de Gloria Perez, "À Flor da Pele", que estreia em 2017 na Globo.
Biografia
Duda Ribeiro nasceu em 5 de junho de 1962, no Rio de Janeiro. Formado em engenharia, ele ingressou na atuação após ser convidado para a montagem do espetáculo "Nossa Cidade" pelo diretor Carlos Wilson, a quem havia conhecido em uma reunião do Tablado.
De lá em diante, ele atuou em várias peças e construiu também uma carreira como dramaturgo, tendo escrito produções como "Doida Varrida", "Uma Dupla de Dois" e "Ópera dos Horrores".
Na TV, ele atuou em várias novelas da Glória Perez, incluindo "Barriga de Aluguel", o remake de "Pecado Capital", "Caminho dos Índias", além de "Salve Jorge". 

PGR deve endurecer negociação sobre eventual delação de Cunha

Membros da Procuradoria-geral da República (PGR) indicaram que devem endurecer as negociações sobre uma eventual delação premiada de Eduardo Cunha, segundo a edição do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira. Na avaliação dos procuradores, a tratativa com um dos principais alvos da Operação Lava Jato poderia desgastar a imagem da PGR.
Com a cassação do mandato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados perde o foro privilegiado e as ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e demais investigações da Lava Jato devem seguir para a primeira instância em Curitiba, com o juiz federal Sergio Moro.

Segundo o jornal, Cunha se reuniu com seus advogados nesta terça-feira para discutir estratégias de defesa, entre elas a possibilidade de delatar. Publicamente, o ex-deputado nega essa possibilidade.
Segundo integrantes da PGR, um acordo não seria positivo para a instituição, a não ser que Cunha apresente um volume substancial de provas documentais, restitua o dinheiro que, segundo as investigações, desviou da Petrobras —mais de 150 milhões de reais — e cumpra alguns anos de prisão em regime fechado.
Outro fator que pode pesar sobre Cunha são os embates diretos que teve com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reconhecido pelo próprio ex-deputado que admitiu em entrevista que errou em “confrontá-lo exageradamente”. No entanto, o peemedebista indica que pode entregar dossiês sobre figuras políticas importantes, inclusive do centro do governo do presidente Michel Temer.

O Antagonista está na República de Curitiba!



Claudio Dantas já desembarcou em Curitiba.
Este site antecipou a apresentação da denúncia contra Lula hoje.
A coletiva do MPF será às 15h. Acompanhem conosco.

Lava Jato denuncia Lula à Justiça pelo tríplex do Guarujá


Procuradores federais apontam que o ex-presidente foi favorecido por empreiteira que pilhou a Petrobras na compra e reforma do apartamento

DANIEL HAIDAR
14/09/2016 - 11h20 - Atualizado 14/09/2016 12h14
A força-tarefa do Ministério Público Federal que cuida da Operação Lava Jato vai anunciar, na tarde desta quarta-feira (14), a denúncia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Justiça. Os procuradores afirmam que Lula cometeu crimes ao receber vantagens indevidas da empreiteira OAS na compra do apartamento tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo. A OAS é uma das empreiteiras participantes do petrolão, o esquema de corrupção instalado durante o governo Lula na Petrobras.
O ex-presidente Lula durante depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment (Foto: Sérgio Lima/ÉPOCA)
A empreiteira não apenas reservou o imóvel como o reformou completamente, sob orientação da família de Lula. Quando o caso se tornou público, Lula desistiu da compra. A denúncia será encaminhada ao juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, Paraná. Dentro da Lava Jato, Lula já foi acusado de tentar sabotar as investigações, na tentativa da compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Lula também é investigado pela compra do sítio de Atibaia, reformado com ajuda de outra empreiteira envolvida no petrolão, a Odebrecht.
Desde fevereiro, Lula tenta escapar da alçada de Moro, com uma série de recursos apresentados a Tribunais Superiores. Na semana passada, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou um desses recursos com o argumento de que a defesa de Lula tentava criar obstáculos à investigação.

Lava Jato vai levar a Moro primeiras denúncias contra Lula pela reforma no tríplex


Estadão


O Ministério Público Federal apresentará denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro na reforma do tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista. O petista é alvo de três investigações centrais na Operação Lava Jato, em Curitiba – sede do escândalo de cartel e corrupção na Petrobras. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também será acusado criminalmente.
Lula teria recebido “benesses” da empreiteira OAS – uma das líderes do cartel que pagava propinas na Petrobras – em obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris. O prédio foi construído pela Bancoop (cooperativa habitacional do sindicato dos bancários), que teve como presidente o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – preso desde abril de 2015. O imóvel foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira.
Os procuradores da Lava Jato acusarão na Justiça Lula de ser o verdadeiro dono do tríplex que estava em reforma – a defesa do petista nega taxativamente.
No último mês, a Polícia Federal indiciou Lula, a ex-primeira dama Marisa Letícia, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, e um engenheiro da empreiteira que participou da reforma do imóvel. No indiciamento, o delegado Márcio Adriano Anselmo, afirmou que “(Lula) recebeu vantagem indevida por parte de José Aldemário Pinheiro e Paulo Gordilho, presidente e engenheiro da OAS, consistente na realização de reformas no apartamento 174”. O imóvel recebeu obras avaliadas em R$ 777 mil, móveis no total de R$ 320 mil e eletrodomésticos no valor de R$ 19 mil – totalizando R$ 1,1 milhão.
Processos
Lula foi alvo de condução coercitiva, no dia 4 de março, quando foi deflagrada a 24ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Aletheia. Na ocasião ele negou conhecer o engenheiro da OAS Paulo Gordilho, que teria participado da reforma da cozinha do tríplex e de outra propriedade que investigadores atribuem a Lula, o sítio de Atibaia (SP).
Investigadores da força-tarefa, em Curitiba, reuniram elementos para apontar a participação de Lula no esquema de cartel e corrupção que vigorou de 2004 a 2014, na Petrobras – e teria sido espelhado em outras áreas do governo, como contratos do setor de energia, concessões de aeroportos e rodovias.
Com base em uma sistemática padrão de corrupção como “regra do jogo”, empreiteiras, em conluio com agentes públicos e políticos da base, PT, PMDB e PP, em especial, desviavam de 1% a 3% em contratos das estatais. Um rombo de pelo menos R$ 6,2 bilhões só na Petrobras.
Lula teria recebido “benesses” das empreiteiras do cartel, como Odebrecht, OAS e outras. Executivos dos dois grupos empresariais negociam desde o início do ano acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal – a da OAS foi encerrada pela Procuradoria Geral da República (PGR).
Nas mensagens encontradas nos celulares apreendidos do ex-presidente da OAS e do engenheiro do grupo há elementos, para a PF, de que o casal Lula orientou as reformas no apartamento do Guarujá.
Os pagamentos da OAS também devem gerar outra denúncia sobre o custeio do armazenamento de bens do ex-presidente pela empresa Granero. Desde 2011, quando ele deixou a Presidência, a empreiteira teria pago cerca de R$ 1,3 milhão pela guarda do material.
Investigações
Outro inquérito, em fase final, investiga a compra e reformas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia, interior de São Paulo. O imóvel, para a Lava Jato, pertence a Lula e recebeu obras da OAS e da Odebrecht. O ex-presidente nega ser o proprietário do sítio
O terceiro inquérito da PF vasculha pagamentos e doações à LILS Palestras e Eventos e ao Instituto Lula. A PF suspeita que a LILS e o Instituto receberam valores de empreiteiras contratadas durante os dois mandatos de Lula (2003/2010).

Garota tenta abrigo em lanchonete para se livrar de assalto, bandido vai atrás, mas acaba se dando mal


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

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Um policial civil lotado no Instituto de Identificação, que estava na lanchonete, viu a cena e interveio. Foto: AN/Banda B

Uma garota sofreu uma tentativa de assalto na manhã desta quarta-feira (14) no Centro de Curitiba. Para se aproximar, o suspeito disse que queria conversar com a vítima, e logo anunciou o assalto. Um policial civil que estava em uma lanchonete viu as ameaças e deteve o suspeito, que havia saído da cadeia há alguns dias. A vítima e o assaltante foram encaminhados ao 1º Distrito Policial.
Ainda assustada, a jovem contou à Banda B que seguia para o trabalho, caminhando pela rua Pedro Ivo quase esquina com a Lourenço Pinto, quando o assaltante a abordou. “Eu estava indo pro meu trabalho e ele me abordou, eu pensei que ele fosse me pedir comida. Ele começou a conversar, disser que tinha saído da cadeia e, de repente, falou pra eu passar meu celular pra ele. Eu me assustei e corri para dentro de uma lanchonete. Pensei que ele não fosse vir, mas ele veio e ainda ficou gritando pra eu sair que ele ia me assaltar, mesmo”, detalhou a adolescente de 17 anos.
Em meio às intimidações, um policial civil lotado no Instituto de Identificação, que estava na lanchonete, viu a cena e interveio. “Eu a vi entrar assustado e já estava de olho nesse rapaz. Assim que ela gritou, eu abordei, coloquei no chão, pedi apoio e a Polícia Militar chegou. Ele mesmo contou que tem passagem por roubo e saiu recente da cadeia. Agora, volta”, finalizou. A PM foi acionada e encaminhou o suspeito ao 1º DP.